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Squinty Eyes (Narrativa do viajante)

Sara Cristina Faria Geraz | C15

J. T. Barbosa Vinhos, Lda

Shangai | China

 

Estamos em Shanghai. Eleita recentemente a cidade mais populosa do mundo, não há maneira possível de eu conseguir expressar em palavras ou fotografias estes últimos 6 meses. Acredito piamente que é preciso experienciar, observar, ouvir, sentir, absorver para perceber…

 

Esta narrativa do viajante é por isso, desde já, um desastre anunciado.

 

Dia 25 de Janeiro de 2011 aterrei nesta alucinante metrópole, atordoada e exausta, inevitavelmente lutando contra um doloroso jet lag, porém já histérica e deslumbrada com tudo que me rodeava. Estava no outro lado do mundo. E não podia ser mais diferente. Aproximava-se o Ano Novo Chinês e a sua iminência tornava a confusão nas ruas mais grave do que o usual. Os prédios altos enchiam-me a vista, a azáfama das ruas, simultaneamente tão fascinante e cansativa, confundia-me.

 

Quando se ouve falar da China, muitos estereótipos nos saltam imediatamente à mente, desde os hábitos alimentares aos padrões de higiene muita coisa se diz. Vim a confirmar que a maior parte são realmente verdade e não me vou alongar a descrever pormenores.

 

O choque cultural já tinha sido esforçadamente salientado, de maneira que não me deixei abalar. Decidi antes saltar da minha zona de conforto, esquecer o meu pequenino mundo ocidental e abrir a mente para receber tudo que este país me poderia ensinar. Aprendi a apreciar a diferença, a enriquecer o espírito com ela. Aprendi que nem sempre precisamos de falar a mesma língua para conquistar um sorriso ou para nos enamorarmos de algo. Joguei badmington com uma criança desconhecida, ri-me com eles sem os perceber, dancei com um idoso na rua, preocupei-me pouco em entender, concentrei-me antes em deleitar-me e aspirar o mundo que me rodeava.

 

Descobri um povo generoso, harmonioso e feliz, apesar das dificuldades ou restrições de liberdade impostas. Ideias pré-concebidas e preconceitos de nada servem para um entendimento puro desta sociedade tão profundamente diferente. Nem sempre foi fácil, é verdade, sou uma homesick por natureza e tive as minhas fragilidades… Mas, o balanço é sinceramente positivo. Às pessoas que toquei e me tocaram de alguma forma, um sincero obrigada, por enriquecerem esta deambulante alma viajante...  

Created By: Sara Cristina Faria Geraz
Published: 25-01-2012 12:00

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