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Racismo e exclusão social (EUA)

Bernardo Pinto Leite Magalhães Martinho | C22

Limiar Capital Management | Estados Unidos da América

Introdução

Atualmente, não existe tópico mais divisório nos Estados Unidos da América do que o racismo e exclusão social. Compreender a génese dum tópico com tamanha complexidade e o rumo que tomou, exige uma análise multidisciplinar, um olhar crítico para toda a história do país e um enfoque nos acontecimentos dos últimos anos.

Escravatura

Não obstante a escravatura ter sido abolida em 1865 como resultado da Guerra Civil, os direitos dos afro-americanos continuaram sem ser reconhecidos durante grande parte do século XX. Apenas em 1965, os protestos em massa do American Civil Rights Movement, tiveram efeito contra a segregação e discriminação existente. Trata-se, portanto, de uma questão relativamente recente para o povo americano, com implicações ainda hoje em dia.

Imigração ilegal

No entanto, o racismo existente hoje em dia ganhou contornos diferentes, à medida que a imigração ilegal nos Estados Unidos ganhou força.

A imigração ilegal proveniente da América Central e do México atingiu o pico em 2007, situando-se atualmente (últimas estimativas datam de 2015) em 11,5 milhões de imigrantes em situação ilegal, o que representa 3,4% da população total dos EUA.

As maiores criticas à imigração ilegal são o aumento da criminalidade e o “roubo”, por parte dos migrantes, de emprego dos cidadãos americanos.

Relativamente à primeira questão, existe extensa literatura de que não existe correlação entre imigração ilegal e aumento do crime, havendo estudos que argumentam que o contrário ocorre, como é o exemplo de Light, Michael T.; Miller, TY. "Does Undocumented Immigration Increase Violent Crime?" ou Green, David (2016-05-01). "The Trump Hypothesis: Testing Immigrant Populations as a Determinant of Violent and Drug-Related Crime in the United States".

Não obstante, é necessário referir que existem grupos criminosos nos Estados Unidos constituídos por 90% imigrantes da América Central, que se dedicam ao tráfico de drogas e outros crimes violentos.

Dum ponto de vista económico e indo de encontro à segunda crítica à imigração, o consenso é de que imigrantes ilegais maioritariamente aceitam emprego pouco atrativo onde auferem rendimentos mais baixos e que a maioria dos americanos não quer fazer.

Este sentimento de que os migrantes roubam os trabalhos dos cidadãos acentua-se particularmente em situações de desemprego elevado. Portanto, o desemprego e o racismo aparentam ter uma correlação positiva.

Crime por raça

Um estudo de 2003, D'Alessio, S. J.; Stolzenberg, L. (1 June 2003). "Race and the Probability of Arrest", concluiu que a probabilidade de ser detido, na sequencia de ter cometido crimes como assalto ou roubo à mão armada é maior para pessoas brancas do que afro americanos ou hispânicos.

Aliás, as sentenças de prisão são substancialmente mais longas, em média, para afro americanos e hispânicos do que para brancos (64,1 meses, 54,1 meses e 32,1 meses, respetivamente). Adicionalmente, a taxa de encarceração é bastante díspar entre raças: 450 por cada 100mil habitantes brancos, 831 por cada 100mil habitantes hispânicos e 2306 por cada 100mil habitantes afro americanos.

Isto torna o problema vastamente mais complexo, pois torna-se necessário entender se a diferença de encarceramento poderá ter uma explicação discriminatória. Independentemente dos números, a razão pela qual esta disparidade existe continua a ser alvo de estudo intensivo.

Experiência pessoal

A minha experiência nos Estados Unidos, embora curta, permite-me tirar algumas ilações relativamente ao racismo e exclusão social. No entanto, é necessário notar que a minha experiência se limita apenas a uma cidade, portanto não poderá ser indicativa de um país inteiro, muito menos de um país com a dimensão geográfica e densidade populacional como os EUA.

DC, tratando-se da capital dos EUA, é uma cidade multicultural, com cidadãos de todos os países do mundo e uma população relativamente jovem. Sendo uma cidade com tanta diversidade, a incidência de racismo tende a ser inferior, do que numa cidade mais uniforme.

Efetivamente, nunca testemunhei nenhuma situação de racismo ou exclusão. Pelo contrário, vejo, com bastante frequência, um sentimento de cordialidade entre todos os cidadãos, independentemente da etnicidade.

No entanto, uma coisa parece ser evidente para mim: existe uma correlação entre o nível de riqueza/pobreza e a etnia. Isto torna-se particularmente evidente no consumo de bens necessários, como a alimentação.

Exponho o meu argumento com dois exemplos práticos: restauração e retalho alimentar (supermercados).

O preço médio dum jantar em DC rondará os 20/25 dólares, por pessoa, com direito a prato e bebida. Por outro lado, em cadeias de fast-food, o preço pelo mesmo serviço, ronda em média 10 dólares. E nas ocasiões em que fui a cadeias de fast-food como McDonald’s ou Wendy’s, deparei-me sempre com o mesmo panorama: a maioria dos consumidores era afro-americana ou hispânica. A situação torna-se mais evidente à medida que nos afastamos do centro, em que ao invés de ser a maioria, passa a ser a totalidade dos consumidores.

O mesmo ocorre com o retalho. Em supermercados mais caros como Safeway ou Giant, os consumidores são predominantemente brancos. No entanto, nas opções mais baratas como o Walmart, os consumidores são predominantemente minorias.

Acresce ainda o processo de gentrificação que DC sofreu nas últimas décadas. DC era considerada a capital do homicídio nos Estados Unidos até à década passada. O processo de gentrificação que a cidade sofreu permitiu aumentar o nível de vida e, consequentemente, o custo de vida, o que obrigou a população mais pobre a migrar cada vez mais para as periferias. De momento, a população da periferia da cidade é maioritariamente hispânica e afro-americana.

Durante as duas primeiras semanas, aluguei um apartamento mais longe do centro e era notória a população de El Salvador, Guatemala, México, assim como afro-americanos.

Apenas quando me mudei para o centro de Rosslyn, uma zona cara de Virgínia, onde as sedes de empresas estão (o Central Business District de Virgínia), é que me apercebi deste efeito, dado que onde moro atualmente, a população é, arrisco-me a dizer, 80% branca.

Conclusão

O tópico do racismo e exclusão social nos Estados Unidos é deveras complexo, não sendo possível extrair conclusões concretas em tão poucas palavras, ou numa observação tão superficial. No entanto, penso que posso concluir da minha célere experiência aqui, de que embora não tenha testemunhado de forma alguma, racismo explícito, parece existir uma forma de exclusão social, ou até mesmo, de racismo, a ocorrer subtilmente.

Presença da ruralidade na paisagem urbana – Delft

Miguel Macias Marques Sequeira 

Miguel Sequeira | C22

Lenntech B.V. | Delft

Holanda

 

Reflexões em Delft

Ao sobrevoar os Países Baixos, após a cerimónia do INOV Contacto que associou o meu nome ao destino Delft, reparei imediatamente no vasto mar de estufas refletindo a luz desse dia ensolarado de fevereiro. Mais tarde, no comboio, atravessei vastas pastagens e plantações. A típica paisagem plana do país estendendo-se em todas as direções.

Esta imagem inicial contrariava as minhas pesquisas rápidas dos dias anteriores. A Holanda aparecia como o país mais densamente povoado da Europa, com 17 milhões de habitantes e uma área inferior à de Portugal.

A movimentada zona metropolitana de Randstad abrange o Porto de Roterdão, o maior porto marítimo da Europa, e o Aeroporto de Amesterdão, terceiro maior aeroporto europeu. Por outro lado, devolvia um pouco de credibilidade à minha vaga memória de um artigo que colocava os Países Baixos como o segundo maior exportador mundial de produtos alimentares. Resultado notável do mar de estufas e vastas pastagens.

Neste momento, depois de vários meses a estagiar e deambular por este país, o seu aparente paradoxo tornou-se mais claro. A população urbana, mais de 90% da população total, aglomera-se nos principais centros económicos e respetivos subúrbios. Estes estão "intercalados" por zonas industriais e rurais largamente desabitadas.

Dentro do anel de cidades do Randstad encontra-se o Groene Hart, coração verde e agrícola da Holanda, onde me deslocava nesse primeiro dia de estágio no estrangeiro, num misto de excitação e ansiedade.

 

 

Pastagens em Groene Hart

Figura 1 – Pastagens em Groene Hart

 

Os pequenos elementos de ruralidade no quotidiano citadino são bastante apreciados pela população. Os moinhos tradicionais, marcos históricos das cidades holandesas, rodam bucolicamente sobre moradores e turistas. De todos os sentidos surgem bicicletas, num caos ostensivo, mas sem acidentes.

Os canais estruturam a paisagem, repletos de pequenos barcos, aves e, nos raros dias de calor, pessoas. Semanalmente, os mercados invadem as ruas, trazendo vegetais, frutas, queijos e tulipas ao centro histórico. Os jardins periféricos fornecem um espaço para convívio, desporto e afastamento da agitada vida moderna.

 

Moinhos em Schiedam

Figura 2 – Moinhos em Schiedem

 

No entanto, estes postais rústicos não inibem o desejo de êxodo urbano que se vive nos Países Baixos e noutros países desenvolvidos. A procura de melhor qualidade de vida leva os habitantes a movimentarem-se do centro para os subúrbios e, existindo possibilidade financeira, para as zonas rurais.

Esta nova população semi-rural cria os seus próprios negócios, muitas vezes sob a forma de start-ups agrícolas, com processos altamente especializados. As necessidades biológicas das diversas espécies são analisadas em detalhe, são selecionadas as melhores estirpes e cada parâmetro ambiental é exaustivamente controlado, de forma a garantir o maior nível de produção. Tal permite, a um país pequeno e superpovoado, exportar excedentes alimentares que rivalizam com os gerados pelos Estados Unidos da América.

Este novo tipo de agricultura, baseado em tecnologia e conhecimento, pode representar parte da solução para alimentar a crescente população mundial.

 

Estufas em Roterdão

Figura 3 – Estufas em Roterdão

 

Neste inesperado equilíbrio holandês, entre urbano e rural, existe pouco espaço para a natureza. Antes da atividade antropogénica, um quinto do território encontrava-se sob a água; por causa da atividade antropogénica, parte poderá retornar ao fundo de lagos e mares. A expansão urbana, os novos conceitos de agricultura industrial e o aumento da população também ameaçam a sustentabilidade dos Países Baixos. 

Referências:

Ribeiro, Paulo (2013). Êxodo urbano, gentrificação rural e o futuro da paisagem. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitectura Paisagista. Disponível em: https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/6335

Trading Economics (2018). Dados estatísticos referentes aos Países Baixos. Consultado em Junho de 2018. Disponível em: https://tradingeconomics.com/

 

Foto-Reportagem sobre o quotidiano de uma C22 na Casa do Agricultor (Moçambique)

Cátia Martins | C22

Casa do Agricultor | Maputo

Moçambique            

 

A Empresa

Estou a estagiar na empresa Casa do Agricultor em Maputo. A Casa do Agricultor é a maior rede de retalho de agro-indústria de Moçambique que opera em todo o país sob o conceito “one-stop-shop” para agro-pecuária, que hoje está presente em 4 províncias, das quais a capital Maputo, Nampula, Chimoio e Tete.

A empresa comercializa insumos e equipamentos agrícolas de marcas nacionais e internacionais, através da venda com aconselhamento técnico e, seguidamente, serviço pós-venda.

Os escritórios da empresa encontram-se dentro da loja de Maputo no primeiro andar, tendo nós acesso direto aos clientes e trabalhadores, tornando o trabalho administrativo mais próximo do trabalho comercial.

 

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Fachada da Loja Casa do Agricultor de Maputo

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Entrada da Loja Casa do Agricultor de Maputo

Equipa de Trabalho

Neste estágio eu integro a equipa de Brand Manager da empresa e as nossas funções consistem em publicitar e vender os produtos das nossas marcas. Eu, como engenheira zootécnica, trabalho em conjunto com um colega medico veterinário como responsáveis de todas as marcas da área de pecuária: venda de medicamentos, vacinas, utensílios veterinários, entre outros. Os restantes colegas são responsáveis pela venda de fertilizantes, pesticidas, sementes, máquinas agrícolas e todo o restante material e produtos para agricultura.

Somos uma equipa muito unida e trabalhamos em grande proximidade e em conjunto para conseguirmos obter uma maior carteira de clientes.

Todas as semanas juntamos a equipa e fazemos uma reunião para trocar informações sobre clientes, discutir o que foi feito na semana anterior e preparar o trabalho para a semana seguinte. Verificamos também as metas de cada Brand Manager para saber como estão as vendas de cada marca e de cada um de nós, individualmente.

 

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Reunião Semanal

Dia no Escritório

O dia de trabalho começa às 8h e termina por volta das 17h, no escritório trabalhamos num open-space para melhor comunicação, troca de ideias, informações e, principalmente, ajuda.

O nosso conceito de “one-stop-shop” significa que tudo o que o cliente pede, nós temos a obrigação de fazer o nosso máximo para tentar fornecer, estando sempre à procura de novos fornecedores para todo o tipo de material. O nosso objetivo é conseguir fornecer ao cliente tudo o que ele necessita.

O nosso principal objetivo é vender, assim passamos o dia a ligar para clientes, a fazer cotações e a concorrer a concursos públicos para vendermos os nossos produtos.

 

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Escritório

Durante o dia de trabalho, fazemos duas pausas uma para o pequeno-almoço e outra para almoço. Por volta das 10h até as 10:30h fazemos uma pausa para o pequeno-almoço ou como os moçambicanos dizem o “mata-bicho”, que é servido pelas “tias” do centro social. Esta refeição é oferecida pela empresa a todos os funcionários, e podemos escolher entre, sandes, sopa ou salada. O almoço também é cozinhado e serviço aqui, ou podemos trazer uma marmita, que é o que eu faço como boa estagiária a tentar poupar algum dinheiro.

Finalmente às 17h chega a hora de saída.  

 

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Centro Social

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Hora do Almoço

Dia no Campo

Parte das minhas funções como Gestora de Marcas é a visita a clientes e a potenciais clientes, onde vou visitar as suas explorações ou, como chamam aqui, as suas “machambas” para ver os seus animais e saber quais os produtos e equipamentos veterinários que utilizam. Ofereço também aconselhamento veterinário e zootécnico, sobre tratamento de doenças, de maneio e boas pratica, com vista a ajudar o cliente a melhorar a sua produção.

Vou sempre acompanhada pelo meu colega médico veterinário e do motorista da empresa. Eu, como engenheira, dou um apoio mais prático em termos de maneio dos animais e o meu colega apoia mais na parte de doenças, medicamentos e produtos veterinários. 

 

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Viatura da Casa do Agricultor e Motorista

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Equipa de Trabalho de Campo

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Exploração de Bovinos em Magude

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Ação de Formação a Pequenos Produtores

Recursos Ambientais e Ordenamento do Território (Macau)

Joana Moreira | C22
Urban Practice | Macau
China

 

Macau, uma das regiões especiais da República Popular da China, permaneceu sob administração portuguesa desde meados do século XVI até à transferência da soberania para a China em 1999, estabelecendo-se desde então como Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).


A RAEM, antes constituída pela Península de Macau, Ilha Verde, Ilha de Taipa e Ilha de Coloane, tem ganho terreno com sucessivos aterros, devido ao desmesurado crescimento económico, baseado principalmente no jogo e no turismo. Hoje em dia, tem cerca de 30,3 Km2 de área, e é a região com maior densidade populacional do mundo, com quase 21 mil habitantes/ km2.


Este crescimento económico deve-se ao facto de Macau ser o único local na República Popular da China onde o jogo é legal, contando com cerca de 38 casinos. Tem havido, por esse motivo, um crescente número de visitantes em Macau,

hoje conhecida como Las Vegas do Oriente. 


Devido à presença portuguesa em Macau, subsiste uma partilha a nível cultural e arquitetónico, conjugando tipologias construtivas do Oriente e do Ocidente. O centro histórico usufrui de um conjunto de espaços urbanos e arquitetónicos que se interligam e estabelecem uma ligação com a zona portuária, sendo também constituído por elementos arquitetónicos chineses, desenvolvendo uma partilha entre diferentes comunidades, ocidentais e chinesa.

A língua portuguesa, ainda é uma das línguas oficiais de Macau e, neste sentido, a toponímia das vias, praças, edifícios, está em português, e nos autocarros a tradução para português está presente.

 

Este conforto de ouvir a língua portuguesa, juntamente com a vista de calçada portuguesa em alguns largos, conduz-nos às nossas origens, aproximando-nos de Portugal.

 

A habitação é um dos problemas em Macau. O preço das frações habitacionais tem disparado nos últimos anos, tornando a compra e o arrendamento cada vez menos acessíveis à população.

 

Tal como o arquiteto Rui Leão referiu numa entrevista, Macau tem problemas no que  respeita à habitação e “propõe a implementação de uma ideia de cidade vertical, mais para que não se percam relações de vizinhança e a sensação de humanidade”.

Como já referi anteriormente, Macau é a região com maior densidade populacional do mundo. Este facto é bem visível nas ruas, sempre repletas de pessoas a qualquer hora do dia, os autocarros sempre sobrelotados, especialmente no verão (já que é a altura em que mais pessoas recorrem aos transportes públicos para evitar o excesso de calor e a humidade extrema nesta latitude), bem como no período da noite, devido ao movimento nos casinos, abertos 24 horas por dia.


A primeira perceção da rede de transportes de Macau, comparando com a realidade Portuguesa, é que, embora Portugal tenha um conjunto mais diversificado de transportes públicos, em Macau é mais apelativa a utilização de transportes pelo seu baixo custo.


Ainda assim, existem problemas visíveis e preocupantes no que diz respeito ao trânsito. O elevado número de pessoas e o crescimento económico, gerou um défice de transportes públicos e, consequentemente, um aumento significativo da utilização de carro próprio, o que, por sua vez, levou a um crescente tráfego rodoviário, provocando grandes filas de espera.


Rui Leão menciona que Macau “já deveria usufruir de transportes públicos e autocarros de turismo elétricos”. Refere também que “a conclusão da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o sistema de transportes previstos na região vão acentuar o trânsito na cidade. Ainda de acordo com este arquiteto, o metro ligeiro é essencial para Macau, por forma a qualificar algumas áreas da cidade. Tem havido “um excesso de consulta pública”, o que tem prejudicado a própria cidade.

Antigamente, Macau tinha das maiores taxas de esperança média de vida. Hoje em dia, enfrenta alguns problemas de poluição ambiental, sonora e luminosa.

 

É necessária uma atenção mais focada no planeamento ambiental, “reforçando as intervenções na área da proteção do ambiente, na construção da ecologia e na conservação de recursos.”

As conclusões preliminares de um estudo recentemente realizado, indicam que Macau é a cidade mais luminosa do mundo. Vivian Tam, refere que o nível de luminosidade no céu da península de Macau é relativamente superior ao nível médio, conforme determinado pela Associação Internacional do Céu Escuro. Afirma que o céu de Macau é “270 vezes mais brilhante que o standard internacional” e “é uma das cidades mais poluídas do mundo devido à sua área residencial e às suas instalações de entretenimento, especialmente em Cotai”, expôs Tam ao Times.


Existe, também, uma carência de espaços verdes na cidade, que poderiam contribuir para a redução dos níveis de carbono e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Por forma a colmatar estes problemas ambientais, foram concebidos relatórios e protocolos como o «Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2010» e o «Planeamento da Proteção Ambiental de Macau (2010-2020)», com o intuito de “se focarem em fatores como o desenvolvimento sustentável, a redução dos níveis de carbono, a participação do público e a cooperação regional”.

 

Outra dificuldade é não ser feita separação para reciclagem do lixo (embora existam alguns pontos de recolha para reciclagem) e a utilização excessiva de embalagens e de sacos de plástico. Neste sentido, “o Governo de Macau vai reforçar os planos de reciclagem e de redução dos resíduos sólidos, com mais regulamentos sobre emissão de fontes fixas de poluição do ar e respetiva fiscalização.”

A Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA), pretende criar uma cidade mais sustentável, através de algumas medidas, nomeadamente o Planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos de Macau (2017-2026).

A água é outro dos problemas presentes na região. Apesar de a região estar rodeada de água, com o aumento da população e a poluição dos rios, os recursos hídricos deixaram de ser suficientes, verificando-se a escassez da água potável em Macau.


Ao nível do planeamento urbano houve uma consulta pública relativa aos detalhes do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, com o objetivo de “identificar orientações estratégicas gerais e proporcionar recursos chave para o desenvolvimento social sustentável de forma a posicionar Macau como centro mundial de turismo e lazer”.

 

Segundo um residente português, “os casinos são a máquina que mexe o território. Move-se muito dinheiro em torno disso e daí deveriam existir oportunidades para criar uma cidade exemplar, com investimentos em novas tecnologias e ideias “.


Macau “podia ser hoje a melhor cidade do mundo, ou pelo menos estar a caminhar para tal. Mais de metade do território está sobre aterros onde antes era mar. Dessa forma, houve a oportunidade de criar uma cidade ideal, com novos conceitos de transporte público e áreas urbanas.

Contudo, os interesses económicos por trás da construção sobrepõem-se as essas ideias e hoje o território é uma cidade banal, com muita população e poucos espaços interessantes. A educação ambiental ainda não está ao nível da Europa, portanto, os locais ainda têm muito para aprender sobre os seus recursos, em especial o mar, que nos dias de hoje é pouco aproveitado recreativamente ou educacionalmente.”

 

Marketing e Vendas Online (Bulgária)

Inês Gomes | C22

Phoenix Media

Sófia | Bulgária

 

O mercado búlgaro, do ponto de vista do marketing e vendas online é deveras interessante: mesmo com uma pequena população de cerca de 7 milhões de habitantes, e sendo a Bulgária um dos países mais pobres da Europa, a prática de e-commerce tem vindo a crescer e tornou-se um hábito quotidiano muito popular, sobretudo entre os mais jovens.

Contando com uma das mais rápidas velocidades de Internet, e sendo um dos principais destinos de programação do  mundo, a Bulgária pode ser considerada pioneira na inovação de novas formas de abordar o marketing e as vendas online. Com uma indústria de agências digitais competitivas, as marcas globais e locais presentes no país estão a investir cada vez mais tempo, dinheiro e energia na  presença online e no comércio digital dos seus negócios.

Para tal, investem em estratégias de marketing — sobretudo em anúncios televisivos, de publicidade e campanhas digitais para tornar os produtos mais populares e focados no público-alvo. Atualmente, pouco mais de metade da população búlgara tem acesso à Internet, mas a presença das tecnologias é significativa: 89% dos compradores online recorrem ao desktop; 60% compram a empresas internacionais; e o setor que mais vende é a indústria da moda, seguida das eletrónicas (ver fonte).

Recentemente, eventos como a DigiTalk e a Webit realizaram-se em Sófia, capital da Bulgária, onde me encontro a estagiar. Convidados de todo o mundo vieram dar palestras nas suas áreas de especialização, de criativos a empreendedores do mundo online e das tecnologias. Isto revela que o país está a investir num futuro digital e numa aproximação aos standarts europeus.

Felizmente, foi-me dada a oportunidade de assistir ao primeiro evento que referi, pela empresa que me acolheu e de estar em contacto com representantes de multinacionais como a Google, o Pinterest, Airbnb, etc.

 

Digitalk

DigiTalk - Sofia

Esta iniciativa de envolver os funcionários em palestras internacionais, em workshops e em team buildings tem-se revelado imprescindível na minha aprendizagem e no meu trabalho desde que iniciei o meu estágio.

O meu contributo tem sido maioritariamente na área de design gráfico, web designmarketing digital e, uma das minhas tarefas foi desenvolver benchmarking para a empresa e trabalhar em conjunto com o departamento de vendas. Isto é, fiquei encarregue de analisar empresas concorrentes e respetivas estratégias de vendas online, de modo a adquirir uma visão geral do mercado e, consequentemente, ajudar a empresa a  afirmar-se e destacar-se na área dos video-jogos, nomeadamente, dos Serious Games.

No entanto, esta foca-se sobretudo no mercado francês e europeu, ainda que esteja a expandir-se a nível internacional, e desenvolve projetos personalizados de acordo com as necessidades de cada cliente. Isto ensinou-me a adaptar o trabalho consoante o público-alvo e perceber de que forma as diferenças culturais e sociais influenciam o nosso trabalho. 

Por exemplo, o sistema francês impõe às empresas que invistam parte do seu dinheiro na formação dos funcionários, caso contrário, esse valor reverte em favor do estado. Tal não se verifica no sistema búlgaro, uma vez que a sociedade não está tão preocupada com este tipo de envolvimento por parte das suas empresas, tanto por motivos culturais como económicos. Além disso, é possível fazer-se e ver-se publicidade ao tabaco na Bulgária, principalmente a partir de billboards, embora em alguns casos seja ilegal e as empresas, mesmo estando cientes de que serão multadas, continuam a fazê-lo.

 

Resumidamente, a área do marketing e vendas online continua a ser alvo de um grande investimento, mesmo por parte de mercados que não parecem promissores e detentores de grande capacidade económica pois, verdade seja dita — é o futuro.

O facto de participar no INOV Contacto ajudou-me, também, a ganhar experiência de adaptação a novas realidades, perspetivas e conceitos para o impacto do mundo digital nas sociedades contemporâneas, e em como tem moldado os nossos hábitos a uma escala global.

 

Desafios da investigação tecnológica (Barcelona)

Miguel Alexandre Cardoso | C22

Jallut, S.L.U. | Barcelona

Espanha

 

Figura 1-Jallut, S.L.U. pinturas - grupo Barbot

Após a crise Económica que atingiu o mundo em 2008 – 2014 e que, em especial afetou o mercado Português, o nosso país assentou parte dos seus alicerces na capacidade de mostrar ao mundo o quão importantes e únicas são a investigação e tecnologia produzidas neste pequeno país cheio de potencialidade.

 

O grupo Barbot é um dos mais importantes impulsionadores na área das tintas em Portugal, com áreas de negócio na Península Ibérica através da sua subsidiária Jallut, S.L.U,. com quem colabora na investigação e desenvolvimento para apresentar ao mercado um produto de referência. Para além de atuar no mercado Ibérico, tem ainda como mercado vários outros pontos na Europa e no continente africano – Moçambique, Cabo Verde e Angola.

 

Figura 2-Proteção de estruturas metálicas com tintas.

 

Em Espanha, mais concretamente em Barcelona, existe uma grande variedade de indústrias ligadas à produção de tintas, sendo a Jallut, S.L.U. uma das empresas com mais e maior renome nesta região.

 

Situada no Polígono Industrial Can Humet de Dalt em Polinya – Barcelona, a Jallut conta com um portefólio muito abrangente de tintas industriais, decorativas, sistemas tintométricos e metalografia.

 

Neste grupo, a investigação é um fator determinante, o que confere aos jovens trabalhadores a possibilidade de aplicar os seus conhecimentos lado a lado com profissionais com muitos anos de experiência, existindo uma boa relação inter-geracional.

 

Na minha opinião, a aposta em jovens, que como eu têm as ferramentas certas para ultrapassar os desafios tecnológicos apresentados no dia a dia, representa uma oportunidade única de mostrar, não só os seus conhecimentos na aproximação à resolução de problemas, mas também um momento de ouro para dar destaque ao trabalho e dedicação dos jovens que colocam o seu conhecimento ao serviço dos desafios tecnológicos.

 

Como exemplo, na Figura 2 encontra-se o projeto em que estou a trabalhar: conferir proteção à corrosão ambiental em estruturas publicas, neste caso uma ponte situada em Callús, Barcelona.

 

 

Maria Manuel Chaves Fernandes | C22

ALS Bactereco | Barcelona

Espanha

Logotipos ALS e Controlvet

 

O grupo ALS é líder global nos serviços técnicos e laboratoriais da indústria, ciências da vida, minerais e energia.

 

Com a sua origem na Austrália, está agora presente em 65 países e conta com uma rede de empresas com mais de 350 localizações.

 

A ALS aposta diariamente na inovação, desenvolvendo novos serviços, novas metodologias de trabalho e novas ferramentas informáticas. E para assegurar a satisfação dos clientes, bem como para permitir expansão e qualificação das empresas do grupo, a ALS põe ao dispor das empresas que a constituem todos os seus recursos.

 

Na Península Ibérica a ALS dispõe de uma grande variedade de serviços, mas centra-se particularmente na área de Análise e Segurança Alimentar. Com uma rede colaborativa de laboratórios acreditados em Tondela, Madrid, Barcelona e Cádiz (e ainda um laboratório na Polónia) – que até 2015 pertenciam ao grupo português ControlVet S.A, que trabalham em conjunto para garantir um maior leque de serviços, sempre que necessário. Esta rede colaborativa permite ainda que os diferentes funcionários do grupo tenham a possibilidade de contactar diariamente com um corpo técnico multidisciplinar.

 

Existe uma constante preocupação de inovação de processos e serviços, garantindo que os meios informáticos e técnicas laboratoriais utilizados estão o mais atualizados possível e a cumprir o propósito para o qual foram criados e implementados.

 

Graças ao programa INOV Contacto, tive também a oportunidade de estagiar na “empresa mãe” em Tondela, antes de iniciar o estágio internacional no laboratório de Barcelona, e pude comprovar os valores defendidos pela ALS e o esforço global que é feito pela inovação, ainda que tal não esteja tão evidenciado no laboratório de Barcelona visto este operar a uma escala muito mais reduzida.

 

A ControlVet, e agora, por aquisição a ALS, recebe há alguns anos estagiários do programa INOV Contacto, o que demonstra estar disposto a apostar na formação, qualificação e capacitação – inicial e contínua - de jovens, trazendo, assim, para o grupo uma nova ferramenta para lidar com os desafios tecnológicos.

 

Redes sociais como forma de comunicação (Moçambique)

 

Tânia Vieira Carreira | C22

Ogilvy Moçambique 

 Moçambique

 

 ERA DIGITAL

Com os fluxos internacionais do século XX, o mundo entrou numa nova era – a ERA DIGITAL. Atualmente passamos por uma transição social, mais ou menos rápida consoante os países, que tem vindo a transformar as sociedades na sua forma de estar, pensar, comunicar e trabalhar. Em consequência, ouvimos diariamente falar de sociedade digital, economia digital, redes sociais.

Este é um fenómeno global. O mundo está conetado em tempo real e as relações sociais e profissionais expandem-se além fronteiras.

Em Moçambique, a transição para a era digital verifica-se de forma mais lenta. Esta transformação exige budget e investimento público e privado em tecnologia e depende do investimento dos consumidores nos produtos e serviços tecnológicos.

Sendo um país menos desenvolvido, com menos fundos de investimento e com rendimentos salariais muito baixos, questões primeiras, como o acesso à internet são ainda de atualidade no país.

Moçambique tem 30.10 milhões de pessoas. Cerca de 33% vivem em centros urbanos, onde existe acesso à internet por cabo; 66% da população vive no meio rural.

Apesar destas limitações, a centralidade das redes e a tecnologia 3G rede móvel permitiu que o acesso à internet e às respetivas redes sociais deixasse de depender dos serviços de internet por cabo.

Assim, a maioria dos moçambicanos pode aceder à internet, mesmo sem um computador, a partir de um telemóvel (de valor mais acessível para o consumidor nacional).

Os dados móveis e o preço baixo dos pacotes de dados fornecidos pelas operadoras VODACOM e MCEL têm um papel fulcral em Moçambique. Com um PIB médio per capita de cerca de 100€ mensais, grande parte da população consegue adquirir pacotes de dados diários, semanais ou mensais, com preços que variam deste os 20mzn (0.30€) aos 500mzn (7.20€).  

Este facto veio revolucionar a forma como a informação é obtida, partilhada e gerida. Os meios tradicionais como a televisão e rádio perdem terreno para o digital mobile.

Os meios tradicionais implicam um investimento material em equipamento e a informação nele transmitida é filtrada pelas linhas editoriais. Por outro lado, o digital e as redes sociais nele incluídos, trouxeram novas oportunidades de acesso à informação e à discussão em espaço publico virtual.

Principalmente os grandes centros urbanos, como Beira, Maputo, Nampula e Matola, são autênticos centros de cidadania virtual, nos quais cidadãos de vários estratos e níveis académicos trocam informação valiosíssima sobre os diferentes aspetos do país.

Assim, estes espaços virtuais têm-se afirmado como referências do debate intelectual, um pouco à margem dos cânones impostos à media tradicional pelos grupos de interesses e de pressão.    

O FENÓMENO WHATSAPP – O BOCA A BOCA DIGITAL

Em Moçambique, a rede social mais popular e com mais utilizadores ativos é o Facebook, com cerca de 2 milhões, seguido do Instagram, com cerca de 340 mil utilizadores. Mas, o maior fenómeno é a aplicação WhatsApp. Aqui, todas as pessoas ou empresas com acesso à internet têm WhatsApp para comunicar entre si.

No tecido empresarial, o corporativismo é posto de lado, e embora se faça uso do e-mail, o WhatsApp é privilegiado, tanto na comunicação interna, como externa, com fornecedores e clientes. O objetivo é a visualização e obtenção de respostas mais imediatas. As empresas têm grupos internos no WhatsApp onde trocam informação diversa. No mesmo grupo, é comum encontrar o CEO da empresa e, simultaneamente, o motorista, a empregada de limpeza, assim como os diferentes colaboradores da empresa.

A hierarquia existe, mas não transparece no grupo de chat. A comunicação é horizontal e bidirecional, a informação e a partilha de ideias chegam a todos.

Quando se pretende transmitir conteúdos mais restritos, opta-se por criar novos grupos. Assim se constituem muitos grupos de chat, com diversos propósitos e com pessoas presentes em diversos grupos em simultâneo.

Nesses grupos profissionais partilham-se, não só os assuntos da ordem do dia da empresa, tarefas, como curiosidades, meteorologia, informações, interesses. O contexto profissional mistura-se com os interesses e comportamentos pessoais.

Por exemplo, uma empresa ou um particular interessado em vender carros, utilizará o WhatsApp como ferramenta de difusão boca a boca digital. O profissional irá criar um pequeno grupo, onde difunde a mensagem, partilhará a mensagem entre outros grupos, contando que alguém dos outros grupos partilhará a mensagem, por sua vez, nos seus grupos. O objetivo é aumentar os interessados, que depois adicionará ao grupo inicial de venda de carros.

Assim, o WhatsApp permite gerar leads com base em contactos telefónicos, à semelhança do Facebook que soma seguidores. A diferença entre ambos é que o Facebook, com tanta informação e ações, leva a que o utilizador se disperse, e não esteja focado num só assunto.

Em Moçambique as agências de comunicação consideram o WhatsApp um forte canal a apostar para veicular informação, promover eventos e difundir campanhas publicitárias. Como o networking leva à inclusão de pessoas/profissionais em diversos grupos de trabalho, de eventos, de relações sociais, recorre-se ao WhatsApp como veículo digital de transmissão de mensagem boca a boca.

As estratégias digitais são pensadas nesse sentido, e o WhatsApp é, a par do Facebook e do google ads um canal de eleição.

 

Foto reportagem - Quotidiano de uma C22 na Coral, Maputo
Ana Teixeira
Coral | Maputo
Mozambique
 
Em março de 2018, chegava eu a Maputo pronta para uma das maiores aventuras da minha vida, até hoje.
Estava entusiasmada com o facto de poder descobrir como se vivia o Design de Interiores noutro país, noutro continente, como seria a noção de estética numa cultura tão diferente.
 
Tinham-me destinado como empresa a CORAL Design de Interiores, pelo que, ainda em Portugal, foi a primeira coisa que pesquisei: os trabalhos feitos pela empresa.

Fiquei muito entusiasmada, quem visse o meu portefólio de trabalhos, e  visse o da Coral não precisaria de ser grande conhecedor de Design de Interiores para perceber que em alguns aspetos tínhamos uma linguagem visual comum.
 

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Projecto Edifício Platinum - Maputo

A empresa, então, era composta apenas pela também propriétaria, a Carla, e por três colaboradores, chamados para trabalhos pontuais: O Carlos (Português), como criativo, o Minezes (Moçambicano) como arquiteto e o Lázaro (Moçambicano), que nos ajuda em tudo o que são montagens dos projetos na casa dos clientes.
 
 
02
 
Corte de tecido para estofo
 
Durante os dois primeiros meses estivemos em mudança de instalações, pelo que, o apartamento do Carlos serviu muitas vezes como zona de trabalho. Lá aconteceram, desde reuniões com fornecedores, a almoços em grupo. Inúmeras vezes montámos, literalmente, um escritório/atelier, onde voavam desenhos técnicos pela mesa de refeições, os computadores estavam horas a "renderizar", nos portáteis, respondíamos a emails, e as réguas e as canetas pareciam não ter mais espaço que pudessem ocupar.
 
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Mesa trabalho adaptada em sala provisória
 
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Mesa trabalho adaptada em sala provisória
 
 
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Mesa trabalho adaptada em sala provisória
 
Como em todos os trabalhos que se baseiem em processos criativos, os dias podem passar muito rapidamente e transmitir a sensação de que nada foi feito. No entanto, analisando rapidamente, percebemos que essa ideia é totalmente errada: correrias entre casas de clientes privados, a tirar e retificar medidas, idas a lojas dos fornecedores, escolher e comprar materiais, enviar emails a clientes e fornecedores, coordenar entregas e montagens, etc.
 
O trabalho de terreno tem-me permitido conhecer inúmeras habitações, o que possibilitou que, rapidamente, me apercebesse da diferença de poder económico na cidade.
Visitava barracas em bairros menos afortunados, a nível pessoal nas minhas folgas e, durante a semana estava num dos mais luxuosos apartamentos que já visitei, e diga-se de passagem, muito facilmente alguns ultrapassavam a noção de luxo que tinha até então.
 
Estava somente há duas ou três semanas em Maputo quando fiz a minha primeira viagem à Neilspruit - Ía à tão esperada África do Sul.
 
Neilspruit é uma zona industrial, onde alguns dos nossos fornecedores têm os seus armazéns mais próximos, e é lá que temos que nos deslocar para poder escolher tecidos e fazer compras diretas de outros artigos, como mobiliário.
 
A oferta é muito maior e os preços são, por vezes, competitivos, por uma questão de ausência de oferta em Maputo.
 
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Chegada à África do Sul
 
 
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Chegada à África do Sul
 
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Loja de decoração - Neilspruit
 
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Loja de decoração - Neilspruit
 
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Loja de decoração - Neilspruit
 
Logo nas primeiras semanas tive oportunidade de ir a uma ilha, a casa de clientes, resolver  "questões de cortinas". Como gosto de ser "faz-tudo" em casa e era necessário dar uns pontinhos de costura e verificar o que estava errado com as mesmas. Lá fomos nós (eu, a Carla e o Lázaro) a uma ilha privada, para eu costurar alguns cortinados no local e retificarmos outros.
 
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Residência Privada de fim-de-semana – Ilha stª Maria - Moçambique
 
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Residência Privada de fim-de-semana – Ilha stª Maria - Moçambique - Pormenor cortinados japoneses
 
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Regresso de casa de clientes – Ilha stª Maria - Moçambique
 
Em maio a Coral abre o seu atelier, onde estou a trabalhar atualmente.
 
 
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Mesa de trabalho no Atelier actual da Coral -  escola de decoração do Atelier
 
A localização é relativamente próxima da minha zona de residência, o que me permite ir a pé todas as manhãs.
No percurso, passo pela zona do museu, onde se situa realmente o Museu de História Natural, mas é conhecida por ser onde estão os chapas (um dos meios de transporte mais
utilizados pelos locais) e onde fica também a Escola Internacional.

É um frenesim de pessoas e ruídos, entre chapas e  pessoas que, literalmente, se atropelam para conseguir entrar, crianças da escola e vendedores de rua que fazem
daqueles passeios um verdadeiro mercado, onde se vende, desde comida, a roupa, calçado,
livros e tudo o que possam imaginar.
 
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Percurso a pé para o trabalho – Maputo
 
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Percurso a pé para o trabalho – Museu de História Natural - Maputo
 
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Percurso a pé para o trabalho – Maputo
 
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Percurso a pé para o trabalho – Maputo
 
Após uma semana no atelier estive encarregue da montagem de uma obra muito importante: a montagem no BancABC. Esta foi feita maioritariamente durante a noite, para que
incomodássemos o menos possível o trabalho dos funcionários do banco.

Foi um trabalho que me deu especial prazer, em primeiro lugar porque adoro estar em obra, a ver o trabalho acontecer e, depois, porque estar a trabalhar em grupo é, realmente, o que me apaixona.
 
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Obra Banco ABC – Edifício JAT - Maputo - Ferramentas
 
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Obra Banco ABC – Edifício JAT - Maputo
 
Ao almoço, de vez em quando, aparece uma ou outra amiga do INOV Contacto, para degustarmos a nossa marmita no Terraço que a residência em que arrendamos a sala para o atelier nos permite usufruir.
 
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Terraço Moradia onde está o Atelier Coral - Maputo
 
Nalguns finais de dia faço pilates na própria residência em que o atelier está inserido, isto quando não existe convívio do pessoal, ou recolho aos meus aposentos porque o conforto de uma refeição em casa e o descanso chamam por mim.
 
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Paixão
 
 
Foto Reportagem - Quotidiano de uma C22 na Heineken, Timor

Milena Silva | C22

Heineken Timor S.A.

Díli | Timor Leste

No dia 13 de fevereiro de 2018, embarquei para a maior aventura da minha vida. Tive muita sorte, não apenas pelo país onde fui inserida, Timor Leste, mas também com a empresa onde estou a estagiar, por se tratar de uma multinacional de renome.

Os meus dias começam cedo, acordo às 7h20 e saio de casa às 7h45 para apanhar o autocarro. A paragem fica próxima da minha casa, 15 minutos a pé, os quais aproveito para matar saudades de Portugal falando com a minha família.

Uma vez que a fábrica da Heineken fica afastada do centro da cidade, a empresa tem um autocarro gratuito apenas para os funcionários.

 

Fábrica da Heineken Timor

 

Autocarro da Heineken

Por volta das 8h30, chego à fábrica e vou logo tomar o pequeno almoço à cantina, a primeira e essencial dose de cafeína, acompanhada sempre por uma fatia de bolo ou panquecas.

 

Pequeno Almoço

Depois do pequeno almoço, vem o trabalho a sério. Quando chego à minha secretária ponho-me logo a par dos emails. O meu trabalho divide-se, principalmente, em duas áreas, o recrutamento e a formação, pelo que os meus dias são passados entre o escritório e a sala de formação.

 

 

O meu espaço de trabalho

 

Sala de formação

Visto que a sala de formação se encontra dentro da fábrica tenho que usar Equipamento de Proteção Individual, nomeadamente sapatos e colete de segurança.

 

Equipamento de Proteção Individual

Além das tarefas que realizo na equipa de Recursos Humanos também dou apoio à equipa de Safety nas iniciativas realizadas para os funcionários, como por exemplo a inicitiva direcionada para o Helmet Day.

 

Helmet Day

Costumo almoçar entre as 12h30 e as 13h30. A cantina da Heineken oferece ótimas condições aos seus funcionários, com várias opções de prato, e ainda uma área de lazer. Almoço quase todos os dias com a equipa de Recursos Humanos. Aproveitamos sempre para conviver durante e depois do almoço.

Almoço

 

Cantina

 

Espaço de lazer

 

Relaxar depois do almoço

Após o almoço, volto para o escritório para retomar as minhas tarefas. No escritório, o ambiente de trabalho é excelente, sobretudo no departamento em que estou inserida, o departamento de Recursos Humanos. Não podia ter tido mais sorte com a minha equipa, senti-me bem recebida e, com a ajuda de todas, sinto que estou a evoluir profissionalmente.

 

 

Equipa de Recursos Humanos

Todas as sextas-feiras temos a Happy Hour na Taberna das 16h30 às 17h30, em que os funcionarios aproveitam para descontrair depois do trabalho com os colegas, enquanto apreciam uma boa cerveja gelada.

 

 

Taberna

 

Happy Hour

Os meus dias de trabalho terminam normalmente por volta das 17h30 e apanho outra vez o autocarro da empresa para voltar para casa.

Aos fins de semana aproveito para conhecer verdadeiramente Timor.

 

Mundo perdido, Viqueque

 

 

Praia dos Portugueses, Timor-Leste

 

 

Côco no Caz bar

 

 

Balibo, Timor Leste

 

 

INOV Contacto 2018

 

 

Foto Reportagem – Quotidiano de uma C22 na Colep, Polónia

 

 

Vanessa Baião | C22

Colep | Kleszczów

Polónia

 

 

No passado dia 3 de março de 2018 começou a minha aventura do INOV Contacto em Kleszczów.

Kleszczów é uma pequena vila da Polónia, a duas horas, quer da capital Varsóvia, quer da linda Cracóvia. Tem aproximadamente 4000 habitantes e caracteriza-se por ser um pólo de grande exploração industrial onde se encontra a Colep, onde estou desde então a estagiar.

Kleszczów é conhecida por ter uma das maiores explorações de carvão na Polónia e ser a segunda maior central de energia no mundo: a PGE (Polska Grupa Energetyczna).

 

Exploração de carvão, Kleszczów

 

A Colep iniciou o seu funcionamento em 1965, como uma pequena fábrica de embalagens metálicas para aerossóis em Portugal. Desde então cresceu, e é atualmente uma empresa multinacional de referência, presente em diferentes países: Portugal, Brasil, Alemanha, México, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Polónia.

 

Em 2014, a Colep aliou-se à One Asia, criando uma parceria, a ACOA, que permitiu expandir o negócio ao mercado asiático e à Austrália. Hoje, a Colep é uma empresa cujo negócio se foca no fabrico de embalagens (metálicas e plásticas) e presta serviços sob contract manufacturing a outras empresas na área de produtos líquidos e aerossóis.

 

Na Polónia, a fábrica em Kleszczów tem uma grande e diversificada produção de cosméticos para diferentes marcas, muitas delas conhecidas em todo o mundo. Entre eles contam-se desodorizantes, espumas de barbear, champôs e gel de banho, entre outros.

 

 

 

 

Colep Kleszczów, Polónia

 

Os valores da Colep estão bem visíveis logo à entrada da empresa, como podem ver na foto seguinte. Nomeadamente, o foco no cliente, na ética, na aprendizagem e na criatividade, na criação de valor e paixão pela excelência.

A prática da Colep resulta do seu crescimento contínuo com respeito pela qualidade e segurança dos produtos que fabrica.

 

 

Valores da Colep

 

O meu dia a dia de trabalho inicia-se com uma viagem de autocarro (cerca de 30 minutos), que parte de Belchatów até à fábrica em Kleszczów, com a passagem por uma das maiores centrais de energia da Europa. Quando chego à Colep Kleszczów, começo por ir ao cacifo e vestir o equipamento de proteção individual. De seguida, passo pela zona de produção e prossigo até chegar ao gabinete do Departamento Técnico.

Um dos meus locais de trabalho

 

Cada dia é diferente neste departamento. Desde estar a “cozinhar” novos produtos em reatores, a verificar o produto acabado nas linhas de produção, no laboratório de qualidade, no escritório ou em reuniões.

Como podem imaginar, o meu trabalho é tudo menos monótono. O ambiente é agradável e os meus colegas estão sempre disponíveis para ajudar quando que é preciso.

Quero referir que a língua é a principal barreira e dificuldade. Contudo, supero facilmente este obstáculo, dada a camaradagem, compreensão e organização existentes. O meu coordenador de estágio é o meu principal apoio e referência, estando sempre disponível para me ensinar, sendo excelente na forma como comunica comigo.

Depois do meu dia de trabalho, costumo fazer exercício físico e/ou conviver com os meus colegas portugueses e polacos.

Quanto a Belchatów, é uma cidade na Polónia, a cerca 15 km de Kleszczów, onde a maior parte dos trabalhadores da Colep reside. Também é conhecida por ter uma das melhores equipas de voleibol masculino da Polónia, SKRA. No centro da cidade de Belchatów podemos ver a escultura de bronze do Papa João Paulo II (polaco, o seu nome de nascimento é Karol Wojtyla), que faz parte das cerca de 2000 estátuas espalhadas pela Polónia.

 

 

 

Estátua do Papa João Paulo II

 

Durante esta aventura pela Polónia, surpreendi-me ao encontrar muitos produtos portugueses, tais como vinho, vinho do porto, pastéis de nata, azeite, entre outros produtos, num supermercado polaco. Biedronka (joaninha em português) é um supermercado do grupo Jerónimo Martins, que por outras palavras acaba por ser um Pingo Doce polaco.

 

 

 

Biedronka

 

Ao caminharmos para o centro desta cidade deparamo-nos com um poste a assinalar as distâncias das diversas cidades, incluindo uma cidade portuguesa, Alcobaça, que se encontra precisamente a 3169 km de Belchatów.

 

 

 

Sinal em Belchatów

 

Ao fim de semana aproveito para conhecer outras cidades polacas como, por exemplo, visitar o mar Báltico em Gdańsk, a capital Varsóvia, os duendes em Wrocław, a antiga fábrica de têxteis Manufaktura em Łódź, as minas de sal em Cracóvia, havendo ainda muito por descobrir. Aproveito também para conhecer a cultura polaca, experimentando a comida tradicional, como a famosa sopa żurek, pierogi, szarlotka e, claro, as famosas cervejas polacas.

A palavra e a bebida mais famosas neste país são: na zdrowie e vodka. Ambas estão presentes em qualquer momento da vida polaca - casamentos, jantares, saídas à noite, entre outros.

Para além disso, também faz parte da minha experiência receber familiares e amigos que me agraciaram com iguarias e mimos de Portugal.

 

Passeios de fim-de-semana

Apesar das grandes expectativas quando me inscrevi no INOV Contacto, estas foram superadas com as descobertas e boas experiências que tenho vivido. Este percurso, muito positivo, tem sido um crescimento inesquecível, tanto a nível pessoal como profissional.

 

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