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Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico

Eduardo Val Lopes | C21

Consulasia | Macau

China

 

As alterações climáticas são cada vez mais evidentes no nosso quotidiano: as temperaturas estão a aumentar, o nível médio do mar está a aumentar, os glaciares e a neve estão a derreter. Esta realidade constitui uma das nossas maiores ameaças ambientais, sociais e económicas.

A Agência Europeia do Ambiente aponta como principal causa do aquecimento global o aumento de gases com efeito de estufa nas concentrações atmosféricas, como resultado das emissões provocadas pelas atividades humanas. Deste modo, há uma necessidade urgente de diminuir as emissões de gases nocivos ao ambiente. 

Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, com apenas 30 km² e uma população de 650 000 habitantes. É a região com maior densidade populacional no mundo, tornando a gestão de recolha e tratamento de resíduos um total desafio ecológico.

Como qualquer cidade asiática, Macau tem uma grande produção de resíduos e, uma grande percentagem daquilo que é produzido é descartável e/ou fabricado em plástico.

Nas ruas, a localização dos ecopontos é escassa e o hábito de fazer reciclagem não está incutido nos locais ou no dia-a-dia dos seus habitantes. Nos prédios, a recolha do lixo é feita internamente por cada condomínio, e são raros os prédios com ecopontos ou que incentivem a reciclagem. Estas ações têm como consequência o aumento drástico da produção e do volume de resíduos domésticos, que devido à escassez de terrenos, não deixa outra opção senão o uso de uma Central de Incineração.

A Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau, CIRS, ocupa uma área de cerca 45 000 m2 e entrou em funcionamento em 1992. Os dados estatísticos disponíveis datam de 2010, onde se pôde observar um crescimento traduzido em toneladas de resíduos entregues na CIRS, mas também nas quantidades de materiais reciclados.

Nos últimos anos, o Governo de Macau tem reunido alguns esforços na proteção do ambiente. Devido ao desenvolvimento socioeconómico e aumento de população, a Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA) criou o “Planeamento da Proteção Ambiental de Macau (2010 - 2020)”. Este planeamento da proteção ambiental de Macau, com um prazo de dez anos, tem por finalidade definir objetivos e indicadores para um planeamento ambiental. Este planeamento visa executar e concretizar, conforme as prioridades, as respetivas ações para resolver as questões ambientais, com vista a reforçar sustentadamente a qualidade do ambiente local.

Do meu ponto de vista, as soluções passam por não só criar uma nova rede de distribuição de contentores de lixo e de ecopontos, mas principalmente investir em programas de educação ambiental a implementar em escolas, de modo a poder alertar os alunos do perigo que o ambiente corre, e incentivar as gerações futuras a criar hábitos de reciclagem desde cedo.

É importante implementar uma cultura e educação sobre temas como a sustentabilidade, ecologia e a importância da reciclagem. Isto porque o futuro está nas mãos dos mais novos e, para além de serem as novas gerações, eles têm um maior acesso a tecnologias e informação, que as gerações anteriores nunca tiveram.

Deste modo, a aprendizagem dos mais novos pode vir a ajudar os mais velhos a compreender melhor a diferença que cada um pode fazer pelo ambiente. 

 

Reconhecimento Internacional dos Vinhos Portugueses

Sandra Alves | C21

Quinta do Vallado | São Paulo

Brasil

 

 

Portugal possui uma grande tradição na produção de vinho e tem a mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada – O Douro, eleito Património Mundial da Humanidade pela Unesco. E, tal como o Douro, o Alentejo foi votado internacionalmente como das melhores regiões vínicas do mundo para visitar. 

 

Atualmente, os vinhos do Porto e da Madeira estão entre os mais famosos vinhos do mundo. Em 2015, 9 em cada 100 melhores compras de vinhos eleitas pelas revistas de vinhos americanas diziam respeito a vinhos portugueses.

 

Em termos de atribuição de prémios, podemos distinguir o ano de 2016, em que 4 dos 100 melhores vinhos da Wine Spectator, eram portugueses.

 

Portugal tem a mais alta variedade de uva nativas (castas autóctones), mais de 250 castas, de entre as quais apenas algumas viajaram além-fronteiras. Nenhum outro país tem uma variedade de castas autóctones comparável a Portugal. Nomes como tinta roriz, touriga nacional, tinta barroca, tinto cão e touriga franca são exemplos dessas castas.

 

A ampla diversidade de castas únicas de alta qualidade é impressionante e é responsável pelo carácter único e incomparável dos vinhos portugueses, o que lhes confere um leque de aromas delicados, diferentes e característicos. O travo próprio dos vinhos portugueses pode, assim, constituir a mais-valia necessária para enfrentar a concorrência chilena, australiana, sul-africana, neozelandesa, italiana, francesa ou espanhola.

 

O vinho português tem conseguido afirmar-se a nível internacional por ser uma proposta única, segura e diferenciadora, de forte carácter português, à qual se associa uma qualidade muito consistente e uma excelente relação qualidade-preço.

 

Na sua diversidade são genuínos, versáteis e gastronómicos e deverão ser referidos como surpreendentes (exciting), atuais (new), diferentes (unique) e consistentemente bons (world class).

 

As exportações de vinho português demonstram também este dinamismo do setor, visto que registaram um desempenho bastante favorável nos últimos anos. A realidade mundial transformou o setor do vinho num sector altamente especializado e competitivo, exigindo organizações altamente especializadas e competitivas.

 

O caminho de internacionalização das marcas de vinho está fortemente dependente da notoriedade das marcas “PORTUGAL” e “Vinhos de Portugal / Wines of Portugal”.

 

Neste momento, temos como principais mercados maduros e já estabelecidos, os EUA, o Canadá, os Países Nórdicos, o Reino Unido e a Alemanha. Como mercados emergentes, temos o Brasil, Angola e a China.

 

A internacionalização das empresas portuguesas está condicionada à realidade das suas características e cada uma tem uma estratégia e objetivos próprios.

 

Contudo, em todos os casos é necessário ter informação sobre os mercados. Os seus planos de negócio passam por garantir uma distribuição eficaz, dar a conhecer os produtos, ganhar notoriedade e reconhecimento dos opinion leaders locais, assim como visibilidade nos pontos de venda. As suas estratégias para disseminar os nossos vinhos focalizam-se em quatro áreas de ação:

 

- Realização de eventos: conjunto de ações de alto impacto no mercado, com presença de agentes económicos, como feiras e provas. Ex: a Feira Vinhos de Portugal que decorreu em São Paulo.

 - Educação/Formação: Conjunto de ações que visam aumentar o conhecimento sobre os vinhos portugueses nos mercados alvo, por exemplo workshops e cursos de formação.

- Promoção: Conjunto de ações desenvolvidas para acelerar as vendas como os incentivos em lojas de vinhos, supermercados e restaurantes que visam estimular a procura dos nossos vinhos.

 - Comunicação: Conjunto de meios que possibilitam a visibilidade e comunicação dos vinhos portugueses. Temos como exemplo, as campanhas nas revistas especializadas de Vinhos (Decanter, Wine Spectator, Wine Enthusiast, Wine & Sipirits).

 

O público-alvo das estratégias de comunicação é específico: nos profissionais, os jornalistas de vinhos e lifestyle, sommeliers, decisores de compra de vinhos.

 

À comunicação de uma experiência vínica única deverá ser associada a ligação com o Turismo e Enoturismo, como uma extensão da experiencia, aproveitando as sinergias com a promoção genérica.

Pretende-se, assim, contribuir para um ganho de eficiência ou de escala, nos esforços de promoção. Estes esforços de articulação, sobretudo operacional, deverão ser estimulados e monitorizados por atores públicos como a AICEP.

 

Fontes: www.winesofportugal.com;

http://observador.pt/2016/12/12/ha-quatro-vinhos-portugueses-no-top-100-da-wine-spectator/ ;

https://www.publico.pt/economia/jornal/vinhos-portugueses-alcancam-reconhecimento-internacional-42849;

Conhecimentos adquiridos durante a experiência no estágio.

 
 
Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico (Cabo Verde)

 

Lídia Oliveira | C21

INPHARMA

Praia | Cabo Verde

 

Panorama do País

Cabo Verde é um arquipélago de dez ilhas, das quais nove são habitadas, situado ao largo da costa ocidental africana.

O país tem uma população estimada de 520.500 habitantes. Apenas 10% do seu território está classificado como terra arável e o país dispõe de limitados recursos minerais.

Apesar do clima árido e do seu terreno montanhoso, Cabo Verde tem vindo a desenvolver-se rapidamente, em grande parte devido à sua indústria de turismo. O governo tem feito esforços no sentido de encorajar, não só o turismo, mas também de transformar as ilhas num centro de comércio e transportes.

 

 

Contexto Político

A política em Cabo Verde tem sido, de modo geral, orientada para o consenso, com um governo de maioria e as liberdades civis são amplamente respeitadas.

Desde que obteve a independência, em 1975, Cabo Verde não teve um único golpe de estado, um record na África Ocidental, só igualado pelo Senegal.

As eleições são consideradas livres e justas e os partidos no poder têm alternado regularmente. As últimas eleições parlamentares tiveram lugar em março de 2016, dando lugar a uma alteração ordeira e constitucional do governo, na sequência da vitória do Movimento para a Democracia (MpD), até então na oposição. Um novo parlamento liderado pelo Primeiro Ministro Ulisses Correia e Silva tomou posse em abril.  Tendo vencido as eleições parlamentares, regionais e presidenciais em 2015, o novo governo tem um espaço político sem precedentes para implementar reformas vigorosas. Nos termos do sistema semipresidencialista de Cabo Verde, tanto o primeiro-ministro como o presidente têm poder político.

 

 

Política Energética de Cabo Verde

No mundo de hoje, de procura crescente e de preços em alta, países como Cabo Verde, dependentes de importações, necessitam de procurar vias alternativas para um abastecimento energético seguro e sustentável. O sucesso de Cabo Verde dependerá da capacidade de adotar fontes de energia alternativas e construir um setor energético eficiente e sustentável.

Em países de economia frágil, como é o caso de Cabo Verde, o abastecimento de energia exerce uma pressão considerável sobre a sua estabilidade macroeconómica e os recursos ambientais. Para Cabo Verde, a garantia da disponibilidade de energia revela-se de carácter capital. Em primeiro lugar, porque o país é dependente da água dessalinizada que, por sua vez, exige um processo energético intenso. Em segundo lugar, porque a esperança do país, relativamente a uma graduação sustentável do Grupo de Países Menos Avançados, está ligada à realização da sua Agenda para a Transformação Económica.

Sem um abastecimento adequado de energia, é evidente que setores chave da Agenda de Transformação, como o turismo  e as atividades económicas em geral, serão dificultados. Além disso, Cabo Verde, enquanto arquipélago, não beneficia de economias de escala, necessitando cada ilha, das mesmas soluções em termos de infraestruturas.

Embora sol e vento sejam recursos naturais abundantes em Cabo Verde, a energia é um dos setores que mais carece de investimento e que, ao fim de mais de 30 anos de Independência, continua a dar imensas dores de cabeça aos sucessivos governos e à população.

O país tem uma dependência quase exclusiva dos produtos petrolíferos e da energia elétrica, cujas oscilações de preços no mercado internacional colocam o arquipélago numa situação económica muito vulnerável.

Apesar de o Governo ter reassumido a gestão da empresa nacional de eletricidade e águas, Electra SA, em 2006, os problemas energéticos, que vão desde apagões regulares na capital do país, passando pelas ligações clandestinas que sobrecarregam a rede, às tarifas elevadas tendo em conta o nível de vida do país, prolongam-se e não faltam vozes a reclamar uma política mais consistente e global para este setor estrutural e determinante para a competitividade económica do país.

 

Setor Energético em Cabo Verde

O setor energético em Cabo Verde é caraterizado pelo consumo de combustível fóssil (derivados de petróleo), biomassa (lenha) e utilização de energias renováveis, nomeadamente a energia eólica.

O consumo de combustível fóssil é constituído pelos derivados de petróleo como a gasolina, o gasóleo, o fuelóleo, o Jet Al, o gás butano e os lubrificantes.

O consumo de biomassa é basicamente constituído pela lenha utilizada nas zonas rurais e periferias das cidades para confeção de alimentos. A energia renovável, nomeadamente eólica, embora represente ainda uma pequena percentagem do total de energia consumida, é utilizada principalmente na produção de eletricidade.

Em relação à energia elétrica, esta é produzida essencialmente a partir de centrais térmicas utilizando o diesel e o fuelóleo. A utilização da energia solar é praticamente insignificante, limitando-se à bombagem de água.

Cabo Verde reexporta uma parte dos combustíveis fósseis importados (Jet A1 para  a aviação e gasóleo para transportes marítimos), mas uma grande parte é destinada ao consumo interno, essencialmente para os transportes e produção de eletricidade e água dessalinizada. O combustível com maior peso no consumo interno é o gasóleo seguido da biomassa e do fuel.

A produção de água dessalinizada está diretamente ligada à produção de energia elétrica e consome cerca de 10% da energia elétrica produzida em Cabo Verde.

 

Luz, sol e ondas do mar

Apesar da crise energética, o peso das energias renováveis permanece quase residual. E, curiosamente, é inversamente proporcional à disponibilidade dos recursos: nas dez ilhas, não falta luz solar, o vento sopra forte em boa parte do ano e o mar estende-se pelo horizonte fora, até perder de vista.

Atualmente, o único operador licenciado como produtor independente de energia renovável para o concelho da Praia é a Energias Renováveis de Cabo Verde- ERCV, que injeta cerca de 4,8 megawatts na rede da Electra.

 O Governo está a procurar apoio financeiro junto dos parceiros de desenvolvimento mais próximos, uma vez que o investimento nas energias alternativas é avultado e apenas rentável no longo prazo.

 Portugal abriu uma linha de crédito de 80 milhões de euros para a execução de projetos de energias renováveis no arquipélago, entre os quais se contam uma central solar fotovoltaica, o parque eólico de Santo Antão e a mini-hídrica e solar fotovoltaica no Tarrafal de Santo Antão.

Por seu lado, a Espanha entra com sete milhões de euros para o financiamento do Centro de Energias de Cabo Verde.

Internamente, o Governo adotou também algumas medidas, como a isenção de impostos para a importação de equipamentos e acessórios para energias alternativas, nomeadamente painéis solares e geradores eólicos.

 

Projeto Brava 100% Renovável

A Cape Verde Wind, empresa privada cujo proprietário é Júlio Rodrigues, um emigrante cabo-verdiano radicado nos Estados Unidos da América, apresentou recentemente ao Governo um projeto na área de energia que visa transformar a Ilha da Brava em “100% Renovável”, já em 2017. Ou seja, toda a produção de eletricidade da ilha poderá passar no futuro a ser feita através de tecnologia de energias renováveis, eólica e solar, tendo como tecnologia de armazenamento, o Hidrogénio.

O projeto, denominado 100% REI, utilizará uma combinação de turbinas eólicas e painéis de energia solar fotovoltaica para produzir eletricidade renovável e inclui um mecanismo de estabilização. O referido projeto tem também outros componentes importantes como a formação e capacitação de técnicos nacionais no CERMI (Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial), e apresentação do protótipo experimental de sistemas de contentores para formação, investigação e sua utilização em zonas remotas para produção de eletricidade.

É encarado como oportunidade de negócio para o país, sobretudo pela possibilidade de exportação desta tecnologia para o continente africano, no quadro do programa Power África promovido pelos EUA, onde Cabo Verde poderá atrair investimento americano e estabelecer-se como plataforma de produção e exportação de produtos e serviços ligados às energias renováveis.

O projeto conta já com o financiamento garantido em 8 milhões de dólares disponibilizado pela Agência Internacional de Energia Renovável e pelo Fundo de Abu Dhabi para o Desenvolvimento e será executado pela empresa CV Wind.

A CV Wind conta com a parceria de duas empresas norte-americanas: a EPC - Engineering, Procurement & Construction e a Giner ELX,  bastante conceituadas na área das energias renováveis, que já manifestaram interesse em disponibilizar todos os equipamentos necessários e o desenho do sistema, garantindo toda a produção e armazenamento de energia.

A nível local a Cabo Verde Wind trabalhará diretamente com a empresa de distribuição de água existente na ilha, a Água Brava, em todo o processo de implementação do projeto. Posteriormente, a empresa trabalhará com a autarquia da Ilha da Brava na procura de uma parceria público-privada, criando as melhores soluções para que o projeto beneficie toda a população da ilha.

 

Pontes para o Desenvolvimento/Porta de Entrada em África

Rui Fontes e Sousa | C21

Financial Resources Consulting | Maputo

Moçambique

 

O Porto de Maputo

 

Os portos marítimos de Moçambique enquadram-se no processo da colonização portuguesa entre o século XV e o século XX. Tinham como objetivo inicial as trocas comerciais e vieram, mais tarde, a ser usados também para tráfico de escravos para todo o mundo.

 

Mais tarde, devido ao desenvolvimento das vias rodoviárias e ferroviárias, os portos marítimos passaram a desempenhar um papel fundamental no escoamento de matérias-primas para as metrópoles, passando também a ser usados pelos países do interior que dependiam destes portos para a exportação e importação de mercadorias.

 

Estes portos destacam-se como infraestruturas estratégicas, maioritariamente devido à sua localização geográfica na zona periférica do Índico.

 

O porto de Maputo é considerado um dos três portos mais importantes de Moçambique. Com um comprimento global de 865 metros, divididos por 11 terminais, a entrada é feita pelo Canal do Norte, diretamente da Baía de Maputo, onde depois se dividem os cais e terminais pelos canais da Xefina, Polana e Matola.

 

A relação histórica com Portugal remete para o  tempo dos Descobrimentos, nomeadamente 1498, quando os portugueses ocuparam a ilha de Moçambique, que servia como apoio aos navios que ali passavam, dando-lhe assim um monopólio sobre o controlo do caminho marítimo para a Índia e o comércio das suas especiarias orientais consumidas pela Europa fora (nomeadamente pimenta, canela, cravo da Índia, entre outras).

 

Mais tarde, o porto de Maputo viria não só a permitir a exportação das matérias- primas africanas, mas também para a entrada de produtos exportados por Portugal (maioritariamente bebidas alcoólicas) e mão-de-obra para as minas sul-africanas.

 

Com o passar dos anos, a abolição da escravatura e trabalho forçado, a implementação e queda do Estado Novo em Portugal, a independência face aos colonizadores e todas as guerras e crises consequentes, fizeram com que a relação entre Portugal e Maputo fosse estritamente comercial, com recurso a acordos e tratados para facilitar trocas.

 

Atualmente, o comércio de Moçambique tenta retomar valores anteriores após sofrer uma quebra devido a crises políticas e militares em meados de 2012, que só foram apaziguadas em 2015. Tudo isto levou a uma desconfiança dos investidores, juntando-se à queda do preço das commodities em todas as bolsas mundiais.

 

O preço do petróleo e do gás natural também desceu em 2015, o que fez com que empresas como a portuguesa Petrogal tenham prolongado o investimento nas promissoras jazidas de gás no norte de Moçambique.

 

Assim, e juntando a contínua desvalorização da moeda nacional, Portugal torna-se mais uma vez num dos maiores exportadores de bens alimentares básicos que Moçambique não produz em quantidade suficiente, usando o porto de Maputo como uma das entradas fundamentais das mercadorias no país. De realçar, também, a boa relação entre o Governo de Maputo e o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, vinculado antes, durante e após a sua visita em maio de 2016.

 

Prevê-se que esta relação cresça, mesmo que lentamente, não só por vontades de ambos os países, mas também por melhoramentos nas infraestruturas de Moçambique, como por exemplo, o melhoramento e criação de linhas ferroviárias, e também dos portos.

 

Nomeadamente, o porto de Maputo já tem vindo a expandir o seu número de serviços, mas também a melhoria das suas condições, dentro e fora de água, como é exemplo a corrente campanha de drenagem.

 

Igualdade de Género, Proteção da Maternidade e da Infância no âmbito do Desenvolvimento (Angola)

Diana Veloso | C21

AdP – Águas de Portugal | Huambo

 

Angola 

A igualdade de género é, antes de tudo, um direito humano. As mulheres têm direito a viver com dignidade e segurança. A capacitação das mulheres e meninas também é uma ferramenta indispensável para o avanço do desenvolvimento e redução da pobreza. As mulheres que são saudáveis, educadas e responsáveis pelas suas vidas contribuem  para a saúde, bem-estar e prosperidade de famílias inteiras, comunidades e suas nações”, in Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

A problemática da igualdade de género e maternidade é considerada um dos eixos fundamentais para promover o desenvolvimento num país, combatendo, assim, a discriminação que ainda existe nos países em vias de desenvolvimento. No âmbito geral, este problema assume fatores extremos aos quais permite que grandes organizações atuem sobre o mesmo, tais como: Organização das Nações Unidas (ONU), Banco Mundial, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e, ainda, diversas Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD).

 

Organização das Nações Unidas

De facto, a ONU é a grande responsável pelos programas que promovem o desenvolvimento sustentável nestes países, criando, assim, departamentos dentro da própria organização, direcionados para as diferentes áreas de atuação. Desta forma, um dos objetivos na Carta de Fundação da ONU é promover a igualdade de género e o empowerment das mulheres, o que, consequentemente originou a criação do programa United Nations Development Programme que reforça a importância da igualdade de género e o empoderamento das mulheres como um dos eixos fundamentais para proporcionar um desenvolvimento sustentável nos países em vias de desenvolvimento. Esta iniciativa promove a igualdade de direitos entre homens e mulheres, combatendo a discriminação que ainda existe relativamente a esta questão.

 

Banco Mundial

Ainda numa perspetiva geral, o Banco Mundial assume que o empowerment das mulheres e a igualdade dos sexos se trata de uma visão de economia inteligente, ou seja, ao permitir que as mulheres tenham igual acesso à educação e oportunidades económicas, vai permitir enormes ganhos de produtividade, essenciais para um mundo globalizado e mais competitivo.

 

Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento

Relativamente às ONGD’s, estas também têm muita importância na defesa destes direitos, embora numa menor escala, devido ao escasso apoio financeiro de que dispõem. No entanto, frequentemente, esta ajuda tem maior impacto do que as grandes organizações internacionais de cooperação, devido à proximidade com as comunidades onde atuam.

 

O Governo Angolano

“No meio rural angolano predomina uma cultura tradicional com as suas práticas socializadoras tendentes à preservação da identidade. A socialização das crianças, em particular a das meninas, faz-se no contexto da tradição, apoiada em ritos iniciáticos e fundada na discriminação da mulher, cujo destino fica traçado: ser dona da casa, esposa e mãe, cuja vida se sujeita às lógicas de dominação masculina. Com isto, pretende-se problematizar a influência da tradição cultural na socialização comunitária no meio rural angolano, onde prevalece o preconceito da superioridade masculina, o qual condiciona a construção social do género. Neste contexto, a função social da mulher angolana rural restringe-se ao universo doméstico, sendo-lhe, portanto, negada a assunção da cidadania comunitária em condições de igualdade de direitos”, Eugénio Alves da Silva.

O governo angolano, neste caso específico, é importante, na medida em que é necessária legislação que promova este mesmo desenvolvimento. Isto porque a própria sociedade discrimina e, desta forma, são necessárias leis que forcem a população a uma mudança de atitude face à evolução do mundo. Note-se que mudar a mentalidade de uma sociedade que por si só já tem costumes e tradições não é tarefa fácil, no entanto, é necessário promover mais medidas, mais legislações, mais programas que reforcem para a importância desta temática.

O Governo Angolano já aprovou vários instrumentos legais que visam a promoção da Igualdade e Equidade de Género. Com o apoio do UNFPA ao Ministério da Família e Promoção da Mulher (MINFAMU) foi preparada a Lei n.º 25/11, de 14 de julho, e o Decreto Presidencial n.º 142/13, de 28 de agosto, que estabelecem o regime jurídico de prevenção da violência doméstica, de proteção e assistência às vítimas. Adicionalmente, foi elaborado o Decreto Presidencial n.º 222/13, de 24 de dezembro, que aprova a Política Nacional para Igualdade e Equidade de Género e a respetiva Estratégia de Advocacia e Mobilização de Recursos para Implementação e Monitoria da Política.

 

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

A importância da igualdade de género é evidenciada pela sua inclusão como um dos  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Enquanto um objetivo em si mesmo, a igualdade de género é também um condutor para todos os ODS. Por esse motivo, está intimamente ligada a metas para melhorar a saúde materna e neonatal e para reduzir a propagação do VIH/SIDA.

No que diz respeito à promoção da Igualdade de Género, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2013-2017 tem como objetivo geral a promoção, para homens e mulheres, de oportunidades, direitos e responsabilidades iguais em todos os domínios da vida económica, social, cultural e política.

 

O Trabalho do UNFPA

O Fundo de População das Nações Unidas, em inglês United Nations Population Fund, com a sigla UNFPA, é o organismo da ONU responsável por questões populacionais.

O foco do trabalho do UNFPA em Angola centra-se na promoção do acesso universal à informação e aos serviços de saúde reprodutiva, incluindo o planeamento familiar para os adolescentes e jovens. Faz parte deste foco trabalhar com parceiros de modo a formular programas de redução da pobreza e apoiar a expansão e o acesso à educação sexual e de género, de modo a que todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros, todos os jovens fiquem livres do HIV/SIDA e todas as meninas e mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito.

 

Huambo, Angola

Huambo, Angola

Análise de uma fotografia (Moçambique)

 Ana Catarina Neves | C21

Casa do Agricultor

Maputo | Moçambique

 

As imagens valem mais do que mil palavras. Já todos ouvimos esta frase. Alguns dirão “essa já é velha” mas, na verdade, ninguém pode negar a intemporalidade desta expressão nascida na China há mais de 2500 anos. E aqui está a prova da sua intemporalidade, pois torna-se impossível retratar por palavras tudo o que esta imagem representa: um futuro melhor, um negócio mais otimizado, ou mesmo a sobrevivência, num país tão cheio de potencial, como por vezes, tão vazio de aproveitamento.

Se 45% de todo o território moçambicano tem características excecionais para a prática agrícola, estima-se que apenas 11%, cerca de 4 milhões de hectares, é terra cultivada.

Em Moçambique predomina a agricultura familiar, representando 99% das unidades agrícolas que ocupam mais de 95% da área cultivada do país e empregando 80% da população ativa (Ministério da Agricultura). A Agricultura é, assim, um setor de grande importância em Moçambique, embora corresponda apenas a cerca de 20% do PIB (INE), pois a falta de modernização e o reduzido rendimento contribuem para uma baixa otimização dos excelentes recursos naturais como solo, clima, água e trabalhadores.

A Agricultura em Moçambique consiste em pequenas explorações (menos de 5 ha) e apresenta-se essencialmente como sendo de subsistência, com fracas infra- estruturas, baixos níveis de produção, uso de métodos tradicionais, uso de sementes de baixo rendimento e falta de insumos, assistência técnica e de acesso aos mercados.

De todas estas necessidades e de uma maior, a de “ensinar a pescar mas não dar o peixe”, nasce um projeto de apoio real que certamente transformará direta e indiretamente a vida de milhões de moçambicanos – a Escola do Agricultor.

O projeto Escola do Agricultor consiste numa plataforma de formação, com o objetivo de promover a agricultura e a pecuária com um Programa de Formação que oferece os meios para a transmissão de conhecimento, acesso aos insumos e entrada no mercado.

A Escola do Agricultor vai ao encontro do público em todo o país, utilizando meios multimédia, um programa de televisão semanal, a rádio, ou a criação de eventos e feiras. As atividades consistem em formação em sala, campos de demonstração das técnicas de produção e feiras organizadas durante os eventos de formação para agricultores e fornecedores exporem os seus produtos.

Da primeira fase do projeto isto foi o que nos marcou: a vontade, a garra, o sacrifício pelas distâncias percorridas, pelas "horas perdidas" de trabalho na machamba, pelo tempo de estudo, mas principalmente a ansiedade em dar um passo em frente, em melhorar os seus negócios e as suas vidas. Este é o néctar que nos anima e encoraja a continuar e a fazer cada vez melhor.

A lente da câmara fotográfica captou um pequeno momento, há quem o considere o mais importante, pois representa o cumprimento do objetivo – finalizar a formação com sucesso. No entanto, a lente da alma viu para além disso. Assistiu ao aumento da confiança, à partilha de ideias e sugestões, à coragem de recomeçar após cada insucesso, em resumo, à felicidade por ver um futuro logo ali à frente. A lente da alma apreciou um momento que será sempre relembrado graças ao disparo da lente da câmara.

Voltamos ao início, uma imagem vale mais do que mil palavras? Confúcio tinha razão, não temos dúvida de que vale, mas há momentos especiais que precisam de mil imagens.

Definitivamente, com a Escola do Agricultor apoiou-se o setor de maior importância em Moçambique – a agricultura – tendo em vista a sua renovação, modernização e otimização.

Democracias e Diversidades na Europa

JS

João Santana | C21

Constructel GmbH | Munique

Alemanha

 

No atual momento da história da Europa, em que se assiste a um crescimento de movimentos populistas muitas vezes, de origem nacionalista, torna-se necessário refletir sobre as causas que têm levado ao surgimento destes extremismos e que vão contra os objetivos da União Europeia.

Para tal, é importante contextualizar primeiramente alguns dos ideais da criação da União Europeia.

A União Europeia começou a esboçar-se após o término da Segunda Grande Guerra, com o intuito de  as relações entre os vários países se restabelecerem num clima de paz, união e cooperação que potenciasse a prosperidade dos mesmos [1].

A evolução da União Europeia até aos moldes até à forma como a conhecemos hoje, encontra-se assente em valores fundamentais que se focam no respeito pelos direitos Humanos, na democracia, justiça,  liberdade e  pluralismo das culturas e tradições dos povos da Europa [2], que lhe valeu, inclusivamente, a atribuição do Prémio Nobel da Paz no ano de 2012.

No entanto, os últimos anos da União Europeia têm sido marcados pela instabilidade, sobretudo devido a três principais razões: problemas económico-financeiros, falta de segurança no espaço europeu e dificuldades no controlo das fronteiras e das migrações [3].

A nível económico-financeiro, a crise da dívida pública começou a evidenciar-se no final da primeira década de 2000, tendo a falência do Banco americano Lehman Brothers originado uma das maiores crises económicas a nível global.

Com estes acontecimentos, as economias mais vulneráveis do grupo Europeu começaram a sentir dificuldades em fazer frente ao forte endividamento público, o que deu lugar a um clima especulativo com o consequente aumento das taxas de juro. Desta combinação de fatores surgiram os resgastes financeiros a vários países europeus, como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre, dando origem a um período fortemente marcado pelas políticas de austeridade, elevado desemprego e pelo crescendo das desigualdades sociais [3, 4].

 

budget2012

Figura 1 - Défice orçamental e dívida pública em função do PIB, 2012 [4]

 

Por outro lado, desde o atentado terrorista em Madrid (março de 2004), estas ações violentas têm vindo a ocorrer mais frequentemente dentro do espaço europeu, ameaçando os ideais de Liberdade e Tolerância em que assenta a Comunidade Europeia.

Da incapacidade que as autoridades têm demonstrado quanto a prever e prevenir os atentados à escala global, surge a sensação de insegurança, ampliada pela possibilidade de livre circulação de bens e de pessoas pelo espaço europeu, bem como pelo recente fluxo de migrantes.

charliehebdo

Figura 2 - Capa do jornal Charlie Hebdo, após o atentado de 2015 [5]

Relativamente aos refugiados, estes têm vindo a procurar na Europa um refúgio para a fome e a violação dos direitos humanos, bem como ao clima de guerra e conflitos que se vive no Médio Oriente e no Norte de África, colocando as suas vidas em risco ao atravessarem o Mediterrâneo em embarcações sem qualquer tipo de segurança.

Este fluxo de migrantes atingiu o expoente máximo em 2015, tendo sido registados cerca 1,26 milhões de pedidos de asilo, segundo os dados do Eurostat [6], onde a Síria toma especial relevo devido às catástrofes humanitárias que têm resultado da guerra civil e da atuação do autoproclamado estado islâmico [7, 8].

 

migrant2015

Figura 3 - Pedidos de asilo na UE e rotas migratórias em 2015 [7]

 

Face a esta tragédia humanitária, a União Europeia tem demonstrado dificuldades em reagir ao fluxo migratório, nomeadamente no que diz respeito à repartição e integração dos refugiados pelos países integrantes do Grupo, havendo mesmo países a repor o controlo das suas fronteiras para fazerem face ao elevado volume de migrantes que receberam [9].

Esta carência de políticas de integração e de eficácia na sua implementação implicou variadíssimos problemas no que toca à absorção do choque cultural, na integração social e económica dos refugiados nos vários países de acolhimento [10].

 

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Figura 4 - Campo de refugiados na fronteira da Macedónia com a Grécia [11]

A conjugação dos problemas económico-financeiros, da sensação de falta de segurança face aos (cada vez mais frequentes) atentados terroristas e às deficientes políticas de resposta à crise migratória, tem acentuado a desconfiança no funcionamento da União Europeia e na sua capacidade de cuidar dos bens públicos europeus e responder às necessidades dos cidadãos. Como resultado, temos assistido a um crescimento do discurso populista, onde se põe em causa a continuidade do projeto europeu, com a defesa do regresso dos nacionalismos e a criação de novos partidos e movimentos com ideais extremistas [3].

O caso do Brexit e as eleições em França demonstram essa mesma tendência, que se tem vindo a manifestar à escala global, quando se olha para os resultados eleitorais dos Estados Unidos da América e para o programa de Donald Trump.

Também na campanha eleitoral na Alemanha, assistiu-se ao crescimento de movimentos nacionalistas, como é o caso da AfD (Alternative für Deutschland).

Desta forma, podemos concluir que, nos tempos atuais, o Projeto Europeu tem-se vindo a afastar dos seus ideais primordiais, em que se procurava atingir a prosperidade através do estreitamento de relações entre as várias nações, num ambiente de paz e tolerância para com a pluralidade cultural. No entanto, é imperativo que a União Europeia seja capaz de resolver os problemas que têm vindo a afetar o Eurogrupo, para se criarem condições de estabilidade que permitam restabelecer o sentimento de pertença dos europeus e fortalecer a identidade que nos tem unido até agora.

Para tal, é necessário que existam progressos que absorvam as assimetrias económicas entre os vários países europeus, levando à melhoria das condições económico-financeiras dos estados membros, reduzindo as condições de precariedade e os atuais níveis de desemprego [3].

No campo da segurança, é necessário que a prevenção do terrorismo continue, na estratégia de combate à radicalização e ao recrutamento para o terrorismo e no reforço da cooperação internacional, uma vez que é um problema presente à escala global [12].

Relativamente ao tema da crise migratória, é necessário que se estruturem políticas que apoiem a integração social dos refugiados, na criação de programas que permitam a ultrapassagem da barreira linguística, no combate à segregação e criação de sociedades paralelas dos refugiados, através da análise das competências dos imigrantes e da consequente distribuição consoante as necessidades de cada região, tendo ainda em conta as disponibilidades de habitação.

Devem ser ainda criados instrumentos de monitorização a longo prazo do percurso de integração dos refugiados, de forma a permitir uma reação célere a quaisquer desvios que venham a surgir [10].

Por último, para combater os movimentos nacionalistas, é necessário haver uma estratégia eficaz de comunicação que explique a dimensão e o contexto de toda esta crise migratória, reduzindo as atitudes anti-imigrantes e anti refugiados [10]. É ainda necessário que exista um papel ativo para que se dê a conhecer os propósitos da União Europeia e do seu impacto no dia a dia de todos os cidadãos europeus, combatendo, também, desta forma, a oposição à Europa [13].

 

Referências:

[1] -  https://europa.eu/european-union/about-eu/history_pt

[2] - Jornal Oficial da União Europeia, “Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia”, 2012

[3] - https://www.publico.pt/2016/11/14/mundo/ensaio/a-nova-europa-divida-num-contexto-internacional-de-incertezas-e-nos-1750823

[4] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_da_d%C3%ADvida_p%C3%BAblica_da_Zona_Euro

[5] - http://observador.pt/2015/01/12/charlie-hebdo-revela-capa-da-proxima-edicao-e-tudo-esta-perdoado/

[6] - http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/show.do?query=BOOKMARK_DS-057066_QID_-5E3D44D7_UID_-3F171EB0&layout=TIME,C,X,0;GEO,L,Y,0;CITIZEN,L,Z,0;SEX,L,Z,1;AGE,L,Z,2;ASYL_APP,L,Z,3;UNIT,L,Z,4;INDICATORS,C,Z,5;&zSelection=DS-057066CITIZEN,EXT_EU28;DS-057066UNIT,PER;DS-057066ASYL_APP,NASY_APP;DS-057066INDICATORS,OBS_FLAG;DS-057066SEX,T;DS-057066AGE,TOTAL;&rankName1=UNIT_1_2_-1_2&rankName2=AGE_1_2_-1_2&rankName3=CITIZEN_1_2_-1_2&rankName4=INDICATORS_1_2_-1_2&rankName5=ASYL-APP_1_2_-1_2&rankName6=SEX_1_2_-1_2&rankName7=TIME_1_0_0_0&rankName8=GEO_1_2_0_1&sortC=ASC_-1_FIRST&rStp=&cStp=&rDCh=&cDCh=&rDM=true&cDM=true&footnes=false&empty=false&wai=false&time_mode=ROLLING&time_most_recent=true&lang=EN&cfo=%23%23%23%2C%23%23%23.%23%23%23

[7] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_migrat%C3%B3ria_na_Europa

[8] - https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria

[9] - http://observador.pt/2017/05/19/crise-dos-refugiados-e-terrorismo-estao-a-por-em-causa-espaco-schengen-diz-ministra/

[10] - Ferreira, Susana, Dissertação de Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, “Melhorar as Respostas à Crise Migratória e de Refugiados na Europa”, Março 2010

[11] - http://www.dn.pt/mundo/interior/mais-de-30-mil-retidos-na-grecia-devido-ao-encerramento-de-fronteiras-5061362.html

[12] - http://www.consilium.europa.eu/pt/policies/fight-against-terrorism/

[13] - http://rr.sapo.pt/noticia/86164/bruxelas_avanca_para_batalha_mediatica_contra_o_antieuropeismo?utm_source=rss

 

Impacto do Brexit na Economia Portuguesa
José Rui Styliano Ribeiro | C21
NG Finance
Reino Unido
 
Introdução
 

O presente trabalho tem como propósito analisar o tema “Brexit – Impacto na Economia Portuguesa” e procura analisar os vários impactos que a saída do Reino Unido da União Europeia terá sobre a Economia Portuguesa.

 

Tais impactos dependem de negociações e acordos comerciais que se estabeleçam entre o Reino Unido e os 27 estados-membros da União Europeia sendo, no entanto, indiscutível que tal decisão terá influência a nível do comércio, turismo, emigração e também produzirá efeitos nos mercados financeiros.

 

 

O Brexit e o impacto na economia europeia

 

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) terá como consequência a criação de um buraco financeiro que desafiará a coesão entre os 27 estados-membros, tendo em conta que o Reino Unido é um dos maiores contribuintes líquidos para o orçamento comunitário.

 

“Se for compensado, todos os 27 orçamentos nacionais ficarão a perder. Mas a forma como se distribui este esforço entre países dependerá muito do tipo de resposta: mais contribuições para a UE penalizarão principalmente os que já são contribuintes líquidos; mais cortes pesarão mais sobre os beneficiários, como Portugal. A negociação poderá culminar numa solução mista, entre mais contribuições nacionais e menos despesa da UE, por exemplo nos fundos estruturais que Portugal recebe.”

Estas são conclusões e avisos de um estudo publicado no início do ano por dois investigadores do Instituto Jacques Delors, no qual estimam que o "buraco do Brexit no orçamento [da UE] pode ascender a cerca de 10 mil milhões de euros por ano. Com efeito Jorg Haas e Eulalia Rubio lembram que as negociações entre os 27 para o quadro financeiro plurianual 2020-2026 começam já em 2018, ou seja, em plena negociação da saída do Reino Unido, e avisam esperaram "um agravamento das divisões já existentes entre os contribuintes e os beneficiários líquidos do orçamento da UE.

 

De todos os possíveis acordos, o pior seria a falta de acordo, pela incerteza que geraria nas decisões financeiras para o início da próxima década, defendem em "Brexit and the EU Budget: Threat or Opportunity.

 

Num primeiro cenário, Jorg Haas e Eulalia Rubio admitem a compensação dos 10 mil milhões de euros por aumentos proporcionais nas contribuições nacionais. Esta solução deverá merecer a resistência dos atuais contribuintes líquidos que seriam chamados a pagar uma fatura ainda maior do orçamento. Holanda, Suécia, Alemanha e Áustria veriam a sua contribuição subir entre 14% e 16,5%. Portugal estaria a meio da tabela, com um aumento de cerca de 7%, que acrescentaria perto de 100 milhões de euros aos cerca de 1,5 mil milhões de contribuição anual registados em 2015. Esta seria a forma de continuar a receber os 2,6 mil milhões de euros de transferências da UE.”

 

“Num segundo cenário, o ajustamento é todo feito pela despesa, ou seja, o orçamento da UE seria cortado em 10 mil milhões de euros. Os beneficiários líquidos seriam os principais sacrificados. Os impactos por país são difíceis de estimar, mas a magnitude do corte pode ser percebida pela comparação com algumas rubricas do orçamento da UE. Aliás, 10 mil milhões equivalem a 20% da verba destinada à Política Agrícola Comum ou a 20% dos Fundos de Coesão, à totalidade do Horizonte 2020 (o programa orçamental dedicado à investigação e inovação), juntamente com o fundo para migração e integração; ou ainda à totalidade do orçamento de defesa da UE acrescida dos gastos com o programa «defesa e cidadania».”

 

Por fim, num terceiro cenário, é ponderada uma solução mista, com “corte de 5 mil milhões de euros na despesa, e um aumento de contribuições que penaliza mais os contribuintes líquidos. Portugal pagaria mais 38 milhões de euros.”

 

Para Portugal e para as empresas portuguesas o impacto total ainda não é claro e depende dos desenvolvimentos da saída do Reino Unido da União Europeia.

 

Segundo um estudo efetuado pela PwC, existem quatro cenários possíveis, tendo em conta a votação para o Brexit. “Os múltiplos cenários dependem da forma como o Parlamento do Reino Unido e a União Europeia irão reagir ao resultado do referendo e às subsequentes negociações. Os quatro cenários dependem ainda dos diferentes níveis de integração que o Reino Unido terá, de futuro, na União Europeia.”

 

 

Sair da União Europeia pode permitir maior autonomia ao Reino Unido em termos de política de comércio externo, mas significa igualmente uma perda da sua influência no futuro da regulamentação europeia.

 

 
Principais temas económicos para refletir após o Brexit

 

 

Movimentos cambiais da libra esterlina

O enfraquecimento imediato da libra esterlina tem sido o fator preponderante para as significativas flutuações no comércio internacional. A libra atingiu o nível mais baixo, em 31 anos, apos o comunicado do resultado do referendo. “Quanto mais se prolongar a incerteza em torno dos cenários comerciais e de investimento, pós-Brexit, mais intensa se tornará essa volatilidade.”

 

 

Alterações regulamentares

Com o Brexit também iremos assistir a alterações regulamentares que terão impacto na UE e no Reino Unido. Estas alterações deverão abordar todos os principais aspetos da sociedade e dos negócios. “Estas alterações ainda vão levar algum tempo a ser negociadas e acordadas, o que poderá vir a ter um impacto significativo em todos os setores.”

 

Comércio internacional

“Segundo o INE, em 2015, cerca de 6,7% dos bens e serviços portugueses foram exportados para o Reino Unido, sendo este o quarto maior mercado de destino das exportações portuguesas.”

É de realçar que o comércio português depende fortemente do livre acesso ao mercado Europeu, representando a Europa a esmagadora maioria das nossas exportações (72,7%), com a Espanha, França e Alemanha como principais Clientes. Sao esperadas alterações nos acordos de comércio internacional que irão ser negociadas ao nível Europeu, sendo possível um maior controlo das fronteiras, a introdução de novas tarifas, assim como um maior número de impostos especiais ao consumo.

 “As empresas exportadoras poderão estar entre os agentes económicos mais afetados pelo Brexit. Não só o Reino Unido é um dos principais mercados internacionais — logo, uma queda da economia e do poder de compra, acentuada pela desvalorização da libra face ao euro, castiga as empresas portuguesas — mas também porque se antecipa o regresso de taxas alfandegárias aos produtos destinados ao mercado britânico que tenham origem na União Europeia.”

 “Esta ameaça é realçada por António Afonso, professor do ISEG. “Para Portugal, o efeito poderá ser sentido ao nível das trocas comerciais, as quais poderão sofrer alguma redução com uma imposição de tarifas à importação por parte do Reino Unido”. A saída da UE implica, também, o abandono da união aduaneira.

 

No entanto, como já foi referido, existe a possibilidade de ser negociado um acordo de comércio livre com a União Europeia, que permita suavizar o impacto económico do Brexit para as duas partes. “E, mais importante do que as taxas alfandegárias, é a compatibilidade ao nível das especificações técnicas e exigências ambientais dos bens transacionados.”

 

“O mercado britânico absorveu, em 2015, 6,7% das exportações portuguesas de bens, uma quota que tem vindo a crescer de forma sustentada desde, pelo menos, 2011. No passado, as vendas para o Reino Unido representaram 3.350 milhões de euros e o saldo era claramente positivo para Portugal. Máquinas e aparelhos, veículos automóveis e materiais de transporte, vestuário, calçado e bens alimentares estão entre as principais exportações portuguesas para o país da libra.”

 

O Reino Unido é o quarto mercado mais importante para as empresas portuguesas e, em 2015 as exportações de bens e serviços para este país ultrapassaram sete mil milhões de euros. Os britânicos são, ainda, dos maiores investidores em Portugal, sendo que em 2016 foram o “segundo país que mais investiu em Portugal, com cerca de 582 milhões de euros, embora os dados do Aicep, a partir das estatísticas do Banco de Portugal, contabilizem a entrada de recursos pelos países onde as empresas têm a sua sede, o que inflaciona dados de geografias fiscalmente favoráveis, como o Luxemburgo, que surge como o maior investidor em Portugal em 2015.”

 “Dados do UK Trade and Investment, que corresponde à AICEP britânica, revelam, ainda, que há 100 empresas britânicas a investir em Portugal. Os principais investimentos do Reino Unido centram-se nos setores do têxtil e do vinho, a norte do país, e no imobiliário e turismo, a sul. A presença das empresas inglesas tem ainda importância no setor da energia, com a petrolífera BP, a única multinacional do setor que ainda está em Portugal, e a International Power, acionista das sociedades que exploram centrais elétricas, Tubogás e Tejo Energia.”

 

Cadeias de abastecimento e acesso aos mercados

É expectável verificar-se uma “redução da procura por bens e serviços, provenientes do Reino Unido, à medida que as empresas procuram reduzir os seus níveis de exposição a eventuais taxas à importação do Reino Unido e a eventual aumento da burocracia.” Com isto, a viabilidade de Centros de Serviços partilhados e Centros Logísticos, dos quais o Reino Unido tem vindo a ser forte na oferta, pode vir a ser posta em causa.

 

“Segundo dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o Reino Unido foi o quarto cliente de bens e serviços de Portugal, representando 8,3% das exportações em 2014. Quanto a importações, foi o sexto fornecedor, com uma quota de 4,6% das importações. “Nos últimos cinco anos, a balança comercial de bens e serviços entre Portugal e o Reino Unido foi favorável ao nosso país, salientando-se que o crescimento médio anual das exportações nesse período foi de 9,2%, enquanto as importações contraíram em média 2,8%”, refere uma análise da AICEP àquele mercado.”

 

Especificamente nas exportações de serviços, o Reino Unido foi o primeiro cliente de Portugal em 2014, com uma quota de 13,9% do total (14,7% no período entre janeiro e julho de 2015). “Em 2014, os principais serviços exportados por Portugal com destino ao Reino Unido foram as viagens e turismo, com um peso de 53,4% no total exportador. Seguiram-se os transportes e serviços de telecomunicações, informática e informação. Nos serviços relacionados com as viagens e turismo houve, entre 2010 e 2014, um aumento das exportações de perto de 26%. As de transportes aumentaram 41% e as de serviços de telecomunicações e informática subiram 92%.”

 

Os ingleses ainda são os principais visitantes estrangeiros em Portugal e este é um dos setores onde mais se receiam os efeitos do Brexit. “Em 2014 e 2015, mais de 20% dos turistas que dormiram em Portugal tinha nacionalidade britânica, uma percentagem que sobe para 30% na região do Algarve. Só em 2014, houve mais de oito milhões de dormidas de residentes britânicos. Este número está muito acima dos turistas alemães que dormiram em Portugal em 2013, 4,8 milhões, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), e mais do dobro dos franceses e dos espanhóis que visitaram Portugal em 2015.”

 

Apesar de serem os que mais visitam o território lusitano, os ingleses estão entre os que têm gastos médios diários mais baixos. Segundo um estudo realizado pelo INE, “o turista médio britânico gastou 91,5 euros por dia, em média, soma que ficou abaixo do valor médio que se verificou entre os não residentes e que foi na ordem dos 104 euros por dia.”

 

“Ainda assim, no imediato, a saída do Reino Unido “não terá consequências relevantes”, defende João Loureiro, professor da Faculdade de Economia do Porto. “Quem viajava para Portugal continuará a vir, não é porque o Reino Unido está num processo de saída que deixam de vir”, antecipa. “A menos que haja uma recessão grave no Reino Unido e a libra se desvalorize muito”, ressalva. Se este cenário se concretizar, o turismo sofrerá com a quebra do poder de compra dos ingleses, já que o euro também perdeu valor, embora menos.”

 

Mercados Financeiros

“A nível de mercados financeiros, aquilo a que estamos a assistir é a uma fuga dos ativos com risco — ações, dívida de países periféricos, empresas com ativos no Reino Unido, empresas muito endividadas — para outros ativos mais seguros — a dívida alemã, o ouro, o dólar, o iene”, antecipa João Pereira Leite, diretor de investimentos do Banco Carregosa, ao Observador.”

 

“Uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit') poderá significar um agravamento da instabilidade dos mercados financeiros internacionais, com consequências imediatas para os países mais vulneráveis, como Portugal, segundo economistas ouvidos pela Lusa.”

 

“Para a economista Paula Gonçalves Carvalho, do departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI, em caso de 'Brexit', numa primeira fase, "certamente a instabilidade nos mercados financeiros internacionais se agravaria." Teria também consequências negativas a nível do crescimento económico, na medida em que é uma situação que suscita maior incerteza, podendo refletir-se negativamente sobre o investimento, consumo privado e redução do comércio internacional", considerou em declarações à agência Lusa.”

 Para Portugal, o impacto imediato na ótica da economista seria relevante, na medida em que o país continua vulnerável, dependente do setor externo para obter financiamento. Ja no que se refere ao médio prazo, Paula Gonçalves de Carvalho considera que "não ocorreria uma quebra imediata, mas certamente haveria alguma diluição do inter-relacionamento entre os dois países".

“O Reino Unido em termos de investimento direto é a terceira maior origem de Investimento Direto Estrangeiro (IDE - em termos de 'stock'), excluindo a Holanda (que por razões de fiscalidade tem uma posição cimeira), sendo que em 2015 representava 7% do 'stock' de IDE em Portugal. Em termos de destino de investimento dos empresários portugueses também é relevante, embora surja numa posição menos destacada. Surge também como destino preferencial de emigração portuguesa e talvez esta realidade seja a mais negativamente afetada com o novo quadro que os signatários do 'Leave' (saída) parecem pretender aprovar.”

 

O Brexit “pode vir a influenciar o investimento direto em Portugal. Em 2015, o Reino Unido foi o quarto país que mais investiu em Portugal, com cerca de 7,3% do total do IDE. As empresas britânicas têm vindo a investir significativamente em Portugal, nos setores têxtil, imobiliário, vinho, turismo e energia.”

 

Segundo Eduardo Silva, “perante um cenário de uma eventual saída do Reino Unido, outros países poderão seguir pelo mesmo caminho, fator que poderá gerar uma grande incerteza nos mercados e, por consequência, aumentar os juros da dívida, principalmente nos países periféricos que já se debatem com preocupantes rácios de endividamento.”

 

Política

No que se refere às implicações políticas, é de esperar que o Brexit “influencie as dinâmicas internas a vários países", dando como exemplo "uma possível repetição do referendo escocês e os seus impactos noutras regiões com forte propensão independentista", como a Catalunha, ou "o reforço de movimentos soberanistas em países como França, Dinamarca e Holanda", ou ainda a “reação dos partidos eurocéticos no poder nos países do Leste da Europa.”

 

Alterações aos modelos de negócio

Tendo em conta a elevada probabilidade da introdução de controlos fronteiriços com o Reino Unido e o estabelecimento de novos regulamentos e novos acordos comerciais internacionais, as empresas poderão ter de reavaliar onde e como fazem negócios no exterior. “As empresas que estejam, atualmente, em processos de fusão ou aquisição no Reino Unido, deverão reconsiderar as implicações económicas deste tipo de investimentos, antes de prosseguir com os mesmos.”

 

Livre circulação de pessoas

“A saída do Reino Unido da União Europeia poderá gerar algumas restrições à imigração para o Reino Unido e vice-versa. Os cidadãos da União Europeia poderão vir a necessitar de obter permissão para trabalhar no Reino Unido, sob regras similares às vigentes para os cidadãos não-comunitários. O mesmo se deverá passar com os cidadãos do Reino Unido, que atualmente vivem e trabalham em Portugal, passando estes também a estar suscetíveis a regras diferentes.” Os números de 2014 mostram em termos acumulados que o Reino Unido é o 3º país de emigração, apenas atrás da França e da Suíça e a saída anual de emigrantes portugueses para o Reino Unido tem vindo a crescer substancialmente, de ano para ano.

Resultantes do Brexit, grandes alterações são esperadas na emigração e fluxos migratórios. Nos anos de austeridade que Portugal atravessou na aplicação do programa de resgate da troika, o Reino Unido passou ser o principal destino dos portugueses que deixaram o país à procura de emprego ou de uma valorização profissional que não encontraram em Portugal.

 

 

 

”A diminuição do potencial de criação de empregos no país será uma das consequências de uma queda de produto interno bruto (PIB) e da atividade económica, como nota Muradali Ibrahimo, professor do ISEG, numa análise aos efeitos do resultado do referendo. Outro professor do ISEG, António Afonso, antecipa uma menor facilidade de circulação de mão-de-obra entre Portugal e o Reino Unido”.

 

No Reino Unido vive uma comunidade de cerca de 400 mil portugueses e, em Portugal, por sua vez, vivem entre 20 a 40 mil britânicos, a maioria reformados, sobretudo no Algarve e em Lisboa. No entanto, a importância do Reino Unido não se prende com os números apresentados, tendo em conta que este país é hoje o “quarto destino das exportações portuguesas e o primeiro emissor de turistas, que geraram mais de €8 milhões em 2016. A balança comercial de bens e serviços tem um saldo positivo a favor de Portugal de mais de 200% (em 2016, exportou €7,5 mil milhões e importou €3,3).”

 

Alterações na tributação

“A incerteza relativa às alterações fiscais futuras ainda prevalece para as empresas e indivíduos, em matérias como o IRC, o IRS, o IVA ou mesmo na mobilidade dos trabalhadores.”

 

Como o Brexit pode afetar o Reino Unido e Portugal

Vários estudos demonstram que o Brexit poderá provocar um efeito dispendioso de arrastamento para muitos dos parceiros de importação e exportação da Grã-Bretanha, incluindo Portugal.

 

O Reino Unido é um dos principais destinos de exportação de Portugal, com Portugal a faturar quase 3 mil milhões de euros a cada ano. A importância da UE para o comércio de Portugal com o Reino Unido e enorme. A livre circulação de mercadorias tem permitido que empresas britânicas fossem competitivas no mercado europeu e o custo de envio na UE é significativamente menor do que a expedição para os países europeus que não fazem parte da União, como a Suíça ou a Islândia. Com o Brexit, o custo dos bens importados para o Reino Unido a partir de Portugal poderá subir 30%. Esta alteração de preço resulta de um conjunto de fatores que inclui a subida dos custos de transporte, assim como direitos e impostos. Esta mudança de preços tornaria os bens e mercadorias portugueses menos atrativas aos consumidores britânicos e reduzia as habilidades dos fabricantes portugueses de competir a nível dos preços no mercado do Reino Unido. Isto por sua vez faria com que as empresas portuguesas pesquisassem novos mercados para atuar.

 

O significa o Brexit para Portugal, especificamente?

Como observado acima, a maioria das pequenas e médias empresas são propensas a procurar outros mercados devido ao Brexit, mas aqueles que não o fizerem terão novos desafios a enfrentar, entre eles a burocracia, desalfandegamento e direitos e impostos. Além disso, o Reino Unido deixará de ser uma vantagem competitiva para a indústria de logística alvo, o que provavelmente significa que os custos de transporte irão aumentar significativamente.

 

Algumas das principais exportações de Portugal incluem Vinho do Porto, o qual provavelmente continuará a ser enviado para o Reino Unido. No entanto, estudos sugerem que o álcool será sujeito a maiores direitos e impostos do que outros bens, o que ira elevar ainda mais os custos para as empresas que queiram fazer comércio no Reino Unido. Face a esta situação, as empresas poderão optar por se sujeitarem a estes custos adicionais, diminuindo drasticamente as margens de lucro ou de os transmitir ao consumidor, resultando na diminuição da sua competitividade em relação a outros produtos.

 

Foi publicado recentemente um estudo efetuado pela empresa de seguros de crédito Euler Hermes sobre o efeito do Brexit nas relações comerciais entre os Estados-membros da União Europeia. “No caso de Portugal, apesar de não ser dos mais afetados, haveria um “impacto significativo”. Os autores do estudo simularam o impacto em dois cenários: Brexit, mas com acordo de livre comércio, ou Brexit sem qualquer acordo para a troca de bens e serviços entre Reino Unido e UE.” Na possibilidade de se estabelecer acordo comercial, é estimado um impacto negativo no PIB português de 0,2% no acumulado entre 2017 e 2019. Caso contrário, o impacto será maior, estimando-se que o crescimento do PIB fique 0,3% abaixo do que seria esperado por efeito do Brexit.

 

“Portugal poderia perder, portanto, até 300 milhões de euros nas exportações - 200 milhões de euros nas vendas de bens e 100 milhões de euros em serviços. Já a perda no investimento direto estrangeiro é estimada em 100 milhões de euros. Os setores mais atingidos seriam o automóvel, os têxteis, o químico e o agroalimentar.” O estudo analisa ainda o impacto nas insolvências de empresas, estimando que estas podem aumentar em Portugal num ponto percentual até 2019.

 

“Num outro estudo que avalia mais indicadores do que os comerciais, da consultora Global Counsel, Portugal aparece como o quarto país que mais perdas teria caso o Reino Unido saísse da UE.” Além das exportações e do investimento, o Brexit teria consequências nos fluxos migratórios e nos mercados financeiros, tendo em conta as ligações bancárias às instituições financeiras britânicas e o peso dos fundos europeus.

 

Com Portugal a ser um dos maiores beneficiários de fundos comunitários, a saída de um dos maiores contribuintes líquidos para o orçamento da UE como o Reino Unido, poderia ter impacto nas transferências futuras que o país recebesse. “Além disso, Portugal saiu de uma recessão profunda que implicou um programa de assistência financeira e desemprego elevado. Com o PIB português ainda abaixo do potencial, a consultora considera que o país está numa posição frágil para absorver um choque macroeconómico como o que poderia ser causado por uma saída do Reino Unido.”

 

Conclusão

 

Estima-se que o impacto em Portugal seja mais moderado do que noutros países, de acordo com um estudo conjunto do Grupo Allianz/Euler Hermes, acionista da COSEC. No período entre 2017 e 2021, o país deve sofrer um decréscimo de 300 milhões de euros nas exportações de bens e de 200 milhões nas exportações de serviços. O investimento direto estrangeiro deve abrandar na ordem dos 100 milhões de euros, enquanto se estima que o PIB caia 0,3%.

 

Entre os países mais afetados estão a Holanda, a Irlanda e a Bélgica, cujo PIB deve cair 1,8%, 1,2% e 1%, respetivamente. A Holanda deve perder ainda 4 mil milhões de euros nas exportações de bens e 8,2 mil milhões no investimento direto estrangeiro. A Alemanha deve sofrer uma quebra de 0,4% no PIB, a França e a Espanha devem ambas diminuir o PIB em 0,3%, o que é considerado um impacto moderado.

 

Entre 2017 e 2021, a zona euro pode registar perdas de 24,6 mil milhões de euros em exportações de bens, e de 5,5 mil milhões de Euros em exportações de serviços.

 

Não há dúvida de que um Brexit danificaria as relações comerciais entre o Reino Unido e o resto da Europa e Portugal não é exceção. Dados sugerem que o Reino Unido antes da saída da UE iria provavelmente forçar muitas PME no país para encontrar novos mercados para os seus bens ou estas empresas seriam obrigadas a pagar mais pelos bens. Da mesma forma, o Brexit iria ver o custo de importação em Portugal para o Reino Unido aumentar, e como a Grã-Bretanha é um dos maiores importadores de Portugal, poderiam ser os consumidores que acabariam por pagar o preço.

 

Contudo, o Brexit também traz consigo vantagens para Portugal. O Governo português está bastante atento ao provável êxodo de entidades financeiras e de empresas sediadas no Reino Unido para o lado de cá do Canal da Mancha, uma vez que Theresa May já assumiu que o país fica fora do mercado único de mais de 400 milhões de pessoas.

 

As prioridades na atração de investimento, definidas pela AICEP no documento, incluem ainda os serviços financeiros (fintech) e a banca de investimento. O Governo aprovou, entretanto, a criação de uma unidade de missão especial para o Brexit, liderada por Bernardo Trindade e que conta também com Chitra Stern e Gonçalo Lobo Xavier – figuras com um perfil mais virado para a indústria do turismo que para o setor financeiro.

 

Vinhos Portugueses – Reconhecimento Internacional

 

Gabriela Aires Carvalho Simões | C21

 

Esporão | Hoboken

 

Estados Unidos da América

 

 

A produção de vinho em Portugal é uma herança deixada pelos nossos antepassados e tem evoluído significativamente à medida que passa de geração para geração.

 

Não tendo sido o primeiro país a dedicar-se à produção de vinho, Portugal foi certamente um pioneiro nesta área, tendo dado origem à primeira região vinícola demarcada do mundo, a do Douro.

 

Foi o Marquês de Pombal quem, em 1756, procedeu à demarcação desta região. Este caminho foi seguido com o objetivo de garantir que a qualidade do Vinho do Porto obedecesse a certos padrões, mantendo o nível de exportações para Inglaterra que permitisse angariar fundos para a ajuda na reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755.

 

Atualmente, o impacto desta atividade na economia portuguesa é bastante elevado, sendo que, 1,5% do total das exportações nacionais de bens é assegurado pelo vinho português.

 

As empresas produtoras de vinho em Portugal são maioritariamente familiares e de toda a produção vinícola no nosso país, 55% destina-se ao consumo interno e 45% são para exportação.

 

O esforço dos produtores para aumentar a internacionalização e, consequentemente, o reconhecimento de vinho português tem sido crescente. No ano de 2014, os principais mercados importadores do nosso vinho eram Angola, Estados Unidos e Alemanha.

 

Os países produtores de vinho podem ser classificados tanto como pertencendo ao “Velho Mundo”, como ao “Novo Mundo”. A primeira categoria refere-se a países ou regiões onde a vinificação teve origem e inclui países como França, Itália, Espanha, Alemanha e Portugal. A segunda refere-se a países ou regiões onde a vinificação foi importada mais recentemente, como os EUA, Chile, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

 

Grande parte do vinho produzido resulta da utilização de variedades de uvas originárias de um certo país, mas que foram sendo plantadas um pouco por todo o mundo, dando origem a vinhos de características diferentes, dependendo da região em que se encontram.

 

Quando comparado com o vinho produzido no resto do mundo, o vinho português é único, uma vez que Portugal possui mais de 250 castas autóctones, isto é, uvas originárias do nosso país, que produzem a maior parte do seu vinho recorrendo apenas a castas portuguesas.

 

Para além deste fator, Portugal apresenta ainda três tipos de vinho unicamente produzidos no nosso país: Vinho do Porto, da Madeira e Vinho Verde.

 

No mercado onde me encontro - EUA, a estratégia das empresas de vinho portuguesas, especificamente a Esporão, passa por dar a conhecer Portugal à população americana, passando informação sobre as castas portuguesas, incluindo a forma de pronunciar a história e cultura do país. Esta transmissão de informação ocorre, principalmente, através da realização e participação em eventos e feiras (destacando sempre Portugal), criação e promoção de relações com restaurantes, organização de viagens a Portugal com clientes, jornalistas e vendedores que, posteriormente procederão à transferência da informação para junto do seu público.

 

No caso da Esporão, tem existido a preocupação de manter um equilíbrio entre a autenticidade do vinho português e os gostos específicos do mercado americano. Um exemplo disto é o facto de esta empresa ter introduzido no seu portfólio alguns vinhos varietais. Isto é, a maioria dos vinhos produzidos e consumidos em Portugal, resultam da combinação de vários tipos de uvas diferentes, dando origem a um “blend”.

 

No entanto, no mercado americano, a maioria do vinho consumido é produzido apenas com um tipo de uva. Assim, a Esporão sentiu necessidade de se adaptar a este mercado e produzir vinhos que resultam apenas da utilização de um tipo de uva.

 

Em suma, a Esporão adapta-se a este mercado, mas nunca pondo em causa a autenticidade e identidade do vinho português, e sempre com o objetivo máximo de promover Portugal. 

 

Políticas de Apoio ao Emprego Jovem - França

Sérgio Almeida Cruz | C21

Delegação Portuguesa junto da OCDE|Paris

França

 

Cenário macroeconómico

Desde 2012, a França tem-se caracterizado por um crescimento fraco do PIB, ligeiramente acima dos 0%. No entanto, nos últimos 2 anos observou-se um crescimento acima de 1% e segundo dados da OCDE existirá uma aceleração do crescimento para 1,3% em 2017 e 1,5% em 2018, impulsionado pelo investimento e consumo.

A economia francesa é a sexta maior do mundo e a terceira maior da Europa, a seguir à Alemanha e ao Reino Unido.  É a maior potência agrícola da União Europeia, gerando cerca de 25% de toda a produção, e é o país que mais subsídios recebe  da Política Agrícola Comum, cerca de 20%. Contudo, este setor representa apenas 1,7% do PIB e corresponde a uma fração inferior a 3% do total de emprego.

Telecomunicações, eletrónica, automóvel, armamento e aeroespacial são os setores mais importantes numa indústria caracterizada pela sua diversidade.

A França atrai cerca de 80 milhões de turistas por ano, o que a torna o principal destino turístico do mundo, tornando o setor do turismo um dos mais importantes para a economia, em particular para o emprego.

 

Mercado de trabalho

A taxa de desemprego situa-se nos 10%, com tendência para diminuir à medida que a economia começa a prosperar. Relativamente ao desemprego jovem este encontrava-se em 24,6% em 2016.

No entanto dados da OCDE apontam para 21,7% de desemprego em abril de 2017 com tendência para diminuir. É a quinta maior taxa de entre os países da OCDE, a seguir à Grécia, Itália, Espanha e Portugal. Por este motivo, a consciencialização política para este problema tem vindo a intensificar-se.

O mercado de trabalho para os jovens é caracterizado não apenas por uma dificuldade maior em encontrar emprego, mas também porque, quando o encontram, este é de curta duração. O mercado laboral francês encontra-se dividido em “insiders”, aqueles que têm contratos permanentes, protegidos e a tempo inteiro e os “outsiders”, cujo emprego é temporário e inseguro.


De acordo com a OCDE, apenas 5% das pessoas com mais de 50 anos têm um contrato de curto-prazo, no entanto, nos jovens com menos de 25 anos este número sobe para 30%.

 

Políticas de apoio ao emprego jovem

·        Garantia Jovem – Este programa tem como alvo os jovens entre os 16 e os 26 anos, em situações precárias, que não se encontram a trabalhar, a estudar, ou em formação (NEET). Neste programa, jovens são reunidos por uma associação local com o objetivo de realizarem trabalho comunitário. Isto permite aos jovens aprender regras e códigos de comportamento que regem a organização do trabalho e da relação entre empregado e empregador. Este programa permite o desenvolvimento de competências sociais, autoconfiança, autoavaliação, valências de cooperação, ajuda mútua e trabalho em equipa. Os jovens são avaliados ao longo do programa e recebem um montante mensal de cerca de 472€.

 

·         Todos vencedores – Consiste na integração de jovens em empresas, nomeadamente em PME, com acesso a subsídios de contratação. A primeira etapa do processo é identificar as empresas e, subsequentemente, pré-selecionar os jovens que participarão no programa. Posteriormente, os participantes recebem formação que lhes permitirá desenvolver conhecimentos e competências adequados ao trabalho que lhes irá ser atribuído. A última etapa consiste em acompanhar e assegurar a boa integração do jovem no emprego.

 

·         Patrocínio para o emprego - Neste programa o patrocinador, um profissional, ativo ou reformado, compartilha a sua experiência com um jovem e acompanha o seu percurso de acesso ao mercado de trabalho.

 

 

Conclusão

 

Durante a campanha, o Presidente de França, Emmanuel Macron, destacou a questão do desemprego jovem como uma das suas prioridades, tanto a nível nacional como a nível comunitário. Neste contexto, espera-se a apresentação de um pacote de medidas para combater este problema.

Dada a sua magnitude, o desemprego jovem é uma das questões mais importantes a resolver na sociedade francesa. No entanto, observada a sua tendência decrescente motivada pela aceleração do crescimento económico e pelas reformas laborais, este desafio é enfrentado com otimismo.

 

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