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Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico

 

 

Mariana Sousa | C21

Barbot

Barcelona | Espanha

 

 

Viu bicing?

 

Viu Bicing em Barcelona

Viu Bicing  - bicicletas em Barcelona

 

 

Esta é a frase que qualquer local ou turista reconhece nas milhares de bicicletas que invadem a cidade de Barcelona. O bicing, sistema de partilha de bicicletas de Barcelona, faz dez anos e os milhares de utilizadores que usam este transporte diariamente são a prova do sucesso que alcançou.

 

Numa altura em que o programa de partilha de bicicletas em Lisboa começa a dar os primeiros passos, vamos descobrir como este programa pioneiro, que serviu de modelo a muitos outros espalhados pela Europa e América, chegou aos 106 mil utilizadores.

 

Barcelona é uma cidade relativamente pequena com uma elevada densidade populacional. Isto potencia um problema no que diz respeito às deslocações no centro da cidade: o trânsito que assombra diariamente os barcelonenses que utilizam nos seus carros. Para além do tempo perdido no trânsito, andar de carro em Barcelona fica dispendioso - 15 minutos num parque de estacionamento podem ascender aos 5 euros.

 

Para além dos problemas de tempo e dinheiro, o acumular de carros deteriora o ambiente da cidade que, apesar de ser limitada pela linha costeira, tem montanhas que a “abafam” e concentram os fumos nefastos, provocando problemas respiratórios que segundo estudos recentes diminuem em 1 ano o tempo de vida dos habitantes.

 

Claramente, o carro não é uma opção viável no centro de Barcelona, mas porquê a bicicleta e porquê o bicing?

 

Ao contrário de Lisboa, conhecida como a cidade das sete colinas, Barcelona é praticamente plana com imensos trilhos destinados aos ciclistas e níveis pluviais historicamente baixos. E se ainda são necessários mais argumentos para passar das 4 às 2 rodas, não vamos esquecer todos os benefícios que o exercício físico traz aos seus praticantes.

 

E o bicing ainda tem cartas para dar através do bicing elétrico que já conta com 41 estações, para os mais preguiçosos, ou para aqueles dias em que não temos pedalada.

 

Mas podem perguntar "oh Mariana porque é que eu vou aderir ao bicing se posso comprar uma bicicleta e ir a todo o lado com ela?"

 

Excelente pergunta leitor atento!

 

A verdade é que o bicing é destinado maioritariamente a deslocações no centro da cidade de Barcelona, cada viagem com uma duração média de 13 minutos. O sistema bicing conta com 6000 bicicletas  que se encontram  distribuídas por 420 postos. Com um custo de 47,16 euros por ano (menos de 4 euros por mês) o utilizador tem 30 minutos sem custos para poder usar a bicicleta.  A partir dos 30 minutos paga 74 cêntimos por cada fração de 30 minutos, até ás duas horas de utilização. A partir das duas horas tem uma penalização de 4,49 euros por hora de utilização. Depois de uma utilização de 30 minutos, tem que esperar 10 minutos para poder utilizar novamente o serviço. As vantagens do bicing em relação à compra de uma bicicleta própria, prendem-se com segurança: deixar uma bicicleta própria em segurança aparcada em Barcelona é difícil, e até nos melhores bairros algumas horas podem ser suficientes para levar ao desaparecimento de partes vitais da bicicleta. Ou da bicicleta toda.

 

Então, por que arriscar se há um sistema que te leva onde queres ir?

 

Sê rápido

Sê sustentável

Sê saudável

Sê económico

Sê bicing

 

 

Quotidiano de um Engenheiro Civil na entidade de acolhimento

 

Ricardo Ribeiro | C21

Mota-Engil África

Maputo - Moçambique

 

São 6:40h em Maputo e começa a tocar o primeiro de três despertadores programados no meu telemóvel. O dia começa cedo por estes lados e ao fim de alguns minutos, acabo por conseguir sair da cama. A partir daqui começa a correria, depois do banho e da tentativa de conseguir ser rápido a tomar o pequeno-almoço.

Desço os 5 pisos de escadas rapidamente para apanhar o táxi que me levará até ao trabalho. O Silva é um taxista que conheci logo nos primeiros dias que passei na cidade e que, por isso, acabou por ganhar a minha confiança, o que nos levou a “informalizar” um contrato de transporte diário.

Encontro-me a realizar o estágio na empresa Mota-Engil e a minha função no estágio é trabalhar como Eng. Civil Diretor de Obra Adjunto, no entanto como o meu orientador, tem a seu cargo cinco obras dentro de Maputo, não me dirijo sempre para o mesmo local para trabalhar.

Os contratos com os motoristas fazem-se através de acordos de pagamentos semanais, por isso, todas as sextas-feira é pay-day para eles, isto é, dia de receber.

A obra sobre a qual tenho maior responsabilidade e mais tarefas atribuídas é a Reabilitação do Antigo Refeitório dos CFM (Caminhos de Ferro de Moçambique), um edifício construído por nós, portugueses, durante o tempo colonial e, tal como o nome indica, era o local de almoço dos trabalhadores dessa empresa.

A obra localiza-se dentro do Porto de Maputo e isso acarreta algumas particularidades, tais como não ser permitido o uso de um colete comum para circular dentro do Porto - apenas coletes com fitas refletoras verticais são permitidos - e haver a necessidade de soprar ao balão sempre que se entra no porto, o que não permite abusos nas noitadas durante a semana nem almoços bem regados…

 

  

Fachada Sul do Antigo Refeitório dos CFM

 

Chegado à obra, por volta das 8:00, já os trabalhos decorrem há uma hora e entre os barulhos do martelo pneumático para demolir algum elemento estrutural, ou da máquina de cravar estacas a perfurar o terreno, vem o Sr. Maricato, Encarregado Geral da Obra, ter comigo a dar-me os bons dias.

O ambiente é muito bom na obra. Eu, o Eng. Hugo, meu orientador, e o Sr. Maricato somos os únicos expatriados nesta obra, todos os outros trabalhadores são moçambicanos e como é conhecida a sua alegria e simpatia natural, isso facilita muito o trabalho e a relação com todos os trabalhadores.

As terças-feira são dia de reunião com o Dono de Obra e enquanto a reunião não começa vamos os três tomar café a uma mesquita muçulmana que se encontra nas imediações.

Após a reunião é tempo de fazer uma visita à obra com a fiscalização e apontar as evoluções e os constrangimentos que nos impedem de prosseguir conforme desejamos… É nesta altura, também, que a entidade fiscalizadora alerta o Empreiteiro acerca de alguns pormenores. Contudo, numa empresa como a Mota-Engil esses momentos são raros.

Apesar desta ser a obra na qual estou mais envolvido, não é onde passo a maior parte do tempo. É na construção dos edifícios JAT VI que passo a maior parte do meu estágio, por ser a obra que requer maior atenção por parte do meu orientador e por ser uma obra muito delicada pelo seu historial antes de ser adjudicada à empresa onde me encontro. É a partir daqui que vou consultando fornecedores, analisando as suas propostas, elaborando Mapas Comparativos e comparando os diferentes preços apresentados, assim como com o Preço Seco.

Esta é uma das principais tarefas da Direção de Obra, conseguir executar a obra com a máxima qualidade, tendo sempre em conta que o objetivo principal de cada empresa, e esta não foge à regra, é gerar dinheiro. Além de consultas de fornecedores, e adjudicações de subempreitadas, há a gestão de recursos, tanto humanos como de materiais, as conversações com o Dono de Obra, a quem devemos solicitar a aprovação de materiais a incluir em obra, empresas a subcontratar e caso surja a possibilidade de apresentar um equipamento ou material alternativo ao que consta no Caderno de Encargos, também requer a sua aprovação.

 

Fachada dos Edifícios JAT VI

 

Cerca das 11h00 indico ao Fernando, o meu motorista da hora de almoço, o local onde me deve ir buscar. Ele é o moçambicano mais humilde que conheci desde que cá estou, sempre com um pedido de desculpa quando se atrasa e preocupado em saber se me encontro bem.

Por volta das 13h00 entro na sua tchoupela, mais conhecido em Portugal como tuc-tuc e dirijo-me até casa para almoçar. O almoço em casa costuma ser frango, ou douradinhos. Todas as refeições são muito bem acompanhadas por legumes e para a sobremesa temos sempre algumas peças de frutas tropicais com um sabor incrível.

Após o almoço é tempo de voltar ao trabalho… Por norma as tardes são passadas nos edifícios JAT VI, onde volto à consulta de fornecedores, chamadas, mails, análises de Mapas Comparativos e propostas, solicitações de pedidos de esclarecimentos referentes ao projeto ao Dono de Obra.

Muitas vezes temos reuniões com fornecedores, para acertar preços, para adjudicar trabalhos, etc.. Essas reuniões têm lugar nos escritórios da empresa e, devido à quantidade de trabalho, costumam ser agendadas para o fim da tarde, por isso, muitas vezes por volta das 16h30, eu e o meu orientador deslocamo-nos à sede da empresa para nos reunirmos com alguém. E quando olhamos para o relógio já passou a tarde e são cerca das 19h00. Já é noite cerrada em Maputo a esta hora e por isso o caminho a seguir é o de casa.

Em certos dias da semana há aulas de Kizomba, onde eu e alguns colegas estagiários nos encontramos para aprender um pouco desta dança e interagir com os locais, o que nos permite uma maior e melhor integração na cultura deste país.

Administração TRUMP e relação com políticas de permanência/regresso cidadãos portugueses

 

Dany Oliveira | C21

 

The World Bank Group

 

Washington DC | United States of America

 

Dany Oliveira - C21 Washington DC World Bank Group
 

Estados Unidos da América: cinquenta estados, um distrito federal, 240 anos de história e uma população de 300 milhões de habitantes. Mais de 9 milhões km² de área fazem dos Estados Unidos o quarto maior país do mundo, sendo considerado uma das nações mais poderosas. 

“O mundo tem mais paz e prosperidade quando a América é mais forte”, disse o Presidente Donald Trump. Potência militar, terra dos sonhos e das oportunidades e “the free world” são algumas das conotações atribuídas aos Estados Unidos.

Washington D.C., capital do país representa a multiculturalidade na sua plenitude, tendo mais de 177 países – são considerados 193 pela ONU – com embaixada representada na capital norte americana. Esta representatividade demonstra a abrangência e diversidade cultural presente no país.

 

Casa Branca - Washington DC

         Casa Branca, Washington DC

 

George Washington foi o primeiro presidente da federação mais antiga do mundo, datada de 4 de Março de 1789. Após 43 presidentes, os Estados Unidos da América viram Donald Trump assumir o mais alto cargo político americano. “Dear God, America what have you done?”, podia ler-se na capa do The Telegraph no dia seguinte à eleição. Um dos países mais multiculturais e aberto às fronteiras acabava de eleger um dos presidentes com as ideias mais severas em relação à entrada de estrangeiros no país.

Após várias promessas nas campanhas do presidente eleito, chegava a principal medida de combates a cidadãos ilegais. No dia 27 de Janeiro de 2017, Donald Trump assinava um documento intitulado: Proteger a nação da entrada do terrorista estrangeiro para os Estados Unidos.

Um documento que visava combater a entrada de cidadãos estrangeiros ilegais nos Estados Unidos, em conformidade com a Constituição e as leis dos Estados Unidos da América, incluindo a Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), 8 U.S.C. 1101 et seq., E seção 301 do título 3, Código dos Estados Unidos.

Volvidos 6 meses da emissão do documento, e depois da primeira versão ter sido revogada pelos tribunais federais, Trump emitiu uma nova versão. Desta feita, o Supremo permitiu a sua implementação, embora de forma limitada. No dia 29 de Julho de 2017, cidadãos que não cumprissem  as regras implementadas, seriam banidos por 90 dias, como podia ler-se no USA Today.

Nesse mesmo documento, vulgarmente conhecido como travel ban, a Casa Branca delineava novos critérios a aplicar a cidadãos de países de maioria muçulmana (Irão, da Líbia, da Síria, da Somália, do Sudão e do Iémen) e a todos os refugiados que procurassem asilo nos Estados Unidos, que apenas cidadãos com "laços próximos" ao país, quer familiares, quer laborais, seriam autorizadas a entrar.

“Relativamente a isso, sei que é extremamente difícil voltar a entrar nos EUA mesmo para pessoas que têm vistos legais. Isto aplica-se a quem já está aqui, legal e não é de um dos 7 países que a administração quer banir”, confidencia uma cidadã portuguesa que se encontra há 4 anos a viver nos Estados Unidos e que pediu para não ser identificada.

A Administração Trump tem sido um dos mais agressivos executivos no que toca à entrada de cidadãos de outros países na América. Mas, afinal de que forma estas políticas afetam os portugueses a viver nos Estados Unidos?

 

Portugueses em Washington DC

           PAPS DC, Portugueses em Washington DC

 

A apreensão é geral, denotando-se um cuidado maior por parte de cidadãos estrangeiros em querer estar dentro da lei: “Nunca sabemos o que vai acontecer. A chegada de Trump trouxe mais instabilidade à nossa vida”, dizia Clara Sousa, que chegou há 8 meses ao país.

O mesmo sentimento é partilhado por uma investigadora portuguesa - que pediu para não ser identificada e que se encontra prestes a obter residência nos Estados Unidos: “Estou, obviamente, revoltada com o sentimento anti-emigrantes, mesmo que para mim, enquanto portuguesa ainda não me tenha afetado.  Nem a mim, nem a outros portugueses que conheço”. Confidenciando: "Felizmente só conheço americanos com cabeça em cima dos ombros.”

Após 6 meses de implementação do decreto anti-imigração, o USA Today alertava para a possibilidade de a Administração Trump poder aplicar uma “revisão dos procedimentos antiterroristas utilizados para pesquisar viajantes de todos os países, e isso poderia levar mais restrições de viagem a um maior número de países.”

O país das oportunidades conhece hoje, mais do que nunca, severas medidas de entrada. O New York Times afirma que as novas diretrizes deixam claro que alguém que aceitou uma oferta de trabalho de uma empresa nos Estados Unidos ou um convite para integrar uma palestra  numa universidade americana poderá entrar, mas que um grupo sem fins lucrativos não pode procurar cidadãos dos países mencionados na lei, enquanto clientes com o objetivo de contornar a proibição.

Paula Alves Silva é jornalista no World Bank Group há 3 anos e encontra-se familiarizada com o ambiente multicultural de uma organização internacional. Mas apesar de Trump ter chegado há pouco tempo, já existem diferenças, segundo a portuense: “Para além do impacto pessoal que a Presidência Trump representa – tensão racial, social e política, há também um impacto profissional provocado pelo aperto das leis de emigração.”

“Apesar de ter sido estabelecido há poucos anos que os consultores estrangeiros tinham de abandonar os EUA a cada 90 dias, nunca houve, de facto, uma efetiva implementação da lei. Infelizmente esta lei foi agora efetivada com a governação de Trump, uma lei que não nos considera residentes efetivos apesar de vivermos e trabalharmos neste pais”, conta Paula Alves Silva, mostrando que existem condições que estão a mudar para os cidadãos portugueses a residir nos Estados Unidos.

 

Estados Unidos da America

    Estados Unidos da América: Estará o país a mudar? - Washington Monument, em WDC

 

Segundo o Community Census of the United Stated realizado em 2008, encontram-se 1 426 121 cidadãos de ascendência portuguesa nos Estados Unidos, representando 0,5% da população global.

“Eu acho que o pior é o sentimento de incerteza do que vai acontecer a seguir” refere uma investigadora no NIH em Bethesda, que preferiu manter o seu nome em segredo, mostrando a sua preocupação com o futuro.

O sentimento de revolta, apreensão e frustração está bem presente na mente de muitos portugueses, pois uma medida do executivo pode mudar por completo o decurso das suas vidas.

 
Portugal e Moçambique - Pontes para o Desenvolvimento/Porta de Entrada em África

 

Ricardo Manuel Gonçalves Milheiro | C21

Sociedade Moçambicana de Participações, S.A – SMP, S.A

Maputo, Moçambique

 

Relacionamento com a UE

As relações comerciais de Moçambique com a UE processam-se no âmbito do Acordo Cotonou, que entrou em vigor a 1 de abril de 2003, e que vem substituir as Convenções de Lomé que durante décadas enquadraram as relações de cooperação entre a UE e os países de África, Caraíbas e Pacifico (ACP).

No âmbito da parceria UE/ACP, as partes acordaram em concluir novos convénios comerciais compatíveis com as regras da OMC (Acordos de Parceira Económica – APE), eliminando progressivamente os obstáculos às trocas comerciais e reforçando a cooperação em domínios relacionados como a normalização, certificação e  controlo da qualidade, a política da concorrência e a política do consumidor, entre outros. Nesta sequência, a UE concluiu as negociações com um grupo de países da Southern African Development CommunitySADC, composto pelo Botsuana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Suazilândia, com vista à celebração de um APE regional que promova o comérico entre as partes (implantação de uma zona de comércio livre, que permita o acesso priveligiado dos produtos de ambas as partes no território da outra parte), estimule o crescimento económico destes países da SADC e reforce a integração regional.

As negociações deste APE regional foram concluídas a 15 de julho de 2014, aguardando a assinatura e posterior ratificação das partes para a respetiva aplicação provisória. A partir do momento em que o APE for aplicado, Moçambique eliminará os direitos aduaneiros na importação de equipamentos e matérias-primas comunitárias, sendo que para um grupo de produtos designados como sensíveis, a liberalização será gradual durante um período de 10 anos.

Até à aplicação provisória deste acordo regional, os produtos originários de Moçambique têm acesso privilegiado  ao mercado comunitário através do regime “Tudo menos armas” do Sistema de Preferências Generalizadas, não existindo qualquer acesso privilegiado  ou seja, redução/isenção de direitos aduaneiros, na entrada dos produtos comunitários no território moçambicano.

Ambiente de Negócios

Competitividade – (Rank no Global Competitiveness Index 2015-2016) – 133ª

Facilidade de Negócios (Rank do Doing Business Rep. 2015) – 133ª

 

Transparência (Rank No Corruption Perceptions Index 2015) – 112ª

Ranking Global (EIU, entre 82 mercados) – n.d

 

Fig.1 – Ranking no ambiente de negócios de Moçambique.

 

Situação Económica e Perspetivas

Moçambique tem vindo a constituir um caso de sucesso entre as economias africanas e tem assumido um papel de relevo no contexo da África Austral, tendo em conta, sobretudo, o seu potencial agrícola e, ainda, como fornecedor de energia para a região. Beneficiando de uma localização estratégica, o país é considerado uma plataforma de entrada no mercado de SADC.

Dotado de abundantes recursos naturais, entre os quais se destacam o potencial hidroelétrico, reservas de gás natural, carvão e minerais (titânio, tântalo e grafite, entre outros), Moçambique possui aproximandamente 2500 km de costa, com numerosos recursos pesqueiros, que constituíam a principal fonte de exploração do país até ao desenvolvimento da indústria do alumínio.

Enquanto Estado dependente dos fluxos de ajuda externa, e sem esquecer as históricas e tradicionais ligações a Portugal e África do Sul, Moçambique tem procurado manter boas relações com os principais parceiros que apoiam o seu desenvolvimento, em especial o Banco Mundial, a UE e os EUA. Por outro lado, a política externa moçambicana concentra esforços em agariar novos parceiros comerciais e investidores, voltando-se para o Brasil, China e Índia.

 

Relações Económicas com Portugal

Comércio de Bens e Serviços        

Em 2015, a quota de Moçambique no comércio Internacional Português de bens e serviços foi de 0,81% (como mostra a Fig.2), enquanto cliente, o melhor resultado dos últimos 5 anos, e de 0,13%, como fornecedor, em linha, com as percentagens registadas durante o período em análise (2011-2015).

 

Unidade

2011

2012

2013

2014

2015

Moçambique como cliente de Portugal

 

 

% Export.

 

 

0,49

 

 

0,62

 

 

0,67

 

 

0,68

 

 

0,81

 

Moçambique como fornecedor de Portugal

 

% Import.

 

 

0,12

 

 

0,12

 

 

0,19

 

 

0,14

 

 

 

0,13

 

Fig.2- Quota de Moçambique no Comércio Internacional Português de Bens e Serviços. Fonte: Banco de Portugal.

Comércio de Bens

No que dfiz respeito ao comércio de bens, Moçambique tem vindo a assumir uma maior relevância enquanto cliente de Portugal, tendo ocupado, em 2015, a 19ª posição no ranking (com uma quota de 0,71% das exportações portuguesas), quando em 2011 se situava no 26º lugar (sendo a quota de 0,51%).  Como fornecedor, o seu posicionamento é pouco relevante, não indo além do 67º lugar em 2015 (0,06% da importações portuguesas). No contexto dos países africanos de língua portuguesa, Moçambique surge em segundo lugar, em 2015, como cliente e também enquanto fornecedor, posicionando-se a seguir a Angola.

De janeiro a março de 2016, Moçambique foi o nosso 24º cliente, com uma quota de 0,53%, e o 64º fornecedor, sendo a respetiva percentagem de 0,07%.

 

 

2011

2012

2013

2014

2015

2016 jan/mar

Moçambique como cliente de Portugal

Posição

26

22

19

19

19

24

% Export.

0,51

0,64

0,69

0,66

0,71

0,53

Moçambique como fornecedor de Portugal

Posição

62

81

58

64

67

64

% Import.

0,07

0,03

0,11

0,06

0,06

0,07

 

Fig.3 – Posição e quota de Moçambique no Comérico Internacional Português de Bens. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística.

As exportações portuguesas para Moçambique têm vindo a crescer ao longo dos anos mais recentes, sendo a taxa média anual de 13,8% no período em análise; no entanto, em 2014 registou-se um decréscimo de 3% face a 2013, a única variação negativa deste período.

 

Regime Geral de Importação

Nos últimos anos o Governo moçambicano tem adotado medidas legislativas com vista à simplificação de todo o processo burocrático inerente às operações de comércio externo, nomeadamente a abolição do regime de licenciamento das exportações. Em sua substituição, foi introduzido o Documento Único (DU), que constitui, desde 1 de dezembro de 1998, a fórmula de despacho alfandegário de todas as mercadorias que entram ou saem de Moçambique, independentemente do regime aduaneiro que lhes é aplicável.

Posteriormente foi criado o Sistema de Janela Única Electrónica (JUE) para facilitar o ambiente de negócios em Moçambique, na vertente aduaneira, que envolve dois subsistemas informáticos: o TradeNet (faz a gestão da submissão de informação padronizada pelos operadores do comércio); e o CMS – Customs Management System (processa as declarações submetidas às alfândegas e outras agências do Governo).

Entre os objectivos establecidos para a Janela Única Eletrónica referem-se: a redução significativa dos tempos e custos de desembaraço aduaneiro; a transparência dos procedimentos alfandegários e da tramitação de processos aduaneiros; aumento na arrecadação de receitas pelo Estado.

 

Administração TRUMP e relação com políticas de permanência/regresso dos cidadãos portugueses

 

Catarina Nunes da Silva

Massachusetts General Hospital/Harvard Medical School | Boston

Estados Unidos da América

 

 

A campanha eleitoral de Donald Trump esteve, desde o seu início, envolta em diversas polémicas e a temática da emigração nos Estados Unidos da América (EUA) foi a que mais controvérsia gerou.

 

Antes da sua eleição, a 8 de Novembro de 2016, o candidato a Presidente dos EUA manifestou recorrentemente a intenção de efetuar uma deportação massiva dos emigrantes ilegais. Estando uma pequena percentagem da comunidade portuguesa ilegal, tal afirmação gerou algum receio em muitos dos portugueses emigrados.

 

Em 2012, Barack Obama criou o Deferred Actions for Childhood Arrivals (DACA), um programa que protege jovens emigrantes, que tenham chegado de forma ilegal ao país ainda crianças, de serem deportados, permitindo-lhes estudar e trabalhar. Embora a maioria da comunidade portuguesa (1,2 milhões) nos EUA esteja legalizada e, grande parte, naturalizada, há quem tenha entrado no país ao abrigo do programa estabelecido pelo anterior Presidente. Tendo condenado a medida durante a sua campanha eleitoral, Donald Trump prometeu acabar com a mesma assim que chegasse à Casa Branca. Até à data, não houve qualquer alteração nesse sentido.

 

Nos meses que antecederam as eleições norte-americanas e de acordo com a Aliança de Falantes de Português de Massachusetts (MAPS), uma associação de apoio aos emigrantes portugueses, houve um aumento no número de candidaturas à cidadania (30%), incremento esse que a MAPS atribuiu à vontade dos seus associados em participar nas eleições, mas também de assegurar direitos e prevenir deportações ou outras sanções que pudessem vir a ser implementadas após a tomada de posse do Presidente.

 

Ao conversar com portugueses emigrados nos EUA sobre o impacto da administração Trump na permanência/regresso de cidadãos portugueses, a resposta obtida foi consistente: visto tratar-se de um assunto recente, até agora e de forma geral, as alterações das políticas de emigração não afetaram diretamente os imigrantes oriundos de Portugal.

 

Ano após ano, o número de portugueses que escolhem os EUA para fazer licenciatura, mestrado ou doutoramento aumenta. Por consequência, a porção norte do continente americano é o primeiro país não europeu com mais estudantes portugueses. Presentemente, estrangeiros que pretendam ter um emprego temporário numa empresa americana de alta tecnologia, terão de se submeter a um processo de obtenção de visto mais demorado, uma vez que a administração Trump suspendeu temporariamente as candidaturas "expresso" para o visto H-1B. Esta providência, provoca uma reviravolta na vida pessoal e familiar destes profissionais e nas suas pretensões de continuidade nas carreiras onde estão agora integrados.

 

Para processos de reemissão de pedido do visto H-1B e face às atuais restrições, o atual governo americano, através de diversas agências com competências na matéria, faz verificações in loco nos escritórios das empresas, para constatar evidências de que a pessoa a quem vai ser atribuído o visto exerce funções naquele local.

 

No que se refere aos cuidados de saúde, parte da comunidade portuguesa emigrada desde o mandato de Barack Obama poderá ter sido abrangida pelo programa Obamacare.  A vigente administração é contra tal medida. O impacto da eminente queda do Obamacare ainda não é visível e envolve questões sociais, económicas (geração ou extinção de emprego) e financeiras (seguros) que se antecipam negativas, face ao receio já instalado.

 

Passaram-se 6 meses desde a eleição de Donald Trump enquanto Presidente dos EUA. Todos os dias, os media divulgam novas medidas impostas pela sua administração. Contudo, as consequências da sua implementação nas políticas de permanência/ regresso da comunidade portuguesa emigrante só serão observáveis a médio/longo prazo. Atualmente, a situação dos portugueses mantém-se sem alterações.

Food for thought
 
Atenta nestes links:

 

Primavera africana?

 

 

Queres dar a tua opinião/ contributo sobre os temas referidos? Podes fazê-lo no espaço para comentários! 

Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico
Tânia Filipa Martins Ferreira | C21
Embraer | São José dos Campos
Brasil
 
Aeronáutica e Ecologia
 

A Revolução Industrial transformou o mundo, através de um grande desenvolvimento da economia e, paralelamente, deu origem a um dos maiores problemas causados pelo ser humano a nível ambiental.

Para além dos sistemas industriais em si, os próprios produtos resultantes da industrialização contribuem também para problemas de cariz ecológico a longo prazo. Fortes exemplos desta realidade são a área automobilística e de aviação. Automóveis e aeronaves causam um grande impacto a nível ambiental, visto que em todo o seu ciclo de vida, emitem grandes percentagens de gases para a atmosfera.

Enfatizando a aviação, esta área contribui com aproximadamente 2% de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera através da queima do combustível utilizado pela aeronave. (1)

No entanto, atualmente existe uma maior preocupação por parte das grandes empresas em considerar a ecologia como um meio, não só de sustentabilidade, como também de visibilidade.

Muitas organizações definiram metas de redução de emissões de gases para a atmosfera, estabelecidas para o ramo industrial. E a indústria aeronáutica não é exceção.

Com o grande nível de globalização atual e o consequente aumento da utilização de aviões como meios de transporte, a aviação tem cada vez mais impacto no ambiente. Não só devido à grande utilização, mas também porque uma aeronave gasta uma grande quantidade de combustível. Os danos causados por esse impacto podem ser diminuídos através de soluções que passam desde a alteração do tipo de material da aeronave, até ao próprio tipo de combustível utilizado.

O aumento do fabrico de peças com material compósito reduz o peso da aeronave.

Para o cliente, torna-se económico. Para a empresa, um fator de competitividade. Para o ambiente, um avanço na tentativa de recuperação de uma atmosfera menos tóxica.

Para além das técnicas de poupança em combustível, existem também outras soluções em desenvolvimento que passam por uma outra perspetiva: alterar o próprio tipo de combustível a ser consumido.

Ainda existem muitas barreiras para a concretização destas soluções, mas são projetos que já estiveram mais longe de se tornarem numa realidade. Como exemplo, temos o Brasil, um país diretamente ligado à indústria aeronáutica e conta com grande diversidade de recursos que poderão ter vários fins.

Um dos recentes projetos que se encontra em curso está relacionado como uso da cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis a serem consumidos por aeronaves, como substituição do combustível fóssil.

Existem também outros recursos semelhantes, com as mesmas capacidades, tais como as algas e uma planta abundante no Brasil chamada rícino, ambos ainda objeto de estudo.

A alteração do combustível fóssil para um biocombustível significaria uma redução de emissão de dióxido de carbono entre um intervalo de 50 a 80% (2). Um intervalo de valores ambicioso, mas pode ser considerado como uma meta a atingir no futuro, podendo ser considerado como um incentivo.

A cana-de-açúcar é um recurso potente e abundante no Brasil e distingue-se por ser um produto natural, com grande capacidade de produzir diversos tipos de produtos. Através da sua biomassa, é possível a obtenção de um biocombustível, localmente chamado  bioquerosene.

A estratégia inicial será misturar os combustíveis, ainda que o biocombustível represente uma pequena percentagem na mistura final. Nestas condições, para além de tornar o combustível mais ecológico, o rendimento da aeronave não sofre alterações significativas. Com estas descobertas acerca do potencial que a cana-de-açúcar tem para se transformar em combustível, foi inaugurado um novo desafio ecológico.

Para produzir este biocombustível, é necessária a abertura de uma nova vertente industrial, o que pode ser visto como um paradoxo, devido ao facto de a indústria ser uma das grandes ameaças a nível ecológico.

Assim, é necessário considerar a melhor forma de produzir esses biocombustíveis, sem que o seu processo de produção anule as vantagens da utilização destes combustíveis. Caso contrário, todas as vantagens da utilização de biocombustíveis seriam encobertas pelas desvantagens. Como ainda existe um pequeno número de unidades produtoras de biocombustível derivado desta fonte, seria necessário aumentar a área de terreno para o cultivo da planta e o seu custo é ainda muito elevado, o que atualmente torna o seu uso não viável para as empresas de aviação.

Para além disso, os biocombustíveis atualmente ainda são alvo de estudos e testes, embora já tenham sido realizadas experiências na sua utilização em aeronaves, tendo o resultado sido positivo. Um exemplo disso está no teste realizado com um Embraer E-195, em 2012, num voo passando por alguns locais do Brasil e aterrando no Rio de Janeiro, abastecido com biocombustível.

A experiência foi um sucesso e este projeto teve o apoio de várias empresas através de parcerias (3). Deste modo, obteve-se a prova do funcionamento do biocombustível proveniente da cana-de-açúcar.

Os biocombustíveis trazem vantagens, maioritariamente, a nível ambiental, sendo que este tipo de projetos pode ser mais vantajoso ecológica do que economicamente para as empresas.

Mas, enquanto não houver um desenvolvimento amplo, o custo deste tipo de combustíveis não conseguirá baixar. Por essa razão, ainda há muito caminho a percorrer neste ponto.

Para além do desafio a nível de produção, existem também desafios a nível burocrático que impedem um avanço mais fluido do desenvolvimento e uso dos biocombustíveis, principalmente no que corresponde a aspetos normativos.

A área de aviação está em constante crescimento, pelo que um maior número de aeronaves em serviço, corresponde a uma maior pegada ambiental da área de aviação.

Para combater as consequências desta realidade, a indústria aeronáutica tem vários desafios pela frente, para conseguir soluções viáveis para desempenhar o seu papel na contribuição para a diminuição das emissões de dióxido de carbono.

Esta é uma era em que as mentalidades estão em mudança e a consciência de que é necessário preservar o planeta é cada vez mais forte. As empresas estão a começar a tomar atitudes mais conscientes, através da criação de projetos em que grande parte das vantagens estão direcionadas para o meio ambiente. Projetos esses, que envolvem diversas áreas de atuação, grande investimento em novas pesquisas, desenvolvimento e produção, forte utilização de recursos e aspetos burocráticos.

Por esta razão, a indústria aeronáutica está perante um desafio a nível ecológico. Esta não será a solução para eliminar os efeitos que o Homem tem causado no planeta ao longo dos anos, pois esses são irreversíveis. Mas pode ser considerado um fim para o aumento desses efeitos.

 

Influência da Instabilidade Mundial nos Fluxos Económicos e Migratórios de Portugal para Espanha

Ana Cláudia Barbosa Leão da Costa | C21 

Bloom Consulting | Madrid

 

Espanha

 

 

Introdução

A crescente instabilidade mundial é consequência de fatores, tais como a crise económico-financeira, iniciada em 2008, a instabilidade político-governativa no norte de Africa e médio oriente, o ressurgimento do terrorismo radical e violento, o movimento de refugiados e o sentimento de insegurança, entre outros.

Na sequência destes acontecimentos, governos de vários países implementaram políticas mais restritivas, priorizando os interesses do próprio país, como são o casos recentes dos Estados Unidos e do Reino Unido, o que certamente terá consequências no comércio internacional.

Espanha – A Economia

A crise económico-financeira iniciada em 2008, instalou uma tendência mundial de recessão, na qual Espanha não foi exceção. Após anos de crescimento, a economia espanhola apresentou taxas de crescimento negativo, ou praticamente nulo, por consecutivos anos consecutivos. De acordo com o gráfico 1 (infra), o ano de 2014   assinala a prosperidade do ciclo económico espanhol, crescendo a taxas superiores à média Europeia, nomeadamente 1,4% em 2014 e 3,2% em 2015 e 2016.

 Gráfico 1 – Taxa de crescimento da Economia Espanhola http://beta.networkcontacto.com/visaocontacto/FotosC21/Ana%20Cl%C3%A1udia%20Barbosa%20Le%C3%A3o%20da%20Costa/Taxa%20de%20crescimento%20da%20Economia%20espanhola.jpg

Fonte: tradingeconomics.com

 

A Espanha é considerada a 4ª maior economia da União Europeia (considerando o Brexit), 14ª a nível mundial e prevê-se que em 2017 o valor do PIB deverá regressar ao valor anterior à crise.

A economia espanhola terá já resgatado cerca de 80% da sua riqueza, o equivalente a 95% tendo em conta a evolução dos preços e respetiva inflação.

 

Exportações Portuguesas para Espanha

A Espanha tem sido, ao longo dos anos, o maior destino das exportações portuguesas, com cerca de 25% do total das exportações.

Adicionalmente assiste-se, a um aumento de 14,3% (gráfico 2, infra) nas vendas para o país vizinho nos dois primeiros meses de 2017, comparativamente com o período homólogo de 2016.

 

Gráfico 2 – Balança Comercial de Bens de Portugal com Espanha

Balança Comercial de Bens de Portugal com Espanha

 

Ano

2012

2013

2014

2015

2016

Var % 2016/2012

2016 Jan/Fev

2017 Jan/Fev

Var % 2017/2016

Exportações

10.151,4

11.176,7

11.284,0

12.467,3

13.162,8

6,8

2.033,8

2.325,0

14,3

Posição no total

1

1

1

1

1

 

 

 

 

% no total

24,9

22,5

23,6

23,5

25

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: AICEP

 Taxa de Empregabilidade em Espanha

Em 2013, a taxa de desemprego em Espanha, aumentou significativamente para os 26%, como consequência da crise económica.

Ao longo de 2016, o mercado de trabalho espanhol criou 413.900 postos de trabalho, revertendo a taxa de empregabilidade para valores análogos ao ano de 2011. Ainda que 2016 conte com 4,23 milhões de espanhóis desempregados, a taxa de desemprego alcança os 18,63%, o valor mais baixo desde o terceiro trimestre de 2009.

 

Emigração Portuguesa para Espanha

Em 2000 emigraram cerca de três mil portugueses para Espanha, número que passou para cerca de 6 mil em 2014. Como vemos, durante este período de tempo, o número de portugueses a emigrar para Espanha aumentou muito, tendo chegado à entrada de 27 mil portugueses apenas durante o ano de 2007. 

A partir da crise de 2008 esta tendência inverte-se e a emigração de portugueses para Espanha, tal como para os outros países europeus, começou a diminuir, embora se mantenha num nível relativamente elevado.

A construção civil foi um dos setores mais afetados pela crise em Espanha. Ocupava uma parte significativa dos imigrantes entre 2000 e 2008, o que explica o decréscimo das entradas de portugueses na sequência do impacto da recessão económica neste país.

Contudo, de acordo com o gráfico 3 (infra), em 2014 o número de entradas de portugueses em Espanha totalizou 5,923, tendo aumentado 12% relativamente ao ano anterior.

Gráfico 3 – Entrada de Emigrantes em Espanha

Ano

Entradas de Portugueses em Espanha

Percentagem do total

Total de Saídas

2001

3 057

7,64%

40 000

2002

3 538

7,08%

50 000

2003

4 825

8,04%

60 000

2004

9 851

14,07%

70 000

2005

13 327

17,77%

75 000

2006

20 658

25,82%

80 000

2007

27 178

30,20%

90 000

2008

16 857

19,83%

85 000

2009

9 739

12,99%

75 000

2010

7 678

10,97%

70 000

2011

7 424

9,28%

80 000

2012

6 201

6,53%

95 000

2013

5 302

4,82%

110 000

2014

5 923

5,38%

110 000

Fonte: observatorioemprego.pt

Conclusões:

No que se refere às exportações portuguesas para Espanha, a instabilidade mundial não se manifestou negativamente no comércio entre os dois países. Pelo contrário, ocorreu um aumento significativo das exportações nos dois primeiros meses de 2017.

Além dos tradicionais laços históricos e económicos, é natural que perante a instabilidade mundial atual, os importadores espanhóis optem por negociações de menor risco e reforcem as suas compras com parceiros tradicionalmente fiáveis, tal como Portugal. Assim, conjetura-se que as exportações portuguesas para Espanha tenderão a aumentar ou a manter o volume de comércio verificado nos últimos anos.

De acordo com os dados da ONU, Portugal tem a segunda maior taxa de emigração da União Europeia.

Há mais de 2,3 milhões de portugueses a viver fora do país, e prevê-se a continuidade desta tendência, tal como a retoma do crescimento da emigração para Espanha, dado o aumento de mais de 12% pelo segundo ano consecutivo.

Apesar do período de instabilidade mundial que se vive, sendo a Espanha considerada a 4ª maior potência económica da União Europeia, e dada a previsão do crescimento do PIB Espanhol e consequente melhoria da situação económica, bem como a diminuição da taxa de desemprego, conjetura-se que estas sejam condições favoráveis que poderão contribuir para a emigração de Portugueses para o pais vizinho.

 

Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico - Embraer

Ana Daniela Ribeiro Gomes

Embraer | São José dos Campos

Brasil

 

 

Hoje em dia, estamos constantemente a ouvir falar sobre a consciencialização relativamente à preservação da natureza e do nosso meio envolvente.

 

Desde o aparecimento do primeiro ser humano que nos temos desenvolvido considerando o meio ambiente como algo certo e infinito. No entanto, com o desenrolar do tempo fomo-nos deparando com algumas mudanças, mesmo relativamente àquilo que tínhamos como certo até aí. Questões foram surgindo, mudanças foram aparecendo e a preocupação foi aumentando.

 

Como resultado, têm ocorrido vários estudos e, principalmente, uma grande campanha de sensibilização para que seja encontrado um equilíbrio saudável que permita que ambas as realidades possam coexistir, a natureza e o ser humano. O maior desafio tem sido encontrar soluções para contrariar o cenário que hoje vivemos. A natureza é capaz de viver sem o Homem mas o contrário já não se verifica, e esse será o ponto fulcral para criar reconhecimento da necessidade de uma transição para uma sociedade mais justa, consciente e ativa na busca de um desenvolvimento sustentável.

Para além da sensibilização a nível governamental, através de criação de políticas e legislação específica, monitorização e de campanhas  de esclarecimento, as empresas também se têm aliado a este movimento.

Devido à exploração de recursos, de terreno e águas e, principalmente, à poluição, a indústria tornou-se uma das principais causas para o crescimento deste desequilíbrio ambiental. De modo a contrariar estes resultados, várias empresas têm aumentado a sua responsabilidade ambiental. A Embraer é um exemplo dessa mudança.

A Embraer é uma empresa brasileira que projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, assim como fornece suporte e serviços pós venda. A sua atuação encontra-se na área da aviação comercial, aviação executiva, defesa & segurança e aviação agrícola, e está presente nas Américas, África, Ásia e Europa. Sendo uma empresa multinacional e de grande escala e visibilidade, a sua atuação a nível ambiental pode causar um grande impacto, tanto positivo como negativo.

Ao longo do tempo, a Embraer tem investido no seu crescimento a nível de sustentabilidade e responsabilidade ambiental, tendo sido a primeira indústria de aviação a atingir a ISO 14001.

Em 2008, juntamente com outros nomes da indústria da aviação, comprometeu-se a acelerar as medidas de minimização do impacto ambiental negativo, especialmente a nível do aquecimento global. Reconhecida a sua grande responsabilidade ambiental, os diretores comprometeram-se a reorganizar a sua gestão de rotas aéreas e estrutura aeroportuárias de modo a otimizar a diminuição do uso de combustível, para além de apressarem o desenvolvimento de projetos para criação de condições que permitam a utilização de combustíveis mais limpos.

A Embraer criou também um programa, DIPAS (desenvolvimento integrado de produtos ambientalmente sustentáveis), com o objetivo de desenvolver estudos e projetos aplicando uma estratégia de design focado no ambiente.

Desde 2009 que está a colaborar num inventário de gases de efeito estufa, o qual é certificado anualmente de acordo com a ISO 14064 e, em 2012, foi criado um sistema de gestão ambiental.

Para além destes grandes passos, a Embraer tenciona tornar-se uma empresa sustentável através de projetos de melhoria contínua. Um dos valores da Embraer é precisamente a contribuição para a construção de um futuro sustentável. Este valor é crucial para que haja o alinhamento dos objetivos económicos com o dever moral e sócio ambiental. Assim, foram definidas metas e indicadores (figura) no plano de sustentabilidade, baseadas em guias de objetivos de desenvolvimento sustentável, assim como questionários de sustentabilidade que delineiam boas práticas.

 

 

Indicadores de Sustentabilidade

Indicadores de Sustentabilidade da Embraer [extraído de http://embraer.com/br/sustentabilidade]

De modo a garantir e monitorizar todas estas mudanças foram criados príncipios e diretrizes focados no meio ambiente, segurança e saúde no trabalho:

 " PRINCÍPIOS

· O reconhecimento de que o meio ambiente, a segurança e a saúde no trabalho constituem prioridade da Empresa, refletindo-se em suas atividades, produtos e serviços.

· A busca da ecoeficiência e o aperfeiçoamento contínuo em segurança e saúde no trabalho, por meio da ação combinada de práticas preventivas e ações corretivas, assim como através da promoção de soluções inovadoras e eficazes com este objetivo.

· O atendimento a requisitos legais e outros requisitos ambientais, de saúde, segurança do trabalho e prevenção contra incêndios e emergências aplicáveis ao negócio da Companhia.

· A capacitação contínua das pessoas para o entendimento da sua responsabilidade quanto à preservação do meio ambiente, à segurança e à saúde no trabalho.

· A manutenção de canais de comunicação transparente com as partes interessadas, no que se refere a aspetos de meio ambiente, segurança e saúde no trabalho.

· A prevenção e combate à poluição, o respeito à biodiversidade, a preocupação com as mudanças climáticas.

· A  gestão do ciclo de vida dos produtos e serviços.

· O comprometimento em manter um ambiente de trabalho seguro e saudável, com a garantia de que os postos de trabalho estejam em conformidade com requisitos de saúde, segurança no trabalho e ergonomia.

 DIRETRIZES

· Integrar os objetivos e metas de meio ambiente, segurança e saúde no trabalho aos planos estratégicos de negócio da Embraer;

· Promover e intensificar o desenvolvimento de tecnologias, de forma que seus produtos, processos e equipamentos tenham, de forma sustentável, menor impacto sobre o meio ambiente e as pessoas;

· Considerar o ciclo de vida dos seus produtos e serviços, buscando oportunidades de melhoria em todas as fases e processos, por meio da adoção do “Design for Environment” e “Prevention through design”;

· Contratar fornecedores e prestadores de serviços que respeitem o meio ambiente, a saúde e a segurança nas suas práticas e processos, incluindo a avaliação e monitorização contínua de suas atividades;

· Cooperar para o desenvolvimento de produtos, processos, equipamentos e combustíveis alternativos sustentáveis que tenham menor emissão de Gases do Efeito Estufa;

· Promover a melhoria dos processos, instalações e equipamentos incentivando a eficiência energética,  a redução dos perigos e riscos, aspetos e impactos ambientais e do consumo de recursos naturais;

· Considerar a adoção de novas fontes energéticas, investindo na utilização de energias renováveis;

· Minimizar a utilização de materiais não renováveis e aumentar a utilização de materiais reciclados e recicláveis;

· Adotar medidas que reduzam a geração de resíduos industriais e garantam que o seu destino seja ambientalmente adequado;

· Incentivar a adoção de critérios de construção sustentável “green building” em novas instalações prediais e industriais e na modernização das atuais;

· Desenvolver projetos sócio ambientais que promovam o "engajamento" de seus empregados e respeitem as comunidades onde a empresa está inserida.”

[extraído de http://www2.embraer.com/Documents/politica_mass_port.pdf]

Para além de todas estas implementações, a Embraer tem em vista o investimento no aquecimento de água por energia solar, redução de gás comprimido, eficiência energética e reutilização de água, não deixando de parte também os seguintes temas:

· Biocombustível;

· Desenvolvimento da comunidade local;

· Desenvolvimento socioeconómico no local;

· Desmaterialização;

· Direitos humanos e dos trabalhadores;

· Diversidade e inclusão;

· Disponibilidade de matérias-primas;

· Gestão do ciclo de vida do produto;

· Gestão de riscos e crises;

· Gestão de substâncias químicas;

· Ruído;

· Segurança da informação;

· Biodiversidade.

Para grande satisfação, já se tem verificado algum reconhecimento do trabalho que tem sido desenvolvido e uma grande prova disso foi a atribuição do selo de ouro e prata à fábrica de Évora, em Portugal, tornando-a a primeira fábrica da Península Ibérica a receber este tipo de certificados.

Podemos concluir que a Embraer tem já vários procedimentos para a sua coexistência com o meio ambiente, no entanto, ainda se encontra em fase de desenvolvimento através de uma cultura de melhoria contínua.

 

Análise de uma fotografia…instante de vida capturado para a eternidade

 

Raquel Sofia Ramos da Rocha | C21                

Rato, Ling, Lei &Cortés | Macau                                   

RAEM-China

 

image_rua_sao_paulo

Rua de S. Paulo (percurso para as Ruínas de S. Paulo)

 

Já se passaram quase 5 meses desde que, vinda do aeroporto de Hong Kong, via ferry cheguei a Macau. Uma das primeiras coisas que senti, foi a mudança do ar, o cheiro, ainda antes de me aperceber de quaisquer dificuldades de comunicação, o que viria a sentir nesse mesmo dia.

 

Isto definitivamente não era Portugal. O próprio céu era diferente, uma mistura de cinzento opaco com laivos de luz. Tão diferente da luz de Portugal!

 

Esta foi uma das primeiras fotos que tirei, numa tarde de domingo em que, pela primeira vez, me dirigi, com aqueles que viriam a ser os meus colegas de casa, às Ruínas de S. Paulo (local turístico por excelência, que atrai milhares de visitantes por ser um dos marcos históricos da presença portuguesa em Macau).

A primeira vez em que, depois de toda a correria de procurar casa nos parcos espaços de tempo vagos entre o horário de estágio, e da tentativa atabalhoada de nos conseguirmos orientar, tanto geográfica, como materialmente (porque, sim, a verdade é que precisávamos de tudo um pouco com uma mudança de apenas 30kgs para o outro lado do planeta!) e, ainda a recuperar do longo voo, fomos mergulhados, submergidos nesta realidade.

 

E daí a escolha desta fotografia, deste mar infindável de gente, andando pela calçada portuguesa. Isso representa Macau.

 

Mas não só isso. A essa sensação claustrofóbica, opressiva e comercial, a essa intensidade e velocidade de vida e de eventos, de pessoas, a essa mancha que se arrasta pelo canto do olho, qual passagem de carros numa ponte, vem também juntar-se um outro lado, oculto àqueles que não escolhem conscientemente olhar, parar e sentir. Reflexos de uma beleza, de uma paz, de recantos perdidos, pedindo para serem encontrados. Está recheado de pérolas, este rio e esta terra (Macau localiza-se no delta do rio das pérolas).

 

E vão surgindo inesperadamente estes momentos, cativando, prendendo, como um por de sol passado no Farol da Guia, a ver a noite cobrir a cidade em luzes ou um mergulho noturno na piscina do Estoril, sentindo o silêncio que chega de mansinho e preenche a alma, ou um almoço no parque, sentindo o sol no rosto e a companhia de amigos que Macau trouxe e acalentam o dia, já de si quente, ou um espetáculo de Jazz no LMA, cuja envolvência se perderia em qualquer tentativa de descrição, ou uma exposição de arte, em que a magnitude te menoriza, ou passear pela praia em Hac Sa...sentindo a areia preta nos pés e o sal no ar e o coração livre.

 

Passear sem rumo em Macau é uma experiência multissensorial, táctil, olfativa, crua, real… Entre os casinos, com a sua opulência, o luxo, o frenesim do jogo e do dinheiro, que não para de circular, o perfume que circula no ar e que vincula cada lugar a um cheiro, envolvendo quem por lá passa numa névoa de indiferença e desapego, e o marcado contraste de percorrer as ruas tradicionais, estreitas, malcheirosas, recheadas de lojas, cada uma com oferendas de frutas e incenso à porta, com placares luminosos e publicidades, e baratas, e ratos, e pessoas. Sempre mais pessoas...

Um choque de realidade.

 

É necessário um especial tipo de abandono para se sentir verdadeiramente Macau, uma entrega, uma procura, porque é nessas mesmas ruas que também se encontram pequenos templos que nos remetem para um outro tempo, e jardins, becos, e arte e vida. É na Casa do Mandarim e nas Casas-Museu da Taipa que encontramos o retrato físico da Macau, Chinesa e Portuguesa, de um outro tempo, perdido, mas não inteiramente.

 

E calcorreando os trilhos de Coloane, sob o olhar atento da Deusa A-Má, ouvimos pássaros e sentimos o ar límpido da floresta encher os nossos pulmões, ou o cheiro de terra húmida quando a chuva teimosamente cai, sem abrandar o calor que está sempre presente.

 

E depois esta fotografia. Porque Macau é também a impossibilidade de se estar sozinho num lugar público, é viver num prédio conjuntamente com centenas de pessoas, é esta partilha de espaço, ou da falta dele, é ler português, inglês e chinês nas montras. É um mar de caras diferentes que se tornam as nossas memórias de um lugar, é uma cultura e identidade singulares que abraçamos.

 

É assim a minha Macau: atrozmente sufocante, sublimemente bela.

 

Rendo-me a ela.

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