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Responsabilidade social e ambiental na Altran

José Manuel L. Costa | C22

Altran Innovación | Madrid

Espanha

 

Cada vez mais as empresas têm a obrigação de assumir responsabilidades sociais e ambientais, não só pela importância desses mesmos fatores, mas também pela sua visibilidade, e reflexo na imagem da empresa.

A Altran, sendo uma consultora que opera a nível mundial, demonstra também preocupações com estes temas. Tem uma política ambiental bem definida, em que se compromete, entre outras coisas, a integrar os aspetos ambientais na sua gestão, estabelecendo objetivos concretos para uma melhoria contínua do comportamento ambiental da empresa e promover o uso racional e eficiente dos recursos. Esta política permite à empresa ter um sistema de gestão ambiental certificado - norma ISO 14001:2015.

Apesar de a Altran ter algumas iniciativas/projetos relacionados com a sua responsabilidade social e ambiental, pode considerar-se que o maior contributo desta empresa nesta matéria, é a sua atividade. Focando-se muito no desenvolvimento de novas tecnologias, a Altran acaba por estar ligada a muitos projetos tecnológicos, que visam encontrar soluções mais económicas e amigas do ambiente.

De modo a dar uma perspetiva mais concreta daquilo que a Altran faz e/ou em que participa, no que diz respeito à responsabilidade social e ambiental apresentam-se alguns projetos e iniciativas em que a Altran está presente:

a) Solar Impulse: primeiro avião a dar a volta ao mundo. Impulsionado apenas com energia solar concluiu a sua missão com êxito, utilizando a estratégia de navegação e o sistema Auto piloto, desenvolvido pela Altran;

b) Promoção do índice de inovação sustentável, que proporciona uma visão completa dos países da União Europeia em termos de inovação e sustentabilidade, baseando-se em 35 indicadores, como, por exemplo, o emprego das eco indústrias ou a produtividade dos recursos naturais;

c)  Plataforma iDea na intranet da empresa, em que os empregados e associados são incentivados a dar ideias à empresa em diversas áreas, incluindo qualidade e ambiente, saúde e prevenção, conciliação, benefícios e ação social;

d) Projetos de inovação e desenvolvimento da incubadora “nIDo” como avião comercial de passageiros, com motores elétricos e participação no projeto hyperloop;

 

e)  Voluntariado: grupo Somos M.A.S.S. – uma equipa de trabalho aberta a todos os profissionais da empresa que queiram contribuir de forma voluntária para projetos que se vão desenvolvendo ao longo do ano, estando as temáticas relacionadas com o meio ambiente, a saúde e a sociedade;

 

f)    Engaged People: iniciativa em que a Altran se compromete a melhorar o ambiente de trabalho e a criar um estilo e cultura de gestão, comuns em todo o mundo, proporcionando aos seus trabalhadores um quadro de trabalho que defina as suas trajetórias profissionais, mapas de competências, avaliações e desenvolvimentos;

 

g) Projetos como Senseforge e indústria 4.0, em que a Altran participa, permitem contribuir para a otimização da indústria e dos processos para clientes da Altran, reduzindo os desperdícios nestas empresas;

 

h) Divergent3D é um parceiro da Altran, que apresenta um processo inovador de fabrico aditivo (impressão 3D) para produzir automóveis, permitindo a produção de estruturas personalizadas perto dos mercados locais, poupando nos recursos económicos e materiais e reduzindo o impacto ambiental de todo o processo;

 

i) Fundacion Altran para la innovacion – fundação que tem como finalidade promover o desenvolvimento da inovação tecnológica, da ciência, da melhoria das condições de vida e da educação, em prol do interesse geral e dos setores mais desfavorecidos. Atua, através de projetos de voluntariado corporativo ou de doação de horas de consultoria.

 

Como conclusão, a Altran tem uma política ambiental baseada na melhoria contínua, que procura a redução de consumos, resíduos e emissões; poupança de recursos como energia, água e papel; prevenção de impactos ambientais e contaminação. Esta componente permite-lhe melhorar a sua imagem, cultura e desempenho ambiental.

No entanto, é através da sua atividade, principalmente, que a Altran tenta contribuir com a sua responsabilidade social e ambiental.

Contactos pelo mundo - Entrevista da C22 Alexandra Silva, Cabo Verde, ao C9 Jorge Salvador, estagiário no Chile e atual delegado da AICEP em Cabo Verde

 

Alexandra Silva | C22

Fco. Fullservice company in multimédia | CulTur

Praia | Cabo Verde

 

A coordenação do Programa INOV Contacto desafiou estagiários (C22) a realizarem entrevistas a Contactos (ex-estagiários) que se encontrem atualmente nos países de estágio.

A entrevista que se segue foi realizada neste âmbito, sendo o interlocutor da C22 Alexandra Silva, o ex-estagiário Jorge Salvador (C9) que, nessa edição, realizou o seu estágio no Chile. É, atualmente, o Delegado da AICEP em Cabo Verde.

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O Delegado da AICEP Portugal no Centro de Negócios da Cidade da Praia, em Cabo Verde, o Dr. Jorge Salvador inscreve no seu percurso a palavra Contacto. Foi estagiário da edição C9 do Programa INOV Contacto, na Delegação do ICEP do Chile, entre julho de 2006 e fevereiro de 2007.

De Santiago do Chile veio até Santiago de Cabo Verde, mercado onde eu própria me encontro. Na qualidade de estagiária do Programa INOV Contacto, procuro acompanhar a experiência do Dr. Jorge Salvador no Chile, mercado onde representou a AICEP Portugal durante alguns anos.

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Como foi estagiar em Santiago do Chile, entre julho de 2006 e fevereiro de 2007? (Como foi chegar a Santiago do Chile sozinho? Como era o dia-a-dia do Jorge em Santiago do Chile? Como foi estagiar no Instituto do Comércio Externo de Portugal?)

Santiago do Chile

Santiago do Chile foi uma surpresa. Aliás, eu fiz questão que assim fosse! Chegado a Santiago, encontrei um país muito desenvolvido face ao que imaginava ser o panorama da América Latina, encontrei uma cidade bastante moderna, com acesso a todo o tipo de bens e serviços, uma cidade bastante organizada, estruturada, limpa e relativamente segura. É merecido afirmar que a qualidade de vida no Chile estava ao nível dos padrões europeus e internacionais.

Chegar sozinho a Santiago do Chile…

O que inicialmente parecia constituir uma desvantagem, veio a revelar-se uma oportunidade de acelerar o meu processo de integração cultural. Comecei por conviver com locais e com pessoas de outras nacionalidades, que ali estavam a realizar estágios, ou os que se encontravam expatriados e, obviamente, com alguns dos poucos portugueses que viviam no Chile nessa altura.

Assim sendo, não me fechei num grupo porque não existia esse grupo, o que implicou um célere nível de aculturação. Para além disso, não foi difícil estar sozinho, pois pessoalmente é uma situação que não me incomoda e eu já tinha 28 anos quando ali cheguei, portanto já tinha alguma maturidade e alguma experiência profissional, pelo que não foi complicado gerir essa situação.

Estagiar no ICEP

A experiência foi muito gratificante, tanto pela área de trabalho, como pelo contexto internacional, pois até então não tinha experienciado viver e trabalhar no estrangeiro. Felizmente, tive um diretor e uma equipa que me acolheram de braços abertos. Só tenho que agradecer às pessoas que lá estavam nesse momento, em particular ao Dr. Eduardo Henriques, hoje em dia meu colega, e anteriormente, o meu mentor durante o estágio no ICEP.

No meu dia-a-dia sempre fui tratado como um colaborador/técnico da Delegação do ICEP, portanto tinha as tarefas inerentes à condição de técnico, ou seja, dar apoio ao Delegado naquilo que me era solicitado, em ternos de uma atividade normal de uma Delegação: responder a pedidos de informação, elaborar listas de potenciais clientes para as empresas portuguesas, apoiar missões empresariais, apoiar visitas de empresas portuguesas ao mercado e representar o delegado do ICEP ou a Embaixada de Portugal em determinados eventos.

O meu dia-a-dia era sempre bastante dinâmico e diversificado, portanto um dia nunca era igual a outro. Este aspeto também contribuiu para uma experiência bastante rica e gratificante. E foi assim que depois tive a felicidade de ser convidado para ficar como técnico daquela Delegação e, mais tarde, surgiu o convite para ser representante da AICEP naquele mercado, a partir de 1 de janeiro 2008.

Qual o sentimento de viver numa cidade com a cordilheira dos Andes no horizonte? Qual a ligação dos chilenos com os Andes?

A imponência da Cordilheira face à cidade é notória, impõe-se como ícone de Santiago e do povo chileno. A Cordilheira forma uma barreira natural de defesa, acompanha inclusivamente toda a extensão da fronteira com a Argentina. É fonte de minérios, de riqueza silvícola e pastorícia. É também conhecida pelo seu potencial atrativo turístico, veja-se que, só ao redor da cidade de Santiago, encontramos três estâncias de esqui. Para além disso, a cordilheira forma uma barreira natural contra pragas nocivas e contribui para a fertilidade dos solos. Por exemplo, a maioria das vinhas localizadas no sopé da cordilheira, consegue a sua sobrevivência e as suas características.

O Chile viveu uma Ditadura Militar entre 1973-1990, quais as marcas e vestígios desse passado recente?

Falamos de um passado relativamente recente, o regresso à Democracia teve lugar há relativamente pouco tempo, portanto, podemos afirmar que a sociedade chilena ainda conserva algumas marcas desse período. No fundo, não podemos falar numa verdadeira reconciliação nacional, digamos que as feridas ainda não fecharam totalmente, ocorrendo por vezes alguns episódios de crispação, sobretudo em datas simbólicas.

Como caracteriza a gastronomia chilena?  O vinho chileno é amplamente reconhecido internacionalmente!

A gastronomia chilena é bastante diversificada e assenta sobretudo em produtos autótones. É caraterizada por uma forte matriz indígena, dos povos originários, o povo aimará, o povo diaguita do Deserto de Atacama, o povo mapuche e o povo rapanui da ilha de Páscoa, com ingredientes como, por exemplo, a quinoa.

No Chile, a gastronomia assenta, provavelmente, mais em carne do que em peixe, apesar do Chile ter uma costa muito extensa, com uma grande diversidade de pescado, com grande destaque para a pescada e o salmão. O Chile é, inclusivamente, o segundo maior produtor de salmão do mundo, a seguir à Noruega, sobretudo de salmão de aquacultura.

O povo chileno é bastante sociável e, por isso, gosta de reunir-se à volta de uma mesa para comer e confraternizar, sempre acompanhado de um bom vinho chileno, ou de um pisco sour como aperitivo. O vinho chileno tem, de facto, grande notoriedade e reputação a nível mundial, sobretudo porque apresenta uma boa relação qualidade/preço.

Quais as grandes surpresas e as melhores recordações?

Surpresas

1. Uma das grandes surpresas foi, de facto, encontrar um país bastante desenvolvido para os padrões que normalmente associamos à América Latina, gosto de apresentar o seguinte exemplo: quando cheguei ao Chile já se podia falar ao telemóvel, tanto no interior do metropolitano, como nas suas plataformas, quando em Lisboa tal ainda não era possível - só alguns meses mais tarde. Logo nessa altura, percebi que o Chile era um país que estava na linha da frente em termos tecnológicos e, ainda hoje, é utilizado como balão de ensaio para tendências de consumo na área das tecnologias de informação.

2. Encontrei uma cidade organizada, uma capital moderna com uma população relativamente jovem, encontrei todas a novidades e tendências mundiais, como Sanhattan (equiparada a Manhattan), local onde fica a Embaixada de Portugal.

3. O facto de os chilenos terem muitos pontos em comum com os portugueses foi, sem dúvida, uma grande surpresa. Talvez seja o povo menos latino de toda a América latina, caraterizado por uma idiossincrasia que, por vezes, é muito parecida com a nossa. Não são um povo muito efusivo, nem tão entusiasta como os argentinos e os brasileiros, diria até que chegam a ser tímidos, fruto também do seu isolamento, quer geográfico, quer político, num determinado momento.

4. Sem dúvida, a diversidade de paisagens e a geodiversidade, desde o deserto de Atacama, na região norte do país, à cordilheira dos Andes, os vulcões, os Lagos da Patagónia e, obviamente, a ilha de Páscoa e algumas praias de cor turquesa no norte do Chile.

5. Existe uma cultura de profissionalismo e de rigor no cumprimento de prazos, ao contrário da imagem que por  vezes temos dos sul-americanos, isto é, de alguma desorganização, onde os prazos são relativos.

Recordações

1. A grande recordação é sem dúvida o facto de ter conhecido a minha mulher e de nos termos casado no Chile, bem como todas as experiências gratas que tivemos. Ficaram também os amigos, tanto chilenos como portugueses e de outras nacionalidades.

2. Outra das recordações é sem dúvida a participação em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos da América do Sul, onde representei Portugal durante a cerimónia de abertura, e a Copa América 2015.

3. O facto de ter conhecido pessoas muito relevantes na vida do país, em termos políticos, económicos, sociais e desportivos, aspeto que também me permitiu aprender imenso.

4. Por último, viver e trabalhar em ambiente internacional, mas também em ambiente diplomático, trabalhando em prol dos interesses portugueses e europeus no Chile.

É curioso mudar de Santiago do Chile para Santiago de Cabo Verde…

Sim, achamos, de facto, curioso ir de Santiago na América Latina a Santiago em África, aliás acho que se tivermos um filho irá chamar-se Santiago, para além de ser um nome bonito, é também um nome que marcou inevitavelmente a nossa vida. Fica a curiosidade do nome…

A Praia é, obviamente, uma cidade mais pequena, que de facto, pode não oferecer a mesma diversidade que encontrávamos em Santiago do Chile, mas que nos oferece outros aspetos que consideramos bastante positivos para a nossa qualidade de vida. É o caso de não encontramos engarrafamentos a nível de trânsito, a ausência de poluição, ou do chamado efeito smog, que por vezes havia em Santiago do Chile, ou ainda o facto de as pessoas terem um ritmo de vida menos intenso.

Ao nível do desempenho das minhas funções de diretor da AICEP, encontrei um mercado com uma relação intrínseca com Portugal muito forte, não só a nível económico e comercial, como a muitos outros níveis, visto que são países irmãos, com uma história comum muito longa. Tem sido uma experiência interessante, deu-me a oportunidade de trabalhar ou conhecer áreas com as quais ainda não tinha tido um contacto muito próximo como, por exemplo, a área da cooperação, que está intrinsecamente ligada com o mundo das empresas e dos negócios. Para além disso, concedeu-me a proximidade a projetos que envolvem o financiamento e a participação das multilaterais financeiras.

Qual o conselho que daria aos estagiários do Programa INOV Contato?

Em primeiro lugar, recomendo que aproveitem muito bem a oportunidade que lhes é dada e aproveitar bem significa desenvolver um bom estágio, recolher aprendizagens, conhecimentos e competências profissionais, mas também competências brandas. Em segundo lugar, como estagiários que são, devem aproveitar o melhor de cada país, desfrutar da cultura desse país e desenvolver uma experiência multicultural, não só com os locais, mas também com pessoas de outras nacionalidades que aí se encontrem. Outro dos conselhos é viajar muito, o máximo que puderem, por forma a conhecerem outras realidades, seja o seu modo de vida, seja a sua forma de pensar e de estar. No fundo, devem valorizar-se a vós próprios e a experiência do INOV Contacto, pois o programa pode mudar a vossa vida, tal como mudou a minha. Portanto, devem empenhar-se ao máximo no estágio, tanto a nível profissional, como a nível pessoal, de maneira a ter a experiência mais enriquecedora possível.

Por último, é uma experiência relativamente curta, que passa bastante depressa, mas que não deve nunca ser menorizada.

No fim, ficam as amizades, o conhecimento, o networking, portanto devem dar-lhe de facto a importância que o Programa INOV Contato tem e merece.

Luxury Brands – O Mercado de Luxo em Xangai

Maria Felicano | C22

Paul Stricker SA | Shanghai, China

e

Patrícia Martins | C22

Gamebau | Shanghai, China

 

Xangai, uma metrópole internacionalmente reconhecida, situada perto do rio Yangtze, tem, ao longo dos últimos anos, conseguido captar uma maior atenção mundial. Sendo uma das cidades com maior poder e influência no setor económico, financeiro e comércio internacional.

De igual modo, também no que toca a produtos culturais e turismo, Xangai tem registado um  crescente interesse turístico. 

Nesta cidade, onde atualmente se encontra uma união única de diversas culturas, modernas e tradicionais, ocidentais e orientais, verifica-se um glamour único, que a torna num dos locais mais propícios para o crescimento de qualquer setor.

Para fins deste trabalho, o setor a que se dará mais foco será o de Luxury Brands. Mas, antes de iniciarmos essa análise, comecemos por interpretar o comportamento do consumidor chinês nos últimos anos.

Com um nível económico cada vez mais baixo, e o consequente aumento da pressão financeira, os consumidores chineses têm vindo a tornar-se cada vez mais conservadores. Onde anteriormente o valor baixo do produto era o fator determinante, que governava a decisão do consumidor, nos últimos anos tem-se verificado uma alteração profunda nos comportamentos perante o mercado.  Agora, o cliente efetua as suas compras de uma forma mais inteligente, onde a decisão da compra se centra na análise e comparação entre custo e qualidade.

Agora, com um budget mais limitado, o consumidor consegue tirar mais proveito deste ao tomar decisões mais ponderadas. Em geral os gastos direcionam-se para áreas mais seletivas da sua vida, que proporcionam mais liberdade ao consumidor.

Neste mundo, que cada vez acelera mais o seu passo, os consumidores deixam de comparar todos os produtos existentes no mercado e restringem a sua atenção a uma pequena seleção de produtos. O preço deixa de ser um fator determinante, o que mais interessa agora é a relação entre o custo e a qualidade, sendo que, quanto maior o custo, mais se espera que o produto seja melhor, funcional e duradouro.

O nome de uma marca reconhecida deixa de ser um comprovativo de qualidade.  Pretende-se que as marcas não sejam apenas transparentes, mas também que convençam os consumidores da sua qualidade. Uma identidade bem definida da marca é o necessário, hoje em dia, para apelar aos consumidores menos sensíveis ao custo.

O consumidor começa a ser cada vez mais disponível para gastar mais numa marca, desde que a qualidade compense o custo produto.

Um estudo conduzido pela KPMG, conclui que a principal razão para os consumidores chineses adquirirem produtos de luxo é, realmente, a melhor qualidade dos produtos/serviços. A segunda razão é passar uma melhor perceção de personalidade e gosto, seguida de uma  demonstração de estatuto social mais forte.

Numa perspetiva mais económica, um dos fatores que influencia o mercado das luxury brands em Xangai, é o facto de o preço das marcas ser, geralmente, mais elevado nos países ocidentais, levando muitos chineses a comprar fora ou importar diretamente.

No entanto, este fenómeno tem vindo a diminuir com a implementação de políticas, por parte do governo chinês -como a imposição de novos impostos à importação de produtos avaliados em mais de 10000 CNY, com a desvalorização do yuan e a diminuição do turismo chinês na Europa, resultante do crescente medo de ataques terroristas.

De um modo geral, os produtos de luxo conseguiram, assim, apresentar um acelerado crescimento em 2017 e 2018.

 

Gráfico 1

 

A China é o terceiro maior mercado de luxury brands do mundo, só atrás dos Estados Unidos e Japão. O gráfico abaixo apresenta o crescimento, a preços correntes, entre 2012 e 2017, de algumas categorias dentro dos produtos de luxo. Em geral, o setor aumentou em 51%, e é possível constatar que este crescimento se deveu principalmente ao mercado dos carros de luxo (aumento de 113%) e dos produtos de beleza premium (64,2%).

De facto, as três marcas de topo com maior percentagem do mercado de luxo na China são automóveis, nomeadamente a Mercedes-Benz (com 16,2%) e a Audi (16,2%), seguidas pela BMW (15,6%). Estes dados não surpreendem, sendo que a industria de carros de luxo em 2017 traduziu-se em cerca de 1094 mil milhões CNY, e desde 2015 a combinação das três maiores empresas do setor na China (Volkswagen AG, Daimler AG e Bayerische Motor en Werke AG) têm mais de 50% do total do mercado de luxo no país.

A concentração de lojas de luxury brands nas grandes cidades da China é esmagadora, dado que se deve a mais de 90% do mercado passar por lojas físicas, e apenas uma percentagem residual para compras pela internet, mesmo com a entrada na China de plataformas como Net-a-Porter.

Em 2010 existiam em Xangai 125 lojas do setor. Dentro da China, apenas Pequim apresentava uma contagem superior com 131 lojas. Estas duas cidades apresentavam, assim, a maior concentração de lojas, tendo, por sua vez, Shenzhen e Chengdu 41  lojas.

Em 2015, as marcas que mais contribuíram para estes elevados números na China eram: Armani (154 lojas), Coach (130), Hugo Boss (115), Montblanc (115) e Dunhill (111).

Em suma, qualquer pessoa que visite Xangai vai constatar a inegável presença de marcas de luxo na cidade - quer pelas cadeias de hotéis de luxo que proliferam por toda a cidade, quer por, em lugar de aparecer um MacDonald’s a cada esquina, surge uma loja de uma grande marca e também por algumas vezes, o povo chinês exibir nas roupas, símbolos de marcas de luxo (mesmo que grande parte delas não passe pelas lojas oficiais).

Referências:

Gu, Laurel. 2017. “The Chinese Consumer 2017 - Redefining Quality and Value.” Mintel.

Customs General Administration, People's Republic of China

China Luxury Institute

Bain & Company, Luxury Goods Worldwide Market Study, Fall-Winter 2015, page 10

Bain & Company, Report on the luxury product market in China 2015, page 12

CLSA Asia-Pacific Markets, Dipped in gold: luxury lifestyles in China/Hong Kong, page 22

KPMG, Consumer Markets

 

Foto-reportagem - Quotidiano de uma C22 na Cerveja Musa - Holanda

(Foto) Reportagem

Marta Nery | C22

Estágio/Empresa: Gestão Comercial Internacional na Cerveja Musa

Cidade/País: Amesterdão, Holanda

perfil

Porquê o programa INOV Contacto?

O meu nome é Marta Nery tenho 23 anos e tirei a Licenciatura em Gestão e Administração de empresas na Universidade Católica de Lisboa. Candidatei-me ao programa INOV Contacto porque queria alargar as minhas experiências internacionais e desenvolver competências, tanto a nível profissional, como pessoal.

 

Para que eu alcance os meus objetivos acho muito importante ser honesta para com os outros e também para comigo mesma, por isso, durante as fases de seleção para o programa INOV Contacto dei sempre a entender o que queria, queria ter um “Match” com uma empresa inovadora e um trabalho desafiante que, ao mesmo tempo, fosse diversificado.

Sem ter receio de ser transparente, no que toca à minha personalidade e mostrando determinação relativamente aquilo que desejava, posso dizer que estou bastante satisfeita com as experiências que este estágio me tem proporcionado. Devo, por isso, agradecer à AICEP por ter acreditado que eu era a pessoa indicada para o tipo de trabalho que estou a realizar agora, e à Cerveja Musa por me ter recebido tão bem.

1º Mês de Estágio | Portugal 12 fevereiro 2018 – 16 março 2018.

 

No primeiro mês conheci a excelente equipa da Cerveja Musa em Marvila, Portugal. Acompanhei a Produção; A equipa de Marketing; A equipa Comercial; A equipa do Bar/ Taproom; A equipa de Controlo de Qualidade e os Fundadores da Cerveja Musa. Assim partiria para a Holanda preparada para expor de forma entusiasta a Cerveja Musa ao povo holandês.

 

As fotografias selecionadas para este capítulo, são da autoria de Bárbara Simões,  que  me autorizou a utilizar as mesmas para a apresentação da Cerveja Musa, pois de momento estou fora de Portugal (Departamento de Marketing da Cerveja Musa.)

 

fabrica

  Fotografia 1- Fábrica Musa | Edifício Rosa.

 

taproom

Fotografia 2 - Bar/Taproom | Vale a pena visitarem!

cervejeiros

Fotografia 3 - Cervejeiros Nick e Pedro.

Brinde

Fotografia 4 - Um brinde à Musa!

equipa

Fotografia 5 – Equipa da Cerveja Musa.

fabrica

Fotografia 6 – Fábrica Musa | Interior.

Chegada | Amsterdão, Holanda 17 março 2018.

 

Cheguei! Instalei-me na minha primeira casa, um Airbnb a 12 minutos do centro da cidade de bicicleta. Depois de largar as malas em casa, não resisti e fui explorar o centro da cidade. Amesterdão é uma cidade linda e cheia de cultura, tem muito mais para oferecer para além do que normalmente é publicitado. A cidade liberal, aquela que quando se escuta o seu nome se faz logo a ligação a drogas e prostituição, é muito mais pacífica do que se julga.

 

Amesterdão é uma cidade com alguns dos melhores museus do mundo e segue regras restritas de urbanização, onde todos os edifícios, casas barco e pontes estão totalmente sincronizados tanto no que toca à cor como também às suas estruturas. Ainda é de salientar a felicidade incrivelmente notável quando o sol “bate à porta” dos holandeses, pois estes valorizam muito as atividades ao ar livre.

 

chegada

   

Fotografia 7 – A chegada a casa | nº243.

canais

Fotografia 8 – Passeando pelos canais de Amesterdão.

stroopwafels

 

    Fotografia 9 - Deliciosas Stroopwafels típicas da Holanda.

 

bjbj

 

Fotografia 10 – Rijksmuseum ao fundo.

Dam Square

Fotografia 11– Dam Square.

Taste Of Origins, o importador de cerveja internacional na Holanda | 19 março 2018 – 31 março 2018.

 

Na primeira semana conheci o Samy Mathieu, que é importador de cerveja internacional na Holanda. Estudámos e planeámos a implementação da Cerveja Musa no mercado holandês. De seguida, o Samy apresentou-me a alguns clientes que já  tinham encomendado cervejas espanholas e australianas à Taste Of Origins (empresa de importação e distribuição do Samy). Visitámos também a Amsterdam Warehouse Company. Durante esta semana, aproveitei também para comprar uma bicicleta, visto ser este o meio de transporte ideal para Amesterdão, nela transporto várias vezes amostras da Cerveja Musa para potenciais clientes.

  

Warehouse

  

Fotografia 12 – Amesterdam Warehouse Company | Interior.

Bicicleta

Fotografia 13 - O meu meio de transporte em Amesterdão!

Craft & Draft

Fotografia 14 -Craft & Draft | Bar com 40 torneiras de cerveja | Atual cliente ocasional da Cerveja Musa.

Gelado

Fotografia 15 - Uma pausa com o Samy é sempre diferente, tanto pode ser para um café como para um gelado hahaha

A primavera chegou | 1 abril 2018 – 31 maio 2018.

A altura das tulipas chegou com um calorzinho convidativo, altura ideal para organizar eventos com Cervejas Musa geladinhas à mistura!

Dia 27 de abril comemora-se o aniversário do Rei Willem-Alexander, dia muito importante na Holanda, toda a gente sai à rua em festa, com roupa e acessórios laranja, sendo esta é a cor nacional. Dia 5 de maio é o dia da Liberdade, onde se tem acesso a vários festivais gratuitos por toda a cidade, para celebrar este dia em grande.

 

Time to Taste

 

Fotografia 16 – Evento “Time To Taste Musa” no Bar Craft & Draft com as cervejas: Born In The IPA; Bamboleo e Red Zeppelin Ale.

 

Tulipas

 

Fotografia 17 – Eu no meio de umas magníficas tulipas holandesas!

Tasting Bierkoning

 

Fotografia 18 – Evento de provas da Cerveja Musa numa das mais antigas lojas de cerveja artesanal do mundo | Local: Bierkoning.

 

portugalia

Fotografia 19 – Entrega de Cerveja Musa no restaurante Portugalia ao simpático Henrique (o dono).

Dia do Rei

 

Fotografia 20 – Toda a população em festa no dia do aniversário do Rei | Enorme movimento nos canais de Amesterdão.

 

Dia da Liberdade

 

Fotografia 21 – Festival no dia da Liberdade em Westerpark.

Viagens pela Holanda | Apresentação da Cerveja Musa

 

A minha experiência como comercial internacional na Cerveja Musa não se baseia apenas em Amesterdão, pois o importador e distribuidor da Cerveja Musa, distribui por toda a Holanda. Tem sido uma ótima experiência visitar novos e variados clientes e negociar com subdistribuidores para ajudar, assim, a alargar a quota de mercado da Cerveja Musa na Holanda, para além de ter o prazer de conhecer várias cidades incríveis! 

 

 

Breda 

Fotografia 22 – Cidade: Breda.

 cafe

Fotografia 23 – Pausa para café em Haia.

 

Haia

   

Fotografia 24 – Centro da cidade : Haia.

Bike

 

Fotografia 25 – Aluguer de uma bicicleta em Roterdão para transportar as amostras da Cerveja Musa a potenciais clientes.

 

Jopen     

Fotografia 26 –Visita à Cervejeira Jopen em Harlem que se situa dentro de uma antiga igreja.

Cerveja

Fotografia 27 -  Sempre na companhia da Cerveja Musa | Cidade: Haia.

Leiden 

Fotografia 28 – Cidade: Leiden.

Biergarten

Fotografia 29 – Biergarten em Roterdão onde apresentei a Cerveja Musa ao Rob o gerente do bar.

 

Lauren

  

Fotografia 30 – Eu e a Lauren, a dona do espaço A Taste Of Home em Harlem.

 

subdistribuidor

Fotografia 31 – Reunião com o Subdistribuidor Scholten em Bergen | Apresentação das cervejas: Frank APA; Saison O’Connor e Saison of 69.

 


breakaways

 

Fotografia 32 – Breakaway club em Roterdão, onde apresentei a Cerveja Musa ao Alvaro, o gerente do clube.

Festivais De Cerveja | Dias 8, 9 e 10 de junho de 2018 Maastricht 24 Uur Festival e dia 24 de junho 2018 Pakhuis Twente Festival.

 

Festivais de cerveja são o tipo de evento perfeito, não só para promover qualquer cerveja, como também para conhecer outras cervejeiras e ter oportunidade para provar e aprender sobre diferentes tipos de cerveja. A Cerveja Musa esteve presente em dois festivais durante o mês de junho, um deles foi o festival 24 Uur em Maastricht, onde parte da equipa da Cerveja Musa esteve presente: o Cofundador Nuno Melo, o Cervejeiro Pedro Lima e a Gestora de Marketing e Comunicação Bárbara Simões, que foram uma agradável companhia durante esse fim-de-semana.

O segundo festival realizou-se dia 24 de junho, e foi igualmente um evento ideal para por em prática os meus conhecimentos adquiridos durante o estágio na Cerveja Musa e apresentar, com rigor, a cerveja ao consumidor final. Este segundo festival teve lugar  numa loja de cerveja na fronteira com a Alemanha, chamada Pakhuis Twente, por quem fomos convidados para estar presentes a servir a Cerveja Musa num aprazível domingo de convívio entre cervejeiras, acompanhado de música Rock ao vivo.

 

cerveja musa

       

Fotografia 33 – A Cerveja Musa chega a Maastricht!

    

festival

 

Fotografia 34 – 24 Uur| Festival em Maastricht.

nuno e pedro 2

  

Fotografia 35 – Nuno e Pedro a servir alegremente a estimada Cerveja Musa.

  

barbara

 

Fotografia 36 – Bárbara feliz durante o  seu último jantar em Amesterdão.

 

sinal  

 

Fotografia 37 – Sinal a indicar o caminho para a Cerveja Musa no festival em Pakhuis Twente.

  

banca

 

Fotografia 38 – Atrás da banca da Cerveja Musa com bastantes garrafas já vazias.

 

folheto

 

 

Fotografia 39 – Folheto do festival no Pakhuis Twente.

  

eu feliz

 

Fotografia 40 – A minha felicidade de ter a oportunidade de representar e promover a Cerveja Musa no festival  de Pakhuis Twente.

Instrumentos indispensáveis durante o estágio

 

Há certos instrumentos que tenho valorizado imenso durante toda a minha experiência como estagiária do INOV na Cerveja Musa, estes são: os meus cartões de visita, que ajudam bastante na minha apresentação e comunicação com os clientes; a minha bicicleta, que é o meu principal meio de deslocação; as amostras de cerveja; o meu computador; café; e claro tudo o que transmita inspiração e motivação.

 

cafe 

Fotografia 41 – Energia para um novo dia | Um bom café!

  

cv

Fotografia 42 – Os meus cartões de visita.

amostras  

Fotografia 43  - Amostras para um cliente.

 

paisagem ams

 

Fotografia 44 – Uma linda paisagem de Amesterdão durante a primavera!

 

 

primavera

 

Fotografia 45 – A força da primavera | A natureza transmite sempre inspiração e motivação.

make it happen

 Fotografia 46 -  “ Make It Happen” Arte urbana em Roterdão | Com o lema que adotei durante este estágio: Faz acontecer!

Resumo | Desafios superados e próximos desafios.

 

Até agora já superei certos desafios na Cerveja Musa, por exemplo, aprendi a trabalhar com a cadeia de distribuição a nível internacional e a acompanhar frequentemente os níveis de stock, e estudei e segui os melhores meios de promoção da Cerveja Musa, tanto a nível B2B como B2C. Posso afirmar que trabalhar para uma empresa como a Cerveja Musa tem sido uma experiência muito completa, a abertura entre os membros da equipa é excelente, permitindo que acompanhe bem os vários departamentos, onde, por vezes, tenho também a oportunidade de transmitir a minha opinião.

 

Considero ser bastante importante trabalhar num ambiente com uma mente aberta, porque cada vez mais o consumidor procura produtos diferentes, e não seria possível fornecer isso sem dispor de uma equipa unida que discuta ideias abertamente, já que isto gera muito mais que  um produto, gera uma experiência.

 

Todavia, como tudo na vida, há sempre desafios para enfrentar. A Cerveja Musa chegou recentemente ao mercado Holandês, sendo assim, ainda não detém muitos clientes fixos que garantam estabilidade à marca neste mercado, mas para lá caminhamos!

marta

Fotografia 47 – Parque das flores | “Keukenhof Garten”

Obrigada INOV! Obrigada Cerveja Musa!

 

Marta Nery

 

 
Presença da Ruralidade na Paisagem Urbana

 

Diogo Mendes | C22

Quadrante Engenharia e Consultoria SA

Maputo | Moçambique
 
 

Ruralidade, O que é?

“Ruralidade pode ser entendida como um modo de vida, como uma sociabilidade que é pertinente ao mundo rural, com relações internas específicas e diversas do modo de viver urbano. A ruralidade sugere uma gama considerável de imagens quando é pensada, quando é discutida.” (Ruralidades: novos significados para o tradicional rural, Rosa Maria Vieira Medeiros).
 

Presença da Ruralidade na Paisagem Urbana em Moçambique

Moçambique é um país africano (ex-colónia de Portugal) no qual apresenta uma posição muito baixa no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano ( nº 181 em 188 de acordo os resultados de 2016).

Claro está que a paisagem urbana revela estruturas espaciais produzidas pela coexistência de relações de diferentes espaços-tempos.

O espaço urbano revela uma produção variada de lugares caracterizados por diferentes modos de vida. A urbanização enquanto momento da ocidentalização, aparece dividida num movimento de segregação espacial.

De um modo geral, a urbanização em Moçambique é um processo inacabado e caracterizado por elementos de segregação e de exclusão.

Vejamos o exemplo de Chókwè e localidades em torno desta pequena cidade, situada na província de Gaza, em que a economia e mercados giram em torno da estrada principal Guijá-Chokwe-Macarretane. Podemos observar as diversas barracas para venda de produtos, desde materiais de construção, roupas, alimentação, peças de automóveis e muitas outras coisas mais.

A carrinha a branco representa um dos meios de transporte tradicionais em Moçambique, o “Chapa”, que, mediante um preço fixo (dependendo do local onde se pretende ir) transporta os passageiros de localidade em localidade.

 

Figura 1 – Mercado do Chókwè localizado no corredor da Estrada Guijá-Chókwè- Macarretane

Na seguinte foto temos um outro exemplo de uma escola primária abandonada desde o tempo dos colonos portugueses em Matuba, e por detrás desta, temos uma aldeia composta essencialmente por casas de palha ou barro, com ruas em terra batida e machambas, em que existe um líder (de aldeia ou de posto administrativo).

Machamba consiste numa horta que serve de cultivo para consumo próprio ou para venda, sendo a agricultura e o gado uma grande fonte de rendimento para a sobrevivência dos locais.

Uma ilustração deste aspecto rural, (ou localidade) representaria da melhor forma o que é pedido neste trabalho. Mas, pessoalmente e conhecendo a cultura moçambicana mais rural, esta não deve ser alvo de fotografia ou registo para explicação deste ambiente.

Estamos a falar de comunidades orgulhosas naquilo que representam e, como tal, merecem o respeito desse mesmo local.

Na minha opinião, é algo a ser sentido e não apenas observado em imagens.

 

Figura 2 – Antiga Escola Primária de Matuba

Esta é, possivelmente, a melhor representação da ruralidade no espaço urbano na maior parte do país, uma vez que existe uma grande diferença entre Maputo e o resto de Moçambique. De seguida, apresenta-se um exemplo mais claro relativo ao “mercado” destas localidades.

Figura 3 – Mercado de fruta na Macia

O Mercado de Xiquelene em Maputo 

A venda informal na cidade e província de Maputo é uma realidade que existe em abundância e está longe de terminar.

Esta tem maior incidência na cidade capital, onde muitas pessoas a fazem em péssimas condições de higiene. Muitos cidadãos ganham o seu dinheiro aqui, sendo este, muitas vezes, o destino de todo tipo de venda, desde roupa, material de construção, a produtos alimentares etc.

Este mercado fica situado numa das melhores avenidas de Maputo – Avenida Julius Nyerere. Embora possua mais de 4km, este mercado fica na mesma avenida em que se encontram a residência do Presidente de Moçambique, o Hotel Polana (Figura 4), Sommerschield entre outras zonas que representam as mais priveligiadas de Maputo.

 

Figura 4 – Hotel Polana na Av. Julius Nyerere

Na minha opinião, a presença da ruralidade no espaço urbano faz-se notar nas grandes desigualdades sociais e económicas sentidas na cidade de Maputo. Como disse, embora o mercado de Xiquelene esteja situado na avenida referida, nunca o pude visitar. Não é de todo aconselhável visitar esse local a não ser que vá acompanhado com locais e com uma atenção redobrada.

Para concluir, Moçambique apesar destas grandes diferenças, é um país muito agradável, que me supreendeu bastante e que, acima de tudo, me deu, e continua a dar grandes ensinamentos, tanto a nível profissional como pessoal. Apesar dos números altos de pobreza representados neste país, no geral, é um povo humilde e pacífico que apenas tenta sobreviver num estado constante de crise em que a cultura do “estou a pedir” faz-se sentir em todo o lado.

 

O futuro do mercado de trabalho

Sara Josefa Ramos Choupina | C22

Rato Ling, Lei e cortés | Macau

China

Num mundo cada vez mais tecnológico e “inteligente”, onde palavras como ciber-segurança, e-commerce, net neutrality, bitcoin, blockchain e mais uma mão cheia de neologismos se tornaram parte do quotidiano, somos forçados a repensar o modelo profissional actual, antecipando as necessidades que se tornarão alfa e ómega das oportunidades futuras.

Foi isto mesmo que Bill Gates procurou enfatizar numa recente conferência em Nova Iorque, afirmando que “as grandes oportunidades estão nas ciências e programação ou nos avanços que concernem a biologia e a energia (...) o que não significa que todos teremos de nos tornar especialistas em coding mas simplesmente ter um conhecimento básico de ciências, matemática e economia”.

De igual forma alertou também Paollo Gallo, Senior Advisor to the Chairman, do World Economic Forum of Geneva, que a evolução tecnológica e científica que observamos atualmente e a sua introdução no âmbito profissional constituem, não só uma ameaça aos postos de trabalho pouco qualificados, conforme falaciosa e popularmente se apregoa, mas também aqueles altamente qualificados.

De facto, ate em áreas em que intelecto e criatividade humana são por excelência essenciais ao desempenho das funções, se começa a procurar substituir a inteligência humana pela artificial. Veja-se o exemplo da Advocacia, por excelência, campo do raciocínio e da estratégia humana, ameaçada agora pela performance da Inteligência Artificial na sua linha de trabalho.

Com base nestas premissas, o Senior Advisor supra mencionado identificou quatro tendências que moldam e continuarão a moldar o mercado de trabalho. E que terão de ser cuidadosamente observadas, analisadas e, acima de tudo, aplicadas na reformulação do mercado e das organizações, de modo a garantir a manutenção e criação de postos de trabalho capazes de suprir as suas necessidades.

São elas:

    - A inconstância e fragilidade dos contratos de trabalho, marcados pela sua curta e impermanente duração e inexistentes mais valias sociais, nomeadamente, seguros, férias pagas, cobertura médica ou segurança social, e resultantes na vulnerabilidade dos trabalhadores;

    - O aumento da esperança media de vida, que contende obviamente com a massificação e duração no tempo das pensões de reforma, mas também com a necessidade de reavaliar o modelo de aprendizagem, uma vez que, segundo o autor, as nossas dívidas já não poderão ser divididas em três partes - educação até aos 22-24, trabalho durante 35-40 e reforma dos 60 para a frente - sob pena de nos tornarmos obsoletos quando em comparação com as “máquinas”, que não necessitam nem de reforma, nem de descanso;

    - A emergência de novas profissões, de acordo com um recente estudo da McKinsey 56% das atuais profissões não são tradicionais, de facto, há uma crescente procura por : influencers, especialistas em ciberseguranca, em social media, inteligência artificial, impressão 3D, em detrimento das profissões clássicas, que têm decrescido em importância e valor económico-financeiro; e

    - As mulheres, ainda que subempregadas e remuneradas, constatou-se que estas parecem ter as características mais desejáveis para o desenvolvimento das novas funções daquela que é apelidado de quarta revolução industrial (i.e empatia, criatividade, capacidade de colaboração, etc).

Em conclusão, e de acordo com o relatório anual da McKinsey de 2017 e com o Business News Daily, o mercado de trabalho do futuro caracterizar-se-à: pela sua automatização, pelos efeitos do aumento do poder económico e poder de consumo das economias emergentes, pelo envelhecimento da população, pelo investimento nas energias renováveis e na adaptação climática, pela “marketizacão” do trabalho doméstico, o que fará com que os indivíduos e as empresas se adaptem e façam das sua sinergias um baluarte do desenvolvimento e, sobretudo, melhoramento do mercado de trabalho.

 

Foto-Reportagem sobre o quotidiano de uma C22 na Entidade de Acolhimento‏ - Biolotus, Rio de Janeiro

Joana Barbosa

FINAO/BIOLOTUS BIOTECH | Rio de Janeiro 
Brasil 

 

 

26 de janeiro do ano de 2018, um dia que irá marcar-me sempre. Após quase 48 horas de ansiedade em alta, eis que surge o meu nome acompanhado pela Cidade Maravilhosa, o que por momentos e para além de toda a euforia, me fez suster a respiração.

 

“Biolotus Biotech” foi alvo da minha segunda pesquisa na internet, após o óbvio cliché “Rio de Janeiro”, como forma de beliscão, dando-me a certeza de que não estaria a sonhar.

 

 

Vista sobre a calçada e praia de Ipanema

 

Dia 19 de março, o alívio de aterrar no tão conhecido Galeão, o frémito da novidade do dia a dia, o entusiasmo extremo do que seguiria pela frente e o calor abrasador do país tropical que faria parte na minha nova rotina e realidade.

 

 

Foto do tão esperado dia da partida para o Rio de Janeiro

 

Dia 20 de março, senti arrepios a partir do momento em que saí à rua. O percurso até ao destino incluí metro, com saída na estação Jardim Oceânico, a funcionar há cerca de um ano, e bus BRT, uma combinação de transportes que permite economizar tempo por evitar o caótico trânsito comum do Rio, contribuindo para uma rotina de trabalho com início por volta das 9 horas e término habitual às 18 horas.

 

 

Saída do BRT “Bosque Marapendi” no percurso para o escritório

 

Avenida Evandro Lins e Silva a 5 minutos do escritório

 

A receção e apresentação do local de trabalho foi calorosa e breve, retomando rapidamente as atividades previamente iniciadas em Portugal. Trabalhar e viver no Brasil não fazia parte do meu plano, um desafio aceite por mim de braços abertos, uma recém-licenciada pronta para confrontar a realidade do mundo de trabalho de que tanto ouviu falar ao longo da vida, apta a virar recém-estagiária.

 

Espaço de trabalho na Biolotus Biotech

 

Sendo a Biolotus Biotech uma empresa farmacêutica especializada na área da biotecnologia, com foco essencialmente no registo, distribuição e promoção de produtos de alta tecnologia, para mim o desafio emergia sob a forma de papel.

 

A organização da uma quantidade extraordinária de páginas passa também pela nomeação de centenas de documentos digitais um a um. No registo de medicamentos e produtos de saúde, a separação entre as distintas “eras” não perdura, se existe no computador então irá ser impresso para facilitar o seu manuseamento e análise. Pequenos entraves e exigências que, aos poucos, me vão fazendo desenvolver aptidões que futuramente terão um importante peso em mim, enquanto profissional e mulher adulta.

 

Sala de Reunião com dois projetos a decorrer

 

Para o almoço às 13 horas temos a cultura brasileira em prato e marmita, com as beringelas recheadas, a picanha, a farofa, as apetitosas frutas e os sucos maravilhosos. Uma hora para relaxar e repor energias num espaço agradável a 5 minutos do escritório.

 

Local de refeição diário perto do escritório

 

 

Uns dias, semanas e meses de aconchego depois da estranheza entranhar, o ambiente de trabalho passa também por momentos de descontração e diversão. Durante o expediente, um café, um bolinho de aipim ou até uma piada que, depois de um período meditativo, para compreensão, cede em gargalhadas.

Nas horas livres, com a típica caipirinha uns, com o chope tradicional outros, certa é a alegria estampada nos nossos rostos.

 

 

Hora do lanche no Aniversário do João Transmontano

 

Momento de convívio com os colegas de trabalho

 

O volume e ritmo de trabalho ao longo da semana possuem picos de intensidade, exigindo sempre um grande espírito de equipa, entreajuda e concentração. A gestão do mesmo é feita em reiteradas reuniões com definição de objetivos, atribuição de tarefas, discussão e preparação de novos projetos.

 

Negócios estabelecidos e desenvolvidos, abrangendo o campo regulamentar, cientifico e económico, criam pontes de contcato frequente com múltiplos países de diferentes línguas, situados em continentes opostos com leis, legislações, metodologias próprias e transversais.

 

 

Entrada do escritório da Biolotus Biotech

A grande dinâmica da empresa com atuação em diferentes projetos simultâneos, obriga a um desenvolvimento exponencial e a uma grande capacidade de gestão, mantendo sempre em mente todas as tarefas a executar e dando follow-up às já executadas. As parcerias, maioritariamente em idiomas díspares, incrementam aptidões linguísticas, capacidades sociais e de negociação.

 

São frequentes os eventos de formação e reuniões de parcerias para os quais temos liberdade e somos incentivadas a participar. Os momentos de aprendizagem, combinam o útil ao agradável, em ambiente de convívio e viagem com os colegas de trabalho.

 

Fórum Qualidade e Competitividade Agro-Alimentar, evento promovido pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal

 

Reunião de negócios para estabelecimento de parceria

 

Na Biolotus assumo a postura não de uma mera estagiária, mas de uma profissional cujo contributo tem peso diário na empresa, estando envolvida em pontos cruciais de diferentes projetos, sendo requisitada para auxiliar e tendo opiniões  tidas em conta. Não existe o sentimento de estagnação que volta e meia incomoda os estagiários, mas sim a sensação de um futuro impacto benéfico e realização pessoal.

 

Logo da Biolotus Biotech situada na Barra da Tijuca

 

Brasil, um país de contrastes absolutos. Uma descrição bem simples e inteiramente legítima. Revestido de beleza em qualquer canto, com uma natureza tão singular e intacta, uma cultura repleta de alegria, afinidade, dando espaço para as mais diversas religiões, crenças, simbologias.

Porém, imerso pela ganância, corrupção e insegurança. Não obstante, uma experiência enriquecedora que colocou o Brasil para além de todos os ditos já tão banais.

Viver e trabalhar na Cidade Maravilhosa, uma oportunidade ímpar que, na ausência do INOV Contacto, provavelmente, nunca teria acontecido.

 

Paisagem da Pedra Bonita sobre a Barra da Tijuca, local onde se situa a Biolotus Biotech

 

O nascer do sol no topo do Pico do Papagaio em Ilha Grande, o maior morro possível de subir no Rio

 

Quaisquer que sejam os meus passos daqui em diante, as caipirinhas, o brigadeiro e rodízios de pizza, a paradisíaca ilha grande com o colossal e desafiante pico do papagaio, a praia do posto 9, as noites de samba, as vistas sensacionais dos morros, o pão de açúcar em seu esplendor... Em tudo assaz deslumbrada, serei sempre uma eterna admiradora de Portugal com um traço de garota de Ipanema.

 

Vista do Pão de Açúcar sobre a Cidade Maravilhosa e o Cristo Redentor

 

 

 

Foto reportagem - Quotidiano de um C22 na Entidade de Acolhimento - Sylentis, Madrid

José Pedro Dias Cristóvão | C22

Sylentis S.A.

Tres Cantos (Madrid) | Espanha

 

“Bom dia!”, penso eu, ainda com meia hora de viagem pela frente. Da porta da minha casa até chegar ao trabalho é uma horinha de caminho, assim às 7 já me encontro na paragem de comboio da famosa Praça do Sol, para poder estar às 8 no trabalho.

A Sylentis é uma empresa de biofármacos (fármacos obtidos de fontes biológicas, i.e., não são substâncias estranhas ao corpo, como a maior parte dos medicamentos), cujo foco são as doenças oculares. Na base dos seus tratamentos está a tecnologia do RNA de interferência (RNAi), um mecanismo que, já existindo no nosso corpo, pode ser artificialmente manipulado, de modo a obter o efeito desejado.

E como funciona isto? Bem, o RNA, ao contrário do DNA, só pode existir sob a forma de cadeia simples no corpo. Isto significa que o aparecimento duma cadeia dupla de RNA é um acontecimento anormal e, como tal, ativa mecanismos próprios do corpo que levam à degradacão desta dupla cadeia. Este mecanismo de RNAi pode ser utilizado no tratamento, pois existem doenças que são causadas pela existência de proteínas mutantes ou simplesmente do excesso dessa proteína. Assim, usando RNAs de interferência, é possível manipular a síntese dessas proteínas, de modo a diminuir os seus efeitos nocivos.

Mas com isto tudo, chego ao trabalho. Entro, deixo as coisas no meu sítio e vou fazer a primeira tarefa do dia - tratar das minhas células.

No meu trabalho tenho que testar os efeitos dos siRNAs (pequenos RNAs de interferência, small interference RNAs em inglês), de modo a saber se não só se fazem o efeito pretendido (baixar a quantidade do RNA alvo e, por consequência, a quantidade de proteína final), mas também para saber se afetam ou não outros RNAs, de modo a prevenir efeitos secundários.

O primeiro teste é sempre feito num modelo próprio de estudo que deve ser o mais aproximado possível ao alvo final (neste caso, os seres humanos).

Todos os objetos usados são desinfetados, sendo primeiro limpos com álcool e depois irradiados com raios UV, de modo a garantir o máximo de esterilidade. Os meios são todos aquecidos a 37 °C, pois é esta a temperatura normal do corpo humano.

 

E, claro, as próprias células são mantidas numa incubadora a 37 °C. A incubadora também é mantida com 5% de CO2, pois é esta a concentração deste gás no nosso sangue. Com tudo pronto, vou cuidar das minhas culturas celulares. Infelizmente, não posso tirar muitas fotos, pois tenho o tempo contado na câmara comum e tirar fotos implica ter mudar de luvas e desinfetar novamente as luvas novas com álcool.

Estando as células tratadas, está na hora do desayuno.

Aqui estão presentes pessoas dos dois laboratórios da Sylentis, o de biologia (onde me encontro a trabalhar) e o de química, que fazem parte das soluções que usamos nos nosso trabalhos com o RNA e o DNA. Da esquerda para a direita: Sofia (portuguesa, estudante de doutoramento), Carlos Astrain (um dos químicos e o que mais me “mói” com os resultados de Portugal), Alba (de biologia e a pessoa que mais me acompanhou e que me ensinou tudo o que precisei para trabalhar), Carlos Segura (outro químico. Falta outro Carlos ainda, mas estava de férias à altura da foto), Eva (estudante de mestrado, no laboratório de química) e a Laura e a Marina (ambas químicas). Embora não apareça na foto, a Susana é uma antiga Contacto, a primeira na Sylentis e que por cá ficou desde então.

Depois de comer e descomprimir um bocado, são horas de voltar ao trabalho.

 

Este aparelho ao lado do monitor é um NanoDrop e permite-nos medir com precisão concentrações de DNA, RNA e proteínas, assim como se as amostras estão puras ou não, precisando de apenas 1 µL de amostra (ou seja, a milionésima parte de um litro). Depois, volto para o laboratório.

Estar a viver o Mundial em Espanha não tem nada de fácil. Ao primeiro deslize e o vêm logo meter-se connosco. Felizmente, temos o Cristiano “Reinaldo”, e tenho feito questão de lembrar isso e que podemos ser portugueses em Espanha, mas temos orgulho e raça para dar e vender (tinha era dado jeito se tivéssemos ganho, mas pelo menos passámos).

Com isto tudo, já são horas de almoço.

Como já foi mencionado por outro Contactos, a cultura da marmita também existe por cá. No entanto, existe sempre a possibilidade de pedir almoço de fora por 7-8 euros. No entanto, o pessoal da Sylentis não só gosta de pedir churros para o desayuno, mas também pedem, por vezes, umas pizzas da Telepizza para o almoço, o que costuma ser bastante engraçado, pois não só somos os únicos a fazê-lo, como quando o fazemos, somos sempre mais de 10 à mesa e é sempre uma grande convívio. Também às quintas os dois laboratórios juntam-se para irem comer fora a um dos muitos restaurantes de Tres Cantos, desde que não seja muito longe. É que só há uma hora para comer e há trabalho para fazer.

Depois do almoço, segue o trabalho.

Está na altura de preparar placas de qPCR, que permitem ver se, de facto, o siRNA que estamos a estudar afeta, de facto, o gene alvo. Portanto, vamos preparar essas placas.

Aqui estou a trabalhar, enchendo as placas com a solução necessária para analisar os genes. A ideia desta técnica é amplificar o gene alvo em várias amostras diferentes, em que há, não só células que foram submetidas ao tratamento com o siRNA em estudo, mas também com outros que se sabe que afectam genes importantes, de modo a poder avaliar o efeito do siRNA, que poderá ser um potencial agente terapêutico, noutros genes, e assim estudar potenciais efeitos secundários.

A próxima parte será pôr as amostras na placa e medir se de facto o hipotético medicamento tem efeito ou não. Para evitar contaminações, e porque este processo leva algum tempo, não tirei fotos.

E aqui está a última tarefa do dia. As palcas são inseridas, passam por este protocolo previamente preparado para amplificar as minhas amostras. No fim iremos retirar o ficheiro com os resultados e avaliar.

Mas com isto tudo, chega ao fim o meu dia de trabalho na Sylentis. Está na hora de ir disfrutar Madrid. Para passear em Madrid, há sempre os museus (como o Prado ou o Rainha Sofia), mas para mim há algum sítios melhores. Existe um parque por detrás do museus do Prado chamado Retiro. É um parque grande, onde as pessoas vão passear, jogar ou simplesmente estar. Num dos topos existe um pequeno parque que era um antigo jardim zoológico. Quando lá fui passear, fiz alguns amigos novos.

 

Este é um dos muitos pavões que por lá passeiam naquele pequeno espaço, sempre livres. São bastante mansos e fotogénicos.

No entanto, há dois sítios que me atraem com muita intensidade: Sendo eu um fã do futebol, não poderia deixar de visitar o Santiago Barnabéu. Situado na estação de metro do mesmo nome, é a casa do atual campeão europeu de clubes e onde joga o salvador da pátria, Cristiano Ronaldo.

  

A visita passa pelos pontos principais do estádio, incluindo o balneário e o museu.

Por fim, o outro estádio será o Wanda Metropolitano. Casa do Atlético de Madrid, foi inaugurado no princípio da época de 2017/2018 e é o principal clube de Madrid aparte do Real. Sendo fã do Atlético (outra briga que tive com o pessoal da Sylentis, grande parte do Real), tive o prazer de poder ir assistir a um jogo deles a contar para a Liga Europa.

 

No entanto, nem só de futebol se faz a vida. Para os menores de 26 anos, o passe só custa 20 e cobre toda a rede de transportes de Madrid, pelo que não aproveitar para passear fora de Madrid seria um desperdício. Assim, aproveitei para visitar Aranjuez, a Versalhes de Espanha

Esta praça (imagens de cima) encontra-se de frente para a igreja (em baixo, à esquerda). As casa que estão por detrás da fonte eram onde moravam os servos do palácio e são agora património protegido. As pessoas que lá moram agora pagam uma renda mais baixa e, em troca mantém as casa habitadas e tratam também da sua manutenção. A igreja mencionada é de um santo bem conhecido dos portugueses, Santo António de Pádua (ou de Lisboa). Em baixo à esquerda é o rio Tejo. O rio foi desviado de propósito para passar perto dos jardins do palácio. Quem quiser visitar Aranjuez, basta apanhar o comboio que passa no Sol, e tem como destino esta vila, caminhar 15 minutos para poder desfrutar, não só do palácio como dos jardins e dos gansos que nadam pelo rio.

Espero que esta foto dê uma ideia do que faço no meu dia a dia, assim como algumas coisas que podem visitar nesta pequena, grande comunidade que é Madrid.

 

Compreender as formas de Habitar dos Millenials
Ana Azevedo Cardoso | C22
CC Atelier de Arquitectura
Clara Antunes | C22
Ponte 9 – Plataforma Criativa
Macau, China
 

O presente artigo explora a forma de habitar dos Millennials no contexto urbano – dado que as cidades abrigam, hoje, mais de metade da população mundial – em Macau e Portugal. Apresenta ainda as nossas experiências enquanto jovens estagiárias INOV Contacto em Macau, e opiniões sobre o tema proposto.

 

“Confiam no seu sucesso profissional, acham que são bons cidadãos e acreditam num país com menos desigualdade... Não querem comprar casa, mas querem sair da beira dos pais.” in Público, Beatriz Silva Pinto, 4 de Junho de 2018

 

Entenda-se por Millennials os nascidos entre os anos 1980 e 2000, geração que representará 75% da força de trabalho em 2025. No que se refere ao conceito de Habitar, e fazendo uso das palavras de Heidegger: só podermos habitar os lugares onde a vida acontece. Habitar não reside no facto de se possuir uma residência, mas traduz-se no modo como o indivíduo, ao relacionar-se com as suas potencialidades de ser-no-mundo, constrói e molda o espaço que o circunda. E construir, quando pensado a partir do latim colere, significa cultivar.

Estabelecer uma ponte entre os conceitos acima referidos e a realidade económica revela-se crucial para entender de que forma os modos de habitar são por esta condicionados. Assim, apresentam-se valores estatísticos lançados pela DSEC (MO) e pela Pordata (PT):

 

- Macau: no 1º trimestre de 2017, o índice global de preços da habitação cresceu 4,7% e, verifica-se que os gastos com esta, representam 66,5% das despesas gerais das famílias.

- Portugal: em 2015, o rendimento médio das famílias somava 29.578€/ano, representando o consumo dos valores acima, 78% das despesas.

 

Dados do 1º trimestre de 2017 referentes aos Millennials portugueses (segundo a Multidados e CH Business) revelam que, tendo em conta a taxa do desemprego jovem - no final desse ano situada nos 24,2%, de acordo com dados do INE -, somente 60% dos inquiridos se considera financeiramente independente, e apenas 41% planeia comprar casa nos próximos 5 anos. No entanto, 73% dos jovens afirma que, findo este período, não pretende co-habitar com os familiares.

Torna-se, assim, claro o peso da habitação no quadro das despesas globais, motivo pelo qual a maioria dos jovens que habita em contexto urbano, onde as rendas são inflaccionadas, opta pelo arrendamento e co-partilha do espaço de habitação.

 

AC: “O processo de procura de apartamento começou ainda em Portugal, após o anúncio oficial do meu destino. Pesquisas individuais contribuíram para a construção de uma ideia de mercado, mas a compreensão da realidade concluiu-se no contacto físico com o espaço da cidade. Foram quase 2 semanas de busca intensiva. Cumpre salientar que recorri a um agente imobiliário que, ainda hoje, desempenha um papel crucial de intermediário, desmistificando e derrubando a barreira da língua. Foram várias as condições/preferências que pesaram na minha decisão de aluguer:

- preço - verifica-se uma intensa especulação imobiliária e aumento do custo de vida em Macau;

- localização - proximidade do trabalho e acesso a serviços de transporte;

- condições e conforto do apartamento e dos quartos;

- existência de uma comunidade prévia de partilha - o processo foi facilitado pelo facto de conformarmos um grupo de 21 estagiários que partilham a língua e experimentam um regime comum de adaptação à cidade, com tempos idênticos e um ímpeto coletivo de organização mediante interesses comuns;

- efemeridade - a consciência do tempo de permanência, limitado a 6 meses, em paralelo com a minha flexibilidade  influenciaram a decisão final, traduzindo-se na abertura a um maior leque de possibilidades.

 

Olhando no presente, para o cenário do mercado da habitação e para a própria dinâmica do sistema social, e tendo em consideração a evolução tecnológica e a facilidade de mobilidade, dúvidas não me restam que o modelo e o próprio entender do habitar transformar-se-á, sendo que:

- o que as pessoas procuram numa habitação vai evoluir, atendendo a outras necessidades;

- o processo de aquisição será acelerado pelo recurso a tecnologias de bases de dados globais, que permitem uma filtragem eficaz da pesquisa, adaptável ao pretendido, atenuam o impacto da burocracia de contratação, eliminam entraves linguísticos e oferecem formas de pagamento facilitadas;

- o fenómeno da impessoalidade acentuar-se-á, na medida em que a comunicação entre interlocutores será agilizada;

- o futuro transcende qualquer carácter versátil que possa ser atribuído à habitação enquanto unidade física, e incidirá, sobretudo, numa qualidade móvel.”

 

CA: “A minha experiência de habitação em Macau é um reflexo da atual comunidade global. Partilho apartamento com a Roxana, uma romena aqui estabelecida há 6 anos, no condomínio One Oasis.

 

Com serviços como um Health Club, Shuttle ou Concierge 24/7, os edifícios de 48 pisos conformam um enclave de expats, alheado do denso contexto chinês. Tudo é perfume, cuidado esmerado, mármore polido. Curiosamente, os residentes são sobretudo trabalhadores de classe média. Aperceber-me da aparente democratização do luxo no acesso à habitação em Macau revela-se tão surpreendente como chocante: há um gap notório entre os trabalhadores intelectuais e os não qualificados (migrantes das Filipinas ou da China Continental), os quais auferem salários no limiar da dignidade. Por outro lado, a economia de Macau atinge o break-even em abril, sustentada nas indústrias do Jogo e do Turismo.

Os demais setores da sociedade são mero ornamento. A cidade funda-se no visível, a essência feita fumo pelo barulho das luzes. É esta contra-essência aversa à ideia de Habitar e, talvez por isso, ninguém pareça desejar estabelecer-se na cidade. Os Millennials que aqui fazem a sua vida não são exceção: em Macau, tudo é transitório.

 

Regressando a Heidegger e à ideação de casa, refere-se o autor a Habitat como a morada do fogo interno. Habitar sendo, como tal, o ato de se deixar receber por essa experiência essencial de nós. Não surpreende, assim, que as formas de Habitar sejam múltiplas, à medida da imensa panóplia de existências.

Há nos Millennials uma valoração absoluta da liberdade, força base da possibilidade de gerar impacto, sem contingências circunstanciais. E dessa obsessão vivencial, derivam formatos de habitar menos ortodoxos: caravanas que se sediam onde entender a vontade; comunidades que partilham espaço, meios e ideologias próprias; modos de viver próximos da natureza, num manifesto contra a sociedade de consumo; relações poliamorosas que compartem quartos sem hierarquia; prédios devolutos ocupados por gentes anónimas, lar sendo onde mora um colchão. Um quadro complexo, com um denominador comum central: a criação de condições para o repouso anímico. E esta pulsão precípua é premissa base do Habitar, desde sempre, para sempre.

Há, porém, a assinalar, nas sociedades ocidentais, uma mudança de ordem (a)moral: os Millenials transformam em definitivo o modelo único de habitar – em unidades familiares, em espaço próprio ou sob regime de aluguer –, instaurando uma apreciação positiva, não condenável, da diversidade de possibilidades. Queremos acreditar, nesta ode à impermanência e hiper-valorização da cumulação de experiências que dita o paradigma da mobilidade global, “no strings attached”. Será?

 

Millennials, a geração que se alimenta de raízes voadoras, na ilusão da liberdade, mas sonha com pastéis de nata e uma casa à beira-mar plantada.”

 

Entrevistámos 5 Millenials residentes em Macau sobre a sua experiência de habitação.

Propomos uma escuta atenta AQUI.

Completamos o artigo com imagens e impressões dos nossos colegas INOV Contacto sobre as suas moradas temporárias em Macau.

 

Clara Antunes | C22, Macau
Localização: Coloane (One Oasis)
Piso: 28º | Tipologia: T2

 

 

Ana Courela, Josefina Gomes e Joana Moreira | C22, Macau

Localização: Taipa
Piso: 3º | Tipologia: T2

 
 
 

Gonçalo Gomes, Madalena Ortigão, Mafalda Santos | C22, Macau

Localização: Taipa (Palácio do Sucesso)
Piso: 18º | Tipologia: T3

 

 

 

Joana Silva e Sara Martins | C22, Macau
Localização: Taipa
Piso: 15º | Tipologia: T2

 

Rodica Guzun e Tiago Prates | C22, Macau
Localização: Centro de Macau
Piso: 3º | Tipologia: T1

 

 

 

Joana Morais, Rita Paulo e Sara Choupina | C22, Macau
Localização: Taipa
Piso: 3º | Tipologia: T3

 

 

Uma Realidade Transformada em Desafio Ecológico

Eduardo Val Lopes | C21

Consulasia | Macau

China

 

As alterações climáticas são cada vez mais evidentes no nosso quotidiano: as temperaturas estão a aumentar, o nível médio do mar está a aumentar, os glaciares e a neve estão a derreter. Esta realidade constitui uma das nossas maiores ameaças ambientais, sociais e económicas.

A Agência Europeia do Ambiente aponta como principal causa do aquecimento global o aumento de gases com efeito de estufa nas concentrações atmosféricas, como resultado das emissões provocadas pelas atividades humanas. Deste modo, há uma necessidade urgente de diminuir as emissões de gases nocivos ao ambiente. 

Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, com apenas 30 km² e uma população de 650 000 habitantes. É a região com maior densidade populacional no mundo, tornando a gestão de recolha e tratamento de resíduos um total desafio ecológico.

Como qualquer cidade asiática, Macau tem uma grande produção de resíduos e, uma grande percentagem daquilo que é produzido é descartável e/ou fabricado em plástico.

Nas ruas, a localização dos ecopontos é escassa e o hábito de fazer reciclagem não está incutido nos locais ou no dia-a-dia dos seus habitantes. Nos prédios, a recolha do lixo é feita internamente por cada condomínio, e são raros os prédios com ecopontos ou que incentivem a reciclagem. Estas ações têm como consequência o aumento drástico da produção e do volume de resíduos domésticos, que devido à escassez de terrenos, não deixa outra opção senão o uso de uma Central de Incineração.

A Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau, CIRS, ocupa uma área de cerca 45 000 m2 e entrou em funcionamento em 1992. Os dados estatísticos disponíveis datam de 2010, onde se pôde observar um crescimento traduzido em toneladas de resíduos entregues na CIRS, mas também nas quantidades de materiais reciclados.

Nos últimos anos, o Governo de Macau tem reunido alguns esforços na proteção do ambiente. Devido ao desenvolvimento socioeconómico e aumento de população, a Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA) criou o “Planeamento da Proteção Ambiental de Macau (2010 - 2020)”. Este planeamento da proteção ambiental de Macau, com um prazo de dez anos, tem por finalidade definir objetivos e indicadores para um planeamento ambiental. Este planeamento visa executar e concretizar, conforme as prioridades, as respetivas ações para resolver as questões ambientais, com vista a reforçar sustentadamente a qualidade do ambiente local.

Do meu ponto de vista, as soluções passam por não só criar uma nova rede de distribuição de contentores de lixo e de ecopontos, mas principalmente investir em programas de educação ambiental a implementar em escolas, de modo a poder alertar os alunos do perigo que o ambiente corre, e incentivar as gerações futuras a criar hábitos de reciclagem desde cedo.

É importante implementar uma cultura e educação sobre temas como a sustentabilidade, ecologia e a importância da reciclagem. Isto porque o futuro está nas mãos dos mais novos e, para além de serem as novas gerações, eles têm um maior acesso a tecnologias e informação, que as gerações anteriores nunca tiveram.

Deste modo, a aprendizagem dos mais novos pode vir a ajudar os mais velhos a compreender melhor a diferença que cada um pode fazer pelo ambiente. 

 

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