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Integração dos imigrantes portugueses no país de acolhimento
João Martinho Vilaça da Costa | C20

COBA - Consultores de Engenharia e Ambiente, S.A. | Rio de Janeiro

Brasil

 

Brasil e Portugal têm uma relação antiga.

O nosso país pode ser encontrado um pouco por todo o lado aqui no Brasil.

 

A realidade é que este país tropical serve como comunidade do mundo, um local de vivências, encontros e experiências.

Numa época em que cada vez mais jovens são obrigados a emigrar, para conseguirem trabalho, a comunidade portuguesa no Brasil é essencialmente nova.

 

Verifica-se que a maioria dos imigrantes portugueses possui um curso superior e são valorizados aqui no mercado de trabalho.

 

O povo brasileiro aprecia as competências e o profissionalismo dos portugueses. Devido à Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil (em especial o Rio de Janeiro) investiu muito em infra estruturas para melhor receber os milhares de pessoas que acompanham os maiores eventos desportivos a nível mundial. Assim sendo, especialmente no Rio de Janeiro, muitos dos emigrantes são engenheiros civis que aqui procuram um futuro melhor depois da falta de emprego que se verifica na área em Portugal. Porém, com o fim destes empreendimentos e com a crise política que aqui se verifica veem-se obrigados a partir para outros destinos.

 

Na hora da partida o sentimento é de vontade de regressar e esperar que os problemas políticos se resolvam e esta economia volte a entrar numa fase de crescimento possibilitando o seu regresso. As gerações mais antigas que aqui residem estão perfeitamente integradas na sociedade, sendo muitos deles donos de alguns dos restaurantes mais famosos como é o caso do famoso restaurante Jobi em Leblon.

 

Outro exemplo da boa integração das comunidades portuguesas no Rio de Janeiro é a Casa Do Minho, onde todas as semanas se podem encontrar muitos portugueses e brasileiros conhecendo a nossa cultura. É interessante sair num dia à noite e em qualquer bar do Rio que se visite, se estivermos atentos, ouvimos falar o nosso português. Como qualquer nacionalidade que emigra, o português sabe que para sobreviver tem de se encaixar com a sociedade em que se quer inserir. Para nós, porém, moldar-nos aos brasileiros é fácil. A língua é a mesma, apesar de algumas diferenças.

 

A sua cultura ainda tem muito da nossa e o povo brasileiro é extremamente recetivo. Como atividades de lazer este país oferece muitas oportunidades para todas as gerações e todos os gostos. Desde as belas praias, as trilhas pelas lindas montanhas brasileiras, os passeios por cidades históricas, como por exemplo, Ouro Preto, a visita à floresta da Amazónia, a oferta cultural, a diversão nos botecos e nas principais praças, aliadas à alegria contagiante do povo brasileiro fazem com que os emigrantes consigam uma rápida integração e uma boa qualidade de vida.

 

(Foto) Reportagem: Quotidiano de um INOV na Entidade de Acolhimento

Cândida Silva | C20

Ramboll Environ Iberia | Madrid

Espanha

O intuito desta (Foto) Reportagem é dar a conhecer a toda a comunidade INOV e a possíveis futuros INOVs um dia num estágio deste programa.


No caso que se segue, vou-vos relatar um dia na minha entidade de acolhimento, a Ramboll Environ, uma empresa de consultoria ambiental.

Para melhor enquadramento da empresa, uma breve explicação: a Ramboll é uma empresa especializada em consultoria de engenharia, fundada em 1945, em Copenhaga. Por sua vez, a Environ era uma empresa norte-americana, fundada em 1982 em Washington DC, com especialização em consultoria ambiental, de higiene e segurança. Em Dezembro de 2014, a Ramboll decidiu fundir-se à Environ, formando assim a Ramboll Environ, uma empresa do grupo Ramboll.


Um dia de estagiário, seja em que empresa ou país for, começa sempre pelo pequeno almoço. Em Espanha não é diferente:

 
Café para começar bem o dia


Já na Ramboll Environ, começa entre as 9h e as 10h da manha. Como a empresa é bastante flexível, no caso de começarmos o trabalho pelas 10h, existe sempre uma compensação de horas, para que uma jornada de trabalho ronde as 8h.

O dia inicia-se com a chegada ao escritório. O escritório da Ramboll Environ em Madrid localiza-se na Gran Vía, no coração da cidade e temos o privilégio de trabalhar bastante perto de grandes atrações turísticas, como o Palácio de Cibeles e o Banco de España e com uma vista repleta de pérolas arquitetónicas.

 
Palácio de Cibeles, a escassos metros da Gran Vía
 
 
Vista da Gran Vía (Gabinete de Auditorias)
 

Depois de me instalar na secretária, começa a jornada de trabalho. O trabalho de consultoria envolve muitas horas em frente ao computador a recolher informação, tratar dados e redigir relatórios, mas também requer muito trabalho em campo, a reunir com clientes, recolher amostras de materiais (água, solo, ar) para análise e realizar estudos ambientais.

O aspeto de um gabinete de consultoria em “hora de ponta” é mais ou menos este:

 

Gabinete da Equipa de Solos, completamente cheio

Mas como nem só de escritório vive um auditor, muitas vezes este cenário muda e quando existem auditorias e trabalhos de campo para fazer, os gabinetes ficam mais vazios.

A Ramboll Environ trabalha em toda a Ibéria, com projetos que incidem maioritariamente em 3 vertentes distintas: Auditorias Ambientais, Investigações de Solos e Auditorias de Higiene e Segurança. Num dia de auditorias, o mais provável é encontrarmos este cenário em Madrid:

Gabinete da Equipa de Auditorias (em campo) - completamente vazio

A hora de almoço é sempre uma altura para descontrair e repor energias. Aqui prezamos a boa alimentação, pelo que muitas vezes o almoço é caseiro e cada qual traz o seu petisco. O escritório tem uma zona de copa onde podemos aquecer a comida e conviver com todos os colegas, mas quando o tempo está favorável, subimos à terraza do prédio, no sexto andar e aproveitamos os raios de sol.

 Almoços na terraza, com vista para o Metropolis e Circulo de Belas Artes

Depois do almoço, voltamos “à carga” e continuamos a trabalhar. Mas um consultor júnior não fica sempre pelo escritório… a Ramboll Environ proporciona aos estagiários vários momentos de formação, onde podemos acompanhar um consultor experiente nas diversas áreas em que a Ramboll atua, quer na componente de auditoria, quer na componente de recolha e análise de amostras.

 O cenário num trabalho de recolha de amostras em Zumaia (País Vasco):


 


Eu e o Luís (estagiário espanhol), numa recolha de amostras de água em Zumaia

Já em auditorias, o cenário é ligeiramente diferente. A título de exemplo, algumas fotografias de uma auditoria ambiental a uma fábrica de papel e cartão em Pamplona.

Resumo de uma auditoria – visita às instalações de uma fábrica de papel (Pamplona)

Revisao de documentos pós-auditoria

Voltando a Madrid, um dia na Ramboll Environ acaba por volta das 18h/19h. Mas não ficamos por aqui… e um copo com amigos ou com pessoal do trabalho é sempre um bom motivo para disfrutar do final de mais um dia madrileño!

Fim do dia de trabalho, no Estádio Santiago Bernabéu

Globalização - uniformização e/ ou diferenciação na arquitetura em Macau
Pedro Meneses | C20
KPM Macau | Macau
China
 
 

Apesar das “ideias” e tendências nunca terem estado confinadas a fronteiras territoriais, a sua dispersão no passado era limitada pela lentidão com que se viajava e se propagava a informação. Desta forma, as “modas” e as correntes artísticas eram geralmente adaptadas às tradições regionais existentes, sendo o resultado uma variedade regional marcada pelos hábitos locais.

 

Durante o último século, novas tecnologias de construção e comunicação reduziram consideravelmente as possibilidades destas adaptações regionais.

 

Este processo de globalização está patente na arquitetura e no urbanismo das cidades sendo o resultado o brotar, em quase toda a parte, de novos trechos de cidades praticamente idênticos, deixando para trás diferenças nacionais ou locais. Este desenvolvimento das tecnologias de construção e comunicação permitiu uma fácil difusão dos modelos, e trouxe para a cidade os sinais de uma crescente "paisagem global", e que pode ser classificada por quatro elementos - simplificação (traduzível por um leque restrito de componentes), redução (eliminação do específico ou "típico"), padronização (referida a um modelo, recetível), e deslocalização (indiferentes ao contexto físico, virtuais) (BRANDÃO, 2006).

 

Por outro lado a mobilidade crescente de indivíduos, bens e capitais que vieram com a globalização, para além de originarem a implementação de lógicas que implicam a desvalorização dos traços tradicionais das cidades, trouxeram também consigo exigências de competitividade e o estímulo pela diferenciação, na medida em que este aumenta a concorrência urbana. Esta ideia remete-nos para um outro conceito que está hoje bastante inerente ao desenvolvimento das cidades - a atratividade.

 

Cada vez mais as cidades procuram diferenciar-se umas das outras através de elementos atrativos e processos de promoção, como seja a criação de uma marca. Confrontadas com exigências cada vez maiores e com múltiplas formas de concorrência, as cidades procuram oferecer uma qualidade superior, ou pelo menos equivalente, àquela que é oferecida noutras cidades, recorrendo a elementos que sejam capazes de atrair os diversos atores. Nesse sentido, as políticas urbanas procuram desenhar cidades capazes de oferecer um mercado de trabalho vasto e diversificado, assim como serviços de alto nível, um grande número de equipamentos e de infra estruturas e boas ligações internacionais.

 

No contexto asiático, três exemplos disso são as cidades de Hong Kong, Singapura e Macau, sendo que neste último, os elementos diferenciadores e atrativos estão associados aos novos grandes empreendimentos – os casinos.

 

Temos então os skylines urbanos como instrumentos para aumentar o prestígio e a capacidade da cidade ser desejada, uma identidade afirmada como forma de publicidade, da cultura global, de consumo urbano em que o espaço e a própria cidade se definem numa imagem espetacular. Quando o espaço público deixa de ser realidade cultural e se transforma em produto transacionável (o que “vende”), derivado de uma suposta diferenciação competitiva, existe uma redução da sua própria identidade (BRANDÃO, 2008).

 

A condução destes processos é na sua generalidade da responsabilidade do Estado, que procura muitas vezes conjugar essas "obrigações" com a realização de eventos de dimensão nacional e supranacional (como sejam as exposições mundiais, os campeonatos europeus de futebol, as capitais europeias da cultura, etc.) ou tendências de desenho de espaço público que procuram “modernizar” as cidades.

 

A actual Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) é um excelente exemplo onde as políticas administrativas reduziram a sua matriz identitária no que diz respeito à arquitetura tradicional. Macau, desde a sua entrega à China em 1999, vive um período de prosperidade económica em grande escala, um autêntico boom a nível internacional, onde  graves problemas urbanos surgiram.

 

O território de Macau faz-se da conjugação de revoluções culturais de diferentes períodos, onde à simbiose luso-chinesa se juntou o estilo de Las Vegas. Os resultados desta “importação” são de uma tal dimensão, que fez com que Macau se desenvolva em função da indústria dos casinos. Desta nova “indústria” resulta uma competição descontrolada entre as concessionárias dos casinos e que, na vertente da arquitetura, se traduz em edifícios icónicos que desprezam qualquer preexistência, história e identidade regional, afetando as dinâmicas urbanas do quotidiano.

 

Desta forma, estes edifícios erguem-se imponentemente nas ruas como peças extravagantes e singulares. Os casinos de Macau são, efetivamente, para o bem e para o mal, parte preponderante da nova definição identitária urbana da cidade.

 

Em Macau, os casinos exercem o seu poder sobre a cidade, porque se fazem de uma escala absurda relativamente à pré-existência, porque se aproveitam, de um modo geral, de uma localização importante e ou estratégica e porque usufruem de uma figura expressiva e espetacular. Esta importação do conceito de Las Vegas, sem consciência da escala ou da história da cidade de Macau, é o perfeito exemplo de que a “standardização” da arquitetura provoca uma diferenciação na imagem urbana da cidade. Se a “colagem” dos extravagantes casinos altera a paisagem de Macau, e se essas formas arquitetónicas se fazem para uma nova escala (mais ampla do que a do pequeno e antigo território macaense), então as dinâmicas urbanas são também perturbadas, sendo que estas transformações afetam, mesmo que indiretamente, os seus habitantes.

 

Como português e arquiteto, impressiona-me como estes colossais empreendimentos de jogo despoletam mais a curiosidade dos turistas do que o centro histórico macaense “à portuguesa”. Por outro lado, é constrangedor que réplicas de outros edifícios (ou lugares) comovam o turista chinês como se dos verdadeiros se tratassem. O Casino Venetian, que tenta reproduzir a atmosfera da cidade de Veneza, ou o Casino Parisian (a inaugurar no próximo mês de Setembro) que incorpora uma réplica em escala reduzida da Torre Eiffel, são, na minha opinião, dois dos principais exemplos de como a importação de estilos ou “imagens urbanas” danificam a identidade regional de uma cidade.

 

Percorrer as ruas de Macau exige um esforço para compreender as diferentes layers de culturas, arquiteturas e imagens. Estas parecem estar sobrepostas, mas percebe-se que a cidade se divide por zonas cuja arquitetura define as suas vivências sociais: nas ruas de prédios carregados de “gaiolas” e caixas de ar condicionado, onde todo o espaço é reduzido ao limite, habita-se; nas ruas estreitas que se enchem de letreiros luminosos e o piso térreo está aberto, sobrecarregados de montras com produtos, vende-se. Nas ruas de edifícios icónicos trabalha-se, visita-se, fazem-se compras e, joga-se...

 

Acredito que a paisagem urbana de Macau, as pressões da densidade urbana devidas à exiguidade do território e ao acelerado ritmo de desenvolvimento urbano associados a uma cultura local altamente pragmática e a um compromisso entre o Governo e os interesses privados na produção rápida de conteúdos urbanos, são alguns dos fatores que levaram (e levam) a que em Macau haja uma concentração de uma arquitetura “standardizada”, arquitetura espetáculo, estilos estes bastantes diferentes dos elaborados em Portugal.

 

Por outro lado, é importante realçar que a ausência de políticas públicas e de recursos na reabilitação põe em risco o património, a identidade urbana do presente e desvanece as memórias do passado.

 

As novas obras de arquitetura na cidade de Macau, deveriam, portanto, representar elementos de ligação entre o passado e os tão desejados vestígios de grandeza, subjacentes a esta frenética economia do jogo.

 

Bibliografia:

 

BRANDÃO, Pedro (2002) O Chão da Cidade – Guia de Avaliação do Design do Espaço Público. Lisboa; Centro Português do Design

 

BRANDÃO, Pedro (2008) A identidade dos lugares e a sua representação coletiva. Lisboa; DGOTDU

 

Voluntariado/Projetos Solidários com Impacto na Comunidade / Pemba

Paula Joana Fernandes | C20

Biodinâmica

Pemba | Moçambique

 

O lado solidário de Pemba

Pemba localiza-se no norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado e constitui a terceira maior baía do mundo, rodeada por mar quase na sua totalidade.

É uma cidade ainda pouco desenvolvida, tendo ocorrido o maior “boom” durante os últimos dois anos. Tem paisagens únicas e permite-nos ver e experienciar situações que não aconteceriam num outro lugar. Mas em contraste com estas paisagens e praias paradisíacas, deparamo-nos em qualquer lugar da cidade, com a pobreza e a simplicidade com que a maioria dos habitantes de Pemba vive. A maior parte das pessoas vive em situações precárias, e são poucas as zonas e bairros com casas cimentadas, sendo grande parte da paisagem citadina constituída por “barracas”.

É portanto um local em que as ações de voluntariado são fundamentais e que por menor dimensão que possam ter, vão sempre contribuir para um dia diferente de alguém.

Ações de solidariedade e voluntariado em Pemba

Pela perspetiva que tenho desde que cheguei, grande parte das acões que existem aqui, são de carácter religioso, havendo falta de ações de carácter mais global. As intervenções e ações solidárias que consegui obter informação, são as seguintes:

OIKOS ISTITUTE

Existem várias ONG’s que trabalham em prol do desenvolvimento das comunidades como por exemplo a italiana OIKOS ISTITUTE. É uma organização que trabalha em prol da conservação da biodiversidade promovendo o uso sustentável dos recursos naturais de forma a contribuir para o desenvolvimento social e económico e para a luta contra a pobreza.

Para saber mais: http://www.istituto-oikos.org/

Helpo

 A Helpo é uma ONG portuguesa que intervém em Moçambique, São Tomé e Portugal e que tem como objetivo primário a educação, passando também por atuar em áreas de carácter mais social, no sentido de criar condições de acesso à educação.

O grande impulsionador do trabalho da Helpo é um programa de apadrinhamento à distância, em que as doações dos padrinhos permitem o acesso dos afilhados à educação, a distribuição de lanches pelas escolas, o melhoramento dos edifícios escolares assim como do equipamento das salas de aula, criação de bibliotecas, depósitos de água, etc.

Esta organização está também presente em Pemba, com uma  voluntária  que se encontra cá a desenvolver trabalho com esta organização: a Andreia Nogueira. O trabalho da Andreia passa por tratar de toda a logística do programa de apadrinhamentos e de o manter em funcionamento, gerindo a correspondência entre padrinhos e afilhados, distribuindo os presentes que por vezes os padrinhos enviam, e fazer a foto reportagem da receção desses presentes.  Além disso trata da concretização e logística associada a projetos de apoio às bibliotecas, ao projeto “ciclo cultural” e a projecos de sensibilização sobre segurança rodoviária, casamento precoce e importância da educação. O trabalho da Helpo cá é bastante notório.

Para saber mais:

http://www.helpo.pt/

 

A Peace Corps

A Peace Corps é uma organização governamental dos EUA com voluntários americanos que trabalham em diversas áreas. Aqui em Pemba atuam na área da educação, com voluntários que ensinam inglês nas escolas; e na área da saúde com voluntários que trabalham nos centros de saúde dos bairros mais carenciados, sobretudo com doentes com tuberculose e sida.

Para saber mais:

https://www.peacecorps.gov/

As Pastorelas

As Pastorelas são uma pequena comunidade que prestam apoio à população em diversas áreas e em que as infraestruturas foram totalmente construídas por voluntários. Os fundos vêm de Itália e através do aluguer de quartos que existem numa parte do edifício e de trabalhos como alfaiataria. Possuem diversas atividades de ajuda e desenvolvimento das comunidades, com uma biblioteca comunitária que proporciona acesso a livros, filmes e atividades lúdicas e pedagógicas com crianças. Trabalham também com grupos de jovens, grupos de catequese e ainda grupos de canto mais direcionado aos adultos. Prestam serviços também de saúde, apoio emocional, inclusão social etc. A Helpo colabora também com as irmãs, a nível da educação com crianças.

 

Escola “O Arco íris”

O arco-íris é uma escola de carácter religioso em que os voluntários que recebe suportam os seus custos na totalidade. A maioria dos voluntários vêm numa espécie de “férias”, ficando apenas uma pequena temporada.

 “Operação Caco” e ação “Eu amo o meu bairro”

Um dos maiores, mais evidentes e mais incomodativos problemas ambientais de Moçambique, é o lixo que “cresce” nas ruas. Em Pemba, para além da falta de sensibilização acerca deste assunto, há muito poucas estruturas para depósito de lixo, dando uma alternativa quase nula à população, que não seja o chão.

A operação caco é um movimento a nível nacional que nasceu em Maputo por autoria do professor Carlos Serra do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), e que este ano se estendeu ao resto do país. Centra-se numa ação de limpeza de praias e locais mais sensíveis, na altura do Dia Mundial Do Ambiente (5 de Junho). Aqui em Pemba ocorreu num bairro muito problemático no que toca à vertente do lixo, resíduos e defecação na praia, o bairro de Paquetequete. Pra quem se quiser juntar à causa, é um trabalho voluntário que ocorre durante todo o ano, em que devem ser desenvolvidas ações de sensibilização e de preparação do grande dia com diversas reuniões entre as partes interessadas e que possam dar apoio, questões de logística etc. É um projeto ainda pouco desenvolvido e que carece de envolvimento e de atividade sobretudo ao nível da Educação ambiental.

 Aqui em Pemba, o dia propriamente dito, aconteceu com o apoio do município, o qual também está a desenvolver uma ação idêntica de limpeza e sensibilização, que ocorre todas as semanas pelos diferentes bairros, titulada “Eu amo o meu Bairro”.

Para saber mais:

https://www.facebook.com/groups/268145790188820/?fref=ts

Casa Provincial da Cultura de Pemba

Para além destas ações de solidariedade atrás referidas, existem também aquelas que nascem pela vontade singular de fazer algo, de nos fazermos sentir úteis e de fazermos algo aqui e agora, algo que sabemos que vai contribuir para proporcionar um dia diferente, (neste caso aos mais pequenos), e dar-lhes acesso a coisas que para nós europeus, é tão adquirido. Um filme, uma música, um teatro, um espetáculo... cultura. É aqui que a Ana Rita Valério entra em cena numa cidade em que há tantas crianças e o seu acesso à cultura é tão escasso. A Rita juntou-se assim à casa provincial da Cultura de Pemba, e todos os sábados organiza o mini-cinema, onde filmes para os mais pequenos são projetados, com oferta de pipocas.

Além disso apoia na organização e divulgação dos sábados dedicados a diferentes amostras de cultura como teatro, música, pintura, dança, etc. Para os que vierem para Pemba, são convidados pela Rita e pela casa da cultura a ajudarem e partilharam do sentimento que é ver a expressão e alegria destas crianças (e não só) por saberem que estamos ali por elas e para elas.

 

Para saber mais:

https://www.facebook.com/Pemba-Cultural-950311411679240/?fref=ts

https://www.facebook.com/Casa-Provincial-Da-Cultura-De-Pemba-1664969610433516/?fref=ts

Para aqueles que passam por Pemba, certamente que no dia-a-dia vão encontrar outras e diversas situações em que vos despertará a vontade de ajudar e de manter o contacto com as comunidades locais.

 

Investigação e desenvolvimento: Cooperação entre Setor Público e Privado

Carolina Martins Resende Alves Nunes | C20

Allinky Biopharma │ Madrid

Espanha

 

Ao longo da história da ciência mundial poucos foram os espanhóis que tiveram o seu nome ligado a uma mudança de paradigma no mundo do conhecimento. A ciência e a tecnologia em Espanha foram, até há bem pouco tempo, algo posto de parte da sua organização e do seu contexto social e, como país e como sociedade, apenas tirava partido das novas descobertas que chegavam de fora. ¡Que inventen ellos!’, uma expressão de Miguel de Unamuno (1864-1936), foi muitas vezes utilizada neste contexto, chegando a tornar-se um estereótipo nacional, muitas vezes dito com vergonha, outras vezes dito com orgulho e que ilustra bem o panorama nacional.

 

Mas a mentalidade espanhola mudou e, nas últimas décadas, o investimento em investigação e desenvolvimento aumentou [1] e os resultados começaram a aparecer. Espanha foi considerada pela Royal Society britânica a 90º potência científica mundial com 2.5% do total das publicações [2] científicas entre 2004 e 2008, período no qual se viu um grande aumento e o pico de investimento público na área. Mas, como em outros países da Europa, a crise chegou e o setor da investigação e desenvolvimento foi uma das duas primeiras vítimas [3].

 

Um dos grandes problemas de Espanha é mesmo a carência de investimento em I+D+i (Investigação, Desenvolvimento e Inovação) por parte das empresas privadas e, por consequência, a sua grande dependência de dinheiro público.

 

Neste momento, a atividade I+D+i está regulada pela Ley 14/2011, de 1 de junio de la Ciencia, la Tecnología y la Innovación, comummente chamada de Plano nacional I+D+i, que visa, entre outras coisas, contribuir para a melhoria da competitividade empresarial. Veio, assim, melhorar a perceção e comunicação dos avanços da ciência e da tecnologia à sociedade,  elevar a capacidade tecnológica das empresas, promover a criação de tecido empresarial inovador e melhorar a interação, colaboração e associação entre o setor público de I+D e o setor empresarial.

 

É comum existirem projetos financiados por empresas, executados em organismos públicos de investigação. Porém, nos últimos anos também o financiamento empresarial de I+D universitária tem vindo a diminuir, tendo sido em 2013 12% inferior à registada em 2012. No mesmo ano, como em anos anteriores, foram os campos da engenharia e tecnologia os que contaram com maior percentagem de financiamiento empresarial (34.58%) [4].

 

A grande maioria da investigação em Espanha acontece com investimento público, não só nas Universidades, como também em empresas tidas como privadas, mas que são subsidiadas pelo governo. Nos últimos anos nasceram nas universidades muitas Spin-off, empresas criadas a partir de um grupo de investigação com o objetivo de explorar um novo produto, uma nova patente ou serviço de alta tecnologia.

Normalmente este tipo de empresas estabelece-se em incubadoras de empresas, como por exemplo, a empresa onde estou a estagiar [5], que é financiada por programas públicos ou por privados.

Um dos grandes investidores destas novas empresas que nascem todos os dias em Espanha são agências de investimento de alto risco, compostas por vários investidores. Estes investidores escolhem aplicar o seu dinheiro em várias destas empresas e acabam por ter o retorno do mesmo se apenas uma parte delas sobreviver e tiver sucesso no projeto que desenvolve.

Devido à diminuição do apoio público às universidades públicas direcionado para investigação, os resultados académicos espanhóis têm vindo a ser piores o que se reflete num menor número de patentes e de criação de empresas spin-off - menos 42% em dois anos (dados de 2013). Mesmo as empresas que são criadas, pela dificuldade de financiamento e pela fragilidade de serem novas empresas, acabam por não aguentar a pressão do mercado. No presente, as universidades têm vindo a recorrer a fundos europeus para financiar os seus projetos para os quais o financiamento público foi rejeitado.

Entre 2010 e 2013 houve um decréscimo de 8.5 pontos percentuais no número de investigadores a tempo inteiro [6]. Este dado indica que, tal como em Portugal, a crise dos últimos anos tem vindo a afetar a ciência. A diminuição de apoios estatais à ciência tem vindo a fazer efeito e há cada vez mais investigadores a sair da ciência ou mesmo a emigrar. Embora a maioria admita que trabalhar em ciência é uma desvantagem a nível social, e que o salário é baixo para o grau de estudos, ao não conseguir ver uma aplicação direta do setor no seu dia a dia não se impõe contra os sucessivos cortes de financiamento.

Assim, o estado de arte da ciência é idêntico na Península Ibérica. Por um lado, temos a investigação feita em instituições públicas, semi-públicas ou com apoio público, com investigação académica, financiamentos públicos e, pontualmente, de empresas privadas, e a indústria dominada pelas farmacéuticas e por algumas empresas de biotecnologia. No fim, todos concorrem aos concursos públicos nacionais, internacionais e da União Europeia como instituição, o que leva a uma monopolização do setor pelos ‘peixes grandes’. Em ciência, o número que importa é o fator de impacto que é maior ou menor consoante o número de publicações e a qualidade das revistas onde essas publicações são feitas. Quanto mais recursos um laboratório tiver, maior a possibilidade de conseguir publicar numa revista de elevado fator de impacto, o que aumenta as possibilidades de ganhar os concursos a que se candidata. Acabamos então com a realidade, pouco dinheiro aplicado em bolsas de investigação (o sustento de um cientista), o que torna a entrada no mercado muito difícil para todos os que não são considerados de excelência.

 

Depois de acabar os meus estudos consegui entrar no mundo da investigação pública em Portugal. A candidatura ao INOV aconteceu num momento em que a investigação me desiludiu, não como trabalho, mas como emprego. Sempre soube o que implicava trabalhar em ciência, pagamento ao fim do mês, mas nenhuma ou quase nenhuma proteção laboral e social, nada é garantido e o sustento resume-me a ciclos de 1/2/3 anos (dependendo da duração da bolsa). O cidadão olha para a folha de pagamentos de um cientista e, dada a conjuntura atual, podia ser bem pior. O problema está em que todos almejamos uma vida estável e com alguma rede de segurança e, neste meio, a maioria das vezes temos de decidir se queremos estabilidade ou fazer o que sempre sonhámos. Estava pronta a seguir um caminho em direção à estabilidade, o INOV mostrou-me que pode haver um meio termo.

 

A Allinky Biopharma, a empresa onde me encontro a fazer o meu estagio, é uma start-up que funciona em três núcleos: bio informáticos, que desenham as moléculas, químicos que as sintetizam e biólogos que as testam em modelos biológicos.

 

Fui, de acordo com o meu currículo, inserida no núcleo que testa a ação das novas moléculas em células humanas. Estas moléculas são desenhadas para serem usadas futuramente no tratamento de doenças inflamatórias e do cancro. A empresa é financiada  por fundos privados, mas também se candidata a concursos públicos. Aqui temos um pequeno vislumbre do que o equilibrio perfeito em ciência pode ser, alguma estabilidade laboral, com uma pitada de sonho que pode vir a salvar muitas vidas não daqui a muito tempo.

 

O alcance do equilibrio da ciência está hoje nas manchetes dos jornais com a possibilidade de um acesso gratuito à ciencia até 2020 [7] e, pelo lado contrário, com a criação de novas barreiras ao desenvolvimento cientifico com a possível saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Espero que, unidos ou não, públicos e privados, espanhóis, portugueses, europeus e do mundo, caminhem na direção da inovação e do serviço ao melhoramento das condições de vida em todo o seu sentido.

[1] http://www.ine.es/jaxi/Datos.htm?path=/t14/p057/a2014/l0/&file=01001.px

[2] http://www.europapress.es/ciencia/laboratorio/noticia-espana-situa-novena-potencia-cientifica-mundial-20110329202128.html#AqZ1jZAQn0ReZiLS

[3] http://www.ine.es/jaxi/Datos.htm?path=/t14/p057/a2014/l0/&file=01002.px

[4] http://www.fundacioncyd.org/images/informeCyd/2014/Cap4_ICYD2014.pdf

[5]  http://fpcm.es/

[6] http://noticias.universia.es/educacion/noticia/2015/04/22/1123732/investigacion-espana.html#

 
(Foto)Reportagem   Uma Presença Portuguesa da Arquitetura na Cidade de Maputo

Mariana Flor e Almeida Antunes Alves - C20
Técnica Industrial de Moçambique | Maputo
Moçambique





 
 
 
 
 
 
Ao
chegar a Maputo é quase imediato perceber que seremos apenas mais uma presença portuguesa no meio de tantos outros. Ao olhar em redor, por momentos quase nos sentimos em casa, quando constatamos que a arquitetura que nos rodeia é essencialmente Portuguesa.
 
Essa presença da arquitetura Portuguesa, não passa apenas pela arquitetura que conhecemos como portuguesa, mas também pelos seus intervenientes Portugueses.
Por isso quis saber um pouco mais e contextualizar-me na história da cidade. Esta, anteriormente chamada de Lourenço Marques foi fundada em 1782, numa altura em que todo o país estava no domínio dos Portugueses  e assim permaneceu durante varias décadas até 1974. Desse modo é fácil compreender que o crescimento e desenvolvimento da cidade foi expandido por Portugueses, juntamente com outras nacionalidades. Por isso a presença da arquitetura Portuguesa é uma presença constante, em cada rua, em cada esquina. 
 


  
Figura 1 - Edifício da Estação de Caminhos de ferro, localizado na praça dos trabalhadores.


A cidade de Maputo tem uma diversidade cultural vasta, que se reflete bastante nos edifícios. Isto vai desde a casa colonial simples aos edifícios mais complexos, comerciais, escolas, templos, entre outras, locais com que nos confortamos dia a dia sempre que saímos de casa.



 

Figura 2 – Padaria Saipal em Maputo de 1954, localizado na Avenida Filipe Samuel Magaia, Edifício industrial, com uma plasticidade conceptual pouco usual.



Por gostar tanto de arquitetura, nos passeios que fui dando pela cidade, fui -me confrontando com edifícios que tinham características diferentes. A curiosidade levou-me a procurar pelo seu autor, e foi nessa busca que percebi que este tinha falecido o ano passado. Por já conhecer algumas das suas obras em Portugal e por saber que é uma grande referência da arquitetura neste pais, decidi saber um pouco mais, homenagear o arquiteto e a arquitetura partilhando, esta bonita parte da cidade.

PANCHO GUEDES

Falar sobre o Pancho Guedes é recuar um pouco no tempo.
No inicio dos anos 50, surge uma presença notória na cidade de Maputo com nacionalidade Portuguesa, um arquitecto Português que dedicou grande parte da sua vida a este país e nomeadamente à cidade de Maputo, o arquiteto “Pancho” Guedes.

“O arquitecto Pancho Guedes morreu neste sábado, na África do Sul, acompanhado pela sua filha mais nova, Kitty. Tinha 90 anos. Nascera a 13 de Maio de 1925. A sua morte marca o fim de uma época. Sem Pancho, Portugal fica amputado de uma parte da sua cultura arquitectónica do século XX, precisamente a que é mais heterodoxa: desconcertante, propositadamente anti-racional, plástica e exuberante. O oposto da arquitetura portuguesa.” Ana Vaz Milheiro




 

Figura 3 – Edificio Mann George  em Maputo de 1954, localizado na rua de Consiglieri Pedroso, Edificio da empresa Mocambicana de navegação – Sarl.



Um arquiteto Português chamado Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes, nasceu em 1925 em Lisboa e aos 7 anos mudou-se para Maputo. Pancho frequentou a escola primária em Moçambique e foi para a África do Sul, no tempo do liceu. Foi para a Universidade de Witwatersrand no final da Segunda Guerra. Foi pintor antes de ser arquiteto e essa característica é uma grande marca nas suas obras, a combinação entre o rigor formal e a exuberância na criatividade, associando artes como a  pintura, escultura e arquitetura.
 
É perceptível  que o crescimento da sua arquitetura muitas vezes é o reflexo das suas viagens à Europa e assim as suas obras são muitas delas  baseada no formalismo do estilo internacional. Pancho Guedes reinterpreta-se na temática africana nas suas obras. Configurando-lhes  qualidade e características diferenciadoras da arquitetura da época, criou um estilo próprio que  auto denominou de Stiloguedes.
 




Figura 4 – Edificio Prometheus em Maputo de 1953, localizado na rua Julius Nyerere, Sommerschield, de habitação colectiva o autor fez uma interpretação dos estudos de Picasso.


Stiloguedes, que se caracteriza pelos “dentes” modelados no betão é um estilo que segundo se diz, representa o arquiteto no seu mundo mais fantasioso. São edifícios com picos e presas, com fachadas que são atravessadas por formas que são criadas pelo betão, que muitas vezes parecem meros ornamentos, mas que muitas vezes são pensados com características de sombreamento e de boa climatização.



Figura 5 – Edifício Khovolar em Maputo de 1966, localizado na av. Aniceto do Rosário, edifício de acomodação de rapazes e raparigas suíços.


Enquanto fui fazendo este percurso na procura das obras do Pancho Guedes percebi que existem 142 obras espalhadas pela cidade. (Encontrei um mapa da cidade que mostra onde se situam todas as suas obras). Não consegui visitar todas mas fui-me apercebendo que os planos dos edifícios Stiloguedes são funcionais e simples. Fui encontrando pessoas que viviam nas suas obras e apesar da degradação que se vê no exterior, todas as pessoas se sentem confortáveis nos espaços, gostam de habitar os espaços e quem conhece o seu arquiteto sente bastante orgulho em habitar as casas de Pancho Guedes.




 
Figura 6 – Edificio Tonelli em Maputo de 1954, localizado na Av. Patrice Lumumba  e a Av Vladimir Lenine, habitação colectiva de 11 pisos.


O edifício que mais gostei, possivelmente por conhecer a sua história, foi o “Leão que ri”, consegui entrar e apreciar cada espaço. É incrível como o seu autor pensou em todos os pormenores, as cores dão bastante alegria, as formas geométricas não estão colocadas ao acaso e o facto deste ter construído esta obra para si mesmo vê que a obra é muito à sua imagem de arquiteto heterodoxo e que não deixa ninguém indiferente.


“Leão que Ri, Unidade de Habitação corbusiana de pequena escala (apenas com seis apartamentos), seria a obra prima deste período. Foi projectada para si. Em 2003, numa conferência da sua velha escola Witts, esclareceria: “O Leão tem agora 50 anos... Levou imenso tempo a pôr de pé, pois nós éramos também os clientes. O Leão era nosso, e de forma alguma faríamos compromissos.” ANA VAZ MILHEIRO
 





 
 
Figura 7 – Edificio Leão que ri em Maputo de 1956, localizado na Av. Salvador Allender e a Av. Kwamenkruma, apresenta pintura de murais e uma escultura de um leão sorridente.



Figura 8 – Casa das três girafas em Maputo de 1965, localizado na Av. Armando Tivane, apresenta três grandes chaminés.






 
Por fim fui a uma homenagem que houve a Pancho Guedes na Fundação Fernando Leite Couto.
A exposição e homenagem foi um evento coordenado por Christine Cibert. Era composta por filmes das suas obras, curtas metragens de algumas aulas do arquiteto e até mesmo entrevistas ao arquiteto sobre as suas obras. Mas a melhor parte foi a conversa informal que houve entre amigos e colaboradores do arquiteto. Como José Forjaz, Luis Bernardo Honwana e Armando Monteiro que contaram historias sobre o arquitecto e o recordaram com grande carinho partilhando um pouco do que era o arquitecto Pancho Guedes.  Agradeceram o tanto de bom que ele deu à cidade com a sua presença Portuguesa em Maputo.
 

 
 
Figura 11– Homenagem a Pancho Guedes na fundação Fernando Leite Couto.
(Imagem da fundação)


“A obra de Pancho Guedes é um permanente reiterar dessa lição: quem aprendeu a escutar as casas sabe que o que importa não é a casa onde moramos. Mas onde, dentro de nós, a casa mora” Mia Couto


Por isso, falar da arquitetura aqui é recordar o melhor que temos. Sou uma apaixonada por esta área e poder aplicar os meus conhecimentos e a minha formação aprendendo com tudo o que me rodeia é uma oportunidade fantástica. Hoje ao trabalhar em Maputo, sinto que passei finalmente a ser uma presença portuguesa da arquitetura na cidade.

(Foto) Reportagem Quotidiano de um INOV na Entidade de Acolhimento

Matilde Ricciardi Pinheiro de Melo

Butterfly Twists | Londres

Reino Unido

Escritório Butterfly Twists

Gostava, antes de tudo, de fazer uma pequena contextualização sobre a Butterfly Twists.

Quatro amigos decidiram fazer uma aposta em que o que perdesse tinha de ir a uma festa mascarado de senhora dos pés á cabeça (incluído sapatos de salto alto). No fim da noite não conseguia mexer os pés e, na brincadeira, tiveram a ideia de criar sapatos que permitisse um melhor conforto aos pés da mulher no fim de uma festa. Em dois anos conseguiram criar uma equipa de design e em 2009 surgiu a primeira coleção. As vendas têm aumentado cada vez mais e já é uma marca bastante reconhecida no Reino Unido. Neste momento a equipa é constituída por vinte/trinta pessoas.

 

Fui recebida pelo o meu manager, head of E-commerce, que foi logo muito simpático e a primeira coisa que fez foi apresentar-me individualmente a cada um dos trabalhadores. Fui muito bem acolhida por todos. No primeiro dia, duas colegas convidaram- me para ir com elas ao supermercado comprar o almoço. O hábito aqui é ir ao supermercado comprar refeições feitas e depois cada um almoça à frente do computador, o que me chocou bastante, pois acabam por conviver pouco entre eles.

Este é o escritório da Butterfly Twists, que está divido por 4 departamentos: Marketing, Design, Finanças e Vendas.

O escritório é um open space que está dividido em quatro áreas, o que corresponde a cada departamento: o de vendas, finanças, design e marketing. Cada um dos CEO’s representa um departamento – Phillippe, Frank, Mark e Emmanuel respetivamente. Ainda contem uma cozinha, sala com uns sofás e uma sala de reuniões.

A minha casa fica a 30 minutos do trabalho, passo todos os dias por este canal

Acordo ás 8h00, saio de casa entre as 8h45 e as 9h para estar no trabalho às 9h15/9h30. Demoro 30 minutos a pé, um caminho muito calmo e agradável. Em Londres é pouco comum ir a pé para o trabalho, portanto, tenho bastante sorte e ainda consigo poupar no passe mensal de transportes (que custa 130£). Alguns dias da semana vou ao ginásio antes do trabalho, pois fica a caminho.

Pertenço á equipa de Marketing & E-commerce e estou a trabalhar como E-commerce executive. Estou responsável por resolver/assistir problemas das encomendas online dos clientes, acompanhar todo o seu processo, assistência aos pedidos online, dúvidas. Assistência de chat online e telefone. Estou também responsável por fazer as devoluções e trocas online. Estas tarefas normalmente ocupam uma manhã, dependendo dos dias.

Almoço no parque.

O almoço levo geralmente de casa, se não tiver tempo para fazer uma refeição, temos um supermercado na rua do escritório. Umas semanas, depois de começar, umas colegas e eu quebrámos a tradição britânica de almoçar à frente do computador e juntamo-nos sempre para almoçar. Somos geralmente o mesmo grupo, com idades entre 22 e 25. Sempre que está bom tempo aproveitamos para ir almoçar ao parque em frente ao edifício, basta não estar a chover ou frio que aproveitamos logo para ir. Senão, a alternativa é almoçar na cozinha/sala. Ás vezes a empresa oferece um almoço, geralmente em ocasiões especiais. Existe muito  espírito de equipa e dão bastante importância a conhecer-se uns aos outros, desde que cheguei já fomos ao BOUNCE (ping pong) e já está planeado outra ida.

A seguir ao almoço e a seguir ao habitual café volto ao trabalho. Geralmente o Pedro, o meu manager pede-me tarefas diferentes, o que é bastante desafiador, pois todas as semanas aprendo algo de novo. Estou também responsável por contactar bloggers para possíveis colaborações com os nossos produtos. Responsável pela manutenção do website, verificar o stock disponível, rever e melhorar a colocação dos produtos, garantir que o cliente tem uma boa experiencia de utilizador, detetar quais os principais problemas de maneira a que sejam  resolvidos o mais rápido possível.

Sempre que alguém faz anos celebramos com um bolo e doces.

Sempre que alguém faz anos juntamos nos todos na cozinha para cantar os parabéns com um bolo. O mais interessante desta empresa é que é uma equipa quase mais internacional do que inglesa. Temos pessoas de Espanha, Itália, Grécia, Hungria, Egipto, França e Portugal.

Pub's em St Katherines Dock.

Acabo o trabalho por volta das 17h30/18h00 e é raro ir logo para casa. Pelo menos uma ou duas vezes por semana vou com um grupo de amigos  a um pub diferente. É inacreditável a diversidade de sítios que existe em Londres, o que dá para variar bastante. Às vezes optamos por ir ao cinema, ver um jogo de cricket, fazer um picnik no parque ou ir a um rooftop se estiver bom tempo. Ás vezes aproveito ou para ir ao ginásio, ou ao supermercado fazer as compras da semana.

Jogo de cricket

Estou a ter uma excelente experiência profissional, como referi anteriormente, estou sempre a aprender todos os dias.  E, por outro lado, estou a conhecer pessoas fantásticas, e mesmo estando na Europa e numa cidade cheia de portugueses, a diversidade de nacionalidades é tão grande que facilmente aprende-se sobre outras culturas. 

Carolina e eu do INOV C20 com o João do INOV C19 - Butterfly Twists 

A comunidade portuguesa e o seu papel na representação de Portugal
 
Diva Félix | C20
Conclusão - Estudos e Formação Lda
Maputo | Moçambique
 

Moçambique é terra de emoções, é terra quente, de cores vivas e cheiros intensos. É repleta de risos e sorrisos que repelem a dança incerta de cada dia, assim como de ritmos frenéticos para quem abraça a capital pela primeira vez.

A estranheza inicia-se na viagem desde o aeroporto até ao centro de Maputo, enquanto são captadas imagens da realidade moçambicana, que se mantem com poucos recursos e vulnerável até aos dias de hoje. Ainda assim, e mais rapidamente do que aquilo que se espera, a confusão desvanece-se e em pouco tempo reconhecemos Portugal a cada virar de esquina.

Temos cara de portugueses e não passamos despercebidos, sendo simpaticamente abordados num percurso a pé, onde logo se ouve a língua portuguesa acompanhada de um sotaque caraterístico, expressões e sons que preenchem de graça a conversa e histórias contadas.

Portugal e Moçambique partilham uma história, que apesar de recordada de forma diferente, os mantém ligados até aos dias de hoje!

Em conversa com um português residente há diversos anos em Moçambique e com vasta experiência na realidade da corrupção, da desorganização e ritmo desacelerado de trabalho, diz-me que em Moçambique existem os “Portugueses” e existem os “Tugas”. Os segundos com uma atitude de superioridade, frustrações e pouca abertura a uma cultura diferente, dificultam o investimento, dedicação, simpatia e credibilidade dos primeiros junto dos moçambicanos.

Por sua vez, em conversa com um moçambicano que viveu o tempo de Lourenço Marques e na atual República Democrática de Moçambique, diz que Portugal é “pai”, é “mãe”, pois graças aos portugueses têm consigo a língua portuguesa. No entanto, sente ainda o sofrimento de carregar os administradores durante longas distâncias, de não poder parar e apreciar os “edifícios dos brancos”, de só poder circular na cidade durante o dia e, mesmo nos seus bairros nos subúrbios, apenas até às 21.00h, pois no dia seguinte era dia de trabalho. Recorda ainda que  um negro, mesmo tendo 50 anos, era chamado de rapaz ou rapariga, pois homem ou mulher eram só os brancos. A escola era só até à quarta classe e as conversas controladas por moçambicanos infiltrados nas ruas e nos bares, para denúncias à PIDE.

Após 40 anos da independência de Moçambique, continuam a sentir-se alguns constrangimentos e a consciência de que as abordagens devem ser cuidadas, pois tudo é ainda recente na memória de muitos com quem nos cruzamos diariamente. A comunidade portuguesa, atualmente ronda os 23.000 indivíduos, o que tem um grande impacto na economia moçambicana.

Em consequência de um ensino deficitário, são muitos os cargos ocupados por portugueses que trazem as suas famílias e por cá geram economia e movimento junto das classes mais empobrecidas. As pequenas e médias empresas são maioritariamente portuguesas e são estas que empregam grande parte da população e permitem algum equilíbrio económico e capacitação de pessoas com conhecimento.

Moçambique revela-se uma oportunidade para muitos, um país de boa gente que nos faz sentir em casa com um bom pastel de nata e um café, feijoada e até francesinha.

Ser simpático com os moçambicanos não é difícil, pois, com uma piada “desfazem-se” em gargalhadas contagiantes e a empatia cresce. Transpiram o gosto pelo futebol, pela cerveja e pelo convívio!

A festa portuguesa organizada todos os anos para celebrar o dia 10 de junho, tem um grande impacto na cidade, acontecendo na Escola Portuguesa e aberta a toda a população, para que todos possam conhecer a gastronomia portuguesa, as empresas e a cultura musical. Artesãos moçambicanos são convidados a estarem presentes com os seus trabalhos para que possam ser apreciados e assim unirmos as duas culturas.

À comunidade portuguesa resta continuar um trabalho paciente e dedicado, de mostrar que não está cá para, novamente, extrair recursos como na época do colonialismo, mas sim para investir no desenvolvimento do país e acima de tudo, investir nos moçambicanos, para que estes não se sintam à margem do próprio país como um dia se sentiram.

 

Responsabilidade Social e Ambiental na entidade de acolhimento

Catarina de Matos Martins | C20

Sotubos – Tubos de Moçambique, LDA

Maputo, Moçambique

 

A Sotubos – Tubos de Moçambique, LDA é uma das empresas que constituem o Grupo Alves da Silva.

 

Atualmente é uma das principais referências em Moçambique no que diz respeito à comercialização de todo o tipo de tubos, acessórios e materiais para canalização de água e gás, artigos sanitários, climatização, rega, materiais para construção civil e obras públicas. Assume, assim, uma posição forte no mercado, fruto do trabalho desenvolvido ao longo dos seus 20 anos de existência naquele país. Por terem uma presença tão forte no mercado e por atuarem num dos países menos desenvolvidos do mundo, o papel que as empresas do grupo desempenham na sociedade em que estão inseridas torna-se ainda mais importante. No âmbito da responsabilidade social, a empresa possui um programa anual de patrocínios e apoios sociais que ajudam a combater algumas dificuldades com que as instituições e/ ou entidades se deparam diariamente. E os seus apoios são em áreas tão diversas como o desporto e obras sociais: a Académica de Maputo e o judoca Edson Madeira, a Casa do Gaiato e a Fundação Malangatana são alguns exemplos disso mesmo. Quer seja através da doação de bens, quer pela entrega direta de valores monetários, a contribuição dada pela empresa certamente ajuda a melhorar um pouco as condições das instituições a quem doa, bem como as daqueles que por elas são apoiados.

 

Dentro da responsabilidade social, ainda que de forma indireta, existe uma outra área que assume elevada importância para o grupo e o meio em que se insere: a responsabilidade ambiental. Além da revenda de artigos, a empresa dedica, desde 2014, uma parte do seu plano de negócios também à produção, fabricando essencialmente tubos e acessórios em PVC, Polietileno e Polipropileno. Todo este processo de fabrico é feito de forma sustentável, através de uma política de desperdício zero em que tudo é reciclável e reutilizável. Os resíduos emitidos são tratados, bem como todo o material que tenha na sua composição PVC, Polietileno e Polipropileno e apresente algum defeito (que invalide a sua comercialização), é reaproveitado nos planos de produção seguintes.

 

Mesmo antes do início da sua atividade, a fábrica foi alvo de um Estudo Ambiental que ajudou a comprovar a sua aptidão para produzir com reduzido impacto ambiental para o seu meio envolvente. Apesar das boas práticas já implementadas na empresa, há ainda muito a fazer no que diz respeito aos temas da responsabilidade social e ambiental. A própria cultura moçambicana ainda não está totalmente sensibilizada para estes assuntos, pelo que será de extrema importância cada vez mais empresas implementarem nas suas políticas internas pequenas práticas que ajudem a sensibilizar, não só os seus colaboradores, como a própria sociedade.

 

Num país como Moçambique, cujo potencial de crescimento é enorme, um pequeno passo poderá fazer toda a diferença no sentido de um desenvolvimento sustentável, tanto a nível social como ambiental.

 

 

(Foto) Reportagem sobre o quotidiano de um Inov na Mozago - Moçambique
 
André Baltazar Silva
Mozago Lda. | Maputo
Moçambique
 
 
MAPUTO
 

Vista da baía de Maputo

Maputo é a capital e a maior cidade da República de Moçambique. Situada no extremo sul do país, junto da fronteira com a África do Sul e Suazilândia, é o principal centro financeiro, corporativo e mercantil do país. O município tem uma área de 346,77 quilómetros quadrados e uma população com mais de 1 milhão de habitantes. Contudo quando se engloba a sua área metropolitana, como a cidade da Matola e Boane, atinge-se uma população de 1,7 milhões de habitantes.
 
 
MOZAGO Lda.
 
A Mozago Lda. é uma pequena-média empresa de Moçambique, fundada no ano de 2012, cujo principal ramo de atuação é a Construção Civil. Focada no setor que aposta na construção e remodelação de escritórios, espaços comerciais, agências bancárias e edifícios de habitação, foi uma empresa que ganhou rapidamente um elevado know-how e importância neste mercado de Moçambique.
 

Avenida de Angola - Localização da sede da Mozago Lda.
 
A sua sede situa-se na movimentada Avenida de Angola, nos arredores da cidade de Maputo, sendo uma zona predominantemente industrial que permite ter um acesso facilitado à obtenção de materiais e/ou equipamentos. 
 
 

 
Receção dos escritórios da Mozago Lda.
 
A sede da Mozago Lda. na Av. de Angola caracteriza-se por aglomerar as várias áreas constituintes da empresa, administração, produção, financeira, orçamentação e armazenagem de material.
 

 
Open space da Mozago Lda.
 
Os seus escritórios são amplos locais de trabalho, num open space com várias ilhas e distintas zonas de trabalho, o que permite uma boa comunicação e troca de ideias na execução de um determinado projeto.
 
 
MOZABANCO BAIRRO DO JARDIM
 
Como referido anteriormente, um dos principais pontos de atuação da Mozago Lda. é a construção de agências bancárias, e assim, fui inserido na construção da agência do Mozabanco do Bairro do Jardim em Maputo.
 

 
 
Vista sobre o Bairro do Jardim em Maputo
 
O Bairro do Jardim, nome devido à proximidade com o Jardim Zoológico da cidade de Maputo, é um bairro que fica na zona suburbana da cidade, caracterizando-se por ser uma zona industrial e algo subdesenvolvida.
 

 
Obra da agência bancária do Mozabanco do Bairro do Jardim
 
Esta obra decorreu durante um prazo de execução de 3 meses, e caracteriza-se pela construção de fundações e toda a estrutura em betão armado do edifício. Com uma área de implantação de 780 metros quadrados e com 420 metros quadrados de área útil, é uma das maiores agências do Mozabanco na cidade de Maputo.
 

Fachada principal da agência
 
 
  
 
Execução da sanca de iluminação em Z
 
 
Sanca de iluminação em Z concluída
 
Durante a fase de execução de obra ocorreram algumas situações particulares, com mais e menos gravidade, que me fizeram perceber melhor o quotidiano e funcionamento da cidade de Maputo e dos seus habitantes.
 
A primeira de alguma gravidade foi a entrada pelo estaleiro de obra de um autocarro, ou aqui mais conhecido por machibombo, que destruiu postes elétricos, vedações e alguns equipamentos que se encontravam nesta zona.
 

 Acidente com machibombo no estaleiro de obra
 
As causas do acidente estiveram relacionadas com provável excesso de velocidade e a não paragem num sinal vermelho. Apesar do aparato causado, não existiram feridos graves.
 

Acidente com machibombo no estaleiro de obra
 
Outra situação particular ocorreu durante a execução de uma pequena betonagem em obra quando terminou o stock de cimento. Assim, foi necessário pedir a um dos vários "tchova-tchova" que percorrem esta zona para ir até ao fornecedor mais próximo e comprar algumas sacas de cimento para se conseguir concluir a betonagem.
 

Tchova-tchova a entregar cimento na obra
 
Em suma, estes últimos meses tem sido uma aventura diária e constante, em termos profissionais e pessoais, numa realidade tão diferente da que existe em Portugal, que me tem permitido crescer e aprender em cada nova descoberta.
 
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