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(Foto) Reportagem sobre o quotidiano de uma INOV no Reino Unido

Joana Silva | C20

Logoplaste | Coleford

Reino Unido

 

Com a finalização do meu curso decidi que queria viver uma experiência internacional que me enriquecesse tanto a nível pessoal como profissional.

Para a realização deste objetivo, resolvi então concorrer ao Inov Contacto pela AICEP. No entanto, quando concorri não sabia se seria selecionada, muito menos qual o país ou empresa que me iria acolher, caso o fosse. Contudo, após várias fases de seleção, chegou o tão desejado e-mail, tinha sido finalmente aceite e no final do campus a notícia…Logoplaste, Reading.

Não podia ter ficado mais contente, uma vez que sou da área de Engenharia de Polímeros, nada melhor que uma empresa que trabalha no setor de transformação de plásticos para me acolher nestes seis meses de estágio.

A Logoplaste foi fundada em 1976 em Portugal e é, hoje em dia, apontada com frequência como um caso de sucesso. A empresa foi pioneira no sistema “in-house” que consiste na instalação da fábrica junto do cliente, formando uma unidade integrada e assegurando uma das fases do processo produtivo.

Atualmente, a Logoplaste encontra-se presente em 16 países com um total de 62 unidades produtivas.

 

Uma empresa, vários estágios!

Neste momento, a Logoplaste proporcionou-me o contacto com duas realidades distintas, trabalhar nos escritórios em Reading e numa fábrica em Coleford, na qual me encontro neste momento.

A fábrica em Coleford que iniciou funções em 2010 trabalha atualmente em parceria com a LRS (Lucozade Ribena Suntory). A LRS é uma empresa japonesa que produz duas das marcas mais vendidas no Reino Unido, Lucozade e Ribena.

 

LRS (Lucozade Ribena Suntory).

Coleford é uma pequena cidade comercial com cerca de 8359 habitantes, rodeada por uma vasta floresta, Forest of Dean.

 

Centro da Cidade de Coleford.

Uma das experiências mais marcantes, até agora, nesta minha curta estadia por Coleford foi o tempo/clima. Tanto está um dia lindo de sol, ideal para um lanche no jardim, como no dia a seguir já está a chover ou até mesmo a nevar. Mas nada como ter um guarda-chuva sempre pronto na mochila para estas ocasiões.

 

 

Dia-a-dia de uma INOV na Logoplaste em Coleford

Um dia normal começa pelas oito horas da manhã, altura em que chego à Logoplaste de carro com a minha colega de casa e trabalho, cujo nome também é Joana. Após a passagem do cartão pela porta de entrada, lá seguimos para os balneários femininos para vestir a camisola da Logoplaste, seguido por uma paragem pela cantina para fazer um cafezinho, ou no caso da Joana, um chá.

 

Porta de entrada da Logoplaste.

 

Entrada da Logoplaste.

 

As Joanas.

De seguida, dirigimo-nos para o Departamento da Qualidade, o nosso local de trabalho, o qual partilhamos com mais dois colegas, o Mike e o Alan. Como somos duas pessoas com o mesmo nome, no mesmo departamento, os nossos colegas de trabalho acharam por bem, que alguém devia ter uma alcunha. E foi assim, que o meu nome Joana passou a ser J2O.

 

Alan (em pé) e o Mike (sentado).

Normalmente a semana é iniciada com um bolo, designado de Monday Cake, em que alguém traz um bolo para ajudar a começar bem a semana, e terminada com uma reunião às sextas-feiras, Quality Assurance Meeting. Após várias tentativas de reuniões em diferentes dias, reparámos que a boa disposição sentida às sextas-feiras ajuda na resolução dos problemas deparados nessa semana e na elaboração de um plano de tarefas para a semana seguinte.

 

Monday Cake.

 

Quality Assurance Meeting.

Todos os dias existe uma hora que é dedicada ao almoço. Felizmente, na Logoplaste existem duas opções, trazer a refeição preparada em casa ou comprada num supermercado, e comer na cantina da Logoplaste ou então, almoçar no refeitório da LRS a preços bastante acessíveis. Com 2£ faz-se uma bela refeição, com direito a prato principal e sobremesa.

No meu caso, desde que arranjei casa comecei a trazer a minha própria comida e a almoçar na cantina da Logoplaste, que dispõe de frigorífico e micro-ondas, com os meus colegas de trabalho.

 

Cantina da Logoplaste.

Depois de um dia de trabalho intenso, nada como fazer as compras para o jantar e/ou pequeno-almoço e apanhar o autocarro para casa. Viagem curta, uma vez que moro a 2 milhas do centro, mas com um belo cenário.

 

Vista do autocarro.

Nos fins-de semana, aí é que se conhece verdadeiramente Coleford.

Puzzlewood, lugar lindíssimo no meio da Forest of Dean, que serviu de local para filmagens de alguns episódios da séria televisiva Merlin, Doctor Who, Atlantis, assim como para o filme Star Wars: The Force Awakens.

 

 

Symonds Yat, pequena vila situada na Forest of Dean, ideal para canoagem ou até mesmo para conviver nos pubs em frente ao rio Wye. Já, o Symonds Yat Rock, proporciona uma vista fantástica do rio e com alguma sorte é possível ver algumas aves de rapina.

 

Symonds Yat.

 

Symonds Yat Rock.

Forrest Warrior, uma corrida cheia de obstáculos na Floresta. Para os mais aventureiros e com uma boa condição física, esta é uma das atividades que recomendo a fazer. Na foto, a probabilidade de encontrar uma Joana é elevada, infelizmente não sou eu, mas sim a minha colega de casa e trabalho. No próximo, se tiver oportunidade, faço-lhe companhia.

 

Mais do que diferentes lugares, as viagens são feitas de pessoas!

 

Inov em Coleford.

 

Inovs em Londres.

 

Inovs em Brecon Beacons.

 

Inovs em Tenby.

 

Inovs em Manchester.

 

(Foto) Reportagem - “Portugal no Mundo” - São Paulo

METRO Arquitetos | São Paulo

Brasil

Introdução

No contexto do programa Inov, surgiu a oportunidade de olhar com outros olhos para a cidade de destino, São Paulo. Tendo como formação a arquitetura, foi interessante estar atento às relações de uma presença portuguesa com as vivências da multiculturalidade diversa que existe.

A cidade que me acolhe é São Paulo, outrora uma pequena região, que foi ganhando um carácter empresarial ao longo dos tempos, e que hoje é conhecida quase como um centro de negócios. Muitos dizem que é a capital brasileira disfarçada.

Como todos os outros “embaixadores portugueses” fui mais um, mas desta vez com um olhar diferente. Tudo se resume a um momento e a um contexto, tal como em Arquitetura. Mais do que ver, acredito que vale a pensar naquilo que se observa.

Arquitetura são as relações entre uma sequência de espaços construídos, resultado disso, e criadas pelas pessoas, resultam as atmosferas – com um carácter diferente mas de relações, o movimento gastronómico também as cria.

Assim gastronomia é o meu “retrato” de São Paulo, relações entre Portugal/ Brasil à mesa. Por norma e como bom português, todas as iguarias ditas portuguesas, foram partilhadas por colegas de escritório e agora amigos.

 

Depois de um dia de trabalho, entrega de projeto entre outras peripécias normais de escritório de arquitetura, falei com todos os colegas de escritório e convidei-os para uma noite de conversa e convívio com os portugueses que vivem comigo, pastéis de belém foi o mote da noite. A Manteigaria é considerada um oásis do açúcar na Avenida Paulista, os pastéis de nata são a atração portuguesa. Contudo existem também outras bombas calóricas de fazer água na boca neste clima tropical.

Sardinhas –Cantinho do Português – Vila Buarque, São Paulo

 

Festas Juninas em São Paulo, despertam o interesse brasileiro em conhecer o que há em Portugal.

Explico aos colegas de trabalho, durante o almoço, o significado dos Santos e a forma como eles tomam conta da cidade de Lisboa. Ao lado do escritório, está o Cantinho do Português, restaurante português onde a “galera” sujou as mãos numa valente sardinhada em cima de um típico pão português. Foi a partir daquele prato que descrevi toda a quadra festiva que tem a sardinha como emblema.

Francesinha – Casa de Portugueses – Pinheiros, São Paulo

De norte a sul do pais a juntar pessoas à mesa, desta feita, foi hora da francesinha. Os colegas brasileiros depois de tanto perguntarem o que era aceitaram o convite de uma das portuguesas e foram experimentar a tentação secreta da cidade do Porto. Tudo para fazer acontecer este tão conhecido prato português, comprado em São Paulo.

Mais uma vez os colegas brasileiros foram recebidos, como acontece sempre por qualquer português em qualquer parte do mundo.

Azeite Galo – Casa de Portugueses – Pinheiros, São Paulo

 

Um dia ao almoço, com estranheza noto que algo sabia a Portugal, aquele sabor intenso não sabia de onde vinha. Até que um colega brasileiro vira a garrafa de azeite, e no meio da República, centro de São Paulo, leio Azeite Galo. Encontrar um produto tão português e fabricado na minha terra, bem longe de Portugal, foi como matar saudades. Por conhecimento familiar expliquei todo o processo do azeite aos colegas de escritório. A partir de agora sabem como se fabrica o azeite.

Mais tarde, em conversa com o dono do restaurante ele disse que “não vale a pena inventar” nem ter um qualquer, ele só usa o azeite galo porque sabe que é sempre um gosto garantido.

Arroz doce – Restaurante Santa Isabel – República, São Paulo

 

Conhecido por estar em todas as festas, o arroz doce é uma entidade bem portuguesa. Um legado tradicional que alegra o final do almoço dos colegas brasileiros, sem esquecer a canela. No Restaurante Santa Isabel, em pleno centro da cidade de. Contudo, para que os clientes saiam com um sorriso, nada melhor do que um doce bem lusitano, seja ele quente, frio, com canela ou leite condensado.

Pastéis de Nata – Bacalhau do Tuga – Arraial do cabo, Rio de Janeiro

 

Mais um toque português em terras brasileiras, desta vez, fora do estado de São Paulo, contudo foi partilhado com amigos paulistas. Mais um momento doce e alegre graças ao pastel de nata.

O Bacalhau do Tuga é um Restaurante bem português que fica em Arraial do Cabo, Rio de Jan. Tem de tudo para fazer lembrar e matar saudades da comida portuguesa. Uma receção digna de Português!

  

Vinho Herdade do Esporão– Supermercado Pão de Açúcar – República, São Paulo

Vinha da Herdade do Esporão, o único dos exemplos gastronómicos que não saiu de fora da embalagem, neste caso da garrafa e também da loja. Um precioso bem português e também merecidamente caro, em terras brasileiras. Qualquer brasileiro sonha em ter esta companhia durante um jantar, até mesmo ao almoço.

Encontrei este exemplar num supermercado, ao lado do escritório onde trabalho. Uma cadeia de supermercados bem conhecida em todo o Brasil.

Bacalhau – Supermercado Pão de Açúcar – Higienópolis, São Paulo

 

Diz o ditado que há mil e uma formas de o fazer, o bacalhau é visto como o ouro português no Brasil. Num sábado, lá em casa decidimos juntar todos os colegas brasileiros para um festim à moda portuguesa, o bacalhau como personagem principal e animado com o nosso famoso fado.

Café Delta –Casa de colega brasileiro – Jardins, São Paulo

 

Café Delta, um produto com uma excelência e um percurso muito bons, dos melhores produtos nacionais. Curiosamente num dos jantares com os colegas brasileiros, encontrei este clássico contemporâneo estacionado no balcão da cozinha.

Vinho do Porto – “Lá em casa” – Consolação, São Paulo

 

O famoso vinho do Porto, tão importante como a bandeira nacional é já um marco de sabor, dentro e fora de fronteiras portuguesas. Este foi uma oferta com a qual os próprios portugueses se brindaram.

 

(Foto) Reportagem sobre o quotidiano de um Inov na Empresa de Acolhimento‏
 

Sara Veiga |C20
Genentech Inc.| South San Francisco
Estados Unidos da America

 

Esta foto reportagem surge no âmbito do estágio INOV Contacto, no qual dou a conhecer o dia-a-dia na minha empresa de acolhimento, a Genentech.

 

A little bit of history…

A Genentech é uma das mais antigas e mais bem-sucedidas empresas de biotecnologia do mundo. Foi fundada em 1976 pelo venture capitalist Robert A. Swanson e pelo bioquímico Herbert Boyer. Boyer é considerado um dos pioneiros na área do DNA recombinante, tecnologia que deu inicio à revolução na biologia e esteve na base da criação da Genentech, a primeira empresa a produzir uma proteína humana num microrganismo e a a produzir com sucesso insulina humana em laboratório.

Em Março de 2009 a Genentech passou a fazer parte do grupo Roche, mas com os departamentos de Research e Early Development a operar como um centro independente dentro da Roche.

Em Março de 2015, a revista Fortune nomeou a Genentech uma das “100 Best Companies to Work For” pelo 18º ano consecutivo.

A Genentech tem vários campus espalhados pelo País, mas o campus em South San Francisco serve como headquarters de todas as operações farmacêuticas da Roche nos EUA. E é neste campus, no edifício 12 da DNA Way que eu me encontro a realizar o meu estágio INOV.

 

 

Herbert Boyer e Robert A. Swanson, fundadores da Genentech

Entrada do edifício 12 da Genentech

 

Day by day

O meu dia começa habitualmente pelas 8h30 da manhã, hora em que chego de shuttle à Genentech. A empresa tem shuttle gratuito a partir para a estação de Caltrain de Milbrae e shuttles com passe para vários locais da Bay Area, os chamados GenenBus.

 

 

Shuttle gratuito do campus de South San Francisco de e para a estação de Caltrain de Milbrae

Genenbus faz a ligacao entre o campus de South San Francisco e vários pontos da East Bay

 

Após chegar à minha secretária, ponho-me a par dos e-mails da empresa e vejo o calendário de tarefas para o dia. A Genentech tem uma oferta enorme de seminários e palestras, aos quais qualquer pessoa pode comparecer, e nos dias em que estou com menos trabalho e os temas me parecem interessantes tenho por hábito assistir.

 

Secretária onde passo parte do meu tempo na Genentech

 

O grupo em que estou inserida serve de suporte técnico à Genentech e produz todos os vírus utilizados por todos os grupos de investigação da empresa. Está inserido no departamento de Biologia Molecular e também tem um projecto na área da oncologia.
O meu trabalho no dia-a-dia divide-se entre estas duas áreas. Em algumas semanas tenho trabalho contínuo no Virus Lab, seja produção de vírus ou controlo de qualidade e função dos mesmos, mas geralmente todos os dias realizo varias técnicas de biologia molecular de apoio ao projeto de oncologia.

 

É no Virus Lab que se realizam estudos relacionados com vetores virais e este também fornece serviços para os investigadores da Genentech

 

Laboratório no edifício 12 onde realizo parte do trabalho de investigação

 

O meu grupo é muito pequeno, só tenho contacto permanente com duas pessoas, mas na Genentech conheci várias pessoas de outros laboratórios, sempre prontas a mostrar-me novas técnicas ou esclarecer dúvidas referentes aos seus projectos.

Geralmente a minha hora de almoço é por volta das 12h30, e almoço quase todos os dias com outra estagiária INOV na Genentech. É raro verem-se grupos de pessoas a almoçar na empresa, a não ser em seminários ou reuniões, pois geralmente as pessoas têm um dia-a-dia bastante frenético e não perdem demasiado tempo com o almoço.

Quando está bom tempo, optamos por comer no pátio, com a maravilhosa vista para a baía.

 

Pátio com vista para a baía

 

A Genentech tem uma cantina fantástica, com uma oferta variada: asiático, mexicano, italiano e um cheeseburger no grill m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o. De 15 em 15 dias tenho lab meeting com as duas pessoas do meu lab e nesse dia o almoço é oferecido pela Genentech, e posso escolher o que quiser da cantina para almoçar.

Depois do almoço, que dura cerca de 30 minutos, eu e a outra estagiária retomamos as nossas tarefas para o dia. Geralmente às quintas-feiras temos a reunião do departamento, à qual temos de comparecer. Pode ser uma palestra de alguém de fora da Genentech, ou pessoas dos laboratórios do departamento, que informam as restantes pessoas do trabalho que estão a realizar e os resultados que obtêm.

Por vezes conseguem-se encontrar snacks pelos vários espaços de convívio dos pisos dos edifícios e qualquer pessoa esta à vontade para se servir, e fazer uma pausa a meio da manhã ou da tarde.

Durante o tempo que aqui estive, tive a sorte de poder assistir à aprovação de dois fármacos da Genentech, o Venclexta e o Tecentriq, por parte da U.S. Food and Drug Administration (FDA). Nestas ocasiões, a Genentech tem por hábito oferecer um miminho aos trabalhadores, por exemplo, gelados e hamburgers, e tem também uma tradição muito gira em que os trabalhadores se reúnem nos pátios dos edifícios e tocam sininhos, à la Wall Street, para anunciar a aprovação do novo fármaco.

 



Sininho com as fitas dos medicamentos da Genentech aprovados até Junho de 2016

Por volta das 17h30-18h chega a hora de ir para casa. Apanho novamente o shuttle da Genentech para a estação de Caltrain e dou assim por encerrado o meu dia na empresa.

The thank you

A Genentech é uma empresa muito empenhada em agradecer aos trabalhadores e em contribuir para a comunidade.

Uma vez por mês a empresa tem as famosas Ho-Ho Party uma tradição da Genentech, instituída pelos fundadores, que são geralmente festas temáticas para promover o convívio entre colegas.

 

Ho-Ho Party Mexicana

 

Todos os anos a empresa tem uma iniciativa de caridade chamada Genentech Gives Back, que é organizada durante uma semana no mês de Junho. Durante esta semana a empresa recolhe fundos para a caridade e incentiva os trabalhadores a voluntariarem-se em organizações sem fins lucrativos locais ou nacionais. O lema é “Work Hard, Play Hard, Give Back”.

 

Genentech Gives Back Week

 

Mas o grande “Thank you” vem sobre a forma de um concerto totalmente gratuito realizado no AT&T park (o estádio de basebol dos San Francisco Giants), inserido na iniciativa Give Back. Durante um dia, a Genentech aluga o estádio,todos os empregados e familiares são convidados a juntar-se num convívio que inclui comida, bebida, e três bandas surpresa, que são mantidas em complete segredo até os artistas aparecerem no palco. Em 2015 os artistas convidados foram a Katy Perry, os Imagine Dragons e o Ja Rule. Neste momento o grande burburinho é quem serão os convidados deste ano, pois como também se celebram os 40 anos da empresa, toda a gente está a apostar em bandas históricas. Dia 18 de Junho ficaremos a saber.

O dia-a-dia na Genentech é muito variado e muito trabalhoso. Mas poder ter a oportunidade de estar inserida numa empresa com toda esta história e impacto na indústria farmacêutica é um privilégio tremendo e uma experiencia bastante enriquecedora que tenciono continuar a aproveitar da melhor maneira.

 

Início da 1 DNA way

 

O quotidiano de uma iNOV na entidade de acolhimento – SYLENTIS, Madrid

Michéle Horta | C20
Sylentis | Madrid
Espanha

 

O quotidiano de uma iNOV na entidade de acolhimento passa por diariamente aprender tudo o que pode, não só na sua área de carreira, mas também como ser humano. 

 

A chegada a esta empresa, a Sylentis (Fig. 1), foi a chegada a uma equipa que trabalha em uníssono para atingir os seus objetivos. E para isso há interajuda, principalmente para com os recém-chegados, que são acolhidos como se já da equipa fizessem parte desde o primeiro dia.

 

Figura 1 - Logótipo da empresa Sylentis visível na entrada do laboratório.

 

A Sylentis é uma empresa farmacêutica dedicada à investigação e desenvolvimento de medicamentos, com base numa tecnologia inovadora que utiliza RNA de interferência, para o tratamento e prevenção de doenças com impacto na sociedade. Esta empresa é relativamente recente, tendo sido fundada em 2006 e estando inserida na companhia Pharma Mar S.A. Os seus laboratórios estão atualmente localizados no PTM (Parque Tecnológico de Madrid) em Tres Cantos (município situado a 22 km do norte de Madrid), mais propriamente na S2B (Science to Business) (Fig. 2 e 3).

 

Figura 2 - Edifício da Science to Business em Tres Cantos, onde estão  localizados os laboratórios da Sylentis.

 

Figura 3 - Porta de entrada para o laboratório.

 

O quotidiano desta organização passa por trabalhar em equipa para atingir os objetivos da empresa, contribuindo assim para o avanço da ciência e qualidade de vida de pacientes. As suas principais áreas de investigação focam-se nas doenças oculares, inflamatórias ou doenças do foro do sistema nervoso central.

 

O meu dia começa cedo.

A viagem entre casa e o trabalho dura cerca de 45min a 1h, pois para chegar a Tres Cantos é necessário apanhar o metro e seguidamente o comboio, o cercanías (Fig. 4).

 

Figura 4 - Linhas de comboio na estação de Chamartin observadas através da janela do cercanias.

Esta é a opção mais rápida e confortável, no entanto também existe a hipótese de fazer o percurso de autocarro.

O horário praticado no laboratório é flexível. Por norma a entrada é entre as 8 e as 9h (excepto à sexta) e a saída entre as 17.15 e as 18.15. À sexta-feira o horário é mais curto iniciando-se às 8h e terminando às 14.35 (Fig. 5).

 

Figura 5 - Paisagem observada através da janela do laboratório em Tres Cantos pela manhã (nascer do sol).

Pela manhã, ao chegar ao laboratório, começa-se por organizar entre todos a disponibilidade dos aparelhos a serem necessários nesse dia (Fig. 6). Assim, é possível todos trabalharem, sem se atrapalharem e prosseguirem os seus estudos.

 

Figura 6 - Alguns dos aparelhos utilizados (Termocicladores em tempo real) nos estudos realizados no laboratório da Sylentis. Zona de qPCR.

É necessário organizar o material que se irá utilizar e verificar as culturas celulares, nomeadamente o seu crescimento e morfologia, para proceder à sua utilização nas investigações, como é o caso das transfecções. Verificam-se ainda protocolos, elaboram-se folhas de excel com os cálculos necessários de reagentes e a identificação do material biológico (Fig. 7).

 

Figura 7 - Câmara de fluxo e material de laboratório utilizado diariamente na sala de cultivos celulares.

Durante o dia e ao longo da semana são desenvolvidos os trabalhos de investigação da empresa (Fig. 8). À quinta-feira, é feita a reunião com a responsável onde são apresentados os trabalhos desenvolvidos, resultados obtidos e existe a discussão dos mesmos. É feita uma análise mais intensiva dos resultados pela responsável podendo posteriormente indicar se existe a necessidade de repetição de algum dos estudos.

 

Figura 8 - Microscópio óptico para observação de culturas celulares.

Às sextas-feiras, o dia da semana mais curto, geralmente é um dia utilizado para terminar algo que não tenha sido finalizado, repetir alguma parte dos estudos, ou fazer a análise dos mesmos. É também neste dia que são por norma comunicados os planos de trabalho semanais a serem realizados na semana seguinte. Com este plano é possível delinear o que fazer ao longo dos dias dessa semana.

 

Em qualquer altura, se tivermos dúvidas ou se ocorrer algum problema, há sempre alguém que está ali para nos ajudar a ultrapassar qualquer barreira que possa surgir.

 

Mas nem só de trabalho vive o homem. O convívio entre as pessoas também é uma constante. Os almoços decorrem na cantina que ali existe no edifício do S2B, estando esta equipada com máquinas de venda automática, frigoríficos e micro-ondas, que podem ser utilizados pelos funcionários das empresas ali presentes. Estes momentos são aproveitados para descontrair, conhecer um pouco mais sobre os colegas que ali trabalham, sendo que por vezes existe aquela curiosidade sobre Portugal, sobre nós e vice-versa. No entanto, algumas vezes o grupo (do laboratório de biologia e química) aproveita e sai para almoçar fora em restaurantes próximos do parque, disfrutando um pouco da gastronomia local (Fig. 9).

 

Figura 9 - Alguns dos pratos da gastronomia local de Tres Cantos. Entre eles, destaca-se o "rodizio de arroces" e os "huevos rotos".

É nestas alturas que conseguimos também aquelas dicas de locais a visitar na cidade e arredores, onde se pode comer bem (barato de preferência) e festividades locais a não perder (Fig. 10, 11 e 12). Uma rede social à moda antiga!

 

Figura 10 – Lago artificial do parque do Retiro. Um dos símbolos de Madrid, mandado construir pelo rei Filipe IV. Neste existem cerca de 8000 peixes.

Figura 11 - Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial, construída entre 1563 e 1584. O complexo é constituido pelo palácio real, a basílica, um cemitério, uma biblioteca e um mosteiro. Está localizado na cidade de San Lorenzo de El Escorial em Madrid.

Figura 12 - Palácio Real de Aranjuez, uma das residências da Família Real espanhola. Está localizado junto às margens do rio Tejo, no município de Aranjuez (Madrid).

No regresso ao laboratório, para a segunda metade do dia, há que meter as mãos ao trabalho e aproveitar o tempo que falta para finalizar o que estamos a fazer, adiantar o que se pode para o dia seguinte, ou mesmo fazer o que seja necessário no laboratório, como é o caso de repor o stock de material. Porque um INOV faz de tudo um pouco! A rotina laboratorial inclui de tudo, desde a limpeza do laboratório à reposição e verificações de stocks, entre outras tarefas.

Mas quando se trabalha por gosto e no que se gosta, os dias passam a correr e não existem sacrifícios. Como diz o provérbio popular: Quem corre por gosto, não cansa!

E, trabalhar aqui, de sacrifício não tem nada, pois é com um sorriso no rosto e com vontade, que no dia seguinte se vem trabalhar para mais um dia! E é graças a esta equipa e ao INOV que isto acontece e tornou-se nesta maravilhosa oportunidade.

Por isso só resta dizer: Muito obrigada!

 

(Foto) Reportagem sobre o quotidiano de uma INOV na entidade de acolhimento - Innoflair, Alemanha

Joana Carvalho | C20

Innoflair | Darmstadt

Alemanha



O meu nome é Joana, tenho 23 anos e sou de Leiria. Sou licenciada em Comunicação Multimédia e tenho estado ligada ao webdesign desde que terminei o meu curso. Concorri ao programa INOV Contacto na esperança de “dar o salto” e ganhar mais experiência na minha área, visto que só estive em contexto de trabalho aproximadamente um ano e seis meses. Posso dizer que durante todo o processo, apesar de este ter funcionado muito bem, estava sempre presente um enorme sentimento de ansiedade. Toda aquela expetativa fazia com que não pensasse em mais nada até saber ao certo o que iria acontecer daí a seis meses.

 
Chegou a altura do campus e fui informada de que iria para a Alemanha, mais concretamente para Darmstadt, trabalhar numa empresa chamada Innoflair. Não tinha qualquer informação sobre a cidade nem tão pouco sobre o local onde iria realizar o meu estágio, mas isso não me fez perder o entusiasmo e estava preparada para a aventura.

 

Mapa Leiria - Darmstadt

Localização e distância entre Leiria e Darmstadt

 

Primeira pesquisa Google após o campus: “Darmstadt” - a preparação é essencial!
Ora Darmstadt é uma cidade no estado de Hessen na Alemanha, situada a aproximadamente 35km de Frankfurt. É uma cidade universitária onde atualmente habitam cerca de 150 000 pessoas.

Fiquei bastante satisfeita com a cidade para onde ia e ainda mais tranquila quando soube que iriam mais três “INOVs” comigo.

 

 
Darmstadt
Cidade de Darmstadt
 
 

Grupo INOVs C19 e C20

Grupo INOV C20 e João Matos (INOV C19)

 
 

Quando chegou à altura de me informar sobre a empresa comecei a ficar um pouco mais receosa. A Innoflair é uma empresa especializada no desenvolvimento de software utilizado na indústria espacial. Como eu estava a sair de uma agência de comunicação comecei a pensar que talvez teria sido mal colocada, embora confiar no processo de recrutamento do INOV.

 


Roll-up Innoflair

Roll-up com a descrição dos serviços da empresa

 

 

Quando cheguei a Darmstadt apercebi-me de que afinal tudo tinha corrido bem e, embora a empresa fosse focada num nicho de mercado no qual eu nunca tinha pensado trabalhar, nem tão pouco tivesse grande conhecimento, o meu orientador (também ele ex-INOV) tinha objectivos adequados ao meu perfil, ou seja, eu iria estar encarregue de desenhar o novo website da empresa e ajudar a melhorar as interfaces dos softwares desenvolvidos.

 

Dei início ao meu estágio uns dias depois de ter chegado à Alemanha. No primeiro dia conheci todos os elementos da equipa, foi-me atribuido um posto de trabalho e fiz uma pequena apresentação do meu portfólio e das minhas “skills” para que pudessemos discutir e delinear as minhas tarefas.

 

A Innoflair é uma empresa com uma cultura e ambiente muito descontraídos. Todos os atuais elementos já tinham colaborado juntos numa outra empresa e mais tarde resolveram fundar um novo projeto. Como o trabalho é muito técnico e relacionado com as novas tecnologias, alguns elementos trabalham remotos, ou seja, apesar de não estarem sempre no escritório estão a trabalhar em equipa na mesma e recorrem às tecnoclogias para comunicar entre si. No meu caso, eu estou no escritório todos os dias, normalmente das 9:00h às 18:00. Embora tenhamos os horários flexiveis, o horário da empresa são as habituais 8h diárias e eu optei por fazer o mesmo horário dos elementos que estão comigo no escritório.

 


despertador

7:40h, são horas de começar o dia!

 

 

cafe


But first, coffee

O meu quotidiano na empresa não difere muito do que eu já estava habituada a fazer quando estava a trabalhar em Portugal. Após chegar pela manhã, discuto brevemente o ponto de situação do trabalho que estou actualmente a desenvolver e definimos algumas metas para o mesmo. Como estou encarregue de desenhar interfaces, todo o meu trabalho é feito maioritáriamente no computador, excepto alguns esboços e estudos iniciais.

Toda a equipa trabalha num open space, o que facilita quando alguém precisa de alguma ajuda com alguma tarefa mais complicada.

 

 


entrada Innoflair

Entrada da empresa

 

 


escritorio Innoflair

Escritório Innoflair

 

 

 

secretaria


O meu posto de trabalho durante estes seis meses.

 

Habitualmente almoçamos todos juntos, o que facilita a criação de laços entre todos.

Da parte da tarde cada um continua com o seu trabalho, que na maior parte das vezes é independente do dos restantes colegas.

 

Já passaram quase cinco meses desde que vim para Darmstadt e para a Innoflair e no geral considero uma experiência bastante positiva, quer profissionalmente como pessoalmente.

Não teria sido a mesma coisa sem os INOVs que vieram comigo, sem dúvida. Obrigada pessoas!

 

PS: Futuros INOVs, boa sorte e aproveitem!

 

grupo inov
INOVs C19 e C20 - Alemanha
 
Responsabilidade Social e Ambiental na AutoVision GmbH (Grupo Volkswagen)

Inês Pinto Borges | C20

AutoVision GmbH | Wolfsburg

Alemanha

 

A AutoVision é uma empresa de Gestão de Recursos Humanos do Grupo Volkswagen, especializada na Prestação de Serviços e Trabalho Temporário, cumprindo os exigentes requisitos das empresas clientes, profissionais com o devido potencial.

Sendo 100% subsidiária da Volkswagen AG, fornece ao Grupo um apoio essencial face aos constantes desafios da indústria automóvel, disponibilizando serviços de alto valor acrescentado e com elevados padrões de qualidade, contando para isso com a competência, flexibilidade e inovação dos seus colaboradores.

Só na Alemanha, a AutoVision emprega cerca de 10 800 colaboradores e está ainda presente em Portugal, Espanha, Bélgica, Hungria e Eslováquia.

A AutoVision GmbH, com sede localizada em Wolfsburg, trabalha lado a lado com a Volkswagen AG, vivendo assim de acordo com os valores do Grupo e adotando as suas estratégias, adaptando-as às suas próprias necessidades.

O Grupo Volkswagen é o segundo maior fabricante de automóveis do mundo, com mais de 590 mil empregados e uma produção anual que ronda os 10 milhões de automóveis. A extensa produção leva a uma necessidade contínua de garantir a sustentabilidade do Grupo em termos económicos, ecológicos e sociais.

São assim estabelecidos três importantes valores pela Volkswagen: criação de valor, inovação e responsabilidade.

1.     Responsabilidade Social

Para o Grupo Volkswagen, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) representa um compromisso de bem-estar local, muito além dos portões da fábrica. A Volkswagen está representada um pouco por todo o mundo e, dada a sua globalidade, tende a assumir um dever para com a sociedade que vai muito além do apoio de causas ou projetos pontuais.

Para além do apoio de projetos culturais e sociais, tornou-se uma forte ferramenta para impulsionar a economia e o desenvolvimento local nas regiões em que opera. O Grupo apoia perto de 200 projetos em todo o mundo, pensados para fortalecer estruturas económicas e sociais e para tentar garantir, tanto quanto possível, que os seus colaboradores, acionistas e a população local beneficiam com estas iniciativas.

 

Definindo prioridades

Para além dos projetos sociais e de educação, que surgem no topo da lista relativamente às prioridades de ação do Grupo, é recorrente a oferta de apoio imediato a vítimas de desastres naturais, promovendo paralelamente ações de voluntariado junto dos seus colaboradores.

Os projetos que o Grupo decide apoiar são escolhidos e desenvolvidos com base em princípios claramente estipulados:

·         Estes devem estar completamente de acordo com os princípios fundamentais do Grupo e surgem em resposta a um problema ou uma necessidade local ou regional específica;

·         Os projetos refletem a diversidade dentro do Grupo e no ambiente social nos quais estão inseridos;

·         Os projetos compreendem um estreito diálogo entre todas as partes interessadas e as unidades locais responsáveis pelo seu desenvolvimento e execução;

·         A gestão e supervisão de cada projeto é delegada a unidades locais.

Em Portugal, por exemplo, a Volkswagen apoia desde 2011 o projeto ATEC. Esta Academia de Formação promovida em conjunto com a Siemens, a Bosch e a Câmara de Comércio e Indústria Luso- Alemã, está presente em Palmela, onde está localizada a Volkswagen Autoeuropa, a unidade fabril da Volkswagen em Portugal.

Através da introdução de um sistema dual de formação profissional em empresas locais e ensino teórico na ATEC, o projeto ambiciona impulsionar o desenvolvimento socioeconómico da região.

Apoio às Regiões

A preocupação com o meio ambiente e a população local das regiões que ocupa, leva a Volkswagen a assumir um compromisso a longo prazo com as mesmas, reunindo os esforços necessários para manter um ambiente sustentável, onde é agradável viver, dando destaque à região e aumentando a qualidade de vida da sua população. A Volkswagen AG apoia iniciativas de crescimento regional ligadas à educação, saúde, energia, lazer e transportes.

 

Um bom exemplo disto é a cidade de Wolfsburg na Alemanha, onde é localizada a sede do Grupo e também a AutoVision GmbH. Wolfsburg AG é uma parceria público-privada entre a cidade de Wolfsburg e a Volkswagen AG, criada em 1999 para desenvolver projetos orientados para o futuro que funcionam como incentivos e iniciativas para criar oportunidades de negócio, emprego e aumentar a qualidade de vida na região de Wolfsburg.

 

Esta parceria tem-se revelado bem sucedida dado que, em 2013, Wolfsburg liderou a tabela para o crescimento económico numa avaliação realizada pela revista Wirtschaftswoche, conseguindo igualmente uma avaliação positiva em termos de receitas fiscais, produtividade e empregabilidade do sexo feminino.

 

 

2.     Responsabilidade Ambiental

Os aspetos ambientais assumem, cada vez mais, um papel de destaque nas decisões e estratégias de uma empresa, sendo imperativo adotar medidas ecologicamente sustentáveis e que assegurem a qualidade e segurança ambiental dentro e fora da fábrica.

Em 1971 foi fundado na Volkswagen o primeiro departamento responsável pela proteção ambiental. Seguiram-se anos de progresso face a esta temática, com a obtenção de certificação ambiental, de acordo com a norma internacional EN ISO 14001 em 1995, a primeira Conferência Ambiental do Grupo em 1998 e a publicação anual do relatório de sustentabilidade do Grupo desde 2005. Ano após ano têm sido adotadas novas práticas e definidos novos objetivos ambientais tendo em vista o grande objetivo do Grupo: atingir, até 2018, o auge ecológico tornando-se o número 1 do setor automóvel mundial, não só em termos económicos mas também em termos ecológicos.

 

A empresa assume a responsabilidade pela melhoria contínua da compatibilidade ambiental dos seus processos e produtos e pelo uso cada vez mais consciente de recursos naturais e energia, tendo em conta os aspetos económicos.

 

De acordo com o descrito na Política Ambiental da Volkswagen:

·         É objetivo declarado da Volkswagen restringir ao mínimo o impacto ambiental em todas as suas atividades, prestando o seu contributo para a resolução dos problemas ambientais, a nível regional e global;

·         É objetivo da Volkswagen fornecer aos seus clientes automóveis de alta qualidade satisfazendo simultaneamente as suas expectativas quanto à compatibilidade ambiental, segurança, economia, conforto e qualidade;

·         A Volkswagen investe continuamente no desenvolvimento de produtos, processos e conceitos ecologicamente eficientes;

·         Está a cargo dos responsáveis pela gestão ambiental da empresa assegurar, em conjunto com fornecedores, retalhistas, prestadores de serviços e empresas de reciclagem, que a compatibilidade ambiental dos seus veículos e instalações de produção é sujeita a um processo de melhoria contínua;

·         O Conselho de Administração da Volkswagen deve, em certos períodos de tempo, verificar que a política ambiental e os objetivos da empresa estão a ser tidos em conta e que o Sistema de Gestão Ambiental está a funcionar corretamente. Isto deverá incluir a verificação e avaliação de dados ambientais relevantes;

·         A Volkswagen deve manter-se em comunicação e partilhar informações com clientes, revendedores e com o grande público;

·         Todos os colaboradores da Volkswagen são, de acordo com as suas funções, informados, treinados e motivados em matérias de proteção ambiental. Estes têm a obrigação de implementar tais princípios e cumprir com as disposições legais e os regulamentos oficiais quando estes se aplicam às suas atividades.

 

Em suma, a responsabilidade pelo ambiente passa por produzir carros limpos em fábricas limpas. Um “carro limpo” significa muito mais do que um carro com baixo consumo de combustível; é um objetivo simples que requere uma série de operações complexas e minuciosamente planeadas ao longo de toda a cadeia de produção, desde o desenvolvimento das tecnologias à entrega do veículo.

Think Blue.

Desde o desenvolvimento do produto à produção em si, o automóvel é projetado para que possa ser produzido, conduzido e mais tarde reciclado de uma forma amiga do ambiente. Todas estas etapas são acompanhadas por especialistas ambientais que certificam que ao longo do seu ciclo de vida, o veículo alcança os melhores valores possíveis em termos de proteção do clima, da saúde e preservação de recursos. Esta abordagem é denominada Think Blue. Engineering.

Passando para etapa de produção, o objetivo é reduzir, até 2018, o impacto ambiental da produção de cada unidade em 25% comparativamente ao ano de 2010, no que diz respeito ao CO2, resíduos, emissões de solventes, consumo de água e energia – sendo que atualmente cerca de um terço da energia consumida provém de fontes renováveis. Este processo tem como nome Think Blue. Factory.

Uso e Reciclagem

A responsabilidade ambiental da Volkswagen não termina com a entrega do automóvel ao cliente.

Estão ao dispor do cliente, por exemplo, cursos de formação de economia de combustível que, ensinando a conduzir de forma sustentável, permitem reduções no consumo de combustível e emissões que podem ir até aos 25%.

Chegado o fim de vida do veículo a Volkswagen, em conjunto com um grande número de fabricantes de automóveis internacionais, estabeleceu o IDIS (International Dismantling Information System) com vista a simplificar e otimizar a reciclagem destes automóveis. Gracas ao seu design inteligente, hoje em dia os novos modelos Volkswagen podem ser cerca de 95% reaproveitados e 85% reciclados.

Uma rede europeia de instalações certificadas para a desmontagem de veículos em fim de vida aceita a devolução dos automóveis, por regra sem custos adicionais, assegurando e facilitando a reciclagem sustentável dos mesmos e reaproveitando os seus materiais transformando-os em matérias-primas de valor acrescentado.

Proteção da Natureza e da Biodiversidade

Para além da preocupação com o impacto ambiental decorrente da produção e do uso dos seus veículos, a Volkswagen apoia ainda vários projetos  relacionados com a protecção da natureza e da biodiversidade, concretamente  a recuperação de rios e paisagens em cooperação, por exemplo, com a NABU (Naturschutzbund – Associação da Conservação da Natureza e Biodiversidade).

O trabalho em todo o Grupo, incluindo na AutoVision GmbH, é diariamente realizado olhando para o futuro mas mantendo sempre uma postura responsável relativamente às pessoas, ao ambiente e à sociedade. E isto está claramente refletido na postura e nos comportamentos dos seus colaboradores, plenamente conscientes da importância dos valores adotados pela empresa, fazendo do Grupo Volkswagen uma referência no que diz respeito à responsabilidade social e ambiental.

 

Restrições à Imigração: Medidas Protecionistas e de Segurança                        Restrições à Imigração em Marrocos

Guilherme Vieira | C20

Vibeiras SA | Casablanca

Marrocos

 

Situado na ponta oeste do norte de África, Marrocos, é a única monarquia da região que transformou a sua vasta riqueza cultural num estado tolerante e culturalmente rico. A sua abordagem pragmática ao estado social e económico permitiu-lhe evitar grande parte da instabilidade que afetou os seus países vizinhos nos últimos anos.

A avalanche de reformas políticas e governamentais, levadas a cabo nos últimos anos, aliados a um ambiente comercial em rápido crescimento, têm permitido ao país estender a sua influência tanto no Mediterrâneo como no continente africano. Neste sentido, tal como afirma o Rei Mohammed VI, em declarações ao Oxford Bussiness Group, nos últimos 15 anos, o reino de Marrocos tem sido capaz de fortalecer as  credenciais democráticas enquanto reforçava as suas fundações com base num modelo de desenvolvimento económico integrado e sustentável para lançar projetos estratégicos e promover o desenvolvimento sustentável humano.

Apesar de a capital política do país ser Rabat, a maior atividade económica do país encontra-se em Casablanca. Esta é a maior cidade de Marrocos, albergando mais de 5 milhões de habitantes diariamente, entre fixos e temporários. Aliado ao seu carácter empresarial, Casablanca é também um ponto-chave no transporte aéreo, de mercadorias e passageiros, entre África e o resto do mundo. Mas, apesar disso, esta não é uma cidade onde se encontrem muitos turistas, estando estes espalhados por outros centros urbanos, tais como: Tânger, no norte do país, que tem sido desde sempre um ponto de ligação natural com a Europa; Fez, que foi em tempo a capital do reino; Marrakesh, o maior e mais popular destino turístico no reino de Marrocos situado a sul na base das montanhas do Atlas e na fronteira com o deserto; e Agadir, uma das muitas cidades piscatórias e balneares do sul do país antes do vasto deserto do Saara.

Casablanca é por isso um local de estadia temporária para muitos visitantes que se deslocam até aqui, principalmente em trabalho, e que regressam rapidamente aos seus locais de origem na Europa ou mundo.

Apesar de o árabe dominar o meio de comunicação do país, podemos ainda encontrar alguns vestígios da cultura e língua francesa, deixados pelos tempos coloniais, sendo inclusivamente esta a língua europeia mais falada. O francês é comumente usado pela comunidade empresarial, assim como a língua predileta para o ensino privado e os estudos superiores. Atualmente, o francês e o inglês fazem parte do programa escolar, desde a mais tenra idade, para que os jovens marroquinos tenham mais ferramentas para poderem abrir novas portas para o país, seja dentro ou fora das suas fronteiras.

Esta forte ligação entre França e Marrocos reflete-se também no turismo com Marrocos, a ser desde há muito um destino de férias preferido pelos cidadãos franceses. No entanto, esta ligação estreitou-se ainda mais em 2008, quando muitos cidadãos franceses se realojaram em Marrocos com vista a escaparem à grave crise financeira que afetou toda a Europa e o mundo.

Mas, França não foi a única nação a deixar aqui a sua marca, tendo eu já descoberto diversas cidades ao longo da costa atlântica, de Agadir a Tanger, que guardam ainda hoje resquícios da presença portuguesa em especial na arquitetura e no património histórico destas.

Nos últimos anos, devido à grave crise humanitária que hoje ainda testemunhamos, Marrocos, tal como os seus países vizinhos do norte de África tornou-se num dos maiores pontos de trânsito procurado por migrantes para entrada na União Europeia em procura de uma vida melhor. Por tal, Marrocos, ao contrário dos seus países vizinhos, foi o primeiro a desenvolver uma política para a migração legal, oferecendo às pessoas a possibilidade de obter residência permanente no país.

Esta política foi bastante aclamada quando estabelecida, em 2014, mas desde então diversos críticos têm afirmado que os migrantes em Marrocos continuam a sofrer abusos, assim como, a disponibilização de fracas condições de habitação e constantes realojamentos.

A proximidade geográfica de Marrocos com a Europa foi desde sempre um ponto explorado, existindo entre estes uma grande cumplicidade empresarial. A cooperação entre estas duas entidades acelerou no ano 2000, quando assinaram um acordo que estabeleceu uma área de comércio livre entre ambos. Esta cooperação foi posteriormente reforçada, com o reino de Marrocos a tornar-se o primeiro pais, fora da União Europeia, a receber o estatuto avançado dentro da política europeia, o que lhe proporcionou um acesso privilegiado aos países dentro da esfera regional europeia.

Por tudo isto, hoje em dia no aeroporto de Casablanca, é possível observar longas filas para passar na alfândega e nas quais a grande maioria das pessoas presentes se deslocam em trabalho. Não é por acaso que Portugal têm duas ligações aéreas diárias, entre Lisboa e Casablanca, que normalmente se encontram lotadas de empresários e trabalhadores que se deslocam frequentemente a Marrocos. Muitos destes trabalhadores, provenientes de todo o mundo, vêm apenas por uns dias e enquadram-se certamente dentro do grupo de 67 países, incluindo Portugal, que necessitam somente de passaporte válido mas não requerem a obtenção de visto anterior à sua chegada. Após  uma longa espera junto dos serviços de imigração, estes visitantes obtêm à chegada um visto que lhes permite permanecer legalmente no país ate 90 dias consecutivos, no máximo.

No entanto, para os outros, turistas ou trabalhadores, que necessitem de obter visto anterior à sua chegada, estes podem fazê-lo normalmente junto das diversas embaixadas marroquinas espalhadas pelo mundo. É possível permanecer mais de 90 dias em território marroquino mas, os prolongamentos de vistos, têm fama de ser processos bastantes frustrantes, morosos e burocráticos. Assim, quando necessário, muita gente considera mais eficaz realizar uma escapadela às cidades fronteiriças sob domínio espanhol, Ceuta ou Melila, de forma a renovar o visto e com ele a permanência assegurada por mais 90 dias.

Uma vez no país em trabalho, o registo e obtenção do visto de residência temporária – carta de sejours – é novamente um processo bastante moroso e burocrático mas essencial para permanecer e trabalhar legalmente no país. Para este processo é necessário possuir um contrato de trabalho válido de uma empresa registada em Marrocos, uma vez que, contratos de trabalho de empresas sediadas internacionalmente não são normalmente aceites para a obtenção da carta de sejour. Desde o início do processo até à emissão da guia provisória é um processo que demora no mínimo 3 meses sendo que o tempo até à emissão da carta definitiva não tem duração prevista.

Diferentes pessoas relatam diferentes tempos de espera com os 6 meses a ser o tempo médio mínimo. Isto acontece, pois o processo na primeira instância é tratado localmente de acordo com a área de residência e posteriormente transferido para os serviços centrais na capital, em Rabat, sem qualquer possibilidade de acompanhar o processo ou obter informação sobre o mesmo. Este é um processo já conhecido dentro da minha empresa de acolhimento que, como partilha o Engenheiro Ricardo Sousa, acaba por ser um pouco um entrave à imigração para Marrocos no sentido de que sem a carta de sejour não é possível estabelecer um negócio em Marrocos, assim como, trabalhar por contra de outrem é ilegal.

Em conversa com o diretor-geral da entidade de acolhimento, Arquiteto Francisco Peixoto, este salienta que em Marrocos a maior dificuldade da implementação de uma empresa prende-se com a diferença cultural automaticamente ligada à religião islâmica, assim como, ao elevado nível de analfabetismo da atual população ativa. No que diz respeito ao mundo empresarial, este é um mercado ainda em crescimento e, como tal, têm muita concorrência, não obstante a qualidade demonstrada.

Marrocos ainda é um país no qual as decisões são tomadas maioritariamente pelo preço mais baixo e não pela relação qualidade-preço. Esta acaba por ser um pequeno entrave à expansão comercial pois as empresas mais caras acabam por não conseguir entrar no mercado marroquino e, como tal, estabelecer-se permanentemente.

Investir em Marrocos é sempre um investimento a médio prazo no qual é necessário bastante paciência, perseverança e preço, pois os atrasos de pagamentos são constantes (prolongando-se em média até aos 8 meses) e existe ainda uma necessidade muito grande de criar uma relação humana e de conhecimento a priori de uma eventual relação comercial. Por outro lado, a legislação laboral e do direito do trabalho é totalmente a favor do trabalhador, o que pode levar a casos extremos não regulamentados penosos para as empresas e extremamente burocráticos.

Em suma, graças à sua forte ligação com a Europa e o mundo árabe, Marrocos têm os ingredientes certos para o crescimento futuro: inflação baixa, estabilidade política, base industrial, clima favorável e poucas medidas protecionistas à imigração. É por isso esperado, por vários observadores mundiais, um crescimento cada vez mais forte nos anos vindouros. Para tal, em muito contribui a já existente política e abertura ao investimento estrangeiro, mas tal não chega.

Marrocos terá que desenvolver o seu estado social e económico de modo a permitir eliminar as pequenas barreiras, não entraves, à imigração e investimento estrangeiro no país. Como tal, não é possível dizer que atualmente este seja um país que restrinja a imigração pois é certamente, entre os países africanos, o mais liberal e de fácil acesso a muitas nações mundiais.

 

Reportagem Quotidiano de um INOV C20 na Publicis, Sófia

Rui Filipe Morim Silva

Publicis AD

Sofia, Bulgaria

Não foi Copacabana, não foi Berlim nem Washington, foi Sófia, Bulgaria.

Todos sabemos o quanto pensamos no nosso próximo destino, que continente, que país; sozinhos ou acompanhados. Todos imaginamos para onde. Mas, para mim, descobrir que empresa precisaria dos serviços de um designer de comunicação conseguia ser mais importante que o país ou cidade.

A Publicis apresenta-se como uma multinacional de origem parisiense com cerca de 90 anos de existência. Espalhada ao longo de 108 países e empregando à volta de 77000 profissionais, o seu produto é a publicidade. Os meios, os recursos, a estratégia.

O Grupo Publicis estende-se pelas mais diversas áreas, tecnologia, consultoria, criatividade, multimedia, etc. O objetivo fundamental é acompanhar o cliente em todo o processo comunicacional. Ajudá-lo a lidar com a constante evolução dos negócios, fornecendo-lhe a orientação e os meios necessários, e sempre acompanhados por um plano estratégico.

Recepção Publicis, Sofia

Pessoalmente, no descortinar do meu destino no derradeiro dia do Campus, não pude disfarçar a minha felicidade. Ver-me relacionado com a Publicis AD, satisfez a minha expetativa,  aumentou a minha vontade de brilhar diante de toda a gente, e abriu gentilmente a porta a uma nova aventura.

Preparei-me como pude, não tive muito tempo, duas semanas não chegam para aprender búlgaro, mas fiz os possíveis. Falei com muitas pessoas, uns cá, outros fora. Tive uma pequena ideia do que me esperava, com quem ia trabalhar, e que tipo de projetos iria ter. Mas nada substitui a nossa própria experiência.

A primeira semana foi e será sempre a mais rápida e fácil de todas. Tudo é novo, as pessoas, a cidade, empresa, tudo. É também nestes dias que toda a gente se preocupa com a tua integração, o que é ótimo. No entanto, enfrentei alguns obstáculos, bons mas por vezes difíceis. E ainda bem.

Inicialmente não tive assim muito que fazer, era o novo menino. Então procurei adaptar-me e conhecer melhor as pessoas que partilharam escritório comigo. Todos simpáticos e bastante disponíveis. A parte boa é que toda a gente sabe falar inglês, e na zona onde eu estava, essa era a língua “oficial”. Perfeito.

Tive alguns projetos que serviram de warming-up, trabalhei com ambas as agências mas os primeiros projetos tiveram uma mãozinha da MLS Group. Tendo em conta que eles trabalham muito com estatística e tendências, tive que desenvolver vários conteúdos que representassem toda essa informação graficamente. Desde gráficos e infografias até à paginação de relatórios e apresentações. A parte fixe é que eles confiaram em mim, deram-me muita liberdade para trabalhar.

Eu sei que pode parecer aborrecido, e claro que tudo precisa de ser lógico, ter pés e cabeça, mas há sempre espaço par inserirmos um pouco do nosso orgulho em cada proposta. E isto é importantíssimo, eu procurei bastante o feedback de tudo o que fazia, é muito relevante criar este tipo de situações.

Eventualmente estes momentos deixarão de existir, isto porque se atinge um ponto que se poderá dizer que se conhece o processo, as pessoas e clientes. Tudo isto reduz bastante o tempo de execução, assim como aumenta a eficácia, o que é perfeito para mim e para todos.

E este é o meu primeiro conselho. Nem sempre tive os projetos mais aliciantes mas nada me impediu de me divertir na sua execução. Primeiro cumprir, a seguir, melhorar e depois, “reinventar”. Procurem tornar tudo interessante, e comuniquem, sempre.

Normalmente os meus dias resumiam-se a: assim que chegava, dava uma vista de olhas à caixa de e-mails, confirmava se havia alguma resposta ou feedback, e trabalhava no que me pediam. Quando havia tempo, o que por vezes acontecia: pesquisava uns quantos outros designers que pudessem servir de referência para outros desafios na empresa; ou simplesmente abusava do facto de ser estagiário e tentava acompanhar outros processos fora da minha zona de conforto; e oferecia-me para ajudar quem precisasse ou quisesse.

Havia tanto para explorar que, ser estagiário, me permitia isso. Vi isto como uma vantagem para esmiuçar todos os cantos do Grupo Publicis. Mais tarde percebi que grande parte do Edifício Abacus (local da empresa) pertencia à Publicis, facto do qual  não tinha noção.

Pude conhecer outros recantos entre os quais destaco a Saatchi & Saatchi, uma agência de publicidade mais radical, alternativa e com um ambiente alternativo. Surpreendeu-me ver um espaço assim, e posso dizer que passei um tempinho por lá, mesmo fora do horário de trabalho.

Este espírito mais curioso e interventivo que adotei na minha vinda permitiu-me abrir algumas portas que não estava a contar. Do nada passei a estar presente em algumas situações que provavelmente me iriam passar ao lado, caso não tivesse falado.

Foi muito bom ter mostrado a minha curiosidade e vontade, as pessoas passavam a lembrar-se de mim por causa de outras coisas, como eventos por exemplo. Posso dizer que ao longo do estágio tive vários momentos sem um computador à minha frente. Fui a reuniões, com ou sem clientes; fui a apresentações e comunicados, percebi como se introduzem grandes mudanças num grupo grande como este, e a melhor parte, conheci um número infindável de pessoas.

Na minha cabeça existia um período de 6 meses que tinha para fazer e conhecer tudo o que podia. Não queria de todo ter que voltar com algum tipo de remorso, queria ir com a mochila cheia de coisas novas. Por isso atirei-me de cabeça e assumi os meus objetivos e propus-me invariavelmente para fazer tudo. Repito, ser estagiário é ter esta liberdade e poder estar interessado em tudo. E este espírito mais irrequieto, sincero e ambicioso foi fulcral para que as portas se abrissem e houvesse mudanças em relação a mim. Dois meses depois de ter começado, troquei de departamento para o núcleo da equipa criativa da Publicis, aqui é que as coisas fixes eram idealizadas.

Se porventura tive uma adaptação fácil numa primeira instância, agora teria que o fazer novamente. Apesar de nesta altura já conhecer algumas pessoas daqui, esta vez não foi tão simples como a anterior.

 

A minha secretária, Publicis, Sofia

Escritório (entrada) Publicis

 

Escritório Publicis, Sofia

Neste caso, a maioria das pessoas deste novo local sabe falar inglês, mas por motivos talvez relacionados com a dinâmica de trabalho ou apenas cultural, o búlgaro aqui era a lingua oficial e provavelmente este foi o maior desafio de todo o estágio.

Lembro que na Bulgária o alfabeto usado é o cirílico. Portanto quem não está familiarizado com ele, terá que fazer o dobro do esforço pra traduzir cada mensagem. Primeiro é necessário descodificar cada letra, segundo tentar perceber o significado da palavra que se esconde por trás. Verdade seja dita, caso conseguisse ler fluentemente o alfabeto cirílico, aprenderia mais rapidamente a falar ou entender o búlgaro, mas mesmo assim não é fácil. Estive 2 meses num escritório em que não senti a necessidade de perceber búlgaro e de repente deixei de ouvir inglês.

Não quero ser mal entendido mas, quando se tratava da minha pessoa, eles falavam inglês, mas não deixa de ser frustante não entender uma conversa, mesmo não sendo complicada. Gostaria de dizer que pelo menos entendo o que dizem, mas não é de todo verdade. Assim sendo, a solução que me restou foi simplesmente investir um bocado mais no búlgaro: tentar ler os jornais ou menus de restaurante, tentar algumas coisas básicas como pedir um café, e imitar uns quantos colegas a falar.

Mesmo assim, e como alternativa ao meu búlgaro, achei importante investir um bocadinho mais nas minhas tarefas, fazer tudo melhor e dissipar o maior número de dúvidas possível em relação às minhas capacidades. Foi quase como dizer que o meu búlgaro é o meu trabalho. E a melhor parte é que se fizermos bem as coisas, eles vão querer mais de nós.

Pode demorar ambientarmo-nos, afinal de contas sou Português, sou expressivo, o sangue corre-me nas veias. Com algum tempo começámos a entender certas e pequenas diferenças nos hábitos de cada cultura. Mas dependerá sempre de nós encontrar um caminho. Dizer piadas, sair com o pessoal, fazê-los ver do que nós somos feitos, num país diferente, faz de nós pessoas mais únicas e interessantes.

Há dias em que, por não entendermos o que se fala em redor, se tornam difíceis de passar. Mas é para isso que cá estamos. Se fosse fácil, não tinha piada. Se não assustasse, não era desafiador.

Participei em grandes projetos, uns relacionados com branding, outros relacionados com visuais chave para campanhas publicitárias, muitas sessões de brainstorming e por aí fora.

Sem dúvida que esta nova fase foi mais interessante a nível pessoal. As coisas às vezes resultam, outras não, mas tudo tem um caminho e uma evolução. Por vezes demora a entender os requisitos, não por falta de explicação, mas por, por vezes, o pensamento praticado ser diferente do nosso

De vez em quando as marcas que nós tão bem conhecemos, têm um comportamento e personalidade diferente daquilo a que estamos habituados em Portugal (e isto aconteceu-me um par de vezes, o que é sempre interessante). No fim vamos para casa a pensar, à procura de soluções e novas ideias. O certo é que existem dias assim, uns mais “assim-assim” que outros. Uns não se sentirão tão produtivos, ou as coisas não funcionaram como queríamos, mas tudo tem um porto e 6 meses passam rápido.

No entanto encontrarão muitos detalhes que apreciarão, ora nas ruas, ora no trabalho. Um dos pequenos pormenores de que mais gostei, foi a banda sonora da empresa em todos os seus corredores. Uma coisa simples mas deixava-me bem disposto. Uma compilação de temas eternos, outros que não escutámos tantas vezes, tantas vezes, mas conhecemos e ainda uns quantos que nunca realmente ouvimos. Existem músicas, que na altura exata, podem mudar a tua tarde, o teu dia, ou mesmo a tua semana.

Houve dias que depois de forçar algumas ideias, e passadas horas e horas à volta do mesmo, uma ida à máquina de café era o  suficiente. Nunca me esquecerei de ouvir “We caught in a trap, I can´t walk out” (Suspicious Minds do Elvis) enquanto fazia o meu intervalo de 5 minutos. Ou num daqueles dias em que só pensamos em chegar a casa, despedir-me do escritório ao som de Cat Stevens, "Wild World", é algo satisfatório. São coisas simples, mas por vezes tornam aqueles dias diferentes, e eu gosto disso.

Corredor Publicis, Sofia

A Publicis tem uma simpática e rica biblioteca para os interessados. Uma grande opção de escolha, ora sobre design, ora sobre economia, tudo o que pertença ao mundo da publicidade está lá. Além disso, tem locais ao nosso dispor para simplesmente relaxarmos, muito confortáveis e silenciosos.

No que toca a refeições, têm tudo o que precisam dentro na cozinha da empresa, no entanto no rés-do-chão podem encontrar um restaurante, e no topo do edifício, um café/cantina também muito requisitado. Todos com boas condições e cómodos. E as pessoas, bem essas são brutais. Sem dúvida que fiz grandes amigos cá, e estão sempre prontos para ajudar.

Quarto de reuniões Publicis, Sofia

Varanda Publicis, Sofia

Eu adoraria  conseguir compilar cada passo do meu dia-a-dia, mas não ia bater certo com o diário de um criativo na Publicis.

Tenho mil histórias para contar, mas optei por escolher aquilo que fez mais sentido para mim e poderá fazer sentido para o próximo. Esta experiência fez-me grande, cresci muito, arrisquei imenso e percebi que só foi assim por ser estagiário.

O facto de estarmos à experiência permite-nos isso mesmo, esquecer a pressão, e não ter que saber tudo. Afinal de contas somos estagiários. Temos o direito de questionar, errar, responder e acertar. São só 6 meses para aprender o máximo possível e para alguns esta oportunidade não se repetirá.

Ser estagiário é poder arriscar mais que os outros, é não ter medo, é atirar-nos de cabeça para tudo. É não nos arrependermos e encher a mochila de experiência.

Ser estagiário é destacarmo-nos pelo que somos, é sermos genuínos e não robots. É ter uma perspetiva diferente, é ser outsider e integrar uma equipa.

Ser estagiário é responder a todos os emails, é estar sempre preparado. É desenrascar, não usar desculpas e chegar sempre a horas.

Ser estagiário é não esperar sentado, é criar as próprias oportunidades e dizer "sim" 99% das vezes. Ser estagiário, é seres tu, a tua família, amigos e a tua geração.

É ser isto tudo ao mesmo tempo, mas só uma vez.

 

Visão Contacto: Globalização - uniformização e/ ou diferenciação na arquitetura

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  Maria Manuel Pereira do Valle | C20

  Space Group Architects/ SPOL Architects

  São Paulo | Brasil

 

Singular, único, exclusivo. Numa sociedade onde, cada vez mais, se procura novas formas de comunicação e uma constante procura de identidade própria, o singular tona-se cada vez mais raro e, por consequência, mais apelativo.

Cidades como Paris, Veneza, Roma, Barcelona, Budapeste, Lisboa e Porto, tornam-se destinos populares pelas suas características únicas como o clima, história, cultura e arquitetura. Caraterísticas estas que, nos dias de hoje, são raras de se encontrar na cidade de São Paulo

Não sou conduzido, conduzo

Sendo a cidade mais populosa do Brasil, do continente americano, da Lusofonia e de todo o hemisfério Sul, São Paulo é o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul.

Fundada a 25 de janeiro de 1554, após a construção de um colégio Jesuíta, São Paulo recebe o seu nome em homenagem ao Apóstolo Paulo de Tanso. Durante os primeiros períodos da sua fundação chegou a ser a região mais pobre da colónia portuguesa. Contudo, após a descoberta de Ouro na região de Minais Gerais , na década de 1690, o seu estatuto altera-se passando, 11 anos mais tarde, de vila para cidade de São Paulo. Após a o ouro se ter esgotado, a cidade vira-se para a produção de café e para a plantação de cana-de açúcar.

 

 

Pátio do Colégio

Pátio do Colégio Local onde foi fundado a Cidade de São Paulo

 

Com a chegada da segunda guerra mundial, a crise na cafeicultura e as restrições ao comércio internacional, levam a uma taxa de crescimento exponencial, algo que gerou graves problemas, pois a cidade não se encontrava preparada para receber tantos imigrantes e refugiados da guerra.

Assim, o centro financeiro, que outrora se localizava no centro (ou centro histórico como é hoje conhecido), passa para a Avenida Paulista, levando à demolição das mansões aí existentes (muito poucas foram as que sobreviveram) e ao aparecimento, no seu lugar, de específicos ligados ao comércio. Poucos anos mais tarde, na década de 60, São Paulo atinge os 4 milhões de habitantes, tornando-se assim o município mais populoso do Brasil.

Nos dias de hoje, é a cidade brasileira mais influente no cenário Global e, por consequência, a 14º cidade mais globalizada do planeta, tendo sido classificada com a cidade global alfa pela GaWC (Globalization and World Cities Study Group & Network), o que, de certa forma, faz jus ao seu lema: Non ducor, duco (Não sou conduzido, conduzo).

Conhecida por exercer influência a nível nacional e internacional, a nível cultural, político e económico, São Paulo é sede de 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil e têm a segunda maior bolsa de valores no mundo, a BM&FBovespa, tendo assim, acesso às principais rotas aeroviárias  mundiais e às principais redes de informação no mundo. É a 7º cidade mais populosa do planeta, com 12 milhões de habitantes e a 8º maior aglomeração do mundo.

Atualmente, o seu crescimento desacelerou devido ao desenvolvimento industrial de outras regiões do Brasil. Contudo, esta cidade que outrora fora casa de um pequeno colégio jesuíta construído em taipa, São Paulo, passou de uma cidade com forte carácter industrial (uma cidade terciária, de certa forma) a ser o principal pólo de serviços e negócios do Brasil.

Devido à necessidade em responder a uma nova de cultura de comércio e design, o Brasil precisou de se adaptar, perdendo, de certa forma, a sua própria identidade.

 

Globalização: uma nova cultura de comércio e design

Tendo as suas raízes no Império Romano, quando estes pretendiam expandir os seus ideais pelo seu império, nos dias de hoje, a globalização nasceu da necessidade em responder a uma nova cultura de comércio e cultura design.

Esta última é apoiada por arquitetos que estudam, na sua maioria, outros arquitetos. Arquitetos que vêm a possibilidade e a potencialidade em construir edifícios com um design mais arrojado e ricos em materiais que no passado não seriam fáceis de adquirir e/ou comprar de uma forma tão rápida e a um custo tão baixo.

 A cultura do comércio é conduzida pelas necessidades e expetativas dos consumidores que gera novas oportunidades de mercado, manifestando-se através de edifícios como arranha-céus de bancos, cadeias de hotéis padronizados, companhias de franchise e shoppings compostos por lojas e marcas conhecidas internacionalmente.

A globalização é capaz de oferecer novas oportunidades de uma forma mais acessível e familiar, reduzindo as nossas limitações e tornando-nos mais consciente do mundo à nossa volta. Abre novas oportunidades para a diversidade do individual, libertando-o para novas experiências que outrora poderiam  tornar-se difíceis de viver devido às “fronteiras” que uma cultura possa apresentar.

Contudo, num mundo do mercado global, não existe um produto económico que não seja um objeto cultural. E o conceito de globalização nasce disso mesmo: do genérico e da padronização.

E São Paulo é o exemplo perfeito. Devido à necessidade em responder às imigrações em massa que a cidade foi sofrendo ao longo dos anos, a sua arquitetura tornou-se repetida e genérica, cujas poucas preocupações se basearam na rapidez e no rentável. Apesar de cada vez mais investidores procurarem algo mais singular, de forma a se destacarem num mercado tão saturado, estas não deixam de ser genéricas, até um certo ponto, pois o que interessa a estes investidores,  no final é a qualidade e a eficácia que o processo e o resultado final mostram

It would be hard, to put it mildly, to think of great architecture that is produced efficiently, let alone architecture that is produced – and consumed – as efficiently, as, say, Chicken McNuggets. Architectural creations that have the character of Chicken McNuggets – mass produced and virtually identical to every other one – would be thought of by few, if any, as great architecture.

George Ritzer in Can globalized commercial architecture be anything but highly Mcdonaldized?

 

Como Marc Augé refere na sua obra Não-Lugares, a arquitetura  é algo que está ligada a um lugar e este reflete os seus ideais. O comércio de bairro, algo que ainda resiste na cidade de São Paulo, mas com alguma debilidade, destaca-se não pela sua arquiteura mas pela sua ligação com a cultura do local onde se insere, rica e distintiva no seu conteúdo.

 

Comércio Local - Relação de um espaço dedicado ao comércio local com um condomínio privado

Comércio Local - Relação entre espaços dedicados ao comércio de bairro e um condomínio privado

 

Uma cidade ou um local, cuja arquitectura é “fabricada” e controlada, e desprovida de qualquer conteúdo, transforma-se em um não lugar. Porém, assim como é possível que estes não-lugares não sejam totalmente desprovidos de arquitetura que seja considerado algo, como acontece com os restaurantes da cadeia McDonalds, o oposto também existe. Um desses é o conhecido Shopping Light, no centro histórico da cidade. Outrora, edifício principal da empresa canadiana Light, responsável pelo serviço de energia elétrica da capital Paulista, este edifício que na sua fachada ainda apresenta todas as suas caraterísticas originais, abriga, nos dias de hoje, o Shopping Light. Apesar de albergar maioritariamente empresas conhecidas a nível mundial e que variam em conteúdo em resposta de acordo com cada lugar, este espaço dificilmente pode ser considerado com um não lugar.

 

 Shopping Light

Shopping Light

Hoje em dia vivemos numa sociedade, cuja a rapidez e o barato prevalece, sobre o conteúdo e qualidade. A globalização, e por consequência este tipo de arquitetura, é uma resposta bastante adequada que oferece bastante vantagens. Contudo esta standardização resulta no desaparecimento dos poucos  vestígios de identidade que a Cidade de São Paulo conseguiu, por enquanto, preservar, tornando-se assim numa cidade, em termos arquitetónicos, de tudo e de nada -  numa cidade McDonaldizada.

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Referências:

(1)    Banco de dados agregados (Consultado em 19-05-2016) - http://www.sidra.ibge.gov.br/

(2)    Globalization and World Cities Study Group & Network (Consultado em 19-05-2016) -  http://www.lboro.ac.uk/gawc/world2008t.html

(3)    Will Forces of Globalization Overwhelm Traditional Local Architecture?

By Roger K. Lewis (Consultado em 19-05-2016) - https://www.washingtonpost.com/archive/realestate/2002/11/02/will-forces-of-globalization-overwhelm-traditional-local-architecture/a4df29f8-7056-46ed-ad60-18be3e606323/

(4)    Can globalized commercial architecture be anything but highly Mcdonaldized? -  by George Ritzer (Consultado em 19-05-2016) - https://mail.google.com/_/scs/mail-static/_/js/k=gmail.main.pt_PT.RJvrSjsoAqU.O/m=m_i,t,it/am=nhGPBMyTcX8wrjMAyEofoDDv_eezJWXHLveg7oQJEKlXAP43-38A_wd70RYK/rt=h/d=1/rs=AHGWq9B98TvOD2y9DQ5fhb13ZCCFvi5O9Q

(5)    Globalization and architecture – by Frederic Jameson (Consultado em 19-05-2016) - https://mail.google.com/_/scs/mail-static/_/js/k=gmail.main.pt_PT.RJvrSjsoAqU.O/m=m_i,t,it/am=nhGPBMyTcX8wrjMAyEofoDDv_eezJWXHLveg7oQJEKlXAP43-

(6)    AUGÉ; Marc. Não Lugares. Tradução: Lúcia Mucznik. Lisboa. Edições Bertrand. 1994

 

 

Políticas e instituições de apoio ao empreendedorismo e internacionalização em Espanha

 

Daniel Araújo Esteves | C20

Beta-i | Madrid

Espanha

 

Atualmente, de forma a ser competitivo, é necessário ter uma atitude empreendedora. Um perfil que promova o desenvolvimento económico, a mudança e a tecnologia e que permita um destaque no mercado.

O empreendedorismo é considerado um fenómeno global que se verifica ser cada vez mais forte em países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. A necessidade de inovar continuamente e de encontrar novas ideias, fomenta este crescimento do número de empreendedores e de start-ups. Este movimento empreendedor implica também que novas políticas estruturais sejam tomadas, já que, por serem atividades inovadoras, muitas vezes não têm legislação que as cubra e por fomentarem também o emprego e a criação de empresas, devem ser desenvolvidas leis que promovam estas atividades.

Verifica-se também que várias organizações procuram apoiar os empreendedores e vemos também empresas como incubadoras, aceleradoras de start-ups ou espaços de coworking a criarem espaços e redes de contactos de forma a criar um ecossistema empreendedor que facilite e impulsione o empreendedorismo.

Visto que o meu estágio do INOV Contacto é em tudo ligado ao empreendedorismo, às formas de promovê-lo, melhorar as capacidades dos empreendedores e o seu acesso a uma comunidade que os ajude a desenvolver as suas ideias e start-ups, além de uma análise mais pormenorizada ao ecossistema espanhol, às suas instituições e políticas, vou expor um pouco da minha experiência de contacto com o mundo empreendedor.

A minha experiência

Portugal

A organização para a qual trabalho, Beta-i, é um dos grandes impulsionadores do empreendedorismo a nível nacional com eventos e programas de aceleração de start-ups reconhecidos internacionalmente pela sua qualidade como o Lisbon Challenge ou o Lisbon Investment Summit que teve lugar nos dias 7 e 8 de junho e que trouxe a Lisboa investidores, empreendedores e executivos de todo o mundo. Em Portugal, nas três semanas que estive nos escritórios da Beta-i em Lisboa, presenciei um ecossistema muito dinâmico, pró-ativo e maduro, mas ainda com uma larga margem de progressão. Temos um ambiente empreendedor em tudo internacional e aberto, como qualquer empresa portuguesa com ambições de escala deve ter.

Prova do sucesso Português enquanto promotores do empreendedorismo e da nossa afirmação enquanto uma das potências mundiais na área do empreendedorismo é a escolha de Lisboa como cidade que recebe o WebSummit, uma conferência sobre tecnologia que acontece anualmente há já 6 anos.

Neste evento podemos encontrar empresas que vão desde a Fortune 500 às empresas tecnológicas mais excitantes. Toda a indústria tecnológica, desde os poderosos CEO’s, aos fundadores de start-ups estarão no próximo mês de novembro em Lisboa para discutir e mostrar as últimas tendências e tecnologias. Verifica-se também um crescente interesse de aceleradores internacionais em instalarem-se em Portugal e seguirem de perto o crescimento e desenvolvimento da tendência empreendedora que se verifica.

Podemos assim falar de um impacto bastante positivo que o empreendedorismo tem trazido ao mercado Português, não só pelo interesse internacional no nosso país e nas nossas empresas como também pela criação de emprego que tem causado. Casos de êxito de Start-ups como Uniplaces, Farfetch, Aptoide, Feedzai, Veniam ou Codacy são a prova viva deste sucesso português.

Espanha

Em Espanha deparei-me com um ecossistema igualmente desenvolvido mas, de certa forma, mais fechado ao mercado interno espanhol. No entanto, logo na minha primeira semana em Barcelona participei em dois eventos de magnitude internacional. O 4YFN (4 years from now) é o evento que acolhe a comunidade de Start-ups tecnológicas. É uma ótima plataforma de negócio já que coneta start-ups, grandes empresas e investidores sempre com o pensamento que a cultura Start-up é uma força que permite impulsionar a economia e o tecido empresarial. O MWC (Mobile World Congress) combina a maior exposição mundial na área mobile com conferências com os executivos que representam os operadores móveis, fabricantes de dispositivos, fornecedores de tecnologia, fornecedores e proprietários de conteúdo de todo o mundo.

Na edição de 2016 foi possível observar os lançamentos dos últimos dispositivos móveis e de tendências como a Realidade Virtual e a Internet of Things por parte de muitos dos grandes players internacionais no panorama tecnológico. Estiveram presentes personalidades como Chuck Robbins, CEO da Cisco, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, Brian Krzanich, CEO da Intel entre tantos outros executivos de multinacionais.

Desde a minha chegada a Madrid, tive a oportunidade de estar a trabalhar num dos locais que, por excelência, promove o empreendedorismo e tem uma marca bastante positiva no ecossistema e comunidade espanholas nesta área.

O “Campus” é uma rede global de espaços que pretendem catapultar grandes ideias e moldar o futuro. Criada pela Google for Entrepreneurs, na rede “Campus”, o objetivo é criar e impulsionar uma comunidade próspera de start-ups. O Campus Madrid faz parte desta rede global. É um espaço onde se podem encontrar, a qualquer hora, dezenas de start-ups e empreendedores apoiados por várias organizações que promovem diariamente eventos, workshops e palestras.

A completar um ano de existência neste mês (junho de 2016), o Campus Madrid conta com várias organizações residentes que independentemente trabalham em prol da comunidade e do empreendedorismo e que têm uma contribuição muito positiva no panorama espanhol:

Tetuan Valley

Techstars

SeedRocket

TechHub

Ecossistema de Start-ups em Espanha

O ecossistema espanhol tem assistido a um grande crescimento ano após ano, contando atualmente com cerca de 1785 start-ups. Dados de 2014 determinam que as empresas emergentes, na sua maioria de base tecnológica, faturaram mais 29% do que em 2013.

Num país com este crescimento a nível empreendedor, também se encontram inúmeras organizações que apoiam start-ups e com negócios focados na promoção do empreendedorismo, no investimento e no impulso de start-ups, destacando-se os aceleradores de start-ups e as incubadoras.

Aceleradores de start-ups - programas com uma duração definida, direcionados a um grupo de start-ups e que inclui mentoria e componentes educacionais que permitem a fundadores de start-ups obter o conhecimento necessário para a criação de um negócio, para validar o seu produto ou serviço, encontrar o seu segmento de mercado e fortalecer todos os aspetos relacionados com negócio e desenvolver aspetos técnicos. Culminam normalmente num evento público de Pitch ou num Demo Day.

Incubadoras – empresas que apoiam start-ups no seu desenvolvimento, fornecendo serviços como espaço de escritório ou mentoria a nível de gestão.

Na imagem abaixo podemos visualizar os vários aceleradores, programas e incubadoras existentes neste momento em Espanha bem como a fase das start-ups a que se destinam (pré seed investment, seed investment ou crescimento), localização, duração ou a percentagem de equity com que ficam pela participação das start-ups nos seus programas.

Darei agora mais ênfase a oito das mais importantes e reconhecidas organizações no panorama espanhol. Dois aceleradores promovidos por empresas bem implementadas no mercado espanhol, dois promovidos por comunidades de empreendedores, dois pré-aceleradores e duas organizações muito ativas na promoção do empreendedorismo em Espanha, uma de Madrid e outra de Barcelona.

Aceleradores de Startups

Entrepreneurs’ Accelerators

Seed Rocket – é um acelerador de start-ups que oferece um Programa de Seed Funding Venture para start-ups com base tecnológica. A Seed Rocket proporciona um investimento inicial e trabalha com os fundadores no desenvolvimento das etapas iniciais das start-ups.

As Start-ups participam num programa de uma semana onde recebem treino e conhecimentos por parte dos mentores especialistas da Seed Rocket e profissionais da indústria que lhes proporcionam as chaves para desenvolverem com sucesso a sua ideia de negócio. A semana termina com um Demo Day onde as start-ups podem ter contacto com investidores e business angels.

Conector – O objetivo do Conector é ajudar, apoiar e acelerar projetos internacionais relacionados com internet mobile e novas tecnologias. Os mentores são o grande ativo do Conector já que são empreendedores de sucesso reconhecidos em diferentes áreas de negócio. É uma aceleradora de start-ups especializada em projetos digitais que estejam prontos para serem lançados no mercado. Têm um processo rigoroso de matching entre mentores e start-ups de forma a que cada equipa e cada mentor tenha a melhor experiência e possam retirar o máximo proveito do programa. O programa tem uma duração de 6 meses em que mentores e empreendedores trabalham juntos e discutem estratégias que se tomam decisões.

Corporate Accelerators

Lanzadera – A Lanzadera é um programa de aceleração promovido pelo presidente da cadeia de supermercados espanhola Mercadona. É, portanto, uma iniciativa privada que impulsiona e suporta projetos empreendedores líderes através de capital privado ajudando a desenvolver e valorizar as start-ups. Fornece soluções empresariais para que os empreendedores implementem modelos de negócio robustos. Convida indivíduos e organizações com projetos empresariais inovadores e oferece-lhes conceitos educacionais, económicos e recursos estruturais de forma a que possam implementar os seus projetos.

 

 

Wayra – é um acelerador de start-ups promovido pela operadora de telecomunicações Telefónica. Foi lançado em 2011 em Espanha e América Latina. Neste programa as start-ups recebem financiamento, espaço de escritório e mentoria. Além de impulsionarem ideias, através da Wayra, a telefónica pretende adquirir talento para a empresa. Conta já com 14 academias em 12 países da Europa e América Latina, sendo que o plano é dar apoio a mais de 350 start-ups.

Pre-accelerators

 

Tetuan Valley – é conhecido como o primeiro pré-acelerador de start-ups non-profit da Europa. Tem como principal objetivo a promoção do empreendedorismo e do desenvolvimento regional, sempre numa perspetiva tecnológica. Além dos projetos europeus em que participa ativamente, promove um programa de pré-aceleração de 6 semanas – Start-up School. Com um portfólio de mais de 70 mentores especializados nas mais variadas áreas, oferece aos seus alunos uma experiência única e de grande valor, de forma a desenvolverem as suas capacidades enquanto empreendedores, a montarem a sua start-up e a transformar as suas ideias num produto viável, com aceitação de Mercado e que seja escalável.

Startup Next – é um programa promovido pela Techstars que prepara start-ups para aceleradores e para investimento seed, promovendo mentoria de grande qualidade, impulsionando uma rede global de investidores, mentores e fundadores de start-ups. O programa está desenhado de forma a que os fundadores possam continuar a desenvolver os seus produtos e consiste em sessões de 3 horas semanais durante 6 semanas. À semelhança da Start-up School do Tetuan Valley, o programa é gratuito e não se obtem qualquer parte do capital das start-ups. Apesar de fazer parte da Techstars, o Startup Next não prepara as start-ups apenas para os aceleradores da techstars. Este programa já ajudou mais de 50 start-ups a integrarem em aceleradores top mundiais e a obterem mais de 40 milhões de dólares em financiamento.

Entidades promotoras do empreendedorismo

Barcelona Activa

 

"Barcelona Activa is integrated in the Area of Employment, Enterprise and Tourism at Barcelona City Council; it is responsible for promoting the economic development of the city, designing and implementing employment policies for citizens, and encouraging the development of a diversified local economy. For the last 30 years it has been a driving force behind Barcelona and its hinterland's economic activity, supporting policies to develop employment, entrepreneurship and business, while promoting the city and its strategic sectors internationally, but from a regional perspective."

Madrid Emprende

 

Madrid Emprende é uma organização dirigida pela Direção Geral de Comércio e Empreendedorismo, que planifica as políticas nas matérias de comércio, incubação de empresas e empreendedorismo. Ajudam, assim, empreendedores a por em marcha as suas ideias, impulsionando o espírito empreendedor, apoiando o emprego e as novas atividades económicas.

Madrid Emprende desenha estratégias para fomentar o empreendedorismo dos cidadãos de Madrid, promove relações e colaboração com outras administrações públicas, instituições e organizações, impulsiona a competitividade das start-ups de forma a fortalecer o empreendedorismo e a inovação tecnológica. Além disto, gere parques empresariais e promove iniciativas em torno do empreendedorismo e negócios.

Apesar de os números demonstrarem uma tendência de crescimento do ecossistema empreendedor e de start-ups, existem no entanto bastantes barreiras a ser eliminadas para dar resposta aos modelos de negócio que, pelo seu grau de inovação, são constantemente confrontados com regulações e normativas estabelecidas. Os principais obstáculos enfrentados pelas start-ups são evitar a fuga de talento, estimular o espírito e cultura empreendedores em todas as fases educativas, criar um marco regulatório estável que facilite a criação, gestão e encerramento de empresas, potenciar uma cultura global de empreendedorismo e melhorar o acesso ao capital potenciando assim o reinvestimento de lucros, atraindo investimento estrangeiro e melhorando o acesso ao financiamento coletivo.

 

Sem dúvida que entre as inúmeras dificuldades implícitas no processo de criar uma nova empresa, o acesso a financiamento é a maior. A ausência de recursos acaba convertendo-se na principal barreira de muitos potenciais empreendedores que, por vezes, acabam por desistir dada a escassez de financiamento. Deste modo, as ajudas e subvenções são um ótimo recurso para futuros empresários. Assim, além de políticas europeias como o Horizonte 2020 ou o Erasmus for Young Entrepreneurs, o estado espanhol, as comunidades autónomas (distritos) e entidades locais promovem subvenções anualmente. Há várias ajudas que o apoio estatal oferece aos empreendedores.  

Pagamento único do Subsídio de Desemprego

O pagamento único do subsídio de desemprego é uma ajuda que tem como objetivo facilitar o arranque de projetos empreendedores orientados para o autoemprego. Existem obviamente critérios que devem ser cumpridos para poder oficializar este pedido, como por exemplo, não ter recebido esta ajuda nos últimos quatro anos ou a obrigatoriedade de começar a atividade num prazo máximo de um mês.

Ajuda para jovens empreendedores

Com o desemprego juvenil superior a 50% e a dificuldade de acesso ao crédito, é natural que existam apoios adicionais para incentivar os jovens a empreender. Um destes apoios é o Empréstimo Participativo para Criação de Empresas para Jovens oferecido pela Enisa (Empresa Nacional de Inovação). Os requisitos são ter idade inferior a 40 anos e que a ajuda seja direcionada à aquisição dos ativos necessários para desenvolver a atividade.

Ajudas para mulheres empreendedoras

Estas ajudas e subvenções têm como objetivo facilitar o início de negócios por parte de mulheres empreendedoras:

• Microcréditos do Ministério da Igualdade – As condições deste financiamento destinado a mulheres dispostas a empreender são muito atrativas, já que os projetos viáveis não têm que apresentar aval.

• Ajuda do “El Instituto de la Mujer” – esta organização oferece numerosas ajudas a mulheres que desejem empreender, como por exemplo, acessoria técnica e financeira.

Ajudas à inovação

Espanha é um país dominado por atividades económicas sem componente tecnológico. Desta forma, surgem ajudas para empreendedorismo orientado a fomentar as atividades tecnológicas. O Ministério da Economia e Competitividade oferece um apoio fiscal a estes empreendedores. Proporcionam uma redução fiscal entre 35% e 60% para os projetos orientados para a investigação e o desenvolvimento tecnológico.

Ajudas e subvenções para empresas de base tecnológica

EBT – pensado para apoiar empresas de base tecnológica e de caracter inovador, sendo que existe uma grande preponderância do plano de negócios dos candidatos.

 • NEOTEC – as ajudas por parte deste programa financiam o desenvolvimento de novos projetos empresariais que requeiram o uso de tecnologia e conhecimentos desenvolvidos a partir da atividade de investigação e em que a estratégia de negócio se baseie no desenvolvimento de tecnologia.

• INNVIERTE – este programa integra a Estratégia Espanhola de Ciência, Tecnologia e Inovação (2013 – 2020). Esta estratégia tem também o objetivo de promover a inovação empresarial mediante o apoio ao investimento de capital de risco em empresas de base tecnológica e inovadoras.

Ajudas e subvenções das comunidades autónomas

Cada comunidade autónoma gere as ajudas e subvenções para a criação e modernização de empresas inovadoras. Trata-se de uma subvenção entre 15% e 40% do investimento destinado a empresas inovadoras.

Ajudas para Business Angels

Os Investidores, fundos privados e os chamados Business Angels são uma boa opção para o financiamento dos empreendedores e start-ups. Um Business Angel investe dinheiro, experiência ou uma combinação dos dois fatores. É chamado de “Smart Money” já que pode fornecer contactos, conhecimentos entre outros benefícios. Através da lei dos empreendedores, há ajudas importantes e deduções para estes investidores. Por exemplo, é possível uma dedução na sua declaração de renda de 20% até um máximo de 50.000€ além de que algumas comunidades autónomas adicionam uma poupança fiscal extra.

Ajudas à internacionalização

O comércio com o exterior é uma das bandeiras da União Europeia e como tal há vários apoios neste sentido. O principal apoio promovido pelo estado espanhol é através do Instituto de Comercio Exterior que oferece ajudas aos empreendedores que queiram entrar em novos mercados geográficos.

 

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 Ficha Técnica

Visão Contacto:
Artigos de opinião sobre mercados, sectores de actividade, diferenças culturais, empreendedorismo, inovação, investimento...

Colaboradores:
Estagiários INOV Contacto e Contacteantes

Editor:
Ana Pessoa e Isabel Azevedo

Edição:
Aicep Portugal Global

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