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A Altice quer contratar 500 jovens licenciados em Portugal até 2020 em áreas como data scientist, data analitycs, entre outras competências novas e necessárias para a transformação digital.
 
Para isso, a operadora estabeleceu com a Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e a Universidade de Aveiro protocolos que vão permitir agilizar transformação.
 
A Altice tem o compromisso de criar emprego qualificado em Portugal”, frisa Cláudia Goya, CEO da Altice Portugal.
 
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Conhecer a escrita dos contacteantes depois do INOV Contacto
 
Na Sessão de Encerramento da Edição C21, realizada no passado dia 29 de Setembro na Gulbenkian, foram oferecidos aos melhores classificados 4 livros escritos por Contacteantes,a saber:
 
- Uma volta ao Mundo  - Sandra Barão Nobre (C2);
- Corro para a Eternidade - André Oliveira (C5);
- Live like fiction  - Francesco Marconi (C13);
- O Grande Lóbi - Susana Coroado (C16). 
 
E tu, queres partilhar algum título da tua autoria?
 
DESAFIOS AO COMBATE AO DESEMPREGO - Reino Unido

Tiago Amândio Afonso Pinheiro | C20

Banco Comercial Português | Londres

Reino Unido

 

Introdução

Com a crescente evolução da Economia em geral, e as crescentes exigências do mercado laboral, torna-se cada vez mais difícil para os jovens ingressarem no mesmo e conseguirem uma evolução contínua.

No Reino Unido, este flagelo reflete-se da forma como em todos os países da UE, sendo a taxa de Desemprego Jovem mais do dobro do que a taxa de Desemprego Geral.

Como em qualquer economia evoluída, o Governo Britânico tem tomado medidas para combater esta praga que tem efeitos na Economia, não só imediatos, mas a médio e longo-prazo.

Prevê-se que o BREXIT em nada venha ajudar a diminuir estes índices. As grandes empresas já afirmaram que existirão alterações, principalmente aquelas cuja sede se encontra no Reino Unido.

As empresas de serviços irão reestruturar-se de forma a prevenir-se contra as consequências desta saída e isso, naturalmente, irá traduzir-se em realocação de postos de trabalho, o que fará estes números aumentarem. Isto afeta particularmente os jovens, uma vez que a classe laboral mais jovem apresenta índices de formação superior.

O Reino Unido como país

O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte é composto por quatro países. Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte integram aquela que é a 5ª maior economia mundial. Sendo uma potência a nível económico, militar e histórico,  o Reino Unido mantem uma posição de destaque/ liderança em todos as organizações que integra (G7, G20, NATO, ONU e União Europeia).

Londres é a capital e o centro económico, não só do Reino Unido, como também da União Europeia. Tem 8,400,00 habitantes e era, até há pouco tempo, a cidade mais visitada do mundo.

Economicamente, o “Bank of England” é o banco  central do Reino Unido, sendo o responsável pela emissão de moeda (Libra Esterlina - GBP).

Este é um país gerido parcialmente através de um mercado de capitais (o Governo não tem influência direta na evolução da economia). Londres define-se como a capital financeira, não só do Reino Unido, como de toda a Europa. Das 500 maiores empresas europeias, mais de 100 têm a sua base na capital britânica, sendo que, ao lado de Tóquio e de Nova Iorque, é um dos centros financeiros do mundo. Edimburgo é também um dos maiores centros financeiros europeus (43% dos habitantes desta cidade são graduados ou têm formação profissional).

Naturalmente, os serviços representam 73% do valor de toda a economia britânica. Outras Indústrias de destaque são a do Turismo (6º país mais visitado no mundo) e a criativa (7% da economia total).

Industrialmente, o Reino Unido foi pioneiro na Revolução. Teve como base o setor têxtil, sendo acompanhado pelo setor metalúrgico e pela construção de navios. Este desenvolvimento foi crucial para que os Britânicos conseguissem alcançar uma posição de liderança no “trade market”.

Vantagem essa que acabou por ser abalada assim que outras nações alcançaram também esse desenvolvimento. A participação nas duas Guerras Mundiais contribuíu também para o declínio da economia industrial, ao longo do século XX.

Sinal desta evolução é o setor da Agricultura, em que 60% desta atividade é produzida por 1.6% dos trabalhadores, devido maioritariamente à evolução tecnológica neste setor.

 Desemprego no Reino Unido

 

Desemprego no Reino Unido

 

 

Como podemos ver no gráfico acima, o Reino Unido segue as normas definidas pela Organização Internacional de Trabalho, sendo que classifica como desempregado alguém que procura ativamente trabalho, num passado recente.

Comparando a situação do Desemprego em geral, com a situação de Desemprego Jovem, deparamo-nos com as seguintes situações:

 

 

Podemos constatar que as tendências de evolução da taxa de Desemprego, geral e jovem, apesar de apresentarem a mesma trajetória, refletem números bastante diferentes. Numa análise a dez anos, a taxa de Desemprego geral, que se verificou no Reino Unido, atingiu um máximo de 8.1% em Outubro de 2011. No mesmo período, a taxa de Desemprego Jovem atingiu um máximo de duas décadas ficando nos 21.3%. As principais razões são a diminuição significativa do emprego “part-time”, o que fez com que empresas encerrassem postos de trabalho de menor relevância nas mesmas, bem como a situação sócio económica do país, assim como de toda a Economia em geral.  

O próprio Governo cortou 111,000 postos de trabalho. Outros argumentos, e que nesta taxa de Desemprego Jovem não estão particularmente visíveis, são as condições atuais do mercado de trabalho que fazem atenuar estes números. O facto de os jovens trabalhadores se submeterem a piores condições de trabalho, como horários menos flexíveis, menores salários, trabalhos mais precários, faz com que a entrada de novos trabalhadores no mundo do trabalho seja mais dificultada.

Falando numa perspetiva Europeia deste flagelo, em Maio de 2014, a taxa de Desemprego Jovem, na UE, era de 22.2%. Isto significa que, 1 em cada 5 jovens, não têm lugar no mercado de trabalho. Em Portugal, a taxa situava-se nos 34%. Em Espanha ou na Grécia 1 em cada 2 jovens não têm emprego.

Consequências e possíveis soluções

As crises económicas sempre tiveram particular incidência no Desemprego Jovem. Os que têm uma menor formação são os principais afetados por esta evolução negativa da Economia.

O facto de empresas não terem recursos para a criação de emprego torna difícil o acesso ao mercado de trabalhadores com menor formação escolar, uma vez que a evolução de conhecimentos nas áreas económicas e tecnológicas e uma crescente globalização, requerem menos suporte de um grupo com menor formação.

No Reino Unido, o combate ao Desemprego Jovem teve como adversidades os diversos cortes efetuados pelo Governo, a programas como o Future Jobs Fund ou o Education Support Allowance, que se destinavam ao apoio e preparação do segmento mais jovem da sociedade trabalhadora O Governo, no curto-prazo, pretende combater estas medidas através de incentivos à criação de entry-jobs” ou a “Graduate Programs” (o equivalente ao estágio IEFP em Portugal), que nem sempre se traduz em absorção, por parte das empresas, desses mesmos trabalhadores. São trabalhos que requerem “soft-skills”, e que exigem que os trabalhadores estejam prontos a desempenhar a função desde o primeiro dia, situação para a qual os estudantes que saem do Ensino Universitário não estão preparados.

A mobilidade apresenta-se como uma das possíveis soluções, uma vez que existe maior predisposição, por parte desta classe laboral, para se realocar noutro país. Programas como o Youth in Move, apoiados pela UE são exemplo disso, que faz parte de um investimento total de €6.4 mil milhões dedicados a este tipo de iniciativas. Medidas como a evolução do sistema de Ensino para uma preparação mais focada em termos práticos existentes no sistema de trabalho, do que nos termos teóricos em que se baseia atualmente, na maior parte dos cursos, podem contribuir de forma positiva para a integração mais rápidas no mercado de trabalho, e que faria aumentar a qualidade com que a mesma acontece.

Outras alternativas que podem e já estão a ser postas em práticas, para reduzir os números do desemprego e aumento da força da Economia, são o corte nos impostos ou a redução das taxas de juro, que farão com que se torne mais atrativo investir na Economia atual e apostar na criação de Emprego (com os níveis de confiança atuais não parece uma tarefa fácil). Estas medidas tornam-se particularmente complicadas, uma vez que o sistema bancário e financeiro, que davam suporte às empresas, apresentam-se ainda de forma bastante debilitada, consequências, ainda, do crash financeiro de 2007.

Para além disto, os Governos pretendem facilitar a mobilidade dos empregos, causando menos entraves aos despedimentos, o que não é necessariamente uma dinamização positiva do mercado de trabalho.

Aproveitando esta Era Tecnológica, hoje em dia existem centenas de plataformas digitais que ajudam na procura de Emprego.  Plataformas como o Linkedin, empresas de recrutamento como a Hays ou sites como o Indeed, são ferramentas essenciais para quem procura um novo emprego ou pretende substituir o atual. Particularmente no Reino Unido, existem apps para todo o tipo de trabalho, necessitando de formação ou não.

Esta é, sem dúvida, a forma que as empresas no Reino Unido mais utilizam para divulgarem as suas ofertas de emprego.

Conclusão

Com as condições atuais do mercado de trabalho, focadas no aumento do poder económico das empresas (não só no UK, mas no mundo em geral), torna-se difícil aos novos trabalhadores encontrarem forma de encaixar e se destacar no mesmo.

 A saída do Reino Unido da UE não ajuda a que este rácio diminua, uma vez que se prevê uma diminuição, a curto e médio-prazo, o que irá diminuir a criação de emprego. Armas como a iniciativa própria, uma contínua formação e evolução do conhecimento, são as alternativas que os jovens terão para singrar no mercado de trabalho e atingir os objetivos individuais de cada sujeito.

 

(Foto)Reportagem Quotidiano de um INOV na Entidade de Acolhimento

João Sottomayor

Acsendo SaS | Bogota

Colombia

 

 

A primeira impressão que tive do ambiente na empresa de estágio foi bastante positiva! A começar pela maneira como fui recebido... o meu posto estava todo equipado com um kit de boas vindas. Este incluía chocolates, donuts, um iced tea, mensagens de boas vindas e ainda uma camisola, para que assim eu pudesse literalmente vestir a camisola pela empresa!

 

 

Assim devem ser todas as boas vindas, a um novo empregado, em qualquer empresa!

 

O escritório da empresa é dividido a meias com outra empresa e ambas são constituidas principalmente por engenheiros, estes têm os seus postos de trabalho no primeiro piso, já a equipa de marketing (onde eu pertenço, e as de vendas estão no segundo piso.)

 

 

Aqui podem ver um bocado do espaço do escritório, tanto do primeiro como do segundo piso.

 

Por vezes os equipamentos com que trabalhamos têm de ser atualizados, neste caso não fui eu quem teve sorte, mas sim a minha colega designer, Catalina, que viu o seu portátil ser substituido por um iMac.

 

 

Esta foi a nossa reação

 

Como em qualquer startup, os momentos de tembuilding e de convívio são muito importantes. Desde aniversários, a almoços, babyshowers e fotos um pouco fora do comum, tudo é bem visto, com o objetivo de animar os trabalhadores e, assim, obter um clima laboral mais saudável e produtivo.

 

 

Alguns dos momentos de convívio!

 

 

Esta foi para aliviar os ânimos! A aproveitar a pausa do café

 

 

A prova que trabalhei! Sessão de fotografias para atualizar a base de dados.

 

Claro não podia faltar o kit de sobrevivencia.

 

Visão Contacto -   (Foto)Reportagem Ver Portugal no Mundo

foto de perfil

Ana Margarida Marques Chambel

DOC DMC Macau | Macau

China

Macau é um destino mágico, único e muito particular. Considerado a última colónia europeia na Ásia, é uma das regiões administrativas especiais da Republica Popular da China, tendo sido colonizada e administrada por Portugal até 20 de Dezembro de 1999,  por mais de 400 anos. Ainda hoje representa um forte ponto de ligação entre o ocidente e o oriente.

 A colonização deste pequeno território que por pouco supera os 30 km2 e contando com pouco mais de meio milhão de residentes, teve início em meados do século XVI, uma ocupação gradual que se faz sentir em cada recanto até aos dias de hoje.

Esta (foto)Reportagem visa dar a conhecer alguma da herança portuguesa que resistiu ao passar do tempo.

 

Ruinas de S. Paulo

Ruínas de São Paulo,  um dos monumentos mais emblemáticos da cidade de Macau. Outrora, antiga igreja de Madre de Deus e  Colégio de São Paulo, complexo edificado no século XVI e posteriormente destruído por um incêndio em 1835. Esta fachada é um dos melhores exemplos do valor universal excecional em Macau e um exemplo único da arquitetura barroca na China.

Praca do Senado

O Largo do Senado corresponde ao centro urbano e histórico de Macau. Tanto antigamente como na atualidade, continua a ser palco de grandes eventos e celebrações. O pavimento é constituído, na íntegra, por calçada portuguesa.

Casas Museu

Casas Museu, situadas na Taipa. Estas residências coloniais foram restauradas para a recriação das casas das famílias portuguesas que viveram em Macau durante a primeira metade do século XX.

Calçada Portuguesa

A calçada portuguesa está presente em grande parte da zona histórica da cidade. Nesta imagem, junto ao Casino Lisboa.

Egg Tart aka Pastel de Nata

Estes pequenos bolinhos são talvez o exemplo mais próximo dos tradicionais Pastéis de Belém. São considerados um marco gastronómico obrigatório de Macau e doçaria tradicional.

Jantar Portugues

A cultura gastronómica de Macau divide-se entre influências portuguesas e asiáticas. Nesta fotografia, um dos primeiros jantares num restaurante português.

Praca do Rossio

Réplica da Praça do Rossio, situada no MGM Casino.

Panchões

Nesta imagem, remetendo não só para o quão caricato podem ser as sinalizações em Macau, habitualmente traduzidas em Cantonês, Português e Inglês, como para o momento em que festejei a passagem de ano pela segunda vez em 2016. Desta vez, a passagem de ano chinesa, celebração que deu início ao Ano do Macaco, acompanhado por fogo de artifício ao longo de vários dias.

Farol da Nape

Fortaleza e Capela da Nossa Senhora da Guia, situada no centro histórico de Macau.

Zhuhai

Arco das Portas do Cerco, situado na fronteira de Macau com a China. Foi inaugurado em 1871 pelo Governo Português para homenagear os feitos heroicos portugueses na defesa e promoção da soberania portuguesa em Macau.

Vhils

Debris, exposição do artista plástico português Vhils, em Hong Kong.

Investigação e desenvolvimento: Cooperação entre Setor Público e Privado

Raquel Mendes | C20

University Campus Suffolk Ipswich

Reino Unido

 

 

As descobertas científicas, desde o começo da humanidade, têm tido um grande impacto na sociedade: desde a descoberta do fogo até às mais recentes, como a descoberta do Bosão de Higgs, o reconhecimento da importância da camada de ozono e o papel das abelhas para a manutenção da flora do planeta Terra.

 

O impacto destas descobertas na sociedade tem sido cada vez mais relevante e as descobertas de novos conhecimentos e soluções cada vez mais necessárias. Esta evolução foi muito gradual, mas nos últimos dois séculos tem ocorrido um aumento exponencial na descoberta de novo conhecimento. Como tal, tem também havido um crescimento na competição pelo conhecimento.

 

Embora a competição seja uma qualidade propícia ao desenvolvimento de novas ideias, pode resultar também em secretismo, ou relutância de partilhar conhecimento, o que poderá impedir uma melhor colaboração entre diferentes ramos da ciência. Se, como disse Robert A. Heinlein, “tudo é teoricamente impossível, até que seja feito”, é de suma importância divulgar o que já se conseguiu fazer. A investigação, tal como entendida pelo público em geral, ocorre maioritariamente no setor público, em universidades e centros de investigação.

 

Investigadores, alunos, professores, técnicos, todos contribuem para projetos e experiências que se concentram em domínios da biologia, bioquímica, física, humanidades e arte, tendo como finalidade um mais detalhado entendimento do mundo em que vivemos. É uma investigação mais centralizada, talvez, na procura de conhecimento por si só, sem objetivos práticos ou cujos objetivos de aplicação estão centrados no futuro.

 

Organizam-se em grupos de investigação especializados numa área específica de conhecimento. Dentro de cada grupo a troca de informações ocorre naturalmente através de reuniões frequentes para discutir o trabalho de cada um.

 

Dentro de uma mesma instituição/entidade, ocorre ainda alguma (por vezes limitada) troca de informações, quando, entre grupos complementares à procura de novas ideias os investigadores partilham os seus problemas e as suas dificuldades na esperança de obter respostas.

 

Na comunidade científica como um todo, contudo, a troca de informações torna-se complicada. Embora o estabelecimento de contactos seja essencial para um cientista prosseguir na sua carreira, ocorrendo trocas de ideias e de diferentes técnicas, a partilha de resultados não publicados não só é escassa, como é feita com certa relutância por parte dos investigadores.

 

Esta relutância tem uma lógica inerente: num mundo em que a publicação de resultados em artigos para revistas forma a base de avanço para um investigador na comunidade científica, a partilha de resultados pode resultar num roubo de propriedade científica e perda da hipótese de publicação e de evolução na carreira.

 

Consequentemente, poderá acontecer que dois cientistas em lados opostos do mundo estejam a trabalhar na mesma matéria sem saberem, quando poderiam concentrar-se em matérias complementares.

 

Já no setor privado a história é um pouco diferente. Aqui predomina a investigação e o investimento com o fim de obter lucro, pelo que a base da partilha de informação se torna inerentemente mais restrita. A empresa que tenha domínio sobre uma certa área não irá partilhar as suas técnicas e métodos com medo da concorrência e, consequentemente, perda de lucros. Assim, a prestação de serviços ou equipamentos específicos pode pertencer exclusivamente a uma empresa ou indústria.

 

Contudo, as empresas e indústrias também possuem unidades de investigação e desenvolvimento, onde os objetivos de produzir produtos para venda são planeados a longo prazo e não para um lucro imediato. Na indústria predomina essencialmente a investigação de tecnologia automóvel, nanotecnologias, rede de comunicações, energia, alimentação, entre outras.

 

Mesmo com objetivos diferentes, tem havido sempre alguma colaboração entre o setor público e o privado. Contudo, a maior parte dessa colaboração envolve a prestação de serviços: seja o fornecimento de equipamento pelas empresas ao setor público, seja a realização de testes específicos e técnicos por universidades ou por centros de investigação. A instalação de equipamento muito sofisticado (como, por exemplo, microscópios) requer a partilha de recursos (software, reagentes, etc.) e da manutenção que é imprescindível para o seu funcionamento continuado. Estes equipamentos necessitam de uma manutenção regular a qual requer, em geral, visitas do técnico da empresa específica que instalou o equipamento.

 

Mas estas colaborações não envolvem mais do que uma transmissão básica de conhecimentos, não ocorrendo aprendizagem mútua. Encontra-se ainda muito entranhada na mente dos investigadores a competição pela descoberta e pela posse de conhecimento. Por este motivo não há nem um evoluir sistemático da investigação, nem uma colaboração que poderia dar mais frutos, tornando a partilha entre o setor privado e o público mais uma transação comercial do que uma verdadeira colaboração intelectual. Por outro lado, os governos e empresas têm feito esforços consideráveis para mudar esta atitude.

 

Com a evolução de novas potências científicas e tecnológicas, como a India e a China, questiona-se se a Europa é capaz de se manter competitiva em termos de conhecimentos e inovação.

 

Vários projetos ambicionam solucionar este problema e baseiam-se num conceito de colaboração interdisciplinar, formando uma parceria entre o setor público e privado. A sua finalidade é responder eficazmente aos desafios sócio económicos da sociedade e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos europeus.

 

A noção básica deste projeto consiste em formar um mercado único de ideias onde investigadores, conhecimento e resultados circulem livremente. Este espaço permite que a indústria e os governos desenvolvam objetivos comuns a longo prazo, tanto em áreas relevantes para a sociedade, como de interesse comercial. Assim, pode atingir-se a resolução de problemas comuns a toda a sociedade europeia, quer no domínio das energias renováveis, para equilibrar a utilização de recursos naturais, minimizar e reutilizar resíduos e diminuir o impacto sobre o ambiente, entre outras.

 

Como disse Edward Teller, “a ciência de hoje é a tecnologia do amanhã”.

 

A cooperação entre o setor privado e público está ainda num estado muito inicial. Ainda existem vários impasses que importa resolver, tais como os múltiplos entraves jurídicos e práticos que impedem a mobilidade de investigadores, as dificuldades que certas empresas têm em estabelecer parcerias com instituições de investigação e, em geral, a carência de recursos necessários para que tais parcerias sejam proveitosas. Mas certas instituições, entre as quais se salientam as universidades, têm feito esforços para desenvolver parcerias, seja na procura de estágios para a realização de teses e pesquisasseja em ajudar no empreendedorismo dos seus alunos.

 

Mais recentemente, nos congressos organizados pelas universidades abre-se espaço à apresentação de novas ideias e ao empreendedorismo por novos grupos de jovens empresários que muitas vezes criam empresas interdisciplinares. Empresas também abrem concursos e prémios na tentativa de desenvolver a empresa e abrir novas oportunidades.

 

Esta cooperação e estes incentivos parecem-me essenciais para o desenvolvimento da Ciência e da sociedade, criando novas ideias e permitindo a sua transformação em produtos ou descobertas úteis para a sociedade e para o nosso planeta Terra.

 

Usando as palavras de Margaret Fuller, “Se possui conhecimento, deixe outros acender as suas velas nele”.

 

Responsabilidade Social e Ambiental na Transitex

Filipe Lacerda | C20

Transitex | Maputo

Moçambique

 

 

A Transitex é uma empresa bastante ativa em termos sociais, tentando criar as melhores soluções para as comunidades em que se encontra inserida. Sendo uma empresa prestadora de serviços, o foco vai essencialmente para ações sociais, e existe um sentimento de preocupação constante no dever de contribuir para o desenvolvimento das populações que a rodeiam, não se revendo apenas como um mero agente económico fornecedor de serviços.

Começando por Portugal, passando pelo Brasil e acabando em Moçambique, são inúmeras as ações sociais que a empresa organiza e apoia.

Em dezembro do ano passado, a contribuição de Natal da empresa foi para a Casa da Criança de Tires, uma instituição que ajuda as crianças a serem crianças, um direito adquirido, mas que infelizmente nem sempre é cumprido.

 

 

Ainda em terreno português, um outro exemplo da nossa grande preocupação social foi a campanha que realizámos de modo a juntar donativos em género e monetários para a União Zoófila.

 

 

 

 

No Brasil, no dia 26 de setembro realizou-se a comemoração do 7º aniversário do projeto social da Monte Plano F.C. Este projeto tem vindo a realizar ações sociais junto da comunidade do bairro México 70, em São Vicente (SP). Os principais objetivos são levar alegria às crianças desta comunidade, bem como trabalhar a sua autoestima.

 

O evento teve o nome de "Dia Feliz" e foi totalmente dedicado às crianças. Estas puderam desfrutar de diversas atividades e brinquedos. Foram-lhes oferecidos cortes de cabelo, escovas e pastas de dentes, serviços de saúde e, claro está, lanches e doces para todas.

Este evento foi apoiado pela Transitex Brasil, que espera continuar a apoiar esta e outras causas sociais, contribuindo positivamente para as comunidades que a rodeiam.

 

 

 

Em Moçambique, onde me encontro a estagiar no âmbito do programa INOV Contacto, temos uma ação social a decorrer. Chama-se “O Projeto Kutsaca”. Este visa apoiar uma comunidade rural na região de Bilene, em Moçambique, onde promove o desenvolvimento de aptidões pessoais e sociais entre as crianças da aldeia. O objetivo do projeto é proporcionar a estas crianças o acesso à educação, um dos princípios fundamentais reconhecido na Convenção dos Direitos da Criança (UNICEF), fundamental na tentativa de garantir a igualdade de oportunidades.

A Transitex quer ajudar o Projeto Kutsaca de duas formas: através da oferta dos serviços de logística para fazer chegar a Moçambique materiais doados ao projeto de Portugal e com um contributo para a construção da Escolinha Kutsaca. Este contributo vai ser gerado a partir de uma campanha de venda de lápis Transitex entre as equipas à volta do mundo, familiares e amigos.

 

 

Entre muitas outras, são inúmeras as atividades e ações que a empresa organiza e apoia.

Esta equipa procura assim ter uma atuação positiva junto às comunidades que lhe são próximas, pelo que organiza ou participa, sempre que possível, iniciativas de solidariedade com variadas causas, focando mais a sua atuação junto a instituições de países em desenvolvimento nos quais a Transitex se encontra presente.

 

Foto Reportagem - Arquitetura Portuguesa em São Paulo

 

Filipe Henriques Ferreira da Rocha | C20

Quandrante | São Paulo

Brasil

 

Introdução

 

São Paulo é hoje em dia uma cidade com uma multiculturalidade gritante. Devido à forte emigração ocorrida no início do século XX é possível encontrar em cada canto da cidade, exemplos de culturas diferentes. Desde a cultura japonesa, à italiana passando pela espanhola e a portuguesa. Esta diversidade de culturas tem um reflexo impactante na cidade e nem o mais distraído turista ou visitante que por aqui passa, pode deixar de reparar na oferta desta mistura de culturas. Desde cedo nos apercebemos de que existe um enorme bairro com uma comunidade de japoneses (bairro da liberdade), que equipas de futebol vestem as cores da bandeira italiana, que menus de restaurantes se enchem de pratos italianos e japoneses e que até pode comer o famoso pastel de nata, em inúmeras padarias portuguesas espalhadas por toda a cidade.

Sendo A Maior cidade do Brasil, é considerada o centro económico da América Latina. Alberga hoje mais de 11 milhões de habitantes.

Por ser uma metrópole tão numerosa e vasta, os edifícios altos e esguios são o tema dominante da paisagem. Mas nem por isso é difícil encontrar resquícios da nossa passagem nesta cidade. Apesar de São Paulo não ser uma cidade com forte influência da arquitetura colonial, ao contrário de outras grandes cidades brasileiras, ela tem, mesmo assim, o nosso toque artístico, o qual pretendo expor nesta reportagem.

Walking tour - Centro

Na procura da presença da “nossa” arquitetura, deparei-me com a necessidade de fazer um guia turístico pelo centro da cidade. Desde modo, a sequência de fotos que coloquei segue o caminho do walking tour, que pode ser feito de modo gratuito no centro da cidade de São Paulo.

Apesar do centro de São Paulo estar nos dias de hoje bastante degradado e não ser aconselhável percorrer estas ruas durante a noite, visita-las a pé durante o dia é uma experiencia enriquecedora. Assim, desafio todas as pessoas que queiram conhecer um pouco mais sobre a história, influencias e tradições de São Paulo a visitar o seu centro histórico. Este agradável passeio tem o acréscimo de proporcionar ao visitante encontros com a arquitetura local brasileira, sempre contando com a forte influência da cultura e história portuguesas.

 

 

Fachada na Avenida Ipiranga (Centro)

 

 

Começando na Praça da República e passando pela Avenida Ipiranga, podemos encontrar uma fachada de um prédio que tem o denominado estilo de Sombreamento. Este é o mote para a implementação destes elementos caraterísticos de uma arquitetura portuguesa. A sua utilização padece de duas questões, uma funcional, que pretende um arejamento transversal através do apartamento, bem como estético, resultado de uma junção intensa de uma forma/padrão da própria fachada do edifício.

É um detalhe muito utilizado na construção do séc. XX em Portugal, com princípios higienistas.

 

 

Fachada Rua Martins Fontes (Centro)

Na Rua Martins Fontes, se observarmos com atenção o topo do edifício podemos observar os detalhes que definem uma pura inspiração de meados do século XX portuguesa, como é o exemplo deste volume fabril. O detalhe redondo que remata a esquina do edifício faz referência à arquitetura de Cassiano Banco, que alegra Lisboa com algumas das suas linhas ortogonais partidas por curvas bem proporcionais.

 

Edifício São Lucas (Centro)

No edifício de São Lucas a Arquitetura do Estado Novo está presente. Este estilo é quase considerado um movimento português, marcou com rigor habitações sociais e fábricas com a sua traçada regular e preocupação funcional. Desde a funcionalidade em planta, bem como em fachada, limpeza e objetividade inspiram esta fachada de um edifício de escritório no centro de São Paulo, que outrora foi uma fábrica.

Edifício Banco do Brasil (Centro)

O Banco do Brasil é um elemento com uma arquitetura parisiense, apesar disso este é um edifício projetado por um arquiteto chamado João, de origens portuguesas. É um exemplo de influência cultural a todos os níveis, visto que é o resultado de um arquiteto português a projetar segundo padrões franceses algures entre o século XX em solo Brasileiro.

 

Calçada da Rua da Consolação (Centro)

Calçada Portuguesa na Rua Barão de Itapetininga (Centro)

O ponto comum entre estas duas importantes avenidas do Centro é o revestimento que veste o chão de ambas. A calçada portuguesa, que dá um toque menos cinzento que o asfalto, tem por tradição alegrar as ruas com os seus padrões e duas cores às ruas e avenidas. Este revestimento está presente em inúmeras ruas de São Paulo, não só do centro, mas de toda a cidade. Esta é claramente uma influência da nossa arquitetura paisagista e urbanista na cidade brasileira.

Igreja Santo António na Praça do Patriarca (Centro)

Esta pequena igreja católica no centro de São Paulo, é a mais antiga igreja remanescente da cidade, que data do século XVI. É um claro exemplo da passagem portuguesa por esta cidade. A igreja tem a particularidade de ter o mesmo nome que o santo padroeiro de Lisboa, que no Brasil tem uma conotação diferente do nosso. No Brasil Santo António é o santo casamenteiro e o seu dia é sinónimo do dia dos namorados (12 de Junho) no Brasil. Apesar de já ter passado por 3 incêndios ao longo da sua vida, a Igreja permanece de pé até hoje, para que seja um testemunho vivo que a arquitetura portuguesa está presente em São Paulo. A sua atual fachada é uma reconstrução que data do século XX.

Vila Olímpia

A Vila Olímpia/Itaim Bibi são dois bairros da cidade de São Paulo que contêm os mais modernos e luxuosos edifícios da cidade. É um bairro caraterizado por ser uma zona com muitas empresas, bares e arranha-céus. Esta área tem como som de fundo a forte atividade que se faz sentir e o som dos helicópteros e aviões que passam às dezenas diariamente. Hoje em dia é o centro económico da cidade

 

Restaurante Portucale na Rua Nova Cidade (Vila Olímpia) 

Esta pequena casa, trata-se de um pequeno restaurante na zona da Vila Olímpia, que apesar de ser uma zona em que os prédios modernos predominam, é possível encontrar um restaurante com uma entrada que faz referencia aos castelos medievais portugueses. É uma memória de um passado ainda mais longínquo do que época colonial. Quanto ao nome só poderia ser um - “ Portucale”.

Restaurante Rancho Português – Praça Carananduba (Vila Olímpia)

Este edifício, que dá corpo a um dos melhores restaurantes portugueses da cidade, é um exemplar da nossa arquitetura, que faz sentir qualquer Português em casa, mesmo estando a milhares de kms de distancia. Podemos ver na fachada o embelezamento que os nossos típicos azulejos dão ao corpo da moradia.

Esta moradia tem diversos pormenores que são retirados das nossas casas, como por exemplo a mistura de cores. O branco preenchendo a maior parte do corpo do edifício e as bordas a azuladas são uma caraterística das casas do Alentejo.

Avenida Paulista

Cruzamento da Rua Augusta com a Av. Paulista

A Avenida Paulista é certamente a avenida mais famosa desta cidade. Esta extensa Avenida que mais parece de Nova York, devido aos altos arranha-céus que a envolvem, é um importante centro de negócios e cultura para os Paulistas. É nesta avenida que se fazem os grandes manifestos e protestos do País, sejam eles de cariz artístico, político ou até mesmo de orientação sexual.

Durante o dia a atividade que nela coabita é frenética. Nesta mesma rua, tão importante para a cidade e para o país, é possível mais uma vez evidenciar traços da nossa influencia, como se pode ver pela calçada portuguesa presenta no chão do cruzamento da Rua Augusta com a Avenida Paulista.

 

Responsabilidade Social e Ambiental na Sotubos – Tubos de Moçambique, LDA

 

Catarina de Matos Martins | C20

Sotubos – Tubos de Moçambique, LDA

Maputo, Moçambique

 

 

A Sotubos – Tubos de Moçambique, LDA é uma das empresas que constituem o Grupo Alves da Silva. Atualmente, é uma das principais referências em Moçambique no que diz respeito à comercialização de todo o tipo de tubos, acessórios, materiais para canalização de água e gás, artigos sanitários, climatização, rega, materiais para construção civil e obras públicas. Conquistou esta posição no mercado, fruto do trabalho desenvolvido ao longo dos seus 20 anos de existência naquele país.

 

Por terem uma presença tão forte no mercado e por atuarem num dos países menos desenvolvidos do mundo, o papel que as empresas do grupo desempenham na sociedade em que estão inseridas torna-se ainda mais importante.

 

No âmbito da responsabilidade social, a empresa possui um programa anual de patrocínios e apoios sociais que ajudam a combater algumas dificuldades com que as instituições ou outras entidades se deparam diariamente. E os seus apoios são em áreas tão diversas como o desporto e obras sociais: a Académica de Maputo e o judoca Edson Madeira, a Casa do Gaiato e a Fundação Malangatana são alguns exemplos disso mesmo. Quer através da doação de bens, quer pela entrega direta de valores monetários, a contribuição dada pela empresa ajuda a melhorar um pouco as condições das instituições a quem doa, bem como as daqueles que por elas são apoiados.

 

Dentro da responsabilidade social, ainda que de forma indireta, existe uma outra área que assume elevada importância para o grupo e o meio em que se insere: a responsabilidade ambiental. Além da revenda de artigos, a empresa dedica, desde 2014, uma parte do seu plano de negócios também à produção, fabricando essencialmente tubos e acessórios em PVC, Polietileno e Polipropileno. Todo este processo de fabrico é feito de forma sustentável, através de uma política de desperdício zero em que tudo é reciclável e reutilizável.

 

Os resíduos emitidos são tratados, bem como todo o material que tenha na sua composição PVC, Polietileno e Polipropileno e apresente algum defeito (que invalide a sua comercialização), é reaproveitado nos planos de produção seguintes.

 

Mesmo antes do início da sua atividade, a fábrica foi alvo de um Estudo Ambiental que ajudou a comprovar a sua aptidão para produzir com reduzido impacto ambiental para o seu meio envolvente. Apesar das boas práticas já implementadas na empresa, há ainda muito a fazer no que diz respeito aos temas da responsabilidade social e ambiental. A própria cultura moçambicana ainda não está totalmente sensibilizada para estes assuntos, pelo que será de extrema importância cada vez mais empresas implementarem nas suas políticas internas pequenas práticas que ajudem a sensibilizar, não só os seus colaboradores, como a própria sociedade.

 

Num país como Moçambique, cujo potencial de crescimento é enorme, um pequeno passo poderá fazer toda a diferença no sentido de um desenvolvimento sustentável, tanto a nível social como ambiental.

 

Globalização – Uniformização e/ou diferenciação no Design

Filipe dos Santos Claro | C20
EDUdigital | Maputo
Moçambique

 

Com o advento da globalização, o design teve um papel de grande importância em disseminar informação, produtos e conteúdo pelos quatro cantos do mundo.

Na verdade, nunca tinha pensado no design em países em desenvolvimento. Podem  imaginar a minha surpresa quando descobri que vinha para Moçambique estagiar 6 meses na minha área de formação – Web e UX Design.
Neste artigo vou-vos falar da experiência até agora e a minha visão deste mercado.

Nas primeiras semanas, após ter chegado a Maputo, percebi 3 coisas:
1. O Design é uma disciplina inserida numa aldeia global;
2. O Design é uma disciplina local;
3. Ambos trabalham em conjunto.

 

Design é uma disciplina inserida numa aldeia global

Obviamente que o design é algo global, na medida em que é feito por pessoas para pessoas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das mesmas. O que realmente quero dizer com isto é que há certas maneiras de apresentar um produto que são válidas tanto na Europa e EUA (Ocidentais) como, por exemplo, no Japão ou China (Orientais). A diferença de culturas é bastante maior do que, por exemplo, em Moçambique, mais especificamente em Maputo, que teve e continua a ter influência Ocidental.

Falo especialmente de coisas essenciais como o aspeto de um título numa página web, um botão numa aplicação móvel e até o tipo de emoções que algumas cores desencadeiam nas pessoas.

Tudo isto é global: a estética das coisas muda com grande frequência, mas o comportamento humano é mais lento. Evolui à velocidade “biológica”, ao longo de várias gerações, assim como a seleção natural das espécies. Por isso há coisas que são válidas globalmente e continuarão a ser durante muito tempo.

O Design é uma disciplina local

Uma das vertentes não globais é a cultura local. Embora tenha sido ocidentalizado, Moçambique continua forte na sua tradição e cultura, o que gera outra abordagem no design. Definitivamente mais local e à imagem de um moçambicano.

Exemplos disso são os padrões coloridos das capulanas, a vivacidade das cores em cartazes alusivos a eventos e até mesmo nos sites de pequenas empresas locais.

Eu sei que aqui não consigo agradar a um cliente moçambicano fiel às suas origens com designs minimalistas - tendência global da área - pois o seu verdadeiro apelo vai de encontro a produções mais garridas em cor. É uma visão muito mais visceral do design e estimula uma reação quase instantânea da pessoa que está exposta ao produto.

Ambos trabalham em conjunto

Um bom produto não sacrifica a funcionalidade pela estética, embora existam, em várias partes do mundo, produtos que não cumpram com esses requisitos.

Em Maputo, tive a oportunidade de me cruzar com vários designers de outras empresas e percebi que, embora a necessidade de agradar ao povo moçambicano obviamente exista, estas grandes empresas não sacrificam a funcionalidade dos seus produtos.

Há que encontrar um equilíbrio que junte a funcionalidade e usabilidade de um produto com o prazer e agrado de o usar. Estas empresas moçambicanas fazem exatamente isso: casam as cores, a tradição e a cultura do seu país com a estrutura forte de um design funcional com raízes globais.


É claro que, ao longo do tempo e à medida que Moçambique caminha para o desenvolvimento do seu país, também o seu povo, estando exposto a esta grande rede que é a Internet, irá caminhar na direção de uma estética global.
Talvez em detrimento de si próprio, talvez em seu benefício.


Essa é a dualidade da Globalização.

  

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