A Índia, enquanto economia emergente será, segundo o FMI, menos afectada pela crise mundial que os países mais desenvolvidos. Segundo as previsões, o crescimento do PIB da Índia, que em 2007 foi de 9,2%, baixou para os 7,9% em 2008. Espera-se porém um ligeiro aumento para 2009. Os preços dos bens também têm vindo a baixar desde 2007 e espera-se que assim se mantenha em 2009. (Hindustan Times). Porém, a diminuição das exportações e a falta de investimento no país – essencial para o seu desenvolvimento, poderão vir a agravar esta situação.
Assim, as iniciativas tomadas por empresas e organizações no país, surgem não apenas para fazer face à crise Mundial, mas também, serão sobretudo, para combater os problemas internos que um país com 1.148 milhões de habitantes e em desenvolvimento enfrenta e com o qual se debate diariamente.
Os problemas sociais passam pelo crescimento incontrolável da população. Só Mumbai tem o dobro da população de Portugal, vivendo na sua grande maioria na rua, ou em condições muito precárias de higiene, sem acesso a serviços de saúde, e sem escolaridade. Esta larga porção da população indiana, desamparada e explorada, não vê outra solução que não seja ter mais filhos, e assim mais braços para trabalhar e trazer umas míseras 20 rupias para casa, por dia (0,31 euros).
Os problemas de infra-estruturas passam pelo facto de as grandes cidades indianas como Mumbai, Delhi, Bangalore, Chennai, Calcuta, Hiderabade não conseguirem acompanhar, a nível de infra-estruturas, o seu crescimento. Como resultado, deparamo-nos com estradas esburacadas, falta de passeios, edifícios sem qualquer tipo de estudo de impacto ambiental e paisagístico, ruas transformadas em lixeiras.
Os problemas económicos passam pela disparidade no que diz respeito ao crescimento salarial da população, agravando assim o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. A mão-de-obra é muito barata devido à sua grande oferta, e assim, explorada.
Como reacção a todas estas profundas e enraizadas dificuldades, várias medidas vão sendo postas em prática com o âmbito de fortalecer o país e torná-lo mais apto na luta contra crise. Esta luta passa em parte por saber usufruir das vantagens competitivas de cada país, a todos os níveis sociais e económicos.
O que tem a Índia de vantajoso relativamente a outros países? Uma vasta população, logo mão de obra, potencial tecnológico bem como humano, forte potencial no que diz respeito a desportos como cricket e hóquei, uma cultura exótica, uma história interessante, uma paisagem variada e exuberante e uma flora e uma fauna ricas e diversificadas.
Assim Delhi recebera em 2010 os Jogos da Commonwealth, tirando partido da sua história.
A sul do pais. Bangalore é considerado a Silicon Valley da Índia, usufruindo do seu potencial tecnológico e humano.
O país vai dando a conhecer a sua cultura através de jogos e campeonatos mundiais de cricket e hóquei, tendo já sido campeões mundiais nestes dois desportos.
A sua cultura multifacetada, que divide a sociedade em castas, englobando num mesmo território mais de quarto fortes religiões, centenas de templos, igrejas, mesquitas, um território onde se falam 120 línguas (23 oficiais) diferentes, onde as praias de areia branca ou escura se misturam com as palmeiras, onde os elefantes, os tigres, os camelos, as vacas sagradas abundam, onde o deserto, a montanha e os campos de chá e café se estendem a perder de vista, a Índia oferece a quem a visita, umas ferias inesquecíveis. Assim o país usufrui da cultura e beleza natural para atrair turistas.
Neste contexto deparamo-nos com grandes grupos como o Grupo Tata. O Grupo Tata, presente na Índia desde 1868, gere vários tipos de negócios, tais como construção automóvel, hotelaria (Hotel Taj – Mumbai), software e sistemas de informação, produção de aço, serviços financeiros, seguros, produção de energia, produtos de grande consumo (chá, café, livrarias), produtos farmacêuticos entre outros.
Este grupo foi pondo em prática ao longo dos anos várias iniciativas comunitárias, bem como apoiando a Arte e o Desporto através de patrocínios e sendo o “patrono” no que diz respeito à herança da cultura Indiana (tapeçarias entre outros).
Tem igualmente sob sua gerência o Tata Memorial Centre, hospital Nº1 no tratamento e investigação oncológicos, no qual 70% dos pacientes recebem tratamento gratuito.
O Instituto Indiano de Ciência também pertence a este grupo e engloba 40 departamentos de Investigação e Desenvolvimento, bem como um departamento de ensino nas áreas da ciência, engenharia e tecnologia.
É de salientar igualmente a preocupação ecológica deste grupo, incentivando o desenvolvimento sustentável, que proteja o meio ambiente e beneficie as pessoas que dele dependem, através do JRD Tata Ecotechnology Centre.
A Índia tem ainda um longo percurso a percorrer e muitos aspectos a fortalecer, como a questão da sensibilidade relativamente à higiene e à limpeza, das infra-estruturas, da corrupção, da alfabetização e da pobreza. Mas a verdade é que a Índia tem muito para oferecer a qualquer investidor, com grandes margens de lucro. Esta será a sua tábua de salvação nesta época de crise.