Pedro Filipe Rodrigues |C17
Ripórtico Engenharia | Praia
Cabo Verde
Estando eu na recta final do meu estágio em Cabo Verde e faltando apenas um mês para o final do mesmo, posso afirmar com toda a certeza que o povo cabo-verdiano é um povo bastante simples, hospitaleiro e amigável.
Através da interacção com as pessoas locais conseguimos obter a maior parte das informações de que iremos precisar para fazer o nosso dia-a-dia nesta cidade. Muito mais eficaz que uma busca na internet acaba por ser o diálogo boca-a-boca, e o facto dos cabo-verdianos serem simpáticos e conversadores simplifica muito os nossos problemas. A hospitalidade deste povo é impressionante. Qualquer pessoa, por mais pobre que seja, é capaz de nos oferecer, com toda a sua alegria, um pouco da sua comida, convidando-nos para entrar em sua casa. É realmente extraordinário, e faz lembrar tempos de outrora em Portugal, principalmente mais para o interior do nosso país.
Sendo que não há mudanças horárias ao longo do ano em Cabo Verde, o sol em média, nasce pelas seis e poucos da manhã e põe-se por volta das sete da noite, o que significa que a maior parte das pessoas começa o seu dia-a-dia muito cedo. É normal sair à rua antes das oito da manhã e ver a cidade completamente desperta e movimentada, o que torna o erguer muito mais agradável.
Mas nem tudo é um mar de rosas por estas terras no meio do oceano Atlântico. Sendo Cabo Verde um conjunto de pequenas ilhas contendo muito poucos recursos naturais, torna o país bastante pobre e com falta de bens essênciais. Significa isto que a maioria dos produtos que se comercializam por cá são importados e transaccionados a preços bastante superiores aos praticados em Portugal. Isto leva-me a outro ponto importante. Foi recentemente publicada uma lei que estipula que o ordenado mínimo cabo-verdiano é de onze mil escudos, o equivalente a cerca de cem euros. Ora, sabendo eu que a maioria do povo sobrevive com ordenados bastante baixos, torna-se evidente que será necessário “fazer ginástica” para se conseguir chegar ao fim do mês com pão e vinho na mesa.
É bastante comum ser abordado por crianças a pedir dinheiro e comida pelas ruas fora, principalmente junta a entradas de restaurantes e supermercados. A pobreza de Cabo Verde faz se sentir também nas infra-estruturas. O preço da electricidade e da água é bastante alto, sendo normal os cortes de electricidade e água pela cidade, principalmente nos bairros mais pobres. Cinco meses em Cabo Verde foram suficientes para aprender a sobreviver sem água durante quase uma semana seguida, fazendo-me perceber que a água em Cabo Verde é um bem essencial precioso que não deve ser desperdiçado. Neste momento, banhos com mais de cinco minutos de duração já pertencem a outros tempos!
Por último quero acabar dizendo que embora possam haver diferenças culturais significativas entre nós, Portugueses e os Cabo-Verdianos de cá, essas diferenças são bastante fáceis de ultrapassar tornando os seis meses de estágio neste país bastante agradáveis. Por cá fica a sensação de que o tempo passa a correr e ainda muito há para fazer e visitar!