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Fake news - a outra pandemia
Inês Mendonça | C24 | Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) | Bruxelas, Bélgica 

Há questões que me acompanham quase diariamente desde há alguns anos. É o caso de “Qual é o sentido da vida?”, “Será que vim bem agasalhada?” ou “Onde é que pus as chaves de casa?”. No entanto, nos últimos meses, a minha principal pergunta tem sido outra: O que será mais perigoso, a pandemia da covid-19 ou a da desinformação?

Vivemos num mundo em que tudo é instantâneo. Fast food, fast fashion, fast news. Uns noodles de supermercado demoram cinco minutos a cozinhar; uma notícia falsa leva ainda menos tempo a chegar ao outro canto do mundo. As redes sociais são o micro ondas da informação sem filtro, do discurso de ódio e da propagação das tão populares fake news. E a fiscalização do conteúdo disseminado? Esse fica entregue ao senso comum, que tantas vezes prova que de (bom) senso não tem muito.

No contexto de uma pandemia mundial, tudo isto ganha dimensões ainda maiores e mais preocupantes. Através de blogs, redes sociais ou até líderes mundiais, já obtivemos algumas informações bem “úteis”: que a medicação para a malária, o álcool e alguns produtos de limpeza podem proteger-nos do vírus do momento; que, se formos de nacionalidade brasileira, podemos estar descansados - o brasileiro “não pega nada”; ou até mesmo que o vírus foi criado em laboratórios chineses (ou americanos ou franceses, dependendo da preferência global de cada um).

Embora plataformas como o Facebook, o Twitter e o Instagram tenham desenvolvido políticas mais rígidas para identificar e eliminar a circulação de notícias falsas, grupos e mensagens privadas - não detectados pelos algoritmos - ainda podem ser um espaço propício à propagação do medo e do ódio.

As Nações Unidas têm, claro, um papel fundamental neste aspeto. É nossa missão e responsabilidade comunicar informação fidedigna, na qual as pessoas possam confiar e, acima de tudo, evitar que o espaço virtual seja invadido por mentiras que ponham em causa a segurança das comunidades. Por isso, e para combater a pandemia da desinformação, nasceu a Verified! Uma iniciativa que pretende aumentar a quantidade e o alcance de conteúdo preciso e confiável, ao convidar pessoas de todo o mundo para se tornarem “voluntários da informação” e partilharem material disponibilizado pela Organização com mensagens simples que contrariem informações erradas ou esclareçam dúvidas existentes.

Se as redes sociais vão salvar ou destruir o mundo, essa é mais uma das questões que deu entrada na minha lista. Mas uma coisa é certa: enquanto os “voluntários da informação” forem mais do que os da desinformação, enquanto os gritos da verdade se sobrepuserem às vozes da mentira, não há micro ondas que transforme fast food em real food.

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Created By: Inês Novais Mendonça da Fonseca
Published: 08-10-2020 3:18

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