Skip to main content
   
   
Go Search
Extranet InovContacto
  

Extranet InovContacto > Visão Contacto > Posts > Sabores de Cabo Verde (Narrativa do Viajante)
Sabores de Cabo Verde (Narrativa do Viajante)

Vasco Fael Cavalheiro | C15

Alidata

Mindelo | Cabo Verde

 

Deixo as minhas origens lusitanas e  4 horas depois  começa uma história que, por algum tempo, me fez fervilhar a pulsação: o desconhecimento do destino que, solitário, me levaria a ser feliz!

Logo após a chegada um recebimento caloroso, o “bafo” quente de terras de outrora que deixa para trás dias de intenso frio nacional, um cheiro e cores diferentes, as montanhas que me abraçavam neste território de gente simpática e calorosa que, de sorriso humilde, simples e sincero, não transmite a dificuldade que muitas vezes os persegue.

Todos estes dias que dificilmente conseguirei traduzir por estas palavras, foram dias de ensino de vida, muitas amizades criadas, expectativas que superaram qualquer ideia inicial acerca deste território.

Os funanás, as mornas, coladeiras e kizombas levam-nos a um clima de tranquilidade e amizade que, com certeza, irá deixar saudade e, sem exigência ou obrigação, me fará um dia regressar. Refiro-me também ao azul cintilante dos mares que invade o rochedo negro destas montanhas, as crateras de onde outrora brotaram lavas correntes, o verde de natureza simples e única.

São 10 diferentes paisagens, 10 ilhas que, conjuntamente, formam um país. Contrariamente à minha vontade e tendo em conta o vínculo profissional, não consegui deixar a minha pegada em todas elas, cada uma com deslumbramentos distintos, cada uma com suas tradições em que, sempre que aterramos, sentimos que mudamos de país ao mudar bruscamente o cenário paisagístico. Facilmente revertemos essa ideia, as pessoas estão lá, os sons estão lá, a tradicional comida está lá. Ok, mudou o cenário mas tenho a certeza de que continuo em Cabo Verde.

Por falar em comida, ainda não vos falei desses petiscos, as cachupas, o polvo grelhado, o bife de atum, guisado de búzio, a moreia frita, enfim de crescer água na boca, embora um pouco diferentes sentimos um pouquinho de Portugal nestas refeições, mas atenção nem tudo são rosas. Todo o cuidado é pouco e um descuido indesejado e lá vêm uns diazitos mal passados.

Vou-vos contar da meteorologia. Alguém pensou em chuva? Pois bem: eu pensei e digo-vos tenho saudades, muitas saudades, secura extrema, água do céu - nem vê-la, sol radiante e temperatura amena, avistam-se nuvens bem carregadas ao fundo, passam por nós, mas nem uma gotinha do precioso líquido. Ditam as histórias por cá que, mais uns meses adiante, se fará sentir em força.

No campo laboral a história complica-se um pouco mais, o ritmo é menos acelerado (bastante até), a compreensão verbal torna-se difícil muitas das vezes, não fosse o crioulo a língua mais desejada no diálogo cabo-verdiano. Mas, toda a boa vontade e disponibilidade deste povo acaba por compensar o estado de falta de paciência que por vezes nos atinge e acreditem que no desenrolar desta experiência acabamos por aprender a lidar.

Com o aproximar do final desta aventura começa a existir um misto de saudade das nossas origens mas, no fundo, deixamos também uma parte de nós enraizada neste lindo cantinho que com tanta “Morabeza” nos recebeu! Vou ter saudades, sim, e voltarei com certeza!  

Created By: Vasco Fael Cavalheiro
Published: 17-01-2012 12:00

Comments

There are no comments yet for this post.

‭(Hidden)‬ Content Editor Web Part ‭[2]‬

Visão Contacto