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Visão Contacto > Posts > A C24 Daniela Santos, que se encontra a efetuar o seu estágio INOV Contacto em Nova Iorque, deu uma entrevista à Revista Sábado sobre a sua experiência nos EUA. Podes Lê-la neste artigo:
A C24 Daniela Santos, que se encontra a efetuar o seu estágio INOV Contacto em Nova Iorque, deu uma entrevista à Revista Sábado sobre a sua experiência nos EUA. Podes Lê-la neste artigo:
Isabel Azevedo | Equipa INOV Contacto

Nova Iorque já começou a desconfinar, mas ainda não é possível, por exemplo, fazer uma refeição dentro de um restaurante. Um fenómeno novo decorrente da pandemia foi o aparecimento das esplanadas. "Não era algo comum em Nova Iorque porque a cidade é demasiado agitada. Mas, como agora só é possível fazer refeições na rua, os restaurantes estão a improvisar esplanadas em todo o lado", conta à SÁBADO, Daniela Santos.

Foi nesse âmbito que a portuguesa, de 24 anos, que está a trabalhar no Turismo de Portugal naquela cidade, teve uma espécie de experiência "ilegal" este fim de semana. Acidental, claro. No passado domingo, 28 de junho, foi com duas amigas à Quinta Avenida fazer compras e acabou por jantar na esplanada da emblemática pizaria Grimaldi’s.

"Estava imenso calor, 30 graus, mas entre fazermos o pedido e terminarmos as entradas, começou a chover torrencialmente e a trovejar. Corri sem pensar para dentro do restaurante e os senhores foram impecáveis e deixaram-nos terminar ali a refeição", diz. "Tivemos o privilégio de, pela primeira vez desde o início da pandemia, podermos comer dentro de um restaurante", conta.

Com a pandemia, a chamada "cidade que nunca dorme" ficou completamente alterada. Deixou de haver turistas nas ruas, a população da cidade diminui bastante (há muitas pessoas a virem da periferia) e até o metro começou a fechar durante a noite – entre a 1h e as 5h da manhã para limpeza, algo completamente inédito. Daniela Santos sente-se mesmo "a única turista na cidade". "Quando tiro uma fotografia a alguma coisa, fica tudo a olhar para mim. Devem achar que eu furei as fronteiras", diz, divertida.

Está na cidade desde 28 de fevereiro, mas só recentemente, a partir da segunda semana de junho, começou a sair para a conhecer. À semelhança do que aconteceu em quase todos os países do mundo, Nova Iorque iniciou o confinamento logo no início de março. Daniela começou em teletrabalho quando ainda andava à procura de um sítio fixo para viver. Mudou quatro vezes. Acabou por encontrar o ideal, justamente por causa da pandemia.

"Arranjar um sítio onde viver em Nova Iorque é muito difícil, mas, como a cidade deixou de receber turistas, e os alojamentos temporários deixaram de ter utilidade, os senhorios baixaram os preços", diz. Está numa moradia de três pisos, semelhante a uma residência, em Sunset Boulevard, Brooklyn. Vivem ali 9 pessoas. Os donos são da República Dominicana: é uma senhora de 70 anos, a filha, o genro e o neto. Além deles, há duas paquistanesas, uma delas é médica (o que dá imenso jeito), e um casal de Montenegro. Têm todos entre 24 e 28 anos – ela é a mais nova da casa (sem contar com o neto da senhoria).

Foi nesta casa que se infetou – sim, já teve a Covid-19. Mas também foi ali que lhe cozinharam canja para comer, quando estava doente, e onde tem intercâmbio (sem ser virtualmente) com pessoas de outras culturas.

"Celebramos os feriados cristãos ortodoxos, os feriados muçulmanos, tudo o que houver para celebrar", diz, bem-disposta. "Sempre que há uma ocasião para conviver juntamo-nos no terraço", diz. Ou pelo menos era assim antes da pandemia. O primeiro caso foi o da médica paquistanesa, que trabalha numa clínica e que mesmo durante o pico continuou a sair de casa. O segundo, e mais grave, foi o da senhoria de 70 anos – que chegou a ser internada, mas ficou só uma noite. O terceiro foi Daniela Santos.

"Por volta do dia 10 de abril comecei com febre, não muito alta, só chegou aos 37.5 graus, perdi logo o olfato e o paladar, e tive dores de cabeça e cansaço", recorda. "Mas nem foi tão mau como uma gripe", assegura.

Durante esse período, teve sintomas até dia 18 e nessa semana chegou a ser testada, a médica paquistanesa media-lhe a temperatura todos os dias e também avaliava o nível de oxigénio no sangue, para controlar a função pulmonar. Os restantes colegas de casa iam às compras e traziam-lhe tudo o que precisava. Um gesto que retribuiu quando a rapariga de Montenegro, que vive no seu piso, também adoeceu – foi o último caso da residência.

Considera-se uma sortuda por ter encontrado aquele sítio para viver, e aquelas pessoas. Porque, durante o pico da pandemia, quando as ruas de Nova Iorque estavam literalmente vazias e se tornou tudo mais assustador, não se sentiu sozinha. "Criámos um stock de enlatados e de coisas que podíamos manter na dispensa, lavámos a roupa toda que havia para lavar, e fechámo-nos durante duas semanas. Também cortámos o contacto entre pisos e desinfetávamos os espaços comuns duas vezes ao dia", diz.

Apesar de já ter tido a doença, não se sente livre de perigo e também prefere não arriscar. Até porque naquela casa há um bebé de um ano, e na sua família, que está em Portugal, há pessoas de risco. Só espera que, antes de regressar, em setembro, possa visitar alguns museus de Nova Iorque – que possivelmente abrirão em agosto, ainda sem certezas. Já a Broadway e os eventos desportivos terão de ficar para outra ocasião.

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Created By: Isabel Rute Azevedo
Published: 08-07-2020 19:03

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