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Contactos pelo mundo - Entrevista da C22 Alexandra Silva, Cabo Verde, ao C9 Jorge Salvador, estagiário no Chile e atual delegado da AICEP em Cabo Verde

Alexandra Silva | C22 | Fullservice company in multimédia | Praia, Cabo Verde

Contactos pelo mundo - Entrevista da C22 Alexandra Silva, Cabo Verde, ao C9 Jorge Salvador, estagiário no Chile e atual delegado da AICEP em Cabo Verde

A coordenação do Programa INOV Contacto desafiou estagiários (C22) a realizarem entrevistas a Contactos (ex-estagiários) que se encontrem atualmente nos países de estágio.

A entrevista que se segue foi realizada neste âmbito, sendo o interlocutor da C22 Alexandra Silva, o ex-estagiário Jorge Salvador (C9) que, nessa edição, realizou o seu estágio no Chile. É, atualmente, o Delegado da AICEP em Cabo Verde.

O Delegado da AICEP Portugal no Centro de Negócios da Cidade da Praia, em Cabo Verde, o Dr. Jorge Salvador inscreve no seu percurso a palavra Contacto. Foi estagiário da edição C9 do Programa INOV Contacto, na Delegação do ICEP do Chile, entre julho de 2006 e fevereiro de 2007..

De Santiago do Chile veio até Santiago de Cabo Verde, mercado onde eu própria me encontro. Na qualidade de estagiária do Programa INOV Contacto, procuro acompanhar a experiência do Dr. Jorge Salvador no Chile, mercado onde representou a AICEP Portugal durante alguns anos..

Como foi estagiar em Santiago do Chile, entre julho de 2006 e fevereiro de 2007? (Como foi chegar a Santiago do Chile sozinho? Como era o dia-a-dia do Jorge em Santiago do Chile? Como foi estagiar no Instituto do Comércio Externo de Portugal?)..

Santiago do Chile 2

Santiago do Chile foi uma surpresa. Aliás, eu fiz questão que assim fosse! Chegado a Santiago, encontrei um país muito desenvolvido face ao que imaginava ser o panorama da América Latina, encontrei uma cidade bastante moderna, com acesso a todo o tipo de bens e serviços, uma cidade bastante organizada, estruturada, limpa e relativamente segura. É merecido afirmar que a qualidade de vida no Chile estava ao nível dos padrões europeus e internacionais..

Chegar sozinho a Santiago do Chile

O que inicialmente parecia constituir uma desvantagem, veio a revelar-se uma oportunidade de acelerar o meu processo de integração cultural. Comecei por conviver com locais e com pessoas de outras nacionalidades, que ali estavam a realizar estágios, ou os que se encontravam expatriados e, obviamente, com alguns dos poucos portugueses que viviam no Chile nessa altura..

Assim sendo, não me fechei num grupo porque não existia esse grupo, o que implicou um célere nível de aculturação. Para além disso, não foi difícil estar sozinho, pois pessoalmente é uma situação que não me incomoda e eu já tinha 28 anos quando ali cheguei, portanto já tinha alguma maturidade e alguma experiência profissional, pelo que não foi complicado gerir essa situação..

Estagiar no ICEP…

A experiência foi muito gratificante, tanto pela área de trabalho, como pelo contexto internacional, pois até então não tinha experienciado viver e trabalhar no estrangeiro. Felizmente, tive um diretor e uma equipa que me acolheram de braços abertos. Só tenho que agradecer às pessoas que lá estavam nesse momento, em particular ao Dr. Eduardo Henriques, hoje em dia meu colega, e anteriormente, o meu mentor durante o estágio no ICEP..

No meu dia-a-dia sempre fui tratado como um colaborador/técnico da Delegação do ICEP, portanto tinha as tarefas inerentes à condição de técnico, ou seja, dar apoio ao Delegado naquilo que me era solicitado, em ternos de uma atividade normal de uma Delegação: responder a pedidos de informação, elaborar listas de potenciais clientes para as empresas portuguesas, apoiar missões empresariais, apoiar visitas de empresas portuguesas ao mercado e representar o delegado do ICEP ou a Embaixada de Portugal em determinados eventos..

O meu dia-a-dia era sempre bastante dinâmico e diversificado, portanto um dia nunca era igual a outro. Este aspeto também contribuiu para uma experiência bastante rica e gratificante. E foi assim que depois tive a felicidade de ser convidado para ficar como técnico daquela Delegação e, mais tarde, surgiu o convite para ser representante da AICEP naquele mercado, a partir de 1 de janeiro 2008..

Qual o sentimento de viver numa cidade com a cordilheira dos Andes no horizonte? Qual a ligação dos chilenos com os Andes?

A imponência da Cordilheira face à cidade é notória, impõe-se como ícone de Santiago e do povo chileno. A Cordilheira forma uma barreira natural de defesa, acompanha inclusivamente toda a extensão da fronteira com a Argentina. É fonte de minérios, de riqueza silvícola e pastorícia. É também conhecida pelo seu potencial atrativo turístico, veja-se que, só ao redor da cidade de Santiago, encontramos três estâncias de esqui. Para além disso, a cordilheira forma uma barreira natural contra pragas nocivas e contribui para a fertilidade dos solos. Por exemplo, a maioria das vinhas localizadas no sopé da cordilheira, consegue a sua sobrevivência e as suas características..

O Chile viveu uma Ditadura Militar entre 1973-1990, quais as marcas e vestígios desse passado recente?

Falamos de um passado relativamente recente, o regresso à Democracia teve lugar há relativamente pouco tempo, portanto, podemos afirmar que a sociedade chilena ainda conserva algumas marcas desse período. No fundo, não podemos falar numa verdadeira reconciliação nacional, digamos que as feridas ainda não fecharam totalmente, ocorrendo por vezes alguns episódios de crispação, sobretudo em datas simbólicas..

Como caracteriza a gastronomia chilena? O vinho chileno é amplamente reconhecido internacionalmente!

A gastronomia chilena é bastante diversificada e assenta sobretudo em produtos autótones. É caraterizada por uma forte matriz indígena, dos povos originários, o povo aimará, o povo diaguita do Deserto de Atacama, o povo mapuche e o povo rapanui da ilha de Páscoa, com ingredientes como, por exemplo, a quinoa..

No Chile, a gastronomia assenta, provavelmente, mais em carne do que em peixe, apesar do Chile ter uma costa muito extensa, com uma grande diversidade de pescado, com grande destaque para a pescada e o salmão. O Chile é, inclusivamente, o segundo maior produtor de salmão do mundo, a seguir à Noruega, sobretudo de salmão de aquacultura..

O povo chileno é bastante sociável e, por isso, gosta de reunir-se à volta de uma mesa para comer e confraternizar, sempre acompanhado de um bom vinho chileno, ou de um pisco sour como aperitivo. O vinho chileno tem, de facto, grande notoriedade e reputação a nível mundial, sobretudo porque apresenta uma boa relação qualidade/preço..

Quais as grandes surpresas e as melhores recordações?

Surpresas

1. Uma das grandes surpresas foi, de facto, encontrar um país bastante desenvolvido para os padrões que normalmente associamos à América Latina, gosto de apresentar o seguinte exemplo: quando cheguei ao Chile já se podia falar ao telemóvel, tanto no interior do metropolitano, como nas suas plataformas, quando em Lisboa tal ainda não era possível - só alguns meses mais tarde. Logo nessa altura, percebi que o Chile era um país que estava na linha da frente em termos tecnológicos e, ainda hoje, é utilizado como balão de ensaio para tendências de consumo na área das tecnologias de informação..

2. Encontrei uma cidade organizada, uma capital moderna com uma população relativamente jovem, encontrei todas a novidades e tendências mundiais, como Sanhattan (equiparada a Manhattan), local onde fica a Embaixada de Portugal..

3. O facto de os chilenos terem muitos pontos em comum com os portugueses foi, sem dúvida, uma grande surpresa. Talvez seja o povo menos latino de toda a América latina, caraterizado por uma idiossincrasia que, por vezes, é muito parecida com a nossa. Não são um povo muito efusivo, nem tão entusiasta como os argentinos e os brasileiros, diria até que chegam a ser tímidos, fruto também do seu isolamento, quer geográfico, quer político, num determinado momento..

4. Sem dúvida, a diversidade de paisagens e a geodiversidade, desde o deserto de Atacama, na região norte do país, à cordilheira dos Andes, os vulcões, os Lagos da Patagónia e, obviamente, a ilha de Páscoa e algumas praias de cor turquesa no norte do Chile..

5. Existe uma cultura de profissionalismo e de rigor no cumprimento de prazos, ao contrário da imagem que por vezes temos dos sul-americanos, isto é, de alguma desorganização, onde os prazos são relativos..

Recordações

1. A grande recordação é sem dúvida o facto de ter conhecido a minha mulher e de nos termos casado no Chile, bem como todas as experiências gratas que tivemos. Ficaram também os amigos, tanto chilenos como portugueses e de outras nacionalidades..

2. Outra das recordações é sem dúvida a participação em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos da América do Sul, onde representei Portugal durante a cerimónia de abertura, e a Copa América 2015..

3. O facto de ter conhecido pessoas muito relevantes na vida do país, em termos políticos, económicos, sociais e desportivos, aspeto que também me permitiu aprender imenso..

4. Por último, viver e trabalhar em ambiente internacional, mas também em ambiente diplomático, trabalhando em prol dos interesses portugueses e europeus no Chile. .

É curioso mudar de Santiago do Chile para Santiago de Cabo Verde…

Sim, achamos, de facto, curioso ir de Santiago na América Latina a Santiago em África, aliás acho que se tivermos um filho irá chamar-se Santiago, para além de ser um nome bonito, é também um nome que marcou inevitavelmente a nossa vida. Fica a curiosidade do nome….

A Praia é, obviamente, uma cidade mais pequena, que de facto, pode não oferecer a mesma diversidade que encontrávamos em Santiago do Chile, mas que nos oferece outros aspetos que consideramos bastante positivos para a nossa qualidade de vida. É o caso de não encontramos engarrafamentos a nível de trânsito, a ausência de poluição, ou do chamado efeito smog, que por vezes havia em Santiago do Chile, ou ainda o facto de as pessoas terem um ritmo de vida menos intenso..

Ao nível do desempenho das minhas funções de diretor da AICEP, encontrei um mercado com uma relação intrínseca com Portugal muito forte, não só a nível económico e comercial, como a muitos outros níveis, visto que são países irmãos, com uma história comum muito longa. Tem sido uma experiência interessante, deu-me a oportunidade de trabalhar ou conhecer áreas com as quais ainda não tinha tido um contacto muito próximo como, por exemplo, a área da cooperação, que está intrinsecamente ligada com o mundo das empresas e dos negócios. Para além disso, concedeu-me a proximidade a projetos que envolvem o financiamento e a participação das multilaterais financeiras..

Qual o conselho que daria aos estagiários do Programa INOV Contato?

Em primeiro lugar, recomendo que aproveitem muito bem a oportunidade que lhes é dada e aproveitar bem significa desenvolver um bom estágio, recolher aprendizagens, conhecimentos e competências profissionais, mas também competências brandas. Em segundo lugar, como estagiários que são, devem aproveitar o melhor de cada país, desfrutar da cultura desse país e desenvolver uma experiência multicultural, não só com os locais, mas também com pessoas de outras nacionalidades que aí se encontrem. Outro dos conselhos é viajar muito, o máximo que puderem, por forma a conhecerem outras realidades, seja o seu modo de vida, seja a sua forma de pensar e de estar. No fundo, devem valorizar-se a vós próprios e a experiência do INOV Contacto, pois o programa pode mudar a vossa vida, tal como mudou a minha. Portanto, devem empenhar-se ao máximo no estágio, tanto a nível profissional, como a nível pessoal, de maneira a ter a experiência mais enriquecedora possível..

Por último, é uma experiência relativamente curta, que passa bastante depressa, mas que não deve nunca ser menorizada..

No fim, ficam as amizades, o conhecimento, o networking, portanto devem dar-lhe de facto a importância que o Programa INOV Contato tem e merece.

Created By: Alexandra Isabel Pedro da Silva
Published: 17-01-2019 16:45

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