A frase que muitas vezes se repete entre amigos na brincadeira: aqui já não se aprende nada , deu o mote para uma nova busca. Tive alguma sorte e posso agora dizer que a busca correu bem.
Uma nova realidade, e a frase mudou para: O que é que se aprende aqui ?*
Na Costa de Caparica, durante uma semana de formação, aprendi um novo conceito/doutrina: O Poder da Visão. Ouvi atentamente e...
Bem, já que aqui estou não custa experimentar. Pode ser que resulte! - pensei eu.
Eu quero ir para os Estados Unidos. Já agora, para a Califórnia. Mesmo porreiro era ir para a Genentech – continuei.
Segui à regra as instruções e adorei a formação. Dessa semana, o que de melhor guardo são as novas amizades. Sei que para muitos serão contactos, para mim são amigos, continuo a querer apostar mais na amizade do que no NetWorking, opções.
Se calhar, O Poder da Visão resulta... ou não?
Neste momento estou quase, quase a dizer adeus a San Francisco (SF), a cidade que tem sido a minha residência desde Fevereiro. (afinal sempre vim para a California)
Se pensarem em San Francisco vão pensar em variadíssimas coisas, porque já toda a gente ouviu falar de SF e toda a gente sabe qualquer coisa de SF.
Mas, se vos disserem que vêm para cá, provavelmente, a primeira coisa que vos vem à cabeça é: “California” + “Sol” + “Praia”.
Pois bem, não me vou alargar na descrição de San Francisco, mas compreendam que pior do que ir à aventura é ir ao engano. Não vou desmistificar nada do que de mais execêntrico já ouviram de SF, até porque não consigo, muito pelo contrário!
O que quero acrescentar ao vosso conhecimento de SF é o seguinte: não pensem em Sol, nem em Praia. Mesmo já cá estando há 5 meses, nunca sei se estou na Primavera, no Outono ou no Inverno e, pior, tenho dúvidas se algum dia chegará o Verão. Sobre SF cidade é tudo.
Todos os dias de manhã o meu destino é o Virus Lab - Laboratório de Vírus, que está inserido no Grupo de Modelos Moleculares em Ratos do Departamento de Biologia Molecular. Isto tudo, e muito mais, pertence à área de investigação cientifica da....Genentech Inc. (O Poder da Visão a fazer das suas).
Um pouco da história da Genentech...
A Genentech foi fundada há 30 anos atrás, em 1976, pelo falecido Robert A. Swanson, empresário e pelo bioquímico Dr. Herbert W. Boyer.
No início dos anos 70, Boyer e o seu colega Stanley Cohen descobriram/desenvolveram uma nova tecnologia que se designa por Tecnologia de DNA Recombinante.
Esta descoberta despertou de tal modo o interesse de Swanson, que resolveu pedir uma reunião a Boyer.
Boyer aceitou reunir com o jovem empresário por 10 minutos. Swanson, convicto das suas ideias, conseguiu prender a atenção de Boyer para o potencial comercial que esta nova tecnologia poderia ter. A reunião de 10 minutos demorou três horas e, no final, tinha nascido a Genentech.
O principal objectivo da empresa era desenvolver uma nova geração de terapias, criadas com base em engenharia genética, nomeadamente, atravez desta nova Tecnologia de DNA Recombinante.
E em poucos anos, os cientistas da Genentech provaram que era possível fazer medicamentos usando esta tecnologia, ao produzirem proteínas terapêuticas em bactérias de crescimento rápido.
Hoje em dia, a Genentech continua a utilizar a engenharia genética para desenvolver medicamentos e assim ajudar milhões de pacientes em todo o mundo.
O meu trabalho na Genentech é em tudo adequado à minha formação académica e, apesar ter conhecimentos teóricos na área da Virulogia e Imunologia, nunca tinha executado 70% das técnicas que fizeram parte destes 5 meses, o que faz com que eu esteja contente com o meu estágio.
O que mais me surpreendeu, numa grande diferença, comparativamente à minha anterior experiência em Portugal, é a facilidade com que se obtem a matéria-prima. A título de exemplo, dentro da empresa existe uma outra área, a área de produção, que produz grande parte dos reagentes que utilizamos no nosso dia-a-dia, o que faz com que eu não precise de encomendar quase nada do exterior, e me poupa imenso tempo. Mas, se por acaso nós não porduzimos esse reagentes in-House, existem supermercados em alguns corredores onde podemos fazer compras, basicamente tirar da estante ou frigorifico, que o chip electrónico da equiqueta do produto automaticamente envia a informação para o fornecedor e o montante referente à compra é debitado na conta projecto. Assim, nunca ninguem tem desculpas para não trabalhar por falta de reagentes.
O acontecimento mais marcante foi a aquisição da Genentech por parte da Roche.
A Roche já tinha comprado 56% da Genentech em 1990 por 2.1 biliões de dólares quando esta ainda era uma pequena empresa de biotecnologia, com um punhado de tratamentos para o cancro, mas não tinha dinheiro para os desenvolver. Em Março deste ano, a Roche comprou os restantes 44% a 95 dolares cada acção, ou seja um pagamento total de aproximadamente 46.8 biliões de dólares.
A Roche comprou, assim, o lider mundial em medicamentos para o tratamento do cancro, com uma receita estimada em 13,5 biliões de dólares para 2008 , embora seja só a segunda maior BioTech do mundo porque o primeiro lugar pertence à Amgen (AMGN).
Esta nova entidade será classificada em sétimo no mercado americano, com vendas anuais de 17 bilhões de dólares e aproximadamente 17.500 empregados.
São exemplos como estes que confirmam o que muitos de nós já vislumbraram: o que mais atrai o investimento privado é o conhecimento.
Foi bom ter vindo trabalhar com/para os gigantes e a um mês do fim já penso no regresso.
Sei que vou encontrar Portugal diferente, e também sei que nao mudou assim tanto.
Para finalizar, visto que muitos de vós ja se terão interrogado acerca do título que escolhi para este artigo: Onde é que o titulo se encaixa nesta historiazinha? Pois bem, uma mensagem de motivação para futuros contacteantes/inóvios: aproveitem a oportunidade que Programa INOV Contacto vos dá, porque para onde quer que vão, e por muito diferente que seja, só têm a ganhar! Aconteceu agora comigo e pode acontecer amanhã convosco.
Nunca perdemos nada, porque o que é realmente só nosso... já nos está nos genes.
* Programa INOV Contacto