1.
“Bien Venida a Mendoza”.
Parece que foi ontem em que o meu nome apareceu naquele ecrã gigante, com o destino Argentina – Finca Flichman, Sogrape.
Fiquei numa excitação, tanto pelo destino como pelo privilégio de trabalhar para a Sogrape. Mas entrei em pânico ao saber que para a Argentina apenas iam dois estagiários (quando para o Brasil iriam cerca de 50). Pesquisei rapidamente no google, a que cidade poderia estar a Sogrape associada, e vi que tinha sede em Buenos Aires. Fiquei mais calma, pois em Buenos Aires tinha alguns contactos. Uns dias depois, comunicaram-me a cidade de destino: Mendoza. Fiquei sem palabras. Nunca tinha ouvido sequer falar desta cidade e, ainda por cima, iria sozinha. E aí começou a aventura…
Saí de Lisboa, em pleno Inverno e, após 24 horas em viagem, aterrei no aeroporto de Mendoza, em que estavam uns 40°C e um sol abrasador! Carregada de malas, casacos, mochila, cheia de calor, procurei o meu nome em alguns dos cartazes que esperavam os passageiros, e lá tinha o motorista da minha empresa à minha espera que calorosamente me disse: “Hola Filipa! Bienvenida a Mendoza!”.
Assim, fui muito bem acolhida na cidade de Mendoza, as pessoas são extremamente simpáticas, sempre prontas a ajudar. O que mais me custou foi arranjar casa, por serem muito velhas, ou com poucas condições básicas. Mas afastei-me do microcentro da cidade, e encontrei um apartamento óptimo com pessoas de outras nacionalidades. Vivi com uma chilena, duas francesas, um holandês, uma americana, uma mexicana e uma argentina. Uma óptima escolha!
Mendoza localiza-se no oeste do país, nas bordas dos Andes, e é um importante pólo de produção de vinho e azeite. O centro da cidade possui muitas árvores, regadas por canais pequenos, que funcionam junto a muitas ruas, proporcionando a irrigação necessária.
As ruas de Mendoza, entre a 13h e as 16h, ficam desertas, as lojas e todo o comércio fecha, para a “siesta” dos mendocinos.
A vida é muito barata, pago 1 euro (cerca de 6 pesos argentinos) por um bom naco de bife de vaca do lombo. No entanto, nos últimos anos, o preço médio de todas as coisas aumentou cerca de 30 %.
A carne aqui é uma coisa de outro mundo. Como carne dia sim, dia sim, porque para além de não haver carne melhor que esta, é difícil encontrar peixe fresco em Mendoza, apenas peixe congelado e muito pouca variedade.
Tratam-me muito bem na Finca Flichman, quase todos os meus colegas têm uma média de idade entre os 25 e 35 anos, o que permitiu criar grandes laços de amizade. Os horários de trabalho são um bocadinho duros, levanto-me todos os dias as 6h, porque a Adega é fora do centro, e demoro cerca de 1 hora até ao local de trabalho. Nada que não se resolva com uma “siesta” no caminho de volta para casa, ou com a vista fenomenal com que me deparo todos os dias.
O famoso “asado” (churrasco), aos domingos com a família, o “mate” (chá) todos os dias, a “tortita” ou “media luna” ao pequeno almoço, a “chocotorta con dulce de leche”, o “alfajor” e a “siesta” são tradições que não se podem tirar aos nativos.
Aos fins de semana, aproveito para ir fazer um dos tantos tours que a cidade oferece. Desde visita a adegas, cavalgadas na montanha, rafting, trekking, ski no inverno, etc…
Tem um clima invejável esta cidade, lembro-me que deste que aqui estou (5 meses e uns dias) choveu durante 5 dias. Diz-se que é a cidade do sol e do vinho! Para mim é a cidade perfeita para amantes de vinhos e de desportos radicais. Hoje, penso, não me podia ter “calhado” melhor cidade que Mendoza como destino. Foi uma experiência incrível, cheia de surpresas, novas culturas e tradições. Obrigada Aicep!
2.
Porquê voluntariado na Argenina?
A Argentina destacava-se na América Latina por ser um país com uma vasta classe média que tinham acesso à saúde e educação. Nas últimas décadas, como consequência de políticas erróneas e corrupções, sofreu várias crises económicas que deterioraram a qualidade de vida da sua população. Este longo processo começou no ano 2001 quando se desencadeou uma crise aguda que levou toda a nação à beira de uma desintegração social, económica e institucional. A crise estrutural em que se encontra a Argentina gerou uma grande quantidade de habitantes com necesidades básicas insatisfeitas, desocupação, desnutrição, ou seja, uma deterioração dos sistemas de saúde e educação pública.
A Argentina está repleta de Instituições (Caritas, Cruz Roja e Rotary) que promovem e organizam os projectos de voluntariado (projectos sociais, ambientais, educacionais, entre outros) e estão muito virados para o voluntariado internacional.