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Singapura, a Disneyland da Ásia (Narrativa do Viajante)

 

Vitor Manuel Freitas Ferreira | C15

AICEP Singapura - Business Development Agency

Singapura

 

 

Singapura, remete o Normal Europeu para 4 ideias:

- Crescimento Económico e Prosperidade;

- Sociedade Altamente Desenvolvida e Tecnológica;

- Regras e Leis extremamente rígidas;

- Uma enorme incapacidade na preparação de caipirinhas.

Ok esta última talvez seja mais pessoal. No entanto as quatro confirmam-se.

A Ilha do Futuro tem pouco mais de 5 milhões de habitantes, entre os quais se contam mais de 1 milhão de estrangeiros. Os nativos são maioritariamente de ascendência Chinesa (74%), Malaios (13%), Indianos (9%) e Outros (4%).

Religiosamente, o país também apresenta uma estrutura diversificada, realçando a vertente laica do Estado, Budistas (42,5%), Muçulmanos (14,9%), Sem Religião (14,8%), Cristãos (14,6%), Taoismo (8,5%), Hindu (4%), Outros (0,7%).

Num passeio por Singapura, em 10 minutos passamos por uma mesquita, depois uma igreja cristã, seguida de um templo Budista, um País laico por natureza e em que todos vivem em harmonia.

Toda esta diversidade racial e religiosa faz com que o choque cultural em Singapura seja equiparado a meter os dedos molhados numa tomada que, diga-se de passagem, é também aqui diferente, possuindo entradas trifásicas.

Esta enorme mistura racial leva a que na rua, no metro, ou num restaurante, e apesar da língua oficial ser o Inglês, estejamos constantemente a ouvir Mandarim, Cantonês, Bahasa, Tâmil ou qualquer outra língua que, aos nossos ouvidos, parece uma mistura da Simone de Oliveira a cantar a Desfolhada, com a informação sobre o trânsito e alguma estática. Isto porque os Singapurenses, entre eles, falam nos seus idiomas nativos. A língua inglesa é falada por 100% da população e no dia-a-dia profissional não encontrámos dificuldades.

No entanto, alguém que, como eu, NÃO pertence aos 10% da população que é milionária e não se pode dar ao luxo de viver nas zonas mais requintadas da cidade, tem o prazer de socializar com a camada mais pobre (1) e, por regra, mais idosa da sociedade. Neste extracto da sociedade fala-se, o Singlish, a mistura do Inglês com Chinês, que está para o Inglês na mesma medida em que o Mirandês está para o Português,e por vezes não é fácil acompanhar. A utilização de “Lah” como vírgula ou ponto final, e o can e cannot, são o mínimo dos problemas, a pronúncia com a cantiga do Mandarim, essa sim, pode levar-nos ao desespero Lah e cá!

(1) Por pobre entenda-se alguém que vive de uma forma mais humilde, sem abrigo e mendigos é algo que não vão encontrar aqui.

A população não é desprovida de criatividade e capacidade de improviso, mas tem esses ingredientes na mesma quantidade que uma mousse de chocolate tem pimenta. Essa não é minimamente estimulada pelo Sistema.

Os Singapurenses são completos seguidores, desde a escola, até ao mercado de trabalho, são perfeitos no cumprimento de ordens, organização e na execução de tarefas estabelecidas, qualquer coisa que fuja ao que foi definido anteriormente causa-lhes normalmente um curto-circuito. Podemos experimentar isso num restaurante, se pedirmos para dividir a conta por 3 pessoas, ou se pedirmos para mudar uma mesa de lugar. O pânico instala-se rapidamente com pedidos deste género e, por vezes, só a intervenção pronta do gerente ou de outros clientes consegue acalmar os restantes funcionários. Ora isto pode-se tornar bastante divertido e viciante para quem procura um pouco de animação na sua vida.

Esta característica da população explica-se pelo ambiente “protegido” em que se vive. A economia é totalmente aberta e com fantásticos resultados, no entanto politicamente e no que concerne à liberdade pessoal, levantam-se algumas questões: Um quinto da população são expatriados mas o acesso à informação do exterior é, de certa forma, limitado pelo Governo, que controla os jornais e a TV, aplica algumas restrições no acesso à Internet, proíbe a comercialização e consumo de pastilhas elásticas, proíbe fumar mesmo em espaços exteriores e nas ruas a 5 metros de qualquer porta, multa os pais cujos filhos chegam atrasados às aulas, pune crimes como o furto com chicotadas, tem pena de morte para tráfico de droga, obriga a medir a temperatura antes de entrar em certos edifícios e barra a entrada se tivermos mais de 38ºC, declara multas para quem beba água no metro ou passe a fronteira para a Malásia de automóvel e não tenha pelo menos 3/4 do depósito de gasolina cheio. Aqui, para obter um visto de trabalho fazem testes médicos e ser seropositivo é automaticamente impeditivo da entrada no país e o voto é universal e obrigatório, mas não é secreto.

Todas estas medidas (com algumas das quais estou de acordo, outras não), nos fazem pensar que noutro tipo de situação seriam altamente criticadas, quer pela população, quer pela Comunidade Internacional.

No entanto, Singapura mantém-se governada pelo mesmo partido político desde a sua Independência há 50 anos, sendo a alternância no poder inexistente. Mas, o certo é que a sociedade funciona, e mesmo com estes condicionalismos, penso que todos admitem que Singapura é hoje um centro financeiro e tecnológico de excelência e que os Singapurenses, na sua esmagadora maioria, têm condições de vida superiores a quase todos os outros países do Mundo. Muitos dizem que trocam alguma da sua liberdade pessoal pela liberdade económica, mas reconhecem também o aparente milagre que foi há 50 anos ser uma ilha que não passava de um pântano, sem qualquer recurso natural, e que é hoje o El Dorado da Ásia.

Singapura pode também ser descrita como Manhattan nos trópicos. (Relembrando que a Ilha está mais próxima do Equador do que Lisboa do Santuário de Fátima.) O estilo arquitectónico é moderno, construção em altura, avenidas largas e comparando com uma 5th Avenue, por exemplo, temos uma proporcionalidade inversa entre palmeiras e trânsito. Singapura compensa a ausência de um trânsito caótico com a plantação de plantas exóticas em avenidas deste estilo.

O Marina Bay Sands é um ponto de visita obrigatório. Transformou-se no símbolo da Prosperidade de Singapura, com mais de 2500 quartos e a piscina situada à maior altitude do Mundo e fica localizado a umas centenas de metros da maior Roda Gigante do Mundo, por isso percebem de que tipo de envergadura falámos nesta cidade. É destes títulos que os Asiáticos gostam, o maior Porto do Mundo, o maior Aeroporto do Mundo, etc. A disputa com a Malásia e Hong Kong por troféus deste género costuma ser intensa.

É uma sociedade completamente orientada para o consumo, não faltam Shoppings, Restaurantes, Bares, até os 2 Casinos existentes vão este ano arrecadar mais receita que Las Vegas. Aliás, Singapura é já o 2º maior destino de “jogo” a seguir a Macau.

Existem todo o tipo de opções para diversão, desde Skybares, Desportos Radicais,Teatros, até aos Universal Studios.

É um país que, à primeira vista, parece perfeito, mas a perfeição não é natural, é isso que notámos. Mais que perfeita, Singapura é artificial, desde a praia que foi construída com areia comprada aos países vizinhos, até aos hologramas que tratam do atendimento em estabelecimentos comerciais. Não deixa de ser, no entanto, um oásis no Mundo de hoje em dia, super seguro,  um país onde encontrámos uma qualidade de vida difícil de igualar, com um clima fantástico e que podemos de certa forma descrever como a Disneyland da Ásia. Façamos de conta de que o Paraíso existe e é aqui…

Created By: Vitor Manuel Freitas Ferreira
Published: 18-01-2012 12:00

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