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Uma oportunidade que desencadeou (muitas!) oportunidades
 
 
Testemunho do contacteante Sérgio Costa, C15
 

 

Em 2010 estávamos em plena crise financeira.

Foi talvez a pior altura dos últimos 15 anos para os recém-licenciados encontrarem o seu primeiro emprego.

No meu caso, devido à minha área de estudos, mestrado integrado em Engenharia Mecânica, era fácil encontrar um emprego a nível nacionalMas a minha ambição era iniciar uma carreira a nível internacional. Comecei por enviar currículos para empresas internacionais, contactar diretamente algumas empresas, participar em feiras de emprego e também concorri ao Programa INOV Contacto.

A falta de experiência era, no entanto, o principal motivo apontado para a rejeição das minhas tentativas. Ao contrário do que acontece na maioria dos países europeus, em Portugal não é comum realizarem-se estágios durante o mestrado, o que não enriquece particularmente os CV dos recém diplomados.

Uma vez que o meu sonho de uma carreira a nível internacional parecia cada vez mais difícil, foquei-me em arranjar um emprego em Portugal. Logo após a primeira entrevista recebi uma proposta de trabalho que resignadamente aceitei.

A primeira experiência deixa sempre marcas profundas. Neste caso, infelizmente as negativas superaram as positivas.

A relação entre os colegas era ótima, no entanto, nenhum de nós se sentia confortável com o nosso superior hierárquico. Tratava-se de um engenheiro autoritário, inflexível e fechado a discussões.  As nossas sugestões eram vistas como ameaças. As tarefas eram comunicadas como ordens e que tinham de ser executadas “o mais rapidamente possível” ou, como ele dizia, “para ontem!”

O horário de trabalho era de cerca de 10-12 horas por dia, em lugar das acordadas 8 horas. Para além de tudo isto, o meu contrato era ilegal. Esperávamos a aprovação da bolsa do IEFP

O que me deixava mais insatisfeito em trabalhar naquelas circunstâncias era o facto de sentir o trabalho árduo como infrutífero. Não havia planeamento, organização e prioridades,  o que levava a que se mudasse constantemente o sentido e o rumo das tarefas, sem que nada fosse terminado.

Perguntava-me (e passados 6 anos ainda me pergunto) como é possível que a maioria das pessoas achasse estas condições de trabalho normais? Sentia-me profundamente desenquadrado em tal ambiente profissional. Ansiava pela oportunidade internacional e, com ela, a esperança na mudança.

 

Figura 1. Início da carta de motivação para o programa INOV

Oportunidade 1 – INOV  Contacto

Passados 2 meses de atividade eis que recebi a (inesperada) resposta positiva do Programa INOV Contacto.

Figura 2. Confirmação da AICEP

Senti-me privilegiado e agarrei a proposta com “unhas e dentes”, mesmo que nessa fase a única certeza fosse a de o estágio  oferecido poder ter lugar em qualquer país do mundo, exceto Portugal.

Depois, pensei que talvez o destino não fosse tão aleatório como então julgava, uma vez que o meu destino correspondia ao meu sonho.  A empresa de acolhimento desenvolvia, provavelmente, o software mais completo, utilizado tanto a nível de investigação, como a nível industrial - Abaqus. A entidade que me foi atribuída está situada no maior centro de inovação e criação de empresas tecnológicas a nível mundial (Silicon Valley).

Tive assim uma oportunidade única de durante seis meses aprender com alguns dos mais inovadores e criativos profissionais do planeta. Bem como de visitar e explorar S. Francisco e a costa Oeste dos Estados Unidos.

Descrevendo as condições de trabalho comparadas com a minha primeira experiência nacional numa palavra: opostas. Assim, dei o meu melhor para ficar integrado na empresa. Infelizmente o meu melhor não foi suficiente, ou simplesmente não foi possível.

Voltei para Portugal e, novamente, à procura das escassas oportunidades internacionais. Mas desta vez a situação era diferente. Tinha 6 meses de experiência e tinha ganho coragem para recusar as ofertas nacionais.

 Oportunidade 2 – Consultor na Airbus

Passados 4 meses de procura diária recebi uma proposta aliciante de uma consultora que recrutava para o maior fabricante - em termos de encomendas - de aeronaves comerciais nos últimos 4 anos (Airbus). Sem o estágio profissional do INOV Contacto, as hipóteses de ser selecionado seriam quase nulas.

Aceitei a proposta e fui para Toulouse, sul de França, onde se situa a sede da Airbus.  Os dois anos que se seguiram foram de grande desenvolvimento, a nível pessoal e profissional.

 Embora existam diferenças substanciais entre trabalhar em França e nos Estados Unidos, quando comparamos também com Portugal, os métodos naqueles dois países são muito semelhantes. Por exemplo, as tarefas do meu superior hierárquico não eram “para ontem”, mas sim  “ prendre le temps necessaire” (leva o tempo que for preciso).

Mesmo estando muito satisfeito, a ambição falou mais alto. Aceitar novos desafios sempre fez parte da minha vida e embora estivesse a aprender imenso, já previa que em breve iria precisar de um novo desafio.

Foi então que a ideia de uma pós-graduação começou a adquirir peso. Assim, ao fim de dois anos de atividade industrial, decidi que se não agarrasse um programa doutoral aos 25 anos nunca mais teria coragem para o fazer.

Oportunidade 3 – Doutoramento na Suécia

A oportunidade de ingressar num programa de doutoramento veio da Swerea SICOMP, o instituto de pesquisa Sueco em materiais compósitos. Assim, iniciei um PhD (fora de Portugal). O que significa não ter que trabalhar em part time para pagar os estudos ou, na melhor das hipóteses, ter apenas bolsa em vez de salário.

Obviamente que me sinto um privilegiado. Passados 3 anos defendi a Licentiate thesis (só existe na Suécia) e vi uma das minhas duas publicações destacadas naquele que é considerado um dos melhores jornais de Compósitos.

Oportunidade 4 – Colaborar com o INOV Contacto

Fazer investigação numa área de destaque na atualidade, como é o caso dos materiais compósitos, requer muito planeamento e, uma vez que existem diferentes direções de investigação, é necessário priorizar. Uma boa colaboração é essencial.

Mesmo com tudo a funcionar corretamente, por vezes , cada passo em frente é precedido de várias tentativas falhadas. Na minha opinião, a investigação em áreas de grande interesse para a indústria constituem um percurso árduo e muito competitivo.

Felizmente,  posso contar com o INOV Contacto de novo. Pelo segundo ano consecutivo, a Swerea SICOMP e eu temos a oportunidade de contar com a colaboração de estagiários do INOV Contacto para nos ajudarem nos nossos projetos. Desta vez, eu faço parte da entidade acolhedora, tendo assim a oportunidade de dar a oportunidade a outros contacteates.  

Os meses de formação irão constituir uma mais valia para os estagiários e também beneficiar-nos através do seu envolvimento em projetos que vão desde novos materiais para absorver energia em caso de colisão e materiais que se comportam ao nível das baterias e ao mesmo tempo suportam cargas mecânicas  ao nível dos metais.

Existe uma satisfação muito grande de poder contribuir para um futuro mais sustentável tirando partido de novos materiais. Sem a oportunidade de estágio no INOV Contacto, provavelmente não estaria a fazer aquilo de que gosto e que sinto ser útil.

Passados seis anos desde o primeiro contacto, a apreciação pelo trabalho da AICEP e INOV Contacto é deste modo reforçada.

Assim se fecha um ciclo de “uma oportunidade que desencadeou (muitas!) oportunidades”.

Muito obrigado, sem vós não estaria aqui!

27 dezembro de 2016

 

Created By: Isabel Azevedo
Published: 01-02-2017 15:38

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